Em lançamento mundial, textos inéditos do neto de Che Guevara.
Neto de Che Guevara, filho de militantes da extrema esquerda, Canek Sánchez Guevara (1974-2015) deixou inéditos poucos textos ficcionais, dentre os quais o breve romance e os cinco contos presentes neste volume, em que explicita seu desencanto com o legado do avô.
O principal texto, 33 revoluções, é um relato singular sobre uma geração que se decepcionou com os ideais da revolução, um retrato mordaz do dia a dia na ilha e também uma ficção comovente sobre o despertar de um jovem, um cubano negro, filho de militantes como o autor.
Depois da morte do pai, acusado de peculato, e da fuga da mãe para Madri, o rapaz se separa da mulher e passa o tempo na companhia de um vizinho russo, com quem descobre o prazer da leitura.
Aos poucos, os livros abrem seus olhos para a disparidade entre a propaganda do partido e o cinza que o rodeia: a rotina de escritório, as queixas dos colegas, seus próprios pensamentos girando como um disco quebrado. O desapontamento cresce até o dia em que declara desinteresse em ser nformante – e então os verdadeiros problemas começam.
"Canek Sánchez Guevara foi um escritor brilhante e apaixonado que morreu jovem demais. Este inapagável relato póstumo é uma
recusa visceral ao patrimônio político que lhe coube por ser o neto de Che, e também um grito de socorro." - JON LEE ANDERSON,
Canek Sánchez Guevara, grandson of Che Guevara, left Cuba for Mexico in 1996. He worked for many of Mexico’s most important newspapers as a columnist and correspondent, and he wrote a regular newspaper column called “Motorcycleless Diaries.” He was a measured and informed critic of the Castro regime. He died in January 2015 at the age of forty.
O romance "33 revoluções", principal obra desta edição, é um explosivo relato (em grande parte, autobiográfico) de um dissidente da Revolução Cubana. Acontece que a revolução está no sangue do autor, Canek Sánchez Guevara, neto de Che Guevara, que viveu a infância na ilha de Cuba e testemunhou a derrocada econômica do regime castrista e as levas de compatriotas que fugiam do país pelo mar. A "dissidência" de Canek Guevara não nos deve levar a achar que ele é um "reacionário" ou "ultradireitista", mas alguém que viu por dentro a realidade de Cuba e aponta o erros conceituais, humanos e sociais do regime comunista. O romance, de escrita extremamente concisa (são 33 capítulos ao longo de 70 páginas), revela o cotidiano de um intelectual cubano sem nome e a progressiva desilusão com o governo e as "promessas" da revolução combinada com a observação da realidade miserável e opressora ao seu redor. Os contos, por seu turno, têm temáticas variadas e giram em torno de personagens marginais que tentam sobreviver em meio às dificuldades do dia a dia ("O espiral de Guacarnaco") ou mesmo constituem sátiras mordazes sobre as elites políticas e econômicas ("A casa ganha") em narrativas muito breves.