Uma atriz decadente tromba com o seu ex-diretor que está acompanhado por Sandra, uma jovem atriz em ascensão. O encontro começa a gerar alucinações na protagonista.
“trombei com Jorge e Sandra, eles demoraram pra notar a minha presença pareciam íntimos, mas pelo menos não se beijaram a minha ingenuidade de pensar que eu era a única lenta facada nas costas ao perceber que não, sua burra, se por acaso o Jorge precisar de uma atriz ele vai contratar a Sandra, olhe pra ela
cumprimento os dois com naturalidade
estava passando por aqui quando vi vocês.
eles sorriram, perguntaram se estou bem. (...)”
Este conto faz parte da Coleção Identidade. Saiba mais em www.amazon.com.br/colecaoidentidade
Aline Bei nasceu em São Paulo, em 1987. É formada em Letras pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e em Artes Cênicas pelo Teatro Escola Célia-Helena. É editora e colunista do site cultural OitavaArte. O peso do pássaro morto é o seu primeiro livro.
Nossa, é um conto bem curtinho. Eu até li duas vezes porque achei que estava perdendo alguma coisa.
Uma história tão pequena que me contou tanto e não me contou nada. Me deixou curiosa, e me levou para lugares dentro de mim. Adoro o jeito que a Aline escreve e como ela relata a dor, o não pertencimento e sentimentos desconfortáveis.
O conto é curto, condensado, mas cheio de possibilidades, sentidos e referências - a minha favorita é o diálogo com Álvaro de Campos. Para quem já leu O peso do pássaro morto, livro publicado por Aline em 2017, deve perceber a a permanência do estilo híbrido da autora, uma espécie de prosaeta. Aqui se torna ainda mais claro o uso de marcadores do teatro, o que, na minha visão, deixa o texto ainda mais imagético.
Meu primeiro encontra com a escrita da Bei, e gostei bastante. Talvez nesse formato de escrita eu irá curtir mais coisas mais curtas, contos e afins. Me lembram poesias, ou até peças. Músicas.
Quase um trecho de Hilda Hilst. Essa prosa-poética, que se dá mais pela organização da mancha do texto, possui muito de um gaguejo, como se estivesse constantemente tentando forçar uma ambiguidade, quebrar um sentimento, ou adicionar outro. Parece muito Hilst nessa transformação da personagem e na assimilação de um mundo cotidiano pessimista, tratando tudo como se moldasse ao redor do personagem.
Como Aline fez isso cmg? Como em tao poucas paginas conseguiu massacrar meu coração mostrando que a dor profunda da nossa autossabotagem é real e semelhante entre todos os seres humanos. É dificil se conhecer e reconhecer o que somos de bom, normalmente focamos no ruim… nosso ego nos sabota todo dia e o tempo todo porque estamos fadados a lidar com nossas frustrações. Dito isso, acho que encontrei minha escritora nacional favorita.
Como um conto de 8 páginas consegue me deixar de boca aberta, isso eu não sei. A Aline sempre consegue me surpreender com suas narrativas poéticas e bern diretas, e dessa vez não foi diferente. Fiquei melancólica e maravilhada lendo esse conto, isso só confirma a incrível habilidade que a autora tem com as palavras, de dar sentido a algo que parece não oferecer nada a princípio.
Desde O peso do pássaro morto que sempre espero me apaixonar por cada coisa que ela escreve. Amei ler Ego.
A autora escreve muito bem, com um estilo de escrita meio poema meio prosa que já virou sua marca. Me lembra os post da Patti Smith no instagram. O conto é bem curto mesmo, mas deixa aquele gosto de querer saber mais do que vai acontecer, da personagem principal, dos que são mencionados brevemente mas que parecem ser importantes...
Nada como se reler um conto, um livro, uma música. Tudo muda, principalmente pois nós mudamos. Hoje li esse conto sob um novo olhar. Apreciado demais assim como todas as mensagens subliminares ou não sobre o nosso senso de grandeza ou pequenez.
Lido pela primeira vez dia 18/2/2020 Relido hoje 3/7/2022
É um conto curto mas que nos leva a uma reflexão intensa sobre os dias, a vida, a solidão e a beleza. Aline Bei nunca decepciona, fiquei com gostinho de quero mais.
inacreditavel a forma na qual aline bei escreve sobre dor, não pertencimento e me deixou curiosa sobre a situação da personagem antes, durante e depois dessas 9 páginas
uma rua sem saída, é assim que as oito páginas me deixaram. Um sentimento que segue a escrita da autora: não pertencimento. São oito páginas de não ser e não saber quem é.
2.5* Um pouco curto demais pra dar uma grande opinião assim então fico no meio termo. Não sei dizer se esperava mais por se tratar da autora mas é isso.