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A casa & a rua: Espaço, cidadania, mulher e morte no Brasil

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A casa & a rua é um livro essencial para quem deseja compreender a sociedade brasileira e sua intrincada rede de relações. A ideia básica do estudo é que, no Brasil, a casa e a rua não representam apenas espaços geográficos, mas são acima de tudo entidades morais, esferas de ação social. O mesmo homem sensato em família, quando vai para o mundo da rua se transforma em inoportuno. A cordialidade, assim, está restrita ao mundo da casa.

Em um estudo definitivo sobre Dona Flor e seus dois maridos e outras obras de Jorge Amado, DaMatta observa a visão sutil e provocadora do ambíguo como algo positivo e desejável, um ponto de apoio para se entender sociologicamente o nosso universo.

O entendimento do Brasil, para DaMatta, também se dá por meio da percepção do que representa a morte no imaginário da população. O "outro mundo", para o brasileiro, é uma realidade social de esperanças e potenciais que a história ou o mundo real impediram.

Um levantamento recente da Unicamp comprovou que Roberto DaMatta é o cientista social mais citado em trabalhos acadêmicos brasileiros. Seus ensaios – como esses apresentados em A casa & a rua – têm uma vitalidade que é fruto de seu imenso desejo de compreender o Brasil pelo único lado que lhe parece confiável: suas imensas contradições.

177 pages, Paperback

First published January 1, 1991

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About the author

Roberto DaMatta

26 books14 followers
Roberto DaMatta (Niterói, 29 de julho de 1936) é um importante antropólogo brasileiro, além de também trabalhar como conferencista, professor universitário, consultor, colunista de jornal e produtor de TV.

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Displaying 1 - 5 of 5 reviews
Profile Image for Guilherme Smee.
Author 27 books191 followers
September 26, 2024
"A casa e a rua: Espaço, cidadania, mulher e morte no Brasil", de Roberto daMatta é um dos livros seminais do antropólogo para explicar a sociedade brasileira. Através da dicotomia do público (rua) e do privado (casa), e do outro espaço, liminar e ao mesmo tempo não existente (o outro mundo), DaMatta explica nossa relação com a cultura e com a sociedade. Enquanto na casa somos supercidadãos que cumprem leis, normas e regras, na rua somos subcidadãos, que vivem driblando todo o tipo de ordem e contenção, algo bastante fácil de notar durante o Carnaval, que é tema de outro livro do antropólogo. Contudo, por mais que esses insights sejam importantíssimos para tentarmos entender a noção de Brasil, brasileiro e brasilidade, também é facil perceber que este livro é bastante sunjetivo e esotérico a ponto de termos de traduzir os pressupostos de DaMatta para utlizarmos e não copiar citações ipsis literis como estão no livro. Reconheço a importância dos pressupostos e do autor, mas não vejo o livro enquanto constante de minha biblioteca.
Profile Image for Vinícius de Sousa.
96 reviews8 followers
March 4, 2018
Leitura extremamente interessante, principalmente o ensaio sobre cidadania. No geral, o autor propõe que o Brasil é uma sociedade tradicional com éticas múltiplas que são complementares: a da casa, a da rua e a do outro mundo. A nossa maior característica seria a de ser uma sociedade relacional, onde não se tem indivíduos iguais, mas pessoas definidas pelas suas relações. Foi escrito na década de 80, o que me faz ter dúvidas sobre eventual mudança no dia a dia do país, mas, no geral, me pareceu bem consistente em retratar a contemporaneidade.
Profile Image for Flávio.
31 reviews2 followers
January 23, 2019
Esperava mais. São alguns ensaios muito independentes na verdade. Por serem ensaios, não existe análise de material etnográfico.
31 reviews1 follower
August 13, 2016
Um bom trabalho do sucessor de Gilberto Freyre no pensamento conservador a respeito da identidade brasileira: desigual e com a possibilidade de igual. Otimismo da história dos vencedores, a desigualdade, a fraqueza institucional são tratados mais como fatalidades do que como produtos de processo histórico marcado pela exploração passiva-agressiva da cordialidade cínica. Uma obra curta e bem escrita, vale a pena a leitura desde ciente do tecnicismo por meio do qual Da Matta tenta se distanciar das questões mais polêmicas a respeito da evolução institucional tupiniquim.


A casa e a rua refletem as ambigüidades da sociedade brasileira, são diferentes conjuntos de valores cuja abrangência pode variar muito em função de seu referencial. A casa é o espaço da compreensão, do diálogo, da individualidade. A rua é o espaço da impessoalidade, do isolamento quando propõe a sociedade brasileira (entre outras sociedades ibero-americanas) como uma SOCIEDADE RELACIONAL
as ações dos indivíduos variam em função das amizades, dos contatos que se tem. O exercício da cidadania até existe, mas num âmbito muito mais individualista do que cidadão de fato, refletindo mais uma vez o anseio do brasileiro por transportar os valores da casa para a rua, de ser entendido como indivíduo.Tomando como referência algumas obras de Jorge Amado, principalmente Dona Flor e seus dois maridos, o autor trata da dualidade brasileira, do lado festeiro e do lado racional, da liberdade e da legalidade de nossos atos, da casa e da rua – e a mulher como peça de ligação e intermediadora destes dois extremos.
o Brasil não é nem o país do Carnaval, nem a pátria do ‘homem cordial’, nem o território da violência. Também não é a sociedade feita inteiramente de feudalismo e desordens admnistrativas. O Brasil é o país do Carnaval e é também e simultaneamente a sociedade do ‘sério’, do ‘legal’, das comemorações cívicas e das leis que têm exceções para os bem-nascidos e relacionados. Tudo indica que fazemos como fez Dona Flor, buscando juntar sistematicamente esses pólos
Por não estar mais sujeito aos valores éticos e morais que regem o nosso mundo, o morto adquire um novo status, em que seus pecados parecem ser subitamente absolvidos aos olhos daqueles que o conheceram vida. É possível que se faça uma discussão acerca da desvalorização por parte da sociedade brasileira dos espaços públicos, bem como do significado profundo que o lar adquire para essa sociedade.

Profile Image for Jessiane Kelly.
161 reviews13 followers
November 5, 2020
Que livro sensacional! Apenas algumas ressalvas quanto às análises do autor que tem uma abordagem bem "classe média" quando fala do espaço da rua e da casa, mas de restante, um livro interessantíssimo para refletir sobre o contexto brasileiro e sua complexidade. O autor vai argumentar dessa tríade entre espaço da casa, da rua e do "outro mundo" e, a partir disso, refletirá sobre a importância de nossas festas e, principalmente, das relações em nossa vivência nessas três instâncias. Somos um povo dependente das relações tanto para "sobreviver" nas instituições como para ter uma espécie de valor, estima sobre si. Fiquei pensando como estariam essas fronteiras no mundo de hoje, contexto em que se vive principalmente o ambiente da casa com mais intensidade por conta da pandemia (bem, pelo menos no meu caso está assim) e em que as mídias digitais ressignificaram nossas relações entre o privado e o público. Recomendo demais essa leitura, acho que deveria ter nas grades curriculares dos cursos universitários, porque ele é fundamental!
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