A derradeira jornada é, na verdade, a única. Em uma trama repleta de aprendizado, Sara quer se libertar de um ciclo de provações sem fim, mas ainda precisa descobrir que o maior desafio em toda busca humana é o autoconhecimento. Em meio a duelos pitorescos e paisagens deslumbrantes, Gabriel Calfa nos guia por um mar de referências e alegorias sobre vida e morte que nos convidam à reflexão a cada página desta graphic novel. Káros foi feita para ser lida com calma, apreciada, relida e questionada
Acho que já deu para sacar olhando essa capa que essa HQ tem uma pitada de Moebius, certo? Bem, a criatura quadrinística do Gabriel e do Erik deve ter bebido muito na fonte de Jean Giraud, porque ela junta seus cenários fantasiosos com a sua diagramação diferentosa. Além disso junta muitos elementos simbólicos e mitológicos e enreda a personagem num reino metafísico dividido em diversos cenários. Ah! Também tem os labirintos, claro! As cores também seguem uma paleta que é bem característica das produções do Risco, que geralmente são feitas pelo Gabriel, mas que nessa HQ são do Erik e o Gabe faz o roteiro. Por falar nele, uma coisa que eu mudaria no roteiro e sei que mudaria o sentido da HQ, era manter a personagem sempre dentro do cenário de fantasia, sem os pés na realidade que é sugerido e dado em várias pinceladas durante a HQ. De qualquer forma, Káros é aquela HQ em que você embarca numa jornada mais sensorial, estética e artística do que aquelas HQs que vai tirar alguma lição para sua vida ou que vai explodir a sua mente, uma definição que também, para mim, define a jornada da protagonista desta HQ.