Viena, 1900. Stefan, que outrora foi um pianista célebre e teve muitos casos, recebe uma longa carta. Nela, Lisa narra sua paixão por ele desde a infância e relembra o breve momento em que se reuniram, antes de ele partir e não cumprir a promessa de voltar. Anos depois, ela está casada, mas um reencontro ao acaso abala sua existência. Na manhã seguinte à chegada da carta, o marido dela o enfrentará em duelo.
Em seu segundo filme em Hollywood, o austríaco Max Ophuls adapta uma novela de seu compatriota Stefan Zweig e visita a velha Europa da qual eles são os últimos representantes. Na forma de retrato de mulher, o filme combina melancolia e elegância, mostra a difícil harmonia entre regras sociais e impulsos individuais e encontra o passado como um tempo perdido.
"Quase todos os filmes de Ophuls têm como centro a consciência feminina. Antes de 1960, essa tendência servia meramente para confirmar a noção de que as mulheres eram decorativas, sentimentais e essencialmente frívolas. As questões sociais que o cinema 'sério' deveria abordar seriam aquelas cuja resolução dependia da ordem patriarcal, enquanto questões sociais mais fundamentais, que pusessem em risco a própria ordem, nem seriam admitidas. Os filmes, é claro, pertencem ao longo período anterior à insurgência do que agora chamamos de feminismo radical: eles não (e não é o que se espera deles) expressam explicitamente nenhuma política feminista e certamente não estão isentos da tendência de mitificar mulheres. Vistos de agora, contudo, da perspectiva da teoria e da consciência feminista que evoluiu desde os anos 70, eles adquirem um significado extraordinário: uma incomparável análise compreensiva, sensível e perceptiva da posição das mulheres (sujeitas à opressão) dentro da sociedade patriarcal." - Robin Wood