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Gris
O poemas deste Gris, coletânea que reúne 50 poemas de Cida Pedrosa, trazem uma mostra significativa a produção desta autora cuja obra se alimenta da urbe e se confunde com o estar na cidade e vivê-la. Poemas curtos e cortantes levam o leitor a um passeio por paisagens multicores, a despeito do que sugere o título do volume. O cinza do asfalto e dos edifícios se mistura na paleta poética de Cida e se converte em pele, músculo,nervos, sangue, coração. Um livro essencial para aproximar-se de uma das vozes mais singulares da poesia contemporânea escrita por mulheres no Brasil.
- GenresPoetry
83 pages, Kindle Edition
Published October 23, 2018
About the author
Cida Pedrosa
9 books4 followersCIDA PEDROSA nasceu em Bodocó, no Sertão de Pernambuco, em 1963. É autora de As filhas de Lilith (2009), Claranã (2015) e Solo para Vialejo (2020, vencedor do Prêmio Jabuti nas categorias livro de poesia e livro do ano, entre outros títulos. Formada em Direito pela Faculdade do Recife, foi eleita em 2020 como vereadora na mesma cidade.
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Community Reviews
Displaying 1 - 7 of 7 reviews
April 18, 2021
Gris é isso: cidade cinza, dureza, pedra. Às vezes, o Capibaribe surge para fazer as arestas flutuarem, Curti bastante.
September 18, 2020
Achei um bom livro, mas um pouco irregular. Acho que alguns poemas poderiam ter sido deixados de fora, enquanto outros, que brincam com a palavra escrita, não me atraíram tanto. Gostei sobretudo de me ver refletida nas imagens da cidade, em todo o desconforto e afeto que ela convoca. Vi no corpo dos poemas a emulação de nossa paisagem de prédios, lixo, baronesas, garças e do Rio, que é como se fosse um Caronte de nossa desgraça, e um remanso para os olhos cansados de nossas tristes paisagens.
Cida faz parte de uma geração de poetas recifenses chamados "marginais", alcunha bastante problemática diante do peso e da importância de sua produção. Presenças constantes nos bares do centro cidade, eles eram vistos a declamar poemas, beber e confraternizar, produzindo sua obra a partir do "intestino do recife", entre "putas e pombos". A morte levou desse grupo França, Erikson Luna e Alberto da Cunha Melo, mas ainda temos em Cida e Miró dois dos melhores expoentes dessa geração, que nos entregam a experiência na cidade do Recife no corpo e na voz do poema.
Cida faz parte de uma geração de poetas recifenses chamados "marginais", alcunha bastante problemática diante do peso e da importância de sua produção. Presenças constantes nos bares do centro cidade, eles eram vistos a declamar poemas, beber e confraternizar, produzindo sua obra a partir do "intestino do recife", entre "putas e pombos". A morte levou desse grupo França, Erikson Luna e Alberto da Cunha Melo, mas ainda temos em Cida e Miró dois dos melhores expoentes dessa geração, que nos entregam a experiência na cidade do Recife no corpo e na voz do poema.
April 24, 2021
sem palavras, de verdade.
que escrita forte e bonita e sensível.
simplesmente sensacional pra caralho.
que escrita forte e bonita e sensível.
simplesmente sensacional pra caralho.
June 18, 2025
paisagem matinal
o pardal beija o meio-fio
e meu sorriso é opaco
as grades não nos protegem da dor
dividem a cidade
em quadrados
mal distribuídos
os velhos arabescos construídos
em ferro fundido
e superpostos em raras janelas e pórticos
não mais enfeitam
vigiam e espiam
a rua que não dorme
o tom roto da parede
a cor do paralelepípedo
e o passeio entapetado pelas
pétalas do flamboyant
:festa para o ciscar dos cães
um pé de jasmin persiste
imprensado
entre o poste
e a banca de revista
eu paro
e me aquieto
neste batente esquecido
cercada por oitis
que deitam seu amarelo na calçada
e por cheiros teimosos de ontem
o sinal abre
o carro parte
a moto range
a bicicleta aponta
o cachorro late
w o pardal voa
participo nessa hora
de um jogo de montar
o traçado das edificações
define o dialeto do medo
e a resistência das flores
assombra a melancolia
o pardal beija o meio-fio
e meu sorriso é opaco
as grades não nos protegem da dor
dividem a cidade
em quadrados
mal distribuídos
os velhos arabescos construídos
em ferro fundido
e superpostos em raras janelas e pórticos
não mais enfeitam
vigiam e espiam
a rua que não dorme
o tom roto da parede
a cor do paralelepípedo
e o passeio entapetado pelas
pétalas do flamboyant
:festa para o ciscar dos cães
um pé de jasmin persiste
imprensado
entre o poste
e a banca de revista
eu paro
e me aquieto
neste batente esquecido
cercada por oitis
que deitam seu amarelo na calçada
e por cheiros teimosos de ontem
o sinal abre
o carro parte
a moto range
a bicicleta aponta
o cachorro late
w o pardal voa
participo nessa hora
de um jogo de montar
o traçado das edificações
define o dialeto do medo
e a resistência das flores
assombra a melancolia
June 26, 2023
apesar de não me conectar muito com alguns cenários e referências, possui boas poesias que te tiram da inércia e te fazem refletir. uma boa leitura rápida para uma viagem do metrô.
Displaying 1 - 7 of 7 reviews






