No Portugal festivo e individualista do fim da década de 80, Violeta, uma professora de 32 anos, engravida de Ildo, um aluno de 14 anos, filho de uma mãe solteira cabo-verdiana. O Insubmisso, novo jornal de uma elite em ascensão, perseguirá a história e descobrirá que o pai de Ildo é um cavaleiro tauromáquico aristocrata. O escândalo do chamado processo Violeta contrastará com o silêncio absoluto através do qual Ana Lúcia, amiga de Violeta, oculta a sua violação por um outro aluno de 14 anos da mesma escola. Este romance apaixonante interroga, com inteligência, imaginação e humor, os interditos de uma sociedade que se diz livre e despida de preconceitos. O processo Violeta é, afinal, o de um país de hábitos clandestinos, esconsos, sacrificiais e crepusculares.
Born in 1962, Inês Pedrosa earned a degree in communication sciences from the Universidade Nova de Lisboa before working in the press, on radio, and on television, earning several journalism awards and serving as director of the Casa Fernando Pessoa publishing house from 2008 to 2014.
Previously, she was a columnist for the Portuguese national newspaper Expresso, for which her column was awarded the 2007 Prize for Parity for Citizenship and Gender Equality, and she is currently a columnist for Lisbon's weekly newspaper, Sol. Pedrosa has published eighteen books, including the prize-winning novels In Your Hands (winner of the 1997 Prémio Máxima de Literatura in Portugal), Eternity and Desire (finalist for the 2009 Portugal Telecom Award and the 2010 Prémio Correntes d'Escritas), and The Intimates (winner of the 2011 Prémio Máxima de Literatura). Her work has been published in Brazil, Spain, Italy, and Germany. In Your Hands is her English-language debut.
Julgo que ninguém fica contente por não gostar do livro que está a ler. Eu não sou excepção, mas fico particularmente triste quando tal me acontece com autores nacionais. Porque acredito que o nosso país tem muito para dar e quero muito que as leituras que me enchem o coração e a alma sejam de autores portugueses. São nossos! Infelizmente não foi o caso com “O Processo Violeta”. Sinto claramente que não sou a leitora certa para este livro.
Ildo apaixona-se por Violeta. Ele tem 14 anos, ela 32. Ela é professora, ele é aluno. Um amor condenado que mudará a vida de ambos. Violeta não pensa nas consequências e acaba grávida do seu aluno. Ele acha que a ama e faz tudo por ela. A mãe de Ildo acha isto tudo uma verdadeira loucura e faz de tudo para os separar.
E uma boa escrita acompanhada por uma boa história só pode correr bem!
Mais uma vez perco-me nas suas palavras e deixo-me levar pelas personagens cheias de personalidade e "nostálgicas" de um Portugal após revolução! Abusos, assédio, descriminação, racismo, são alguns dos temas abordados neste livro! Acompanhamos a luta, o dia a dia e o medo de várias personagens femininas, numa altura em que o respeito por elas ainda era um mito e a sua validação enquanto pessoas ativas na sociedade ainda parecia uma ilusão!
Li rapidamente este livro, sem nunca ter a certeza como iria terminar! A minha relação com Violeta foi sem duvida de amor e ódio! Houve alturas em que só me apetecia abana-la para faze-la perceber as coisas, outras que só queria abraça-la e protege-la de um mundo injusto.
Não foi o meu favorito da Inês, mas foi bom voltar a ler algo dela. É sempre bom. Passei algumas partes à frente. Gostei muito da perspetiva de "e depois" de uma história de amor entre duas pessoas com grandes diferenças de idade ou em situações de desequilíbrio de poder como professora/aluno. Foi interessante ver o ponto de vista do Ildo. Não gostei de o livro começar de forma tão chocante e depois nunca mais pegar propriamente no que aconteceu. Não achei todas as narrativas igualmente interessantes.
A escrita de Inês Pedrosa nunca desilude, pela riqueza do enredo, pela profusão de questões sociológicas, pela inquietação que provoca no decurso da narrativa. Está história desafia preconceitos e acaba por estreitar-se nos estereótipos de uma sociedade que, afinal, ainda não convive (de todo) com a liberdade.
Eu adoro a escrita da Inês Pedrosa e talvez, por isso, tenha sido tão difícil encontrar as palavras certas para explicar a pontuação que dei a este livro. Até hoje, esta foi a opinião literária que mais me custou escrever.
A sinopse fala-nos de uma relação entre Violeta, de 32 anos e Ildo de 14 anos e a cobertura deste caso pelo jornal "Insubmisso". E, ainda, do silêncio por parte de outra professora após violação por outro aluno de 14 anos da mesma escola. Pensei então, ter nas mãos, um romance que se debruçaria, principalmente, sobre estas duas situações.
"A sinopse da obra deixa explícito a abordagem ao abuso de menores e à violação; no entanto, a narrativa vai além, abordando questões étnicas, de classes, sócio-cultural, e sexuais, através de vários ângulos e situações distintas. Ou seja, cada caso é um caso, e assim é tratado. Mais do que apresentar uma conclusão, apresenta os factos (assim vistos), os sentimentos, e as motivações de cada personagem: as conclusões ficam a cargo de cada leitor. (...)"
O Processo Violeta tinha um enorme potencial para ir muito mais longe do que chegou, o que é uma pena. Adorei completamente a primeira metade, mas na segunda a trama descarrilou - senti que lhe faltou foco. Teria sido uma mais-valia se a narrativa fosse contada maioritariamente sob as perspetivas de Ana Lúcia e de Violeta - com, ocasionalmente, outras perspetivas de personagens secundárias - em vez de começar com uma história tão forte por parte de Ana Lúcia, que acabaria por não ter praticamente repercursões nenhumas no enredo. Não consegui ter qualquer empatia com a Clarisse, e questiono-me seriamente do propósito dos seus capítulos. Ela teria resultado melhor como uma personagem secundária.
Apesar de tudo isto, aliando a escrita envolvente e viciante de Inês Pedrosa às imensas cenas e momentos emocionalmente fortes e reflexivos, O Processo Violeta foi uma surpresa bastante agradável, para mim que evito autores portugueses a todo o custo.