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A Noite Passada

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Um romance de amor poderoso num Portugal que ansiava pela liberdade.

Tendo Lisboa como ponto de partida, a autora conta-nos a história de uma jovem, Amélia, de famílias respeitáveis, que põe o futuro e a honra a perder quando se deita com um agente da PIDE de modos delicados e linguagem sedutora, mas capaz das maiores crueldades.

Um livro imperdível, com uma escrita fluida, que lembra a aclamada série da RTP, Conta-me como Foi, cheio de histórias de heróis e vilões anónimos, preconceitos e modas arrojadas, e o grande sonho da liberdade.

344 pages, Paperback

First published January 15, 2019

72 people want to read

About the author

Alice Brito

5 books9 followers
Alice Brito nasceu em Setúbal, em 1954, e aí reside até hoje. É advogada, militante política e cronista em alguns periódicos regionais e on-line. Como para uma das personagens do romance As Mulheres da Fonte Nova, também para ela as lições aprendidas com Ana de Castro Osório e muitas outras mulheres são como andar de bicicleta: nunca se esquecem. Talvez por isso, numa época em que a memória do passado se torna tão aguda, As Mulheres da Fonte Nova começaram a concertar-se na sua cabeça, numa conspiração que exigia escrita e mundo. Por causa delas, este é o seu primeiro romance.

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Displaying 1 - 9 of 9 reviews
Profile Image for Inês | Livros e Papel.
624 reviews185 followers
June 3, 2021
Este romance histórico remete-nos para o Portugal dos anos 60/70 do século passado. O Portugal dominado pela ditadura, pela ignorância, pela ruralidade e pelo machismo, onde o papel da mulher era apenas de mãe e cuidadora da família.

Amélia, a nossa protagonista é uma jovem mulher que se envolve com um agente da PIDE que acaba por abandoná-la. Ela acaba por casar com um colega de trabalho, o Joaquim e estabelecem-se em Setúbal. Vamos assim acompanhar a história deste casal e do filho, António.

Paralelamente assistimos à conversa de uma família, o Luís, a Luísa e a filha Mafalda a falar no presente, mas remetendo para o passado.

É um livro que faz um cru mas fiel retrato social e da história desta época no nosso país. Como já referi, o papel da mulher na sociedade, o que era ou não permitido às mulheres. Fala-nos dos momentos mais marcantes da época como a Guerra do Ultramar, a visita da Rainha de Inglaterra, a queda do regime, as reações dos populares.

Aborda vários temas importantes como as injustiças, as perseguições, as detenções por motivos políticos ocorridos nesta altura do Estado Novo.

Foi uma leitura bastante prazerosa, gostei da forma como a autora deu um toque de humor ao livro com o uso de muitas expressões populares que, algumas infelizmente, já pouco se ouvem. Uma narrativa cheia de descrições importantes em dose certa que tornaram esta leitura tão real. Foi, sem dúvida, uma leitura que me prendeu desde o início.

Tal como é referido na sinopse do livro, faz lembrar a série televisiva Conta-me Como Foi.

Uma boa escolha para conhecer um pouco mais deste pedaço da nossa história, em especial por aqueles, que como eu, não passaram por ela.

Leitura de maio para #clubeleiturasdescomplicadas
Profile Image for Mady.
1,392 reviews29 followers
February 13, 2024
Muito, muito bom!! 4.5 estrelas

Um livro muito bem escrito com uma história que achei cativante. Nem todos são bons, nem todos são maus, mas todos são humanos. Uma história passada no passado recente de Portugal, na geração dos meus pais.

Capítulos curtos, intercalados com pequenas referências a uma segunda narrativa. E não estava nada à a espera da surpresa que me esperava no final!
Há muito tempo que não lia um livro em português que me tivesse agradado tanto. Pelas personagens, pelo contexto histórico, pela escrita! Vou de certeza continuar a ler Alice Brito (assim que conseguir encontrar mais livros dela)!
Profile Image for Joaquim Margarido.
299 reviews39 followers
February 21, 2021
Os que viveram o 25 de Abril, que sentiram o momento com a emoção de quem sabia que uma nova aurora se abria, fulgurante, sobre a longa e terrível noite do fascismo, que assistiram pelas rádios, pelos jornais, pela televisão, à queda do regime e vieram para a rua, em euforia, gritar vivas à liberdade e à democracia, não podem deixar de se emocionar com “A Noite Passada”. E mesmo não sendo eles os principais destinatários de um livro que se afoita em preservar as memórias, denunciando o medo e a raiva contida dos explorados e oprimidos contra a precariedade, a injustiça e as perseguições, é neles que o livro encontra eco, testemunhas vivas que são da exaltação e do júbilo de um tempo glorioso e belo.

Navegando no espaço temporal entre o final da II Guerra Mundial e o 25 de Abril de 1974, “A Noite Passada” recupera os episódios mais marcantes de um quarto de século da história recente do País. Centrando a acção em Setúbal, Alice Brito recorda-nos o viver e o sentir das gentes em torno da campanha para a Presidência do General Humberto Delgado ou da visita da Rainha de Inglaterra, do assalto ao Santa Maria ou da Guerra do Ultramar, traçando um retrato social extraordinariamente vivo, tornado mais rico pela descrição realista dum quotidiano remediado, de “deus pátria família” feito, a mesa posta para o homem que chega do trabalho, a mulher submissa que tudo cala, as conversas à boca pequena, a PIDE à espreita.

Narrado como se de uma conversa em família se tratasse (que não a do Marcelo, senhores, que não a do Marcelo!), em volta de uma mesa onde o choco frito é rei, “A Noite Passada” é um desfiar de memórias emotivas, a crítica contundente ao virar de cada página, o toque de humor inteligente servido em doses generosas, porque melhor é rir do que chorar. Com frequência percebemos o quanto Alice Brito se envolve na escrita do livro, os comentários de cariz pessoal a integrarem-se na acção com toda a naturalidade e a arrancarem ao leitor gargalhadas cúmplices. Nestes tempos em que a memória é tão desprezada, aqui está um livro com memórias que sabe bem saborear. Uma e outra vez!
1 review1 follower
December 6, 2019

A NOITE PASSADA
O texto, em si, é fortíssimo. Revejo, oiço e respiro um dia inteiro, uma noite inteira de escuridão que se conseguiu contar com a crueza que se lhe impõe. Neste livro não há espaço para mimos nenhuns. A prosa é fortíssima, vigorosa, crua, directa, verdadeira. Tudo, neste livro ficou ensanguentado ali à volta, encarniçado, violento que é para as pessoas perceberem bem como é que foi. Nesta leitura, estive sempre à espera de todos os malfeitores possíveis em cada página; vivi todas as paixões e vivi também no seio daquela família, senti os seus sentimentos, percebi-lhes as pequenas víboras a espreitar das algibeiras, o pensamento desalinhado, a ordem atabalhoada dos costumes. O querer, aflitivamente, deitar a cabeça de fora.
Depois, aqui, estão descritos pormenores reais, pequenos pormenores de ruídos, de cheiros, de actividades como o salãozito de cabeleireira, as comidas, as roupas, a revista Banquete, os pensos Modess, aquela mania de fazer a porcaria da calda de tomate quando já havia latas deles há que tempos. E este é um pormenor importante: as manias atávicas que demorariam imenso a passar na cabeça das pessoas. Ainda as há, ainda coexistimos com certos provérbios ditos por pessoas mais velhas e que hoje já não fazem o menor sentido. O romance está cheio de pormenores importantíssimos, registos de época, mentalidades, hábitos a cheirar a mofo. Lá está tudo registado, mencionado evidente ou subtilmente. Há investigação, há pesquisa, há conhecimento, há verdade em tudo o que foi escrito.
Eu diria sem hesitar um segundo que este é uma espécie de romance histórico de extraordinário valor de conhecimento para as nossas gerações mais recentes que, ao de leve e já muito, muito longinquamente, ouviram e sabem – os mais interessados – falar do 25 de Abril. Eu até posso perceber que um miúdo de 10, 15, 20 anos nos dias de hoje tenha uma vaga ideia do que foi e para que serviu a Revolução dos Cravos, do mesmo modo que eu tenho uma vaga ideia do que foi a Batalha do Vimeiro ou o Cerco de Lisboa em 1147. Mas este é um romance que ensina, transporta, ilumina, indica caminhos.

Cristina Carvalho
Profile Image for Susana Resende.
144 reviews11 followers
May 23, 2021
#leituraconcluida
⭐⭐⭐⭐⭐

"A Noite Passada" é um livro escrito de uma forma fluída, direta, forte e verdadeira, que nos transporta para os anos 60 e 70.
Conhecemos a história da Amélia que engravida de um agente da PIDE. Acaba abandonada por ele mas Amélia decide dar um novo rumo à sua vida.
Joaquim é colega de trabalho de Amélia e acabam por casar. Mudam-se de Lisboa para Setúbal, onde pensam estarem seguros e longe do pai do seu filho Toninho. Porém, o inferno bate-lhes à porta...
São duas histórias narradas em simultâneo, onde a história presente está escrita em itálico. À medida que avançamos na leitura, vamos encaixando as peças do puzzle.
O mistério acompanha-nos durante todo o livro e só nas últimas páginas é feita a revelação.
Aconselho este romance, cheio de pormenores importantes, registos de época, investigação, cheio de sentimentos...

"A PIDE era uma ferramenta, um meio de produção para fabricar criaturas medrosa, receosas, reticentes, um instrumento sem o qual o fascismo português não se teria mantido. Transformou este país numa sociedade perturbada, inquietante e inquieta, num país que suspeitava de si próprio, que não perguntava nem respondia, país cauteloso, cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém, era o que se dizia. "

" Era o tempo da iminência de um golpe de Estado que ia acontecer, hoje, amanhã, nunca se sabe, que a situação é tão periclitante que não se pode dormir. "
856 reviews
April 25, 2025
Há muito que esperava por um novo romance de Alice Brito, e não me desapontou. Tal como em Ferrante, as mulheres são as protagonistas, assim como a cidade, neste caso, Setúbal. E esta Setúbal é-me próxima,especialmente porque reconheço nela as vagas de alentejanos migrantes e o espanto pela mudança, rápida de mais para compreender.
É um livro directo, sem contemplações: a política nunca pode estar de fora, pois ela moldou vidas reais e determinou os seus destinos. Por isso não se deve temer a rememoração do passado, mesmo que seja mais fácil esquecê-lo ou negá-lo.

"Se há cidade em que a utopia não foi uma abstracção livresca de visionários, essa cidade é Setúbal. A utopia aqui foi uma coisa física, palpável, pão da revolução, servido na mesa posta pela História". (P.235).
Profile Image for João Soares.
7 reviews5 followers
June 11, 2021
Os melhores livros ou romances históricos fazem-nos esquecer que são romances históricos porque nos transportam para a época que retratam ao ponto de nos sentirmos parte do enredo. Alice Brito conhece muito bem a mentalidade dos portugueses aquando do declínio do Estado Novo. Belíssima lição de história. Muito bom.
Profile Image for Prapti  Panda.
291 reviews3 followers
August 10, 2022
Uma história muito interessante que fala dos anos 60/70 e um Portugal fantasmagórico sob a ditadura. A reviravolta no fim conquistou-me o coração!
Profile Image for Ana.
22 reviews10 followers
May 21, 2025
E tudo começou com um apagão. Autora de quem li o primeiro livro a uma década atrás mas cuja história alugou espaço na minha mente até aos dias hoje. A tarde do apagao foi a oportunidade perfeita pra agarrar o terceiro e consolido sem sombra de dúvida o gosto pela autora. Aprecio a sua forma de contar história, de nos fazer viajar ao momento apresentado no capítulo, fez me rir vezes sem conta pela linguagem usada que me transporta a memorias familiares sem preço e sou grata pelos eventos revisitados da década de 70, não fosse eu Barreirense.
O final foi magnífico. Mais uma vez bem haja Dra Alice Brito.
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