Este livro nos fará conhecer o que pensam os iorubás sobre o Criador, o livre arbítrio, a reencarnação, a loucura, e os inimigos dos seres humanos. A filosofia iorubá: seus princípios éticos e morais, seus hábitos e valores. Noções sobre o idioma iorubá e sua aplicação prática no Candomblé. Conhecer um dos principais rituais do Candomblé: o Borí.
Márcio de Jagun é advogado militante desde 1994. Atua como professor de Direito Portuário nos Cursos de Pós-Graduação da Universidade Gama Filho e na UFRJ (COPPE-EAD). Márcio de Jagun foi iniciado no Candomblé há 32 anos pelas mãos do Babalorixá Josemar de Ogun. É Sacerdote de Candomblé e há dez anos dirige o Ilê Axé Aiyê Obaluaiyê no Bairro de Pedra de Guaratiba, no Rio de Janeiro. É conferencista, articulista e autor dos Há dois anos é apresentador do Programa Ori, na Rádio Metropolitana/Rio.
A obra de Márcio de Jagun é um mergulho da história, da cultura, da filosofia e da religiosidade africana tendo Orí (a cabeça) como sendo a base inicial de discussão. A cabeça que é uma divindade na qual carregamos domina o nosso corpo, guarda elementos do nosso passado e nos guia para seguirmos buscando o nosso destino. A organização do texto não me agradou. Em alguns momentos, os capítulos pareciam não se conversarem e por vezes me via em temas repetitivos (ex: cantos que eram replicados em diferentes partes do texto). Independentemente do ponto acima, a obra é um deleite para expandirmos novos olhares a partir da cultura africana. A seguir, listo alguns trechos que me chamara a atenção:
- O conhecimento é amigo da fé, pois a torna mais sólida e fundamentada. Educar é impregnar de sentido o que fazemos a cada instante (Paulo Freire). - A palavra é condutora de energia e tem força. - A tradição oral é um estilo filosófico de transmitir conhecimento de forma dosada, no momento exato em que o interlocutor estiver maduro para conviver com o novo saber. - O que se sabe é diferente do que se vivencia. - Os acontecimentos, as decisões, as concepções não são desenroladas com início, meio e fim. - A ancestralidade é um elo que conecta o homem que vive hoje, no presente, aos seus ascendentes mais remotos, no passado. - Envelhecer é um atributo. A pessoa que é idosa detém em si os registros do tempo e, com eles, todos os conhecimentos e experiências que não estão escritos, mas gravados em seu corpo, em sua mente e em sua emoção. A sabedoria de quem é mais velho é insubstituível. - A cabeça é a sede da consciência e dos principais sentidos. - Existem três afluentes determinantes para a formação do homem: sua ancestralidade, seu livre-arbítrio e o meio onde está socialmente inserido. - Os maus espíritos são: ikú (a morte), àrùn (a peste), òfò (a avareza), ègbà (o ócio), òràn (os problemas), èpè (a maldição), èwòn (a prisão) e èse (a aflição). As forças do mal não se opõem ao Criador, nem tampouco trabalham para derrotá-lo. - No combate aos guerreiros do mal, o ser humano pode ser o vencedor. Pode se tornar mais forte e poderoso a cada luta. - Enquanto o homem submeter o seu destino puramente ao acaso, à vontade dos deuses e à sorte, estará minimizando seu próprio poder de influir e de objetivar seu futuro. Estará desprezando a capacidade de seu Orí. - Comumente os homens procuram as religiões e seus deuses em busca de prosperidade. Associa a fé à obtenção de bens materiais e riqueza. Criam sistemas imaginários de escambo espiritual, onde pensam poder trocar dedicação religiosa e preceitos rituais por proteção e contrapartidas financeiras. No meio desta alucinação ambiciosa, os homens, quando são contrariados em suas expectativas, culpam os deuses com se eles tivessem de fato celebrado este pacto tosco. - Não há caminhos bons ou ruins. Há os que são mais fáceis ou menos árduos. Mas a diferença no destino do homem não é o seu caminho de nascimento e sim como ele escolhe caminhar. - A cabeça é quem domina o corpo, ela guarda elementos do nosso passado e registros das escolhas que fizemos para nosso destino.