Este livro visa esclarecer e ajudar o leitor que vivenciou situações de suicídio em seu ambiente ou que já pensou em se matar. Também interessa a todos os que se defrontam com situações de sofrimento vinculadas a desejos de morrer, em especial profissionais de saúde, educação, direito e estudos sociais. O comportamento suicida inclui, sempre, um pedido de ajuda. As fantasias inconscientes subjacentes às ideias suicidas se articulam com fatores da sociedade, levando a um sofrimento insuportável. Este se tornará suportável caso seja possível contar com ajuda do ambiente e de profissionais especializados. Ao mesmo tempo, estimula-nos a lutar para que os seres humanos possam viver e morrer com dignidade, evitando sofrimentos desnecessários.
Esse livrinho lançado pela Blucher é uma recauchutagem do livrinho do Cassorla para a coleção Primeiros Passos. Por ser curtinho a gente não espera que seja tão amplo nos assuntos tratados, acho que o autor tem uma ótima capacidade de síntese para falar de tudo um pouco sobre o assunto, só me resta agora ler também o Estudos Sobre o Suicídio do mesmo autor, já que sua abordagem me agradou muito.
"Suicídio - fatores inconscientes e aspectos socioculturais: uma introdução" (R. Cassorla) traz, como diz o título, um panorama introdutório da questão complexa e multifatorial que é o suicídio. Mesmo sem a pretensão de se aprofundar, senti que o autor, com uma capacidade de síntese excepcional, conseguiu abordar aqui aspectos fundamentais que nos orientam a uma compreensão bastante honesta sobre o tema. Cassorla tem abordagem delicada e respeitosa, guiada pelo viés da psicanálise. 🫀
Uma das premissas do livro é a de que não é possível compreender o suicídio somente a partir das motivações aparentes - a ideação suicida decorre de uma longa cadeia de associações, a qual também inclui conflitos primitivos e inconscientes. O autor defende que, uma vez que o indivíduo que cogita o suicídio entra em contato com esses fatores inconscientes, tem a oportunidade de ressignificá-los, podendo encontrar novas saídas.
Gosto da perspectiva de Cassorla de que o suicida pode não estar procurando a morte, mas uma outra forma de vida, livre da angústia que experimenta. Talvez não queira se matar, mas sim matar uma parte de si mesmo, aquela que sofre. Essa ambivalência, sempre presente na ideação suicida, deve ser "aproveitada" pelo profissional de saúde, ao auxiliar o indivíduo a fortalecer aquela parte que ainda deseja viver.
São diversos aspectos abordados aqui, dentre eles o componente agressivo do suicídio, a relação com fatores sociodemográficos, as fantasias presentes na ideia da morte, a relação entre o suicídio e os transtornos mentais, etc. Em pouco mais de 100 páginas, é possível ter uma ideia abrangente, porém boa, acerca desses temas.
Quando um sofrimento se torna insuportável ou incompreensível, o suicídio parece ser a única saída, mas esta não é a realidade. Através da ajuda profissional adequada, é possível que essa dor seja compreendida e transformada, e outros caminhos sejam vislumbrados. Se você se enxergou nesse texto, ou conhece alguém que possa estar passando por algo parecido, procure ajuda.