J. M. De Matteis é um autor veterano dos quadrinhos, que já passou por diversas editoras americanas tanto mainstream quanto independentes. Do início do século XXI para cá, ele tem insistido em temas religiosos na maioria da sua história. Isso, claro, não é diferente em Batman: Absolvição, em que colabora com o artista Brian Ashmore. Absolvição revolve sobre fuga, culpa, paranoia, máscaras, redenção e o questionamento de que será que "bandido bom é bandido morto"? Batman está a procura de John Small e Jennifer Blacke, dois criminosos que promoveram um genocídio em Gotham City. Ele persegue os dois por anos, enquanto não tem notícias de John, sempre encontra Jennifer fugindo em busca de absolvição por seus crimes. Mas ele nunca acredita nela. Batman reflete: "Nenhum milagre. Nenhuma piedade. Nenhuma redenção. Nenhum céu. Nenhum inferno. Nenhum poder superior. Apenas vida. Apenas... nós". Batman não acredita que bandidos possam se regenerar. Mas mesmo assim não os mata. Será que existe nele alguma esperança de redenção, senão para os bandidos, para si mesmo? Ele questiona: "Quando foi que me torneia a própria ilusão?", quando afirma que Batman é sua verdadeira face e Bruce Wayne uma máscara? Bruce é quase convencido da inocência de Blake, ao ver que ela havia se tornado uma irmã hinduísta, mas sempre duvidando de suas boas ações. Mas um ataque do seu ex-parceiro John Small, o leva para outro caminho e todo santuário pega fogo. Batman e Jennifer Blake tentam salvar as irmãs e as crianças, mas o fogo os separa, Blake acaba salvando uma criança deixando Batman na dúvida se ela realmente se regenerou. Imagino que a mensagem que a história quer passar seja a de que não existe bandido bom ou bandido mal, mas a forma como a gente encara eles. Não existe absolvição ou redenção, a não ser que a gente se permita ser perdoado e redimido, bem como perdoar e redimir os outros. Isso não é uma questão apenas de religião, mas de moral e ética e, claro de empatia e de humanidade. Algo que, a meu ver, falta no Batman.