Nestes 22 contos de "Chá do Príncipe", como em sua poesia, a escritora santomense Olinda Beja constrói, à guisa da tradição oral africana, um cenário humano e natural encantatório, poetizando, numa espécie de esconjuro redentor, a desgraça, a pobreza, agruras e descaminhos, os traumas históricos do passado longínquo e do mais próximo, porque assim se abre caminho ao sorriso de esperança nos olhos da liberdade, porque, afinal, a vida se impõe sobre a memória tenebrosa de séculos.
Com apenas dois anos deixou as ilhas maravilhosas e passou a viver do outro lado do mar, em terras frias da Beira Alta, Portugal. Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas (Português/Francês) pela Universidade do Porto, Olinda Beja é docente do Ensino Secundário desde 1976. Ensina também Língua e Cultura Portuguesa na Suíça, é assessora cultural da Embaixada de São Tomé e Príncipe e dinamizadora cultural.
Foi vencedora em 2013 do prémio literário Francisco José Tenreiro prémio este atribuído à obra A Sombra do Ocá.
Em 2015 o livro da sua autoria Um Grão de Café entrou para o Plano Nacional de Leitura de Portugal.
Chá do Príncipe é uma colecção de 19 contos que reflecte as memórias e experiências de Olinda Beja, bem como as histórias e lendas de São Tomé e Príncipe. A autora utiliza a tradição oral africana para criar um cenário encantador, poetizando a desgraça e os traumas históricos, tanto do passado distante como recente, transformando-os em esperança e liberdade.
Como diz o prefácio:
Ler Olinda Beja, em verso ou em prosa, é ouvir o canto dos pássaros na aragem que bendiz o corpo assombrado da floresta santomense onde os rios se alimentam de memória e de sonhos. (…) A escrita de Olinda Beja é, antes de tudo, um ato de amor. De dádiva plena, em jeito de devoção sagrada, na transmissão de tradições, cultos, linguagem, sentimentos, sobretudo às gerações mais jovens que, na era dos satélites, do telemóvel e da internet, vivem muito mais perto do longe-longe sem sabor nem cheiro, do que daquilo que deveria estar incrustado em sua pele e lhes corre nas veias.