Tendo os socalcos durienses como cenário, e a segunda metade do século XIX como principal contexto histórico, este é um romance que se centra, principalmente, na conhecida Antónia Adelaide Ferreira e em Vespúcio Ortigão, detective ficcionado.
As duas personagens principais do romance histórico terão de lutar contra obstáculos comuns - a superstição, o desprezo pela racionalidade e pela inovação - para conseguirem vencer os seus rivais que são, respectivamente, a praga da filoxera e um misterioso “serial killer”.
Nasceu em Moura onde estudou até aos quinze anos. Continuou os seus estudos em Beja e depois já casado e com dois filhos em Lisboa, fez o Bacharelato em Biologia, em 1975, tendo sido a partir desse ano, professor do Ensino Secundário, dessa área, até 1978.
Nesse ano ingressou na Polícia Judiciária e foi o primeiro classificado no curso de investigação criminal e formação de inspectores.
Até 1990 pertenceu a brigadas de furto qualificado, assalto à mão armada e homicídios.
Várias vezes louvado, deixou aquela instituição para se dedicar à vida académica.
No entanto, regressa dois anos depois para junto da então direcção da PJ com a incumbência de proceder aos estudos e avaliações do movimento criminal. É nestas funções de assessoria que participa nos Casos de Polícia, programa da SIC que marca uma viragem nas relações entre polícia e comunicação social. Os 12 anos como inspector da Polícia Judiciária, proporcionaram-lhe inúmeras experiências e inspiração para as suas obras de ficção, sendo algumas delas adaptadas para televisão, através da sua produtora Antinomia.
Licenciou-se em História, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Simultaneamente desenvolveu intensa actividade como escritor. Várias vezes premiado em Portugal. Colabora regularmente em vários jornais e revistas nacionais. Desenvolvendo estudos sobre a violência e morte violenta, dirigiu a equipa que identificou e trasladou os mortos do cemitério da Aldeia da Luz, numa das operações científicas mais impressionantes dos últimos anos.
No que respeita à política é independente. Depois de na juventude ter vivido a euforia decorrente do 25 de Abril, com 21 anos, afastou-se de qualquer actividade política. Já depois de ter abandonado a PJ, aceitou por duas vezes integrar, na qualidade de independente, listas do PS à autarquia de Moura mas com o aviso prévio que não estaria disponível para aceitar lugares de acção política. Residindo em Santarém (S. Bento), o PSD deu-lhe apoio.
A 8 de Junho de 2009 foi feito Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.
Apraz-me muito ler sobre a nossa terra e as nossas gentes, e este é maravilhoso porque nos relata a fibra e a tenacidade das mulheres do Norte através de D. Antónia Ferreira, mulher destemida mas muito justa e solidária.
Um verdadeiro exemplo retratado com uma loquacidade deliciosa onde ficamos a conhecer uma das casas mais prestigiadas de vinhos do Douro a par de uma investigação criminal, ou não fosse o escritor um ex inspector da P. J.
*Lido no âmbito da 1ª fase do Concurso Nacional de Leitura de 2012/ 2013*
4,5 estrelinhas
Este foi o primeiro livro que li de Moita Flores e não poderia ter ficado mais surpreendida.
A ação desenrola-se nos belos socalcos do Douro, onde D. Antónia Adelaide Ferreira, amavelmente chamada de Ferreirinha, luta ferozmente contra a praga da filoxera que destrói as vinhas. Paralelamente, também Vespúcio Ortigão, um cultíssimo bacharel, trava uma luta desesperada para descobrir o assassino de seis donzelas virgens que apareceram mortas com o ventre aberto nas terras da Ferreirinha.
Ambas as personagens me cativaram pela sua força, perseverança e determinação ao lutar contra diversos tipos de adversidades. :D
Recomendo vivamente que se deixem guiar por Moita Flores até ao Douro e vençam a filoxera junto a D. Antónia e desvendem quem é o autor dos crimes com Vespúcio!
"Fúria das Vinhas" de Moita Flores gostei muito. O livro é uma mistura de factos históricos com um policial. está muito bem escrito, simples e de fácil leituara. É um livro que não apetece parar de ler e muito menos quando se termina ficamos com pena. Fiquei com curiosidade de saber mais sobre a D. Antónia Ferreira e o seu percurso no Douro. Que mulher extraordinária...que força...que inspiração. Aconselho vivamente.
Uma delícia ... uma verdadeira delícia. Um livro que se lê de uma só vez. Uma biografia de uma mulher surpreendente muito para além do seu tempo, com um toque de um autêntico policial.
Foi o primeiro livro de Moita Flores que li, e não será o último certamente.
Surpreendeu-me a escrita, o cuidado nas explicações, a forma como tudo se integrava perfeitamente.
O tema em si é interessante. Saber mais sobre o Douro é sempre bom, e quando o fundo da história é verídico, fico logo ainda mais entusiasmada. A Ferreirinha é o retrato de centenas de mulheres do norte, que têm muito mais garra do que qualquer pessoa julga e, num mundo onde normalmente apenas os homens reinavam, foi certamente uma mulher admirável :)
Gostei de acompanhar a sua história, gostei dos que a ajudaram e lutaram contra a praga maldita durante a sua vida. Tive pena por Francisco Torres, e irritei-me muito contra os filhos dela, que, coitada, teve sorte nos negócios mas algum azar com a família. Valeram-lhe os netos, que saíram melhor que os pais!
Quanto aos crimes que se juntam à história, e ao detetive/advogado Vespúcio Ortigão, só posso dizer que nunca ficou a sensação de que existiam apenas para encher páginas. E que no fim fiquei tão surpreendida como todos os outros com o revelar do terror! Quem diria? Nunca pensei, fui bem levada todo o livro, tão focada nas bruxas!
Sim, esta é uma história pequena que vale bem a pena ler, e deixou-me curiosa com os outros livros do autor :)
Paixão pela terra, amor pelas vinhas e um assassino à solta…
A Fúria das Vinhas é isto e muito mais. É a história de vida de Antónia A. Ferreira, a Ferreirinha, uma mulher grande em afecto, em solidariedade, em inteligência e em empreendedorismo.
Vespúcio Ortigão é uma figura que foge aos padrões de uma pessoa normal para as pessoas da sua época. Filho de um amor proibido entre sua mãe e o pároco de uma aldeia vizinha, tornou-se bacharel em Direito graças à ajuda de Ferreirinha.
Estão unidos por uma admiração mútua e obcecados com dois problemas. Ferreirinha não descansa enquanto não derrotar a praga da filoxera que ameaça devastar todas a vinhas do Douro, pondo em causa milhares de pessoas e o futuro do vinho do Porto. Vespúcio teima em não acreditar que algumas mortes de raparigas novas de lugares vizinhos, não se devem à voracidade dos lobos nem tão pouco são casos isolados.
O desfecho desta história? Não vou contar! Detesto saber o que vai acontecer nas histórias, por isso jamais aqui escreverei o fim de um livro… Mas sim, é mais um que vale a pena ler.
Moita Flores consegue distanciar-se dos romances apenas vagamente históricos e repletos de futilidade, e ao mesmo tempo evitar o preenchimento do enredo de pormenores desnecessários para uma ficção deste tipo. Valorizo a dignidade com que o escritor consegue retratar a dureza da vida das gentes do Douro, sem cair na tentação (como variadas vezes acontece) de as ridicularizar. O leitor percebe melhor a duplicidade da personalidade de Ferreirinha neste romance, do que na série de televisão da RTP. A parte ficcionada do livro, serve como “page turner” e para compreender melhor os fundamentos do pensamento lógico dos criminalistas, que seguem ainda hoje uma actividade complexa, que não é exacta, como nos policiais de Conan Doyle ou nas recentes séries CSI.
A nota final vai para o papel essencial, contra a pretensão da capital, de Antónia Adelaide Ferreira nos caminhos-de-ferro do Douro. Infelizmente já não me surpreende o crescente abandono do seu legado.
Nota-se a léguas a paixão de Moita Flores pela investigação criminal (ou não tivesse ele sido um inspector da PJ). É o segundo livro histórico que leio dele em que isso se torna evidente! Moita Flores consegue contar-nos a luta de D. Antónia (a Ferreirinha) contra a filoxera e ao mesmo tempo ter uma história policial bem conseguida. É sem dúvida um autor português de quem gosto muito.
Uma leitura muito agradável e para os amantes do Douro é uma fonte de descobertas históricas e a sua mais conhecida admiradora das cepas dos sucalcos durienses.
Lembro-me de, há uns anos, ter visto a série A Ferreirinha e sabendo que o autor tinha resolvido transportar algumas das personagens para este livro, a curiosidade era muita. Temos como personagens principais Dona Antónia Adelaide Ferreira, a Ferreirinha, e Vespúcio Ortigão, um advogado com "faro" de detective e cujo pano da acção é, como não podia deixar de ser, os socalcos no Douro. Já sabia que D. Antónia era uma mulher cheia de garra e com fortes sentimentos de justiça e solidariedade. Uma mulher que nunca baixou os braços e que sempre lutou pelas vinhas, nomeadamente contra a praga da filoxera. Paralelamente temos Vespúcio, um homem que graças à bondade de D. Antónia, estudou e tornou-se advogado mas com uma forte "inclinação" para investigar crimes. E na região, aparecem mortas, algumas jovens e que tudo leva a crer que terão sido os lobos mas, Vespúcio julga que está perante um "serial killer" e vai fazendo os possíveis (e os impossíveis) para tentar desvendar o culpado/a. Gostei muito de ficar a conhecer um pouco melhor D. Antónia (pois a série já deu há tantos anos que já não me lembro de quase nada) e do modo como Moita Flores introduziu o crime neste seu livro. Quanto à escrita, achei-a acessível e cuidada nas explicações que eram dadas ao leitor, sem se tornar maçudo. Foi também interessante perceber os avanços da medicina e as diferenças entre os grandes centros e os meios rurais; como também o forte papel da bruxaria. No entanto, esperava um pouco mais da história. Gostava que ter acompanhando muito mais da vida desta grande mulher, e não os seus últimos anos; e senti também que a parte final relacionada com o crime, foi um pouco apressada demais.
Douro de corpo e alma, Douro dos meus olhos e do meu coração. Douro de outros tempos, séc. XIX, Douro de múltiplas lutas, esse Douro de pessoas de rosto fustigado de trabalhos forçados e de desumano trato.
Moita Flores conduz-nos neste livro de componente policial e de retrato biográfico, numa viagem ao tempo áureo dos vinhedos do Douro, de personagens fulcrais para o desenvolvimento de uma região agreste e mesmo da internacionalização de um país através do Vinho do Porto, essa personagem quase mítica de seu nome Ferreirinha.
A trama desenrola-se a partir de um corpo achado, mutilado e sem vida que surge misteriosamente ao relento, e da luta incessante contra a filoxera que pretende arruinar séculos de árduo trabalho e das suas vidas suspensas. Um enredo onde Ferreirinha e Vespúcio travam as suas batalhas, cada um à sua maneira, contra tudo e contra todos, contra a cultura vigente, o preconceito, a descrença e a desconfiança, contra a política e contra todos os ideais estabelecidos; duas personalidades à frente do seu tempo!
Temáticas várias da bruxaria à religião, da monarquia à república, da força do trabalho ao parasitismo, da extrema pobreza à fortuna, do rancor ao amor, tudo encaixa nesta bela ficção policial enquadrada num tempo e espaço únicos e bem reais que a todos nos toca na sua beleza e vastidão.
A contemporary novel, which tastes like one of the Portuguese classics (maybe Júlio Dinis) with less descriptions and simpler language. And very addictive reading!
In Douro, where the vines used for Port wine grow (so it should actually be called "Douro wine" :P) all vine owners are trying to fight phylloxera, which is threatening all their plants and therefore the production of Port wine. Ferreirinha is one of the largest vine owners and is fighting the disease with all her powers. At the same time young girls are being found dead and despite the fact that the local communities believe this to be the work of wolves, a young lawyer believes in murder and is determined to discover who is behind the deaths.
A catchy plot, interesting characters (Vespúcio was clearly my favourite) and a fluent style turned this into a very easy and fast read. The only downside is that at times I've found the story told with too much simplicity, for instance, the fight against phylloxera could have been more complex, but Ferreirinha always knew what to do... I would have also liked to read more about Ferreirinha, no just about her last few years. The passing of time was also not always clear. But these are only minor things that did not spoil the pleasure of reading this book!
Dona Antónia Ferreira, mais conhecida por Ferreirinha, dona do império do vinho do Porto, vivia em tempos tempestuosos. Enquanto a Filoxera dizimava as suas vinhas surgia também várias mortes, todas do sexo feminino e todas filhas dos seus trabalhadores. É o enredo de Fúria das vinhas de Francisco Moita Flores. Foi o livro que mais me prazer me deu de ler deste escritor. Misturou com mestria ficção histórica e investigação criminal. E uma investigação criminal nos seus primórdios cá em Portugal onde a religião tapava os caminhos da inovação já que consideravam uma autópsia uma blasfémia. Francisco Moita Flores ficou a ser para mim um escritor português de eleição. Boas leituras 📚
Simplesmente adorei. Nem eu estava à espera de gostar tanto.
Sendo deste autor podemos sempre contar com mistério, não estava a contar era com a vertente hhistórica que tanto me cativou.
Acompanhamos a Ferreirinha na sua luta contra a filoxera, e como uma só mulher consegue mudar a forma de pensar de tantos séculos. E depois o crime em si, temos um serial killer que quando finalmente nos é desvendado só podemos pensar, meus deus é mesmo isto :)
Gostei em especial da componente de romance histórico. No entanto a estrutura das duas histórias que se vão entrecruzando ao longo do livro acho que não resultou muito bem, em especial a história policial. Gostei muito da Ferreirinha e da luta contra a filoxera e só tive pena que não fosse abordada e maior profundidade.
POR: Um livro que nos retrata o antigamente em terras do Douro. Um enredo à volta de várias mortes que leva o nosso amigo Vespúcio por uma série de aventuras contra crenças antigas.
ENG: A book that portrays us in the past in Douro lands. A plot around several deaths that takes our friend Vespúcio through a series of adventures against ancient beliefs.
Historia detectivesca ambientada en el siglo XIX a orillas del Duero con la empresaria de los vinos de Oporto Ferreirinha como personaje principal. Entretenido aunque me hubiese gustado más trama policíaca.
Leitura bastante agradável com uma excelente representação da cultura da época. Ate perdoo o erro de num espaço de um mes entre a pagina 91 e a 106 Ferreirinha passar de 72 a 76 anos de idade.
Mix between a family saga, historical fiction and murder mystery. It's set in the era of the rise of Porto wines. While I enjoyed the story in many ways, it would have benefitted from the author either staying with the murder mystery or the family saga genre.
Adorei esta historia que não conhecia, a da filoxera. Tinha escutado muito dela mas nunca li nada histórico de como é que a enfermidade apareceu, como os viticultores lutaram contra ela e como foi que conseguiram vence-la. É maravilhoso como o autor elabora uma intriga de crenças religiosas, medicina tradicional e homens e sobre tudo mulheres muito bravos e amantes da sua terra para converter uma historia como a da filoxera em uma novela de intriga de uns assassinatos de garotas da região do Douro. Todo um descobrimento! Vou ler mas sim de Francisco Moita Flores, adorei.