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O Anjo Ancorado

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«Na breve e despojada história que é O Anjo Ancorado ele observa essa realidade com olhos estranhos, de longe, imune a qualquer pathos ou rancor. Daí resulta uma parábola, um exemplum, uma espécie de fábula da qual se pode extrair um ensinamento. E é exactamente graças a este procedimento que o panorama se alarga, que a história ultrapassa os limites geográficos do Portugal daqueles anos e se torna universal, falando-nos do mal-estar, da dificuldade de viver, do desassossego que nos acompanha, a nós que vivemos hoje.»
Antonio Tabucchi

«Mas neste primeiro livro, aparentemente igual a muitos outros, há novidades que o demarcam deles e são indício de aspectos que caracterizarão quase toda a ficção de José Cardoso Pires.»
Mário Dionísio

«Este indeciso e desencantado casal, os míseros populares dos anos cinquenta seguem, perenes, ao nosso passo, mercê de uma prosa superior, do espírito de observação e do talento compositivo de um dos grandes narradores da Língua Portuguesa.»
Do Prefácio de Mário de Carvalho

«Um anjo ancorado à espera de fuga. É esse anjo ancorado que está livre, no universo dos livros onde fica como um dos maiores do mundo. Do mundo que me foi dado ler.»
Lídia Jorge

120 pages, Paperback

First published January 1, 1958

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About the author

José Cardoso Pires

41 books121 followers
JOSÉ CARDOSO PIRES nasceu na em São João do Peso, concelho de Vila de Rei, distrito de Castelo Branco, a 2 de Outubro de 1925. Estudante na Faculdade de Ciências de Lisboa, trocou as matemáticas superiores pela marinha mercante. Entre 1969 e 1971, foi docente de Literatura Portuguesa e Brasileira no King’s College, em Londres. Foi director literário de editoras lisboetas e director-adjunto do Diário de Lisboa (1974-75). Estreou-se com Os Caminheiros e Outros Contos (1949) e obteve o Prémio Camilo Castelo Branco com o romance O Hóspede de Job (1964). Dentro do neo-realismo, retoma a tradição satírica setecentista. Entre outros, escreveu os romances O Delfim (1968), Dinossauro Excelentíssimo (1972), Balada da Praia dos Cães (1982, Prémio da Associação Portuguesa de Escritores), Alexandre Alpha (1987), República dos Corvos (1988). Escreveu para o teatro O Render dos Heróis (1960) e Corpo Delito na Sala de Espelhos (1979). Deu ainda a lume a colectânea de ensaios Cartilha do Marialva (1960) e o volume de crónicas E agora, José? (1978) e A Cavalo no Diabo (1994). Em 1997 publicou De Profundis - Valsa Lenta e Lisboa, Diário de Bordo que lhe valeram o Prémio Pessoa desse ano. Foi condecorado pela Presidência da República com a Comenda da Ordem da Liberdade, em 1985. Faleceu a 26 de Outubro de 1998, em Lisboa.

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Displaying 1 - 19 of 19 reviews
Profile Image for Luís.
2,453 reviews1,554 followers
June 21, 2025
The Cardosean narrative mixes several fictional practices. The neo-realistic character (which does not rule out experimentation with nouveau-roman) and the symbolic are the most present in the work analyzed here. These fictional practices, now called Cardoso Pires' narrative techniques, were highly innovative within the neo-realist aesthetic-pragmatic context. For different reasons: for discovering other cultural universes and new artistic sensitivities after the Second World War; for the originality, resulting from the newly acquired experiences, with new intentionality in Portuguese literature and the Cardosean style itself. The adoption [of a language] is uncomplicated in sociocultural terms and creates a new way of observation and representation.
Profile Image for Ana.
Author 14 books217 followers
December 5, 2018
post completo em: http://linkedbooks.blogspot.com/2012/...

Esta revelou-se uma leitura satisfatória. É um pequeno livro, muito bem escrito, que conta uma história simples, em jeito de fábula e com bastante significado.

Ressaltam da história as diferenças entre os seus personagens, constrastando as suas realidades diversas. Estas diferenças têm origem sobretudo no estrato social a que pertencem. Até os símbolos utilizados demarcam essa diferença, por exemplo, o carro de luxo que contrasta com a pobreza da aldeia (onde ainda nem havia electricidade).

Tão distantes uns dos outros, interagem nesta história, num local, durante um breve período de tempo. Mesmo breve, serve esse tempo para ditar a incompreensão dos comportamentos de parte a parte.

Não querendo entrar em pormenores para não acabar por contar a história, devo dizer que esta incompreensão ("velho nojento" por um lado, e "selvagens" por outro), me fez lembrar a pirâmide de Maslow. As motivações, segundo Maslow, são ditadas pelas necessidades, de acordo com uma pirâmide. Parece-me que os personagens desta fábula estão, uns na base (necessidades fisiológicas básicas) e outros no topo (necessidades de auto-realização) e daí que não exista um horizonte comum que permita a compreensão de parte a parte.

Se as pessoas da aldeia se esforçam, por exemplo, para apanhar um perdigoto para comer, os do carro interrogam-se sobre o sentido da vida, punindo-se com uma intelectualidade cheia, mas que cai vazia nas suas vidas sem sentido.

Se o homem parece já ter feito um pouco de paz com essa intelectualidade, remetendo-se para a apreciação dos prazeres do dia-a-dia, a rapariga auto flagela-se continuamente na procura de um sentido para a vida. Enquanto isso, a maior preocupação da rapariga da aldeia é terminar a renda para cumprir a encomenda, encomenda que só foi feita pelos ocupantes do carro vermelho, para se verem livres do seu irmão, porque o miúdo os estava a incomodar...

Considero que este livro, se não se conhece ainda o autor, poderá ser um bom "sítio" para começar.
Profile Image for Catoblepa (Protomoderno).
68 reviews119 followers
May 14, 2020
La storia estremamente semplice: siamo sul finire degli anni ’50, in Portogallo: un intellettuale di circa trentacinque anni e la sua più o meno compagna, di una decina d’anni più giovane, fresca d’università ma altrettanto dotta (solo un filo più ingenua). Ideologicamente vicini, caratterialmente distantissimi: taciturno e (divenuto) indifferente al mondo lui, ciarliera e malinconica lei.
Escono un bel giorno da Lisbona e vanno in riva all’oceano, appena fuori dal piccolo paesino di São Romão, per fare pesca subacquea. O meglio, lui pesca, lei se ne sta alla macchina, fuma come una ciminiera, stacca i fili d’erba, si rompe le palle, pensa. Lui pesca una cernia bella grossa (o almeno credo, un mero, ma non so i nomi dei pesci in italiano, figurarci in portoghese), i due se ne vanno, fatalista lui, malinconica lei. Fine.

Ma il romanzo non si lascia giocare nel campo della vicenda, ma in quello della dialettica mancata: fra il presente di un normale pomeriggio di fine estate e i flashback di un passato di delusioni (politiche, amorose, familiari); fra i due intellettuali capitolini e i pochi abitanti del paese con cui vengono in contatto, rappresentazione di un Portogallo rurale ancora presentissimo negli anni ’50: analfabeta, sempliciotto, affamato, ma che sa essere anche maligno (diversissimo dai ritratti idealistici degli ignoranti ma puri); ma più di tutto, fra i due protagonisti, che vivono una giornata come tante ma che, si capisce benissimo, sono destinati a non durare come coppia e a continuare nella loro vita di frustrazioni e insuccessi.

Notevole la capacità di rappresentazione: ventisei capitoli fulminanti, bozzetti quasi indipendenti l’uno dall’altro ma che vanno a formare un quadro solido e compatto. Notevole la scrittura, con dialoghi che sfumano dentro a flussi di coscienza minimi e che a loro volta sfumano nel descrittivo. Non c’è soluzione di continuità fra le varie parti del discorso. Notevole, soprattutto, il senso di sconfitta totale di chi sogna in grande, un Portogallo migliore, una vita privata migliore, sapendo bene che entrambi sono ingenui desideri dal destino illusorio.
Profile Image for Héctor Genta.
403 reviews90 followers
August 8, 2020
"Selvaggi. Cani, raffinati cani".

"L'angelo ancorato non è una fabula a sfondo sociale ma semplicemente una fabula" scrive Cardoso Pires nelle pagine finali di questo romanzo breve. Bene, non fidatevi delle parole dell'autore perché sotto una trama sottile e una scrittura (fintamente?) semplice è nascosta una riflessione sul Portogallo della fine degli anni '50 che va oltre le apparenze.
La storia è quella di una coppia di amici, forse amanti, e di una gita fuoriporta a bordo di un'auto fiammante: lui trascorrerà il pomeriggio a fare pesca subacquea e lei attenderà fumando. Sullo sfondo un gruppo di personaggi minori: un bambino che vende centrini, un "vecchio vecchio" che insegue una pernice per farne la sua cena, un gruppo di persone al bar.
Un racconto di un centinaio di pagine che corrono via veloci ma a soffiare sulla cenere dell'apparenza si scopre che sotto c'è un fuoco che brucia e ci parla degli intellettuali e del loro modo di confrontarsi con la parabola salazarista nel momento in cui essa iniziava a declinare, del loro rapporto con il paese, con un mondo con il quale faticano ad entrare in contatto.
Il linguaggio è il primo strumento che Cardoso Pires utilizza per caratterizzare ognuno dei personaggi e dimostrarci come siano lontani uno dall'altro, e come soprattutto la lingua e il pensiero dei due protagonisti li pongano su un livello distante da quello della gente comune. Protagonisti che a loro volta esprimono due aspetti diversi dell'intellettuale portoghese: João rappresenta il disilluso, quello che ha creduto nel cambiamento fino a quando ha visto naufragare le speranze e ora indossa la maschera del cinico, Guida è il suo contraltare, l'angelo ancorato che prova a difendere il suo sogno, scontrandosi con una realtà con la quale è necessario scendere a compromessi e finendo per incartarsi nell'accettazione di una vita vissuta giorno per giorno. Il secondo strumento sono i simboli attraverso i quali l'autore trasforma la fabula in qualcosa che sembra più vicino a un apologo: l'auto sportiva che sfreccia nel Portogallo più arretrato, la lotta della pernice verso la libertà e quella del vecchio per il cibo, il "mero", sorpreso da João mentre dormiva, essere "rispettato e maestoso" finché si trovava in fondo al mare ma poi sconfitto in uno "scontro impari e privo di gloria".

"Quando in un paese non è permesso agire ci si accontenta di pensare, che magnifica soluzione." – chiosa ad un certo punto, sarcasticamente, João e proprio questo sembra essere il nodo cruciale intorno al quale gira la storia: la comoda sublimazione di una situazione da parte di un'intera classe intellettuale pronta a deporre le armi senza averle mai davvero imbracciate.
"Cosa fai domani?" "Non lo so. E tu?". Sono le parole che chiudono il romanzo, specchio di una passività travestita da impotenza che finisce per risolversi in comoda autoassoluzione. Una passività che Cardoso Pires condanna, un'abdicazione al proprio ruolo che l'autore stigmatizza attraverso le parole affilate di un oste, un uomo del popolo, che nel momento in cui João e Guida sfrecciano sulla loro decapottabile rossa attraverso il paese rischiando di investire un ragazzino non può far altro di apostrofarli come "Selvaggi. Cani, raffinati cani".
Profile Image for Miguel.
66 reviews16 followers
October 21, 2019
Ainda não dera meia dúzia de passos, veio sobre ela uma ave escura, aos pios de louca. Apareceu-lhe, saída do precipício numa curva rápida, soltando dois esguichos de porcaria.
Guida fez alto. Sentiu calafrios com a aproximação do pássaro, que planava por cima dela. Voava tão baixo, tão baixo, que se distinguiam as penas sujas e crespas do papo, o bico a gotejar e os olhos abertos em fenda à procura de qualquer coisa. Finalmente elevou-se num bater de asas desmanteladas, e mudou de rumo.
«Safa.»

Guida tinha o gosto de se ouvir a sós. No banho ficava de tempos e tempos a recitar palavras à toa e em todas descobria um significado especial, relacionado com coisas que só ela sabia. Um sentido oculto, como sucede com os surrealistas nas suas escrituras de ocasião.
(Não nos espantemos, de resto. Que isto se desse com Guida, não tinha nada de especial. Especial, porquê? Falar alto, só para si, é um excitante intelectual, um devaneio dos solitários, sonho ou vingança. Tecem diálogos ao espelho as burguesinhas das vilas, fala o cego para o surdo sobre o mundo que os rodeia. canta o galo capado, poucos o entendem. E poetas há, por essas secretarias e repartições, que vagueiam alta noite nas ruas da Baixa a esmiuçarem conversas de sua imaginação.
É natural. Vivemos numa época em que cada qual fala para si mesmo na companhia de muitos outros.)

«A larva que se estuda à espera que o vento tombe a maçã.»

Segundo o homem em questão, essas independentes (e a jovem atenta seria uma delas) têm sempre o preconceito da mulher vítima do mundo - mais ainda: da mulher vítima da natureza. São das tais que entendem que perder a virgindade é uma operação destinada a emendar a Natureza. Uma espécie de circuncisão, sem mais nada. Sem ritos nem ações de graças, pois o Criador bem pode limpar as mãos à parede pela bonita obra que deixou. «Onde houve eu isto?»
Ali mesmo - à mulher do engenheiro, ia jurar.
«Não há dúvida», tinha dito ela, minutos antes, comentando qualquer das muitas injustiças que pesam sobre o mundo. «Asneiras sobre asneiras, foi a bonita obra que o Criador deixou por cá.»

Com pausas e conversas ao acaso, deixaram os pacientes noturnos a estrada à beira do rio. Meteram por outras, à roda da cidade, sempre correndo, sempre sem parar, consumindo a noite como fazem as almas que vivem nas trevas a cumprir pena e que só descansam com o nascer do dia, adormecendo em forma de cantarinhas de lírios de charco ou de qualquer fantasia parecida.

Jogo que não tenha regra não é jogo. Jogo sem parceiro também não. Era o que dava aqui. A jovem Guida batalhava com palavras e o amigo não maxia uma palha para a ajudar. Jogo sem parceiro ou jogo à espera de parceiro por um lado; jogo sem regra nem desfecho, por outro. A garrafa dentro da própria garrafa.
De forma que o viajante do areal, para se guardar alheio ao jogo, fazia o papel do mau companheiro que ouve, que torna a ouvir, e que reserva para si aquilo que muito bem entende. Mas também isso acaba por ser jogo e por enfastiar. Às tantas ele já não podia mais.
«Se fôssemos indo, Guida?»


Profile Image for Emily.
679 reviews55 followers
January 26, 2022
Το βιβλίο κυκλοφόρησε στην Πορτογαλία το 1958 και τοποθετείται χρονικά στα χρόνια της αρχής της δεκαετίας αυτής.
Ένα λαμπερό κόκκινο σπορ αυτοκίνητο έρχεται από την πόλη διασχίζοντας το φτωχικό χωριό του Άη Ρομάο.
Ο οδηγός του συνοδεύεται από μία νεαρή ύπαρξη, με την οποία δεν έχει κάποια ιδιαίτερη σχέση στο παρελθόν αλλά, όπως φαίνεται, ούτε και στο μέλλον.
Ο στόχος του άντρα είναι να βουτήξει στα νερά με στολή δύτη για να ψαρέψει ενώ η κοπέλα του κάνει παρέα ενώ ετοιμάζεται.
Η χλιδή μιας τέτοιας παρουσίας έρχεται σε αντίθεση με την απόλυτη ένδεια των κατοίκων του μικρού χωριού οι οποίοι βλέπουν τους περαστικούς ως μία ευκαιρία να βγάλουν λίγα χρήματα πουλώντας τους χειροποίητες δαντέλες.
Τι είναι για έναν ευκατάστατο να δώσει λίγα χρήματα για να βοηθήσει κάποιον που δεν επαιτεί αλλά πουλάει κάτι φτιαγμένο από τον ίδιο;
Πόσο δύσκολο είναι να αγοράσεις κάτι που - σύμφωνοι - ίσως δεν σου αρέσει ή σου είναι περιττό - μόνο και μόνο για να βοηθήσεις κάποιον που καταλαβαίνεις ότι το έχει ανάγκη;
Ουσιαστικά δεν είναι τίποτε ...
Αλλά στην πράξη αποδεικνύεται τόσο, μα τόσο δύσκολο ...
3.5/5*
Profile Image for horhii.
111 reviews5 followers
August 17, 2025
Las tres escenas de caza (incluyendo el cuadro medieval) de la obra son de las mejores construcciones sobre el antagonismo de clases en el arte y la literatura que he leído. Genio
Profile Image for Joaquim Margarido.
299 reviews40 followers
August 17, 2021
Um sopro de desesperança e abandono atravessa as páginas de “O Anjo Ancorado”. Desenhado ao correr de uma tarde na pequena aldeia de S. Romão – pequeno povoado das cercanias de Peniche onde vive um punhado de almas em casas “como gaiolas de adobe e falheiro, empoleiradas sobre o oceano” –, o livro conta a chegada de um homem e de uma mulher no seu Talbot-Lago, ele disposto a mergulhar nas águas profundas para uma par de horas de caça submarina, ela apenas para o acompanhar e entregar-se a uma longa espera. Nem mistério, nem romance, nem entusiasmo, nem ilusões. Nada. Apenas dois corpos voltados sobre si mesmos e meia dúzia de frases esparsas num “deserto”, uma falésia pedregosa e nua batida pelo vento, o clamor das ondas e os gritos das gaivotas em fundo.

Com o fim da II Guerra Mundial, acreditou-se que os ventos de mudança iriam chegar a Portugal, trazendo com eles a liberdade e a democracia. Personificada no MUD - Movimento de Unidade Democrática, essa corrente de entusiasmo começou a esfriar na Primavera de 1947, com a prisão de inúmeros activistas do MUD Juvenil e, em Janeiro do ano seguinte, com a ilegalização do próprio Movimento. A prisão de Cunhal em 1956 e as eleições fraudulentas de 1958, nas quais Humberto Delgado assumiu a oposição ao Estado Novo, foram outros dois momentos-chave na afirmação de Salazar como um temível ditador, cerceando por inteiro quaisquer aspirações libertárias. Será aqui, porventura, que encontraremos as bases de um ambiente de marcado desencanto e apatia que envolve toda a obra e contamina o próprio leitor.

Na linha dos seus primeiros trabalhos, “O Anjo Ancorado” é um exemplo acabado da genialidade de José Cardoso Pires enquanto escritor. Os ambientes realistas e o cariz vincadamente político do livro vêm na sequência dos seus primeiros trabalhos e traçam, por si só, um retrato detalhado de um Portugal amordaçado pela ditadura, fechado ao exterior e orgulhosamente só. João e Guida, as duas personagens principais do livro, não têm ilusões quanto ao seu futuro. Braços caídos, recordando momentos passados que tanto prometeram, eles são o espelho dessa geração das oportunidades perdidas (o cúmulo da inércia encontramo-lo em João quando, no abismo do mar, caça de forma inglória um esplêndido mero que se encontrava a dormir no abrigo das rochas). Vista no seu conjunto, a obra de Cardoso Pires tem aqui um dos seus mais marcantes exemplares. A ler, urgentemente.
Profile Image for Rosario Oliveira.
210 reviews
August 26, 2018
O meu 1º José Cardoso Pires. Gostei de ler esta história, muito provavelmente sobre o fascismo ou sobre qualquer sociedade em que existem dominadores e dominados, ricos e pobres, pessoas que vivem bem e podem dedicar-se a pensar, a filosofar, ou porque o sabem fazer ou porque têm o estômago cheio e outros, que devido à luta pela "migalha" diária não têm tempo para essas filosofias e gastam a energia na procura de alimento. Os forasteiros (da cidade) que vêm passar a tarde a S. Romão trazem alimento para alguns dos habitantes que lhes vendem o que produzem, com mais ( o rapaz a vender a renda feita pela irmã) ou menos ( o velho do perdigoto) honestidade. Cada um vive a tentar sobreviver com a luzinha do farol de Peniche a pescar ao fundo e os forasteiros, quase indiferentes, vão-se da terra sem querer saber da renda da pobre Ernestina, que tanto s esforçou para a acabar. Há aqui uma fábula, sim é possível.
Profile Image for Cat.
47 reviews
January 9, 2021
I didn’t enjoy this book. Even though from an author of one of my all times favourite book in Portuguese (Alexandra alpha) this one disappoints
Profile Image for natt.
19 reviews1 follower
April 18, 2026
damn m'ha agradat molt. no passen moltes coses però wa tota una vibra. tan de bo haver-ho entès tot lolasu jajaj però millorant amb el portuguès!<3
Profile Image for João Moura.
Author 4 books23 followers
September 29, 2024
Um casal de passagem pela aldeia piscatória. Um menino que lhes quer vender a renda da irmã. Um velho que apanha um pássaro. Pouco há aqui de ação. Mas muito há de reflexão. Um pequeno e misterioso livro que não nos descansa até chegar ao fim (rapidamente) e que nos deixa a pensar mal acaba a sua leitura...
Profile Image for Marina.
15 reviews
October 12, 2023
‘No amor, como na guerra, cumprir o dever é pouco.’
Profile Image for lua(na) ⋆.˚ ☾ .⭒˚.
9 reviews
April 13, 2026
coitadinhos sejam os burgueses lisboetas intelectuais!
não sei se gostei mais das críticas à sociedade portuguesa dos anos 50 ou à escrita fantástica de cardoso pires 😋😋
Profile Image for João Varela.
26 reviews1 follower
July 23, 2014
Este foi o primeiro romance que li de Cardoso Pires. Tinha anteriormente lido "Histórias de Amor", o que mais não foi do que um conjunto de contos soberbos.

Anjo Ancorado é no fundo um contraste entre alguns habitantes da aldeia de São Romão (creio que será perto de Peniche) com a classe burguesa abastada representada no livro por João e Guida.

João e Guida um casal "sui generis" que se conhece numa festa burguesa um pouco ao acaso, decidi ir pescar para perto de São Romão e passar o dia no seu automóvel vermelho. É ai que se dá o contrate entre João e Guida e os habitantes da aldeia.

O livro apesar de pequeno tem um ritmo lento o que o torna um pouco maçador em partes, no entanto acho-o muito bem escrito, e um bom exemplo do Portugal anterior ao 25 de abril. Recomendo!
1 review
January 6, 2013
“O Anjo Ancorado” é um romance pequeno, de histórias e diálogos curtos, como que uma fábula de partes do Portugal dos anos 50. Breves trechos do Portugal rural e miserável cruzam-se com figuras burguesas, com os novos ricos que têm consciência de o ser e do ridículo dessa condição. Há também carroças a percorrer Lisboa, velhos famintos a perseguir pardais minúsculos para matar a fome e raparigas que sonham ser mulheres mas que tremem de medo de o ser. Mais do que tudo “O Anjo Ancorado” é um obra preciosa, um bordado de filigrana em que as palavras encaixam umas nas outras com a naturalidade da vida. E são os livros que se parecem com a vida os que verdadeiramente valem a pena.

 
 
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