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Invenção e Memória

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Um baile de faculdade em São Paulo quase no final da Segunda Guerra Mundial; um galo que se deixa morrer de fome depois que seu amigo peru é sacrificado para uma ceia; as relações equívocas entre um velho e um garoto vistos num restaurante; um vampiro norueguês que atravessa os séculos em busca de sua amada, uma índia brasileira. Essas são algumas das histórias narradas neste livro singular, em que uma das maiores escritoras da língua portuguesa entrelaça as potências criativas da memória e da invenção. Alguns dos relatos são mais estritamente autobiográficos, como "Heffman", lembrança da breve experiência de Lygia no teatro amador paulistano, ou "Rua Sabará, 400", evocação do dia a dia da autora com seu companheiro Paulo Emílio quando os dois escreviam juntos o roteiro de um filme baseado em Dom Casmurro. Outros se descolam da experiência pessoal para se tornar verdadeiras parábolas morais, como "Se és capaz", que dá conta da transformação de um adolescente cheio de sonhos num político corrompido e de poucos escrúpulos. Há ainda os contos em que a dimensão da memória parece se desdobrar na da fantasia, como em "A chave na porta", em que o encontro da narradora com um velho amigo acaba por ensejar uma história de fantasma. Com um misto de serenidade e inquietação, Lygia Fagundes Telles passa em revista descobertas, projetos e desencantos vividos ou imaginados ao longo das décadas. Na linguagem cálida e fluente que a tornou uma das escritoras brasileiras mais amadas pelos leitores, ela funde o cômico e o comovente da experiência humana. Nasceu e vive em São Paulo. Considerada pela crítica uma das mais importantes escritoras brasileiras,


Artikelnummer LBr239
ISBN 9788535914290
EUR 24,20
Versandgewicht 0,23 kg
Hersteller Editora Companhia das Letras

144 pages, Paperback

First published January 1, 2000

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About the author

Lygia Fagundes Telles

88 books623 followers
Lygia Fagundes Telles (born April 19, 1923) is a Brazilian novelist and short-story writer. She was born in São Paulo and is one of Brazil's most important living writers.

Her first book of short stories, Praia Viva (Living Beach), was published in 1944. In 1949 got the Afonso Arinos award for her short stories book O Cacto Vermelho (Red Cactus). Among her most successful books are Ciranda de Pedra (The Marble Dance) (1954), Verão no Aquário (1963), Antes do Baile Verde (1970), Seminário dos Ratos (1977) and As Horas Nuas, (1989). The book Antes do Baile Verde won the Best Foreign Women Writers Grand Prix in Cannes (France) in 1969.

Her most famous novel is As Meninas (The Girl in the Photograph), which tells the story of three young women in the early 1970s, a hard time in the political history of Brazil due to the repression by the military dictatorship. In 2005 she won the Camões Prize, the greatest literary award in the Portuguese language.[1]

She is one of the three female members of the Brazilian Academy of Letters.

From Wikipedia

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Displaying 1 - 22 of 22 reviews
Profile Image for Pedro Santos.
209 reviews8 followers
January 26, 2025
Lygia querida, que saudade. Invenção e Memória caiu como uma luva no debate atual da autoficção, mesmo sendo do agora tão longínquo 2000. O livro é exatamente aquilo que diz ser, quinze contos entre o biográfico e o inventado, alguns mais para aquele do que para este. Fazia um tempo que não lia nada da Lygia, meu retorno não premeditado é mais uma vez prova da maestria dessa escritora sem igual, de seu magnetismo. São contos em geral bem curtos, gostei bastantes dos claramente biográficos como "Heffman" e "Rua Sabará, 400", que trazem aquele quentinho pro coração, e claro também daqueles do seu estilo próprio, histórias cotidianas cheias de suspense que ao fim se revelam sobrenaturais, fantásticas ou imbuídas em mistério, como "A Dança com o Anjo" e "A Chave na Porta". É maluco pensar que esta é uma autora que segundo ela própria começou oficialmente em 1954 e que quase meio século depois escreve no mesmo padrão de qualidade. Paulista como eu, orgulho nosso. Com certeza algum dia passarei na Sete de Abril imaginando em que endereço ela morava enquanto estudante no Largo de São Francisco.
Profile Image for gabriel.
9 reviews
October 25, 2024
Memória vira - além de invenção - magia na palavra costurada por Lygia durante "Invenção e Memória". Alguns momentos Lygia parecia que sabia o que eu iria pensar no próximo parágrafo e me pegava desprevenido. As memórias - todas muito claras - muitas vezes deixavam expostos os momentos de fraqueza da autora, provando que como nós ela é humana também. É até esquisito dizer isso porque (pelo menos pra mim) não existe algo mais humano que a palavra de Lygia. Em "Dia de Dizer Não" fechei o livro pensando em quão frágil é a humanidade e quão forte são a nossa fé e nossa esperança que às vezes falha - às vezes, tarde demais e como o menino das cartas perfumadas que não estava mais no mesmo semáforo a vida passa e a esperança não tem hora marcada de aparecer.
Em outros momentos ficou repetindo na cabeça pequenas passagens: [...] que enxuga o sangue do Cristo (em O Cristo da Bahia). E outros minha mente vai relembrando espantada com a capacidade de criar tamanha imagem, tamanho tapeçaria narrativa como foi no grande "Potyra".
Entre infância, juventude, vida adulta e velhice pude caminhar com Lygia durante sua vida e chegar um pouco mais perto da sua luz.
Profile Image for Bea santos.
21 reviews18 followers
May 21, 2025
Gostei bastante do contos, mas preferi os contos do livro “A noite mais escura e eu”, que li no começo do ano.
Que se chama solidão 8/10
Suicido na Granja 7.5/10
A dança com o anjo 8.5/10
Se és capaz 9.5/10
Cinema gato preto 8.5/10
Heffman 9/10
O Cristo da Bahia 7/10
Dia de dizer não 9/10
O menino e o velho 9/10
Que número faz favor? 10/10
Rua Sabará,400 9.5/10
A chave na porta 10/10 meu favorito
História do passarinho 9/10
Potyra 8.5/10
Nada de novo na frente ocidental 10/10
Profile Image for Carla Parreira .
2,505 reviews4 followers
Read
May 29, 2026
O livro é composto por quinze contos em que a autora entrelaça memórias pessoais com invenções e elementos de ficção, abrindo já pela ideia de que a infância e a adolescência são “um chão movediço” que tende a se desfazer na relação entre passado e presente. O narrador, em primeira pessoa, enfatiza como as lembranças são moldadas pela distância temporal e pela vontade de recuperar imagens que se misturam a fantasias, destacando desde o início o papel das mulheres cuidadoras na infância da narradora: a pagem Maricota, a pagem Leocádia, a cozinheira Custódia, a tia Laura e a própria mãe, todas elas presentes de maneira afetuosa e funcional na construção de um ambiente afetivo. Há também uma crítica social sutil, revelada nos episódios de desigualdade e racismo, como quando a narradora criança pede mais cana-de-açúcar para Maricota, uma mulher negra, e recebe uma resposta agressiva que remete à escravidão; a cena é apresentada de modo a confundir a memória infantil com a compreensão adulta, enquanto o pai, em vez de explicar, recita um poema de Castro Alves, acentuando a distância entre o mundo histórico da escravidão e a vivência imediata da menina. Além disso, o conto flerta com a literatura fantástica, ao insinuar que a antiga pagem Leocia, que ficou grávida e faleceu, retorna como uma espécie de assombração ou memória afetiva, reforçando a ideia de que memória e invenção coexistem. O terceiro conto, intitulado A dança com o Anjo, ganha peso biográfico ao situar-se no fim da Segunda Guerra Mundial e ao situar a autora numa trajetória ligada à Faculdade de Direito do Largo São Francisco, atual USP, na qual se desenrolava uma tradição acadêmica chamada Dia da Pendura. Nesse contexto, a narradora, já jovem, participa de um jantar que, segundo sua mãe, seria em homenagem a um professor, mas que na verdade ocorre em uma boate próxima, revelando a tensão entre as normas domésticas e a vida universitária de boemia em meio ao conflito mundial que ainda ecoa no ambiente. A partir desse cenário, a conversa entre mãe e filha revela o embate entre a guerra real e uma “guerra doméstica” que a menina percebe como ainda mais difícil, enquanto a narrativa descreve a atmosfera de fartura, bebidas e disfunções típicas do local. Em determinado momento, surge um rapaz que parece um anjo e convida a protagonista a acompanhá-lo, levando-a a sair com a bolsa, e juntos se dirigem para a porta da saúde, uma decisão que remete às próprias novidades da juventude diante da expectativa de fuga do restaurante para evitar o pagamento da conta—uma prática comum entre estudantes da época—e a ambiguidade entre o apelo do prazer e o risco que envolve esse desvio, ao mesmo tempo em que se desenha a perspectiva de um encontro que se entrelaça com a lembrança de uma época de grandes mudanças. O trecho descreve ainda a curiosa normalidade de tais saídas estudantis, a relação entre o the ateliê do cotidiano e as normas da instituição, além da percepção da guerra que atravessa o lar e o campus, sugerindo que a narrativa do livro costura em cada conto lembranças, invenções e reflexões sociais, abrindo espaço para a continuação das memórias que virão a seguir.

Nesse ponto, a autora volta a enfatizar a crítica à passividade da sociedade diante da própria condição de sobrevivência, lembrando que o conto Dia de Dizer Não funciona como uma lente para entender a ética do cuidado e a responsabilidade que nos cerca: o encontro com o garoto de muletas não é apenas uma cena de compaixão, é a oportunidade de despertar para a necessidade de agir frente à marginalidade que circula silenciosamente pela cidade. A narradora reconhece que o gesto de voltar atrás não apaga a culpa, mas sinaliza a possibilidade de uma ética prática, que se manifesta na curiosidade pelo outro e na disposição de enfrentar o desconforto da responsabilidade.

Ao avançar para os relatos seguintes, a autora mergulha naquilo que se pode chamar de genealogia afetiva e intelectual de Lia Fagundes, conectando memória íntima a referências culturais que moldam a visão de mundo da narradora, sem perder a tinta autobiográfica. A obra mantém o traço de intertextualidade, ampliando o repertório de citações, imagens e símbolos que dialogam com tradições literárias e com a história social brasileira, especialmente a partir de uma perspectiva de formação que atravessa gerações e espaços de convivência, como livrarias, teatros, casas de família e ruas urbanas.

Em termos de tonalidade, manten-se a mistura entre lirismo e prosa de observação crítica, onde a poesia das imagens — as cartas perfumadas, o cheiro de papel, o brilho das telas de cinema, o ambiente de boemia universitária — convive com uma percepção aguçada das contradições da época: exclusões, hierarquias de gênero, tensões ideológicas que, embora tratadas com subjetividade, revelam uma leitura politicamente engajada da realidade. A narrativa, ao privilegiar episódios de formação, sugere que a identidade da narradora é forjada não apenas pelo que vive, mas pela maneira como transforma memórias em energia inventiva que questiona normas e abre espaço para a invenção de novos sentidos.

A partir dessas dinâmicas, o livro consolida a ideia de que a memória não é mera reprodução fiel, mas um campo de experimentação onde a ficção funciona como instrumento de compreensão de si e do mundo. A presença recorrente de figuras de referência — mães, irmãos, mentores literários, artistas e trabalhadores da cidade — reforça a visão de que a memória coletiva é feita de vozes entrecruzadas, que se apoiam na afetividade para resistir a amnésias históricas. Assim, os contos operam como uma cartografia íntima da São Paulo interiorana e paulistana, onde o passado aparece como laboratório de escolhas, ambivalências e possibilidades de transformações.

A autora prossegue, então, explicando como o conto Dia de Dizer Não opera como exercício de ética pública, não ficando apenas na cena de compaixão pelo garoto, mas convertendo esse momento em alerta sobre a direção que tomamos diante da exclusão: o não bem colocado não é apenas recusa à solidariedade, é um modo de desviar a responsabilidade diante das mazelas sociais que nos cercam. Nesse ponto, observa-se ainda a estratégia de fluxo de consciência que permeia a narrativa, evidenciando como pensamentos, sensações físicas e lembranças se entrelaçam num tecido que revela a dificuldade de agir no cotidiano sem perder a lucidez crítica.

Ao passo seguinte, a narrativa se volta para o conto Que número faz favor?, que funciona como metaleitura do fazer literário: a autora é convidada a falar em escola sobre a obra e, entre perguntas diretas, curiosas, ou até cruéis, emerge a tensão entre a intervenção da literatura na vida dos jovens e as pressões do pedido de justificativa permanente da escritora frente a eventuais críticas aos seus textos. Em meio a perguntas sobre o papel do escritor, a autora questiona a própria sobrevivência da palavra em um contexto social marcado por corrupção e oportunismo, afirmando que somente a lucidez compartilhada pode promover denúncias que contribuam para uma mudança real. A cena do debate, com o telefonema interrompendo a fala, funciona como símbolo da distração contemporânea: “Que número faz favor?” passa a representar a escolha entre ocupar-se com o que realmente importa ou sucumbir ao ruído do cotidiano, inclusive das distrações digitais, e a decisão de que tipo de presença literária cada sujeito quer assumir.

Essa reflexão se liga à ideia de que a literatura não é apenas registro, mas instrumento de resistência e de responsabilização social, uma linha que a autora utiliza para articular o seu percurso criativo com a percepção de que a linguagem pode agir no mundo. Ao retornar ao ambiente escolar, a autora observa como o encontro com a voz dos jovens revela, por vezes, uma vontade de desafiar a função estética da obra, exigindo do escritor uma postura ética que não se contente com a ficção apolítica, mas que exponha e questione a estrutura de poder que molda a vida institucional.

O conto final, Nada de Novo no Fronte Ocidental, recorta a tensão entre memória pessoal e memória histórica em meio ao clima da segunda guerra. A presença da farda e do treinamento da narradora, aliando Direito e Educação Física, aponta para a dupla possibilidade de defesa e de construção de valores cívicos, ainda que pareça improvável a ameaça de um bombardeio brasileiro. O desfecho, com a personagem confortável na poltrona e o devaneio que se aproxima da fantasia de um futuro que pode acontecer, consolida a ideia de que o ato de sonhar é, paradoxalmente, uma forma de resistência cotidiana frente à violência histórica e à precariedade do presente.

Essa sequência de contos, portanto, reforça uma inversão do papel da memória: não se trata apenas de relembrar o passado, mas de reestar, recriar e reestruturar o presente por meio de escolhas éticas, políticas e estéticas. A autora insiste na inseparabilidade entre memória pessoal e memória coletiva, mostrando como a invenção da memória passa pela intervenção da língua e pela recusa do conformismo, abrindo espaço para que cada leitor reflita sobre o que significa ser um agente de transformação no tecido social. Em última análise, Invenção e Memória se consolida como um projeto que problematiza a fronteira entre recordação e construção de sentido, sugerindo que a verdade literária reside na capacidade de transformar experiências em uma prática de invenção contínua, capaz de iluminar as sombras da realidade com a tinta do presente.

A autora prossegue ampliando a reflexão sobre a natureza da memória na escrita: afirma que, ao escrever crônicas, há uma tendência de mesclar fatos reais com elementos ficcionais, inventando para preencher lacunas da recordação e dando ênfase ao que se quer destacar. Essa prática, explicada pela personagem Lija, mostra que a escrita opera como uma reconstrução criativa da lembrança, não mentindo no sentido estrito, mas floreando para revelar intenções e sensibilidades. A epígrafe do livro, com a frase do marido Paulo Emílio sobre inventar com a esperança secreta de estar inventando certo, é retomada para enfatizar essa relação entre memória e invenção, e como a literatura se torna instrumento de revelação das recordações que não cabem apenas na factualidade.

Nesse movimento, a autora aponta que a reconstrução textual também envolve lacunas da memória que vão sendo preenchidas pelo narrador, e que esse preenchimento não diminui a autenticidade da obra, pois é justamente o modo de aproximar o vivido ao sentido que se quer comunicar. Mesmo para quem conhece bem a biografia da escritora, o ponto delicado de delimitar onde a realidade encerra e a ficção começa permanece, mas o essencial é reconhecer que memórias podem se tornar literatura de alta qualidade narrativa.

Sobre a linguagem, a crítica destaca o uso de uma fala simples e coloquial, com expressões populares que conferem fluidez e prazer à leitura. Entre as expressões, surgem gemas como “A Inês é morta” e “Matilde já tinha dobrado o cabo da boa esperança”, exemplos de como o idioma cotidiano colore a obra e carrega saberes culturais que o leitor aproveita fora do contexto estritamente literário. A cada passagem, o intertexto se revela como elemento central: a autora cita e dialoga com outras obras, o que exige do leitor unfamiliaridade prévia um olhar atento para as referências; assim, recomenda-se pesquisar as obras citadas para aprofundar a compreensão dos contos.

O fluxo de consciência aparece com pouca regularidade, não funcionando como marca dominante, o que facilita a leitura. A narrativa em primeira pessoa oferece uma unidade de voz que se reproduz em diferentes momentos da vida da narradora, até a revelação final de que a identidade da narradora não é apenas a autora, já que em Rua Sabará 400 ela se identifica plenamente como Lija Fagundes, com dados biográficos como o marido Paulo Emílio e o filho Gofredo Teles Neto. Essa identificação pontual sugere que, apesar de haver uma persona que ocupa várias fases, apenas nesse conto a voz se revela integralmente, mantendo a complexa relação entre autor, narradora e personagem.
Profile Image for Felipe.
29 reviews3 followers
August 12, 2021
Invenção e Memória publicado em 2000, contém contos que transitam entre o real e o fantástico, passado e presente.

"A Chave na Porta" que conta a história de uma moça que pega carona com um velho amigo da faculdade, toma contornos fantásticos lidando com memória e sobrenatural.

Em "Que se chama solidão" contada do ponto de vista de uma criança, há apenas um vislumbre de uma aparição, algo bem sutil, nada explícito. Esse modo de tratar o fantástico/desconhecido/sobrenatural lembra bastante Poe, que a Lygia cita como influência.

Um dos melhores contos é "Suicídio na granja", que tem reflexões sobre o ato:

"Mas, pai, por que ele se matou, por quê?! fiquei perguntado. Meu pai olhou o charuto que tirou da boca. Soprou de leve a brasa: Muitos se matam por amor mesmo. Mas tem outros motivos, tantos motivos, uma doença sem remédio. Ou uma dívida. Ou uma tristeza sem fim, às vezes começa com a tristeza lá dentro e a dor na gaiola do peito é maior ainda do que a dor na carne. Se a pessoa é delicada, não aguenta e acaba indo embora! Vai embora, ele repetiu"

A escrita é bem lírica, às vezes parece que o conto se passa num sonho. A escritora só conta o necessário, fica sempre um mistério sobre algo a mais.

Outros contos são bons também, "Rua Sábara, 400" parece ser bem autobiográfico, "Se és capaz" mostra a evolução do narrador e sua relação com um poema. Mas os três contos citados acima, são os melhores para mim.

"Alguns se justificam e se despedem através de cartas, telefonemas ou pequenos gestos - avisos que podem ser mascarados pedidos de socorro. Mas há outros que se vão no mais absoluto silêncio. Ele não deixou nem ao menos um bilhete?, fica perguntando a família, a amante, o amigo, o vizinho e principalmente o cachorro que interroga com um olhar ainda mais interrogativo do que o olhar humano, E ele?! Suicídio por justa causa e sem causa alguma e aí estaria o que podemos chamar de vocação, a simples vontade de atender ao chamado que vem lá das profundezas e se instala e prevalece."
Profile Image for TP.
36 reviews1 follower
April 21, 2023
Com certeza, o livro de LFT que menos me impactou.
A escrita é boa sempre, mas o único conto que foi marcante pra mim foi Potyra.
Profile Image for bibi ♡.
34 reviews1 follower
March 30, 2025
‘’Invento, mas invento com a secreta esperança de estar inventando certo.’’

Nessa coletânea de 15 contos, Lygia mescla ficção e elementos simbólicos com memórias autobiográficas. O tom narrativo é de introspecção e existencialismo, contendo diálogos que, por vezes, se fundem com a narração. Os elementos que mais gostei foram as memórias e costumes que só encontramos na literatura brasileira, como o ato de coar café no coador de pano, refletir sobre a colonização e herança cultural, entre outros. Com certa sutileza, Lygia também expressa críticas ao conservadorismo, ao governo, misoginia e às guerras mundiais.

Além disso, observamos o conforto que a autora encontra em sua escrita como forma de apaziguar suas dores, observado no conto em que é retratada a morte de seu pai. Também notei memórias de Lygia com amigos, colegas de faculdade e com seu filho.

São contos lindos, breves e impactantes, tratando, principalmente, do espaço em que lembrar e inventar se encontram.

Eu já havia iniciado outras obras da autora, mas esta foi a primeira que finalizei. Amei sua escrita, histórias, sua intertextualidade e sentimentalismo. Foi uma experiência incrível <3
Profile Image for Saionara Borges.
4 reviews
January 10, 2026
Muito diferente do que estava acostumada a ler da Lygia, mas nenhum pouco decepcionante. Percebi durante a leitura dos contos um incrível fluxo de consciência que me guiaram a sentir, pensar e refletir sobre algumas temáticas.
Como alguns contos mesmo que tenham sido reunidos depois de algum tempo trazem reflexos que ainda nos dias atuais fazem sentido para a nossa sociedade, para mim entre os preferidos ficaram “Se és capaz” e Rua Sabará, 400”.
Profile Image for Thiago de Freitas .
26 reviews
April 23, 2026
Quanto de invenção? Quanto de memória?
O livro da autora reúne relatos (contos?) que são verdadeiros exercícios de exploração do imaginário. As pequenas narrativas trazem histórias que aconteceram em sua juventude ou até mesmo histórias que poderiam ter acontecido, num fino limiar entre o real e o imaginário.
89 reviews1 follower
April 11, 2025
Não sou o público alvo, li pra ajudar uma aluna a entender. É um livro de contos, mas as histórias estão ligadas em certo nível, por se tratar de memórias, não há tantos diálogos e há muitas reflexões.
Profile Image for Um mar de fogueirinhas.
2,271 reviews25 followers
July 28, 2019
Temos outrasconhecidas aqui: os dramas ursbanos como O menino e o velho ou que se chama solidão , os de terror como rua sabara, os delicados como suicidio na granja..
Profile Image for Amanda.
27 reviews3 followers
April 21, 2020
Gostei muito de conhecer a escrita da lygia fagundes. Contos com um tanto de viagens internas, mistérios e de resignificação
Profile Image for Otávio Franco.
106 reviews2 followers
December 29, 2022
De todos os livros da Lygia que eu já li esse é o que causou menos impacto em mim.
Entretanto, o conto Potyra foi fenomenal.

3.5/5 ⭐⭐⭐
Profile Image for lin.
603 reviews
January 10, 2023
os favs:

que se chama solidão
suicídio na granja
a dança com o anjo
heffman
o menino e o velho
rua sabará, 400
a chave na porta
potyra
Profile Image for A Alencar.
21 reviews2 followers
January 28, 2026
Uma escrita sem sobras, sem metáforas baratas, sem frases de Instagram, o domínio exato das palavras, mestre. Ler Lygia é muito bom, bom demais.
Profile Image for Jules.
17 reviews
April 17, 2024
É incrível como esses contos foram me envolvendo de forma que eu além de me perguntar o que era invenção e o que era memória da Lygia acabei passando por inúmeros momentos de não saber se as memórias que eu revivia com cada história eram verdadeiras ou também eram invenção minha.

De qualquer forma, achei lindo a forma como ela escreve de um jeito que te puxa cada vez mais pra dentro da narrativa, descrevendo momentos tão específicos mas que se mostram (talvez pela universalidade de certas experiências dentro da cultura brasileira) profundamente familiares.
Profile Image for Antonio Filipe.
69 reviews7 followers
February 1, 2022
Último livro que li da Lygia e faz dez anos já. Talvez seja a hora de retomar a Lygia novamente, não?

****

E a retomada ocorreu.
Que experiência é reler um livro após este tempo. Um período de quase onze anos se fecharam da primeira leitura a esta feita recentemente. Me peguei surpreendido pelos contos de Lygia, histórias que nem mais me lembrava, e de me sentir sem fôlego a cada história lida. Ler Lygia é estar em comunão com "a difícil condição do ser humano em um país de tão frágil educação e saúde", como a nota biográfica assim denota.

"O escritor pode ser louco, mas não enlouquece o leitor, ao contrário, pode até desviá-lo da loucura. O escritor pode ser corrompido, mas não corrompe. Pode ser solitário e triste e ainda assim vai alimentar o sonho daquele que está na solidão" (p. 143)
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