Se você chegou até Hegel, provavelmente veio atrás das raízes da teoria Marxiana. Nesse caso, o livro fornece dois textos que exemplificam a dialética (tese - antítese - síntese) que fundamentará a tese marxista do desenvolvimento pelo conflito: Fenomenologia do Espírito e Introdução a História da Filosofia.
Os dois estão incompletos. A Nova Cultural preferiu dar espaço aos ensaios de Estética que compõe melhor a ideia magna de "O idealismo absoluto".
Para Hegel, todo conflito pode ser resolvido através da criação de um modelo absoluto - seja ele político, econômico, psicológico, religioso ou filosófico. Então por que a arte? Porque ela sendo abstrata e idealista, transmite mais facilmente a proposta.
Isso não quer dizer que seja uma leitura fácil. O autor salpica diversas referências e análises de caso em sua dissertação, mas é impossível ignorar o fato de que se trata de conceitos abstratos altamente complexos. Ainda assim, o esforço em seguir seu raciocínio é altamente recompensador.
Como não poderia deixar de ser para os filósofos pós-século XIII, há também uma parte em especial para a crítica do modelo Kantiano, onde sem meias-palavras o autor discorda da limitação imposta ao pensamento pelo modelo. É interessante, contudo exige um pouco de conhecimento sobre o assunto.
Enfim, a obra de Hegel é recomendação típica para aqueles que desejam se aprofundar nas teorias de Marx e Engels, porém pode ser acessado por sua própria riqueza.
A edição da Nova Cultural traz uma pequena biografia, bibliografia e cronologia. É uma capa-dura de qualidade.