Sucessivamente criticado, anatemizado e sobretudo imitado, rompendo com a historiografia contemporânea e posterior, hoje ilegível, sobre a I República portuguesa, O Poder e o Povo mantém, trinta anos depois da sua 1.ª edição, a frescura de clássico, que na verdade é.
Recusando o modelo de uma história marxista, que era então a ortodoxia em Portugal e recuperando a importância da história política, O Poder e o Povo é a primeira e continua a ser a única visão desmistificadora, interessante e coerente desse período polémico da vida portuguesa.
Antecipando Simon Schama (Citizens) e François Furet, O Poder e o Povo é também a outros títulos uma obra pioneira: Vasco Pulido Valente recria a história narrativa, escrevendo de novo, com o seu singular talento, «sobre pessoas, famosas e humildes, ganhadores e perdedores, actores do processo de mudança histórica». Precedendo o momento em que os historiadores académicos começaram a responder a um novo interesse do público pela história, sem ceder no rigor da investigação como poucas vezes se verifica nas obras do género, O Poder e o Povo é, além disso, uma admirável obra literária.
VASCO PULIDO VALENTE nasceu em Lisboa, a 21 de Novembro de 1941. Licenciado em Filosofia pela Faculdade de Letras de Lisboa e doutorado em História pela Universidade de Oxford, é Investigador-coordenador do Instituto de Ciências Sociais (ICS-IUL). Leccionou no Instituto Superior de Economia da Universidade Técnica de Lisboa, no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa e na Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa. Foi Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro e Secretário de Estado da Cultura no VI Governo Constitucional (1980-1981) e deputado à Assembleia da República (1995). Colunista dos jornais Expresso, Diário de Notícias, A Tarde e O Independente. Comentador da T.S.F., da Rádio Comercial e da TVI. Foi ainda co-argumentista dos filmes O Cerco, de António da Cunha Telles (1970) e Aqui d'El Rei!, de António Pedro Vasconcelos (1992) e argumentista do filme O Delfim, de Fernando Lopes (2002). Publicou, entre outros, Os Militares e a Política: 1820-1856 (1997); A República Velha: 1910-1917 (1998); Glória (2001); Marcelo Caetano: As Desventuras da Razão (2002). Faleceu a 21 de Fevereiro de 2020.
Excelente leitura. Aprendi muito com este livro sobre este período da nossa história. Em particular, destaco duas coisas: esqueçam o lado romântico, dos ideais humanistas e altruístas da implantação da república, é completamente falso; segundo, cem anos depois, só mudaram as moscas…
Magnífica leitura! O registo histórico não é nada habitual pois as considerações do autor sobre os factos são muito visíveis ao longo do texto. A ironia do autor é finíssima e às vezes nem tanto, como por exemplo na forma como adjectiva os dirigentes republicanos. Para quem gosta de história é um livro delicioso, particularmente para quem tenha simpatia pela direita política (o que nem é o meu caso...).