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A Mulher que Correu Atrás do Vento

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1892, Baviera. Lisbeth Lorentz, uma professora de piano, apaixona-se por um aluno de 13 anos que sofre de autismo. Ao descobrir que ele é um prodígio, instiga-o a compor um concerto durante as aulas e, um dia, sem explicação, fá-lo desaparecer.

1991, Lisboa. Beatriz, uma estudante universitária —que sonha com o toque das mãos da mãe falecida —envolve-se com o autor d’A História do Silêncio, um romance sobre Lisbeth Lorentz. Ao mesmo tempo, enquanto voluntária num abrigo para mendigos, Beatriz conhece Lia, uma jovem adolescente com um passado incógnito e um presente destruído.

1973, Londres. Graça Boyard, portuguesa, dá à luz a primeira e única filha. Fugida de Lisboa durante as cheias de 1967, para escapar à tirania do pai e à mordaça da ditadura, regressa à capital após a Revolução, tornando-se uma actriz de renome —e abandonando a filha ainda criança.

2015, Lisboa. No consultório de uma terapeuta, Lia Boyard desfia a sua história, dos anos de mendicidade ao momento em que decide procurar a mãe. É aqui que começam a unir-se as pontas de um romance a várias vozes: a história de quatro mulheres - Lisbeth, Graça, Beatriz e Lia - que atravessam um século de História e diferentes geografias, unidas por uma força que transcende a própria vida.

Um livro sobre o poder do amor e o vazio da perda, sobre a amizade que nasce das circunstâncias mais improváveis e o terrível poder da confissão. E, quase no final, uma revelação chocante, a reviravolta que faz deste romance de João Tordo uma narrativa magnética.

504 pages, Paperback

First published March 1, 2019

41 people are currently reading
1271 people want to read

About the author

João Tordo

44 books1,786 followers
João Tordo was born in 1975. He has published twenty-one books - novels, crime novels and essays - and received several awards, including the José Saramago Literary Prize 2009, the Fernando Namora Prize 2021 and the GQ Prize. He was a finalist for many other awards, including the European Literary Prize, the Fernando Namora Prize, the Oceanos Prize and the PEN Club Prize. His books have been published in several countries, including France, Italy, Germany, Hungary, Spain, Croatia, Serbia, Czech Republic, Mexico, Argentina, Brazil, Uruguay and Colombia.

João Tordo nasceu em Lisboa em 1975. Publicou vinte e um livros - divididos entre o romance, o policial e o ensaio - e recebeu diversos prémios, incluindo o Prémio Literário José Saramago 2009, o Prémio Fernando Namora 2021 e o Prémio GQ. Foi finalista de muitos outros prémios, incluindo o Prémio Literário Europeu, o Prémio Fernando Namora, o Prémio Oceanos e o Prémio PEN Club. Os seus livros foram publicados em diversos países, incluindo França, Itália, Alemanha, Hungria, Espanha, Croácia, Sérvia, República Checa, México, Argentina, Brasil, Uruguai, Colômbia.

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Community Reviews

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362 (38%)
4 stars
420 (44%)
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145 (15%)
2 stars
23 (2%)
1 star
1 (<1%)
Displaying 1 - 30 of 118 reviews
Profile Image for João Barradas.
275 reviews31 followers
May 15, 2019
A vida é concebida por muitos aprendizes do lirismo bucólico como uma estrada unidirecional – todo o caminho percorrido governando ao passado imutável, todo aquele por vir nas mãos de um futuro incerto; interessando apenas aquele pedaço de terra que assenta sobre uns pés trémulos. No entanto, o espaço cósmico concedido a cada um não permitiu ao Arquitecto Universal garantir a construção de uma ídilica recta. De facto, esta estrada constrói-se a partir de um emaranhado de curvas e contracurvas, altos e baixos, vias rápidas e atalhos (que, por vezes, levam a nenhures). Sem desrespeitar o código primordial e numa clara ilustração da teoria das cordas – sem princípio, meio ou fim -, essas estradas não são solitárias e cruzam-se com outras, em pontos que garantem cruzamentos, onde ninguém tem uma prioridade definida.

Assumindo um claro papel de oleiro vital, João Tordo coloca as mãos nuas num barro corrosivo para, numa leitura de fôlego, moldar um conjunto de peças de vida, que irão secar na beira de uma janela ao Sol, sem protecção nem medo de rachaduras. Nessa manufactura, lança aromas de uma linguagem poética que oferta ao observador a mesma magia veiculada pelo mar de pinceladas que compõe um grande quadro, com todas as minudências quase escondidas. (Temo estar a cair num abismo de sinestesias mas, assim, é esta obra – um poço de sensações e emoções, num contínuo esbanjar de referências artísticas, da literatura à música, do teatro ao cinema, provocando um êxtase ambrósico às musas do Olimpo).

Afinal, sobre o que é este livro? A esta altura, torna-se claro – glosa sobre a vida, personificada na existência errante de quatro mulheres. Essa passagem de tempo não é uma história fantasiosa – mascara-se com camadas de reclusão (social ou privada), de tabus (vergonhosos ou envergonhados), de medos (contidos ou amplos), de sexo (consentido ou não), de vingança (fria ou quente), de culpa (fugaz ou fermentada), de morte (real ou em potência). Conviver com tantos dilemas é uma tarefa árdua, tida como solitária, para alguns, ofertando um abandono certo para outros. O vazio criado por esta distância temporo-espacial é preenchido pela ajuda, pela solidariedade, pela compreensão e pela empatia, que garantem o claro entrusamento na dor vertida pelas feridas abertas. A percepção do mal não garante uma melhor valorização do bem?

Numa clara alusão à composição musical que enlouquece uma cascavel a silvar, o autor (des)personificado tece uma manta de retalhos, implantando nos leitores uma dúvida sempre presente sobre a verdadeira fonte daquilo que se escreve (realidade imaginada ou imaginação real?), sem que tal constrija a sua experiência. Ao invés disso, ele remete-nos a um papel de voyeurs sádicos, ao acompanharmos os vários momentos incómodos que preenchem a vida das personagens. O desconforto pode surgir, sobretudo quando mas simultaneamente vem também uma fome por mais, num animal nutrido a sofrimento. Se a mulher correu atrás do vento, eu, sedento como estou, terei de correr por mais obras do autor – o desejo insaciável por sorver mais desta essência pestilenta, qual abutre, assim me obriga.

“Se tudo são símbolos, então existir é possível, porque nada é aquilo que é, tudo dentro de nós é outra coisa qualquer (…)” (pág. 24)

"A dor aproxima-nos de uma maneira que a alegria não é capaz de fazer, talvez porque a primeira seja o instrumento de Deus para nós transformar, e a segunda o instrumento para nos dar conta de que estamos mudados" (pág. 136)

“A verdade encontra-se no fundo de um poço sem fundo (…)” (pág. 292)

“(…) a morte dava sentido à vida, porque nada nascia dentro de nós sem que outra parte de nós morresse (…)” (pág. 364)

“As coisas começam num lugar distante no tempo e na geografia e, depois, parecem repetir-se infindavelmente, tal qual um relógio cujos ponteiros atravessam a mesma hora todos os dias. Assim é a vida humana: a repetição dos mesmos erros, dos mesmos atalhos” (pág. 439)
Profile Image for Ana.
762 reviews178 followers
December 13, 2019
João Tordo é um dos autores portugueses contemporâneos que mais gosto de ler, embora, às vezes, me traga uma ou outra desilusão.
Esta obra, lida aos tropeções, trouxe-me, de novo, aquilo que procuro nas suas obras - melancolia, dores, sofrimento e uma escrita simples, acessível e ao mesmo tempo profunda.
Gostei imenso de acompanhar estas mulheres e achei o último capítulo muito interessante, embora tivesse torcido o nariz a uma referência que lá se faz e que, na minha opinião, é desnecessária.

Opinião completa em vídeo (a partir do minuto 08:38):
https://www.youtube.com/watch?v=RsMBR...
Profile Image for João Sampaio.
129 reviews39 followers
November 12, 2020
Um livro denso, complexo.

Uma notável, poderosa e reflexiva leitura. Desenganem-se, não é uma leitura fácil. Foi, para mim, uma leitura angustiante, “desconfortante”.
Um livro que não se lê “relaxadamente”.

Personagens ímpares, vidas bafejadas pela dor com um denominador comum – uma profunda melancolia, quebrada, por vezes, por pequenos e prazerosos toques humorísticos. Uma viagem introspetiva ao âmago das mulheres aqui retratadas.

Amor, dor, a amizade, dor, o abandono, dor, a solidão, dor, a perda, dor, a culpa, dor e a exposição (sem floreados) da mortalidade. Cenário de alguma obscuridade e de uma imensa intensidade. São histórias bem intensas.
Impossível não nos deixarmos envolver pela luta, pela procura do equilíbrio e sanidade física e emocional destas personagens.

Um enredo fabulosamente engenhoso, com histórias separadas que, de forma muito bem arquitetada se enredam e maravilhosamente se conectam.
Uma escrita que me agarrou, que me provocou sensações, e com a bela da reviravolta final.

Garantidamente, um autor a seguir. Aliás o Ensina-me a Voar Sobre os Telhados, do autor, já está na estante para futura leitura.

Profile Image for Lúcia Fonseca.
305 reviews53 followers
April 20, 2019
Ganhei o hábito de escrever a minha opinião poucos minutos depois de terminar a leitura. Desta vez tive que respirar fundo e até pensei dar uns dias. Mas finalmente decidi que estava na altura. Começam logo aqui os meus sentimentos ambíguos com esta obra.
Antes de mais dizer que a escrita de João Tordo, na minha opinião, não é para toda a gente e nem é apta a quem esteja a passar por uma fase depressiva (o meu caso). Levei quase um mês para conseguir ler e digerir.
São 456 páginas onde o sofrimento e a dor das personagens principais são exploradas até ao mais fundo. É impossível não ficar “agarrada” às personagens femininas desta história. A Lia, a Graça, a Beatriz e a Lisbeth têm uma dimensão enorme.
É-me difícil escrever muito mais sem dar spoilers mas digo que é a primeira vez que uma história me causou indisposição e dor física. Parece estranho mas é verdade.
Com o que acabaram de ler podem pensar que não gostei. Mas não. Adorei! É uma obra soberba. Que provoca tal dor que no fim nos faz bem. Arrisco-me a dizer que vais ser um dos livros da minha vida. Obrigada João por ter escrito este livro soberbo.
Profile Image for Paula Fialho Silva.
226 reviews118 followers
April 3, 2019
"As coisas começam num lugar distante no tempo e na geografia e, depois, parecem repetir-se infindavelmente, tal qual um relógio cujos ponteiros atravessam a mesma hora todos os dias. Assim é a vida humana: a repetição dos mesmos erros, dos mesmos atalhos, das mesmas esperanças."
Profile Image for Susana Frazão.
249 reviews2 followers
May 11, 2020
Fabuloso!!

João Tordo no seu melhor, os seus livros nunca desiludem e continua claramente a ser um dos melhores escritores nacionais.
Profile Image for Neide Parafitas.
241 reviews
April 13, 2024
"A mulher que Correu Atrás do Vento" é a minha estreia com o autor João Tordo, que já me conquistou! 

Com uma escrita belíssima e intensa, é um livro taciturno, complexo e que convida à reflexão. Ficará, sem sombra de dúvida, na minha memória por muito tempo...
Profile Image for Ana Medeiros.
459 reviews30 followers
February 28, 2024
4,5 ⭐

"...sentia uma solidão tão grande que era como se estivesse dentro de uma garrafa de vidro, sentia-me a carta de uma náufraga esquecida numa praia, lambida pelo mar."

"... e como ser-se humano é tão diferente de ser a humanidade, por vezes são coisas opostas, a humanidade salva-nos de sermos humanos, remove os nossos defeitos e os nossos medos, mas é uma ideia grandiosa que não tem cabimento neste mundo."
Profile Image for Inês Beato.
387 reviews55 followers
January 2, 2021
Posso dizer que 2020 foi o meu ano de descoberta de João Tordo.
Foram quatro os livros que li ao longo do ano e “A Mulher que Correu Atrás do vento” foi, até ver, o melhor.
Com uma escrita lindíssima e um leque de personagens que fica connosco muito depois de terminado o livro, é uma obra que marca pela melancolia e pela beleza.
João Tordo está rapidamente a tornar-se num dos meus autores portugueses de eleição.
Profile Image for Jose Garrido.
Author 2 books24 followers
January 13, 2026

Já li melhor, muito melhor, na obra de Tordo.
Ainda assim reconheça-se que é bom, muito bom, mas porque o autor não sabe fazer menos do que bom....
Profile Image for Maria João (A Biblioteca da João).
1,390 reviews253 followers
August 28, 2020
5 de 10*

Não tenho dúvidas que existem vários níveis de qualidade nos escritores (nacionais e estrangeiros): autores medianos (quer pela escrita ou pela história), autores muito bons (porque têm uma escrita cuidada ou histórias muito criativas) e depois existem outros, poucos, que têm o dom da escrita. Também não tenho dúvidas que João Tordo se enquadra neste último grupo. Este autor tem um dom que, felizmente, utiliza para partilhar, com os seus leitores, histórias extraordinárias. Sou sua fã incondicional e quero ler toda a sua obra publicada.

Comentário completo em:
https://abibliotecadajoao.blogspot.co...
Profile Image for Rafaela.
104 reviews8 followers
April 22, 2019
Primeiro de todos os livros do Tordo... Adorei a escrita, só me apeteceu riscar e apontar todas as frases. E que história, que desfecho!
Profile Image for Os Livros da Helena.
44 reviews
May 9, 2019
Terminei ontem e deixo por aqui o que escrevi no meu Instagram.

Opinião:
5 🌟
Que livro fantástico!!
Estou-me a perguntar: Como é que alguém escreve um livro assim? Como é que este homem me escreve isto?
É um livro complicado de ler porque é duma densidade. Pelos livros que li do João - li os quatro anteriores mais outros dois mais antigos -, parece que ele andou a preparar os leitores para uma obra destas.
É sobre quatro mulheres que “andam a pairar”, mas está escrito duma forma soberba.
É que eu nem consigo arranjar palavras para descrever o que me vai cá dentro. Palavras que lhe façam inteira justiça.
Para quem ainda não leu nada dele, não o aconselho para já. Leiam “O luto de Elias Gro” por exemplo. Saboreiem esse, apesar de que a essência que está nesse também está n’A mulher que correu atrás do vento.
Não me lembro de ter lido um livro que me custasse tanto ler e fosse tão bom quanto este. Já li alguns que têm descrições muito gráficas que me custaram a ler, também porque não são a minha praia. Este livro, o livro da foto (estou-me a repetir) é mais do que isso.
Parece aqueles puzzles de 1000 peças que fazemos um bocadinho do céu, fazemos um pouco do verde que sabemos que existe, fazemos outra parte qualquer. E não é que depois lá terminamos o puzzle e fica um quadro lindo!! É este livro.
Só vejo um problema: a fasquia está tão alta que o próximo livro como será? Que história contará?
Profile Image for Ana Rita Silva.
268 reviews28 followers
March 5, 2024
«quatro mulheres. três cidades. um século. e uma poderosa história de amor e de perda a uni-las»
é o meu primeiro livro de João Tordo, mas certamente não será o único. para além da escrita ser irrepreensível e de uma beleza inigualável, a sua capacidade de criar histórias dentro de histórias, com «invisible strings» que as ligam a todas e a tornam a uma só cativou-me desde o primeiro minuto. através de uma escrita melancólica, conhecemos a história destas quatro mulheres, «que atravessam um século e diferentes geografias, unidas por uma força que transcende a própria vida.» não é possível falar muito deste livro, sob pena de estragar a magia e a surpresa que provoca no leitor, mas, sem sombra de dúvidas, é um livro que não esquecerei e que ficará comigo para sempre.
obrigada, bea <3 escolheste tão bem. para ti, esta citação que fez muito sentido: «e o seu anjo-da-guarda? (…) ela. chama-se beatriz. (..) os anjos são pessoas que nasceram para proteger os outros. e proteger os outros é garantir um lugar junto de Deus, é nisso que acredito. é o que dizemos, não é? um anjo de pessoa.»
«(…) porque não há nada mais interessante do que trabalhar numa piscina e ver os velhinhos a mergulharem na água com os seus corpos enrugados e geriátricos, e ver as festas das crianças ao fim-de-semana, os rostos saudáveis dos miúdos, esquecidos de tudo, ignorantes do tempo, daquilo que o tempo nos dá e nos tira, do que o tempo cobra, de como o ser humano é tão diferente da humanidade, de como a humanidade por vezes nos salva de sermos humanos porque ser humano pode dar cabo de nós, e da maneira como o tempo vai unindo as duas coisas. às tantas, fartos de sermos humanos, passamos a ser humanidade, só humanidade, e por isso é lindo ver os velhinhos e as crianças dentro da piscina, porque somos nós também que estamos ali dentro.»
«o amor não é um gesto, Artur. é o mesmo gesto repetido ao longo do tempo.»
«as coisas começam num lugar distante no tempo e na geografia e, depois, parecem repetir-se infindavelmente, tal qual um relógio cujos ponteiros atravessam a mesma hora todos os dias. assim é a vida humana: a repetição dos mesmos erros, dos mesmos atalhos. da mesmíssima esperança, da mesmíssima melancolia.»
Profile Image for Cat.
1,170 reviews144 followers
April 8, 2019
Dentro do grande oceano do universo dos livros existe um tipo especial de livros: aqueles que, uma vez terminada a leitura, levanta mais questões do que oferece respostas. Dentro deste grupo de livros, existem ainda aqueles que nos deixam de tal forma entusiasmados que, após a leitura, é divertido fazer perguntas e especular sobre o que foi escrito e, sobretudo, o que não foi escrito; depois existem outros que nos provocam alguma confusão, e é daí que surgem as perguntas.

Para mim, este último livro de João Tordo encaixa-se nesta segunda categoria. Ler ‘A mulher que correu atrás do vento’ foi uma experiência de altos e baixos. Comecei com alguma curiosidade, que se dissipou ao final de algumas páginas, não senti grande interesse na história durante boa parte do livro. Apenas no sétimo capítulo (são oito no total) é que senti o meu interesse voltar. Na minha opinião, é nesse capítulo que está o melhor deste livro. Por fim, no último capítulo, o meu interesse foi-se e ficou a confusão. Claro que acabei por perceber, mas confesso que este último capítulo do livro me deixou um sabor amargo na boca.

E é aqui que admito que não gostei da Beatriz. Nem propriamente da Lisbeth, ou da Graça. Sinceramente, é possível que a única personagem de quem gostei, ou, pelo menos, que me suscitou algum interesse, tenha sido a Lia.

São três estrelas e meia, arredondadas para quatro. Sobretudo pela escrita do autor e todo o trabalho de pesquisa que ele deve ter tido.
Profile Image for Jorge.
55 reviews6 followers
June 2, 2019
Mais uma vez, João Tordo consegue criar uma narrativa complexa, interessante. Com um laivo de alerta social - talvez mais concreto neste seu livro que nos restantes - e uma história, que é uma pintura, leva-nos à exploração das vidas de 4 mulheres. Livro após livro, o João continua a desassossegar-me, a surpreender-me. Uma obra prima.
Profile Image for Fátima Linhares.
959 reviews340 followers
November 19, 2019
"Então pensa que ainda estás viva, sugeriu ele, e que os vivos, ao menos, sabem que irão morrer, enquanto os mortos não sabem mais nada, caíram no esquecimento, já não participam deste mundo nem de tudo o que acontece debaixo do sol. E hoje está sol, rematou Frederico; aproveita-o, porque estás viva." página 373

"As coisas começam num lugar distante no tempo e na geografia e, depois, parecem repetir-se infindavelmente, tal qual um relógio cujos ponteiros atravessam a mesma hora todos os dias. Assim é a vida humana: a repetição dos mesmos erros, dos mesmos atalhos. Da mesmíssima esperança, da mesmíssima melancolia." página 416

Foi o primeiro livro que li de João Tordo e não correu mal a estreia com o autor. Não estava à espera da reviravolta da personagem da Beatriz. O autor engana as pessoas :) mas escreve bem.
Profile Image for Ana Carvalheira.
253 reviews68 followers
October 10, 2021
Bem, bem, bem … por onde começar? Não o consigo fazer do início, mas praticamente do fim quando sabemos que foi Beatriz quem escreveu esta estranha e surpreendente narrativa.

“A Mulher que Correu atras do Vento” consiste numa história extraordinária, principalmente pela estruturação que Tordo decidiu dar ao enredo: no início, confesso, pareceu-me um livro de contos (o que não faz parte das minhas preferências literárias) mas depressa percebi que a história que o autor nos conta, traça teias de cumplicidade, participação, abismos, simpatias, crenças em que James Joyce com o seu “Ulisses” que ultrapassa toda a ilegibilidade do comum mortal (é essa a ideia que tenho, partilhada com aqueles que tiveram a coragem de avançar sem contudo terminarem), surge como uma espécie de testemunha secundária de todo um processo de afirmação. De necessidade!

Mas o mais interessante neste livro, que afinal nada tem a ver com o proselitismo do conto, mais um subgénero textual, é o cruzamento de todas as personagens principais: Lia, Beatriz, Graça, Lisbeth, Toledo – o autor maldito de “A História do Silêncio” que documenta a vida de Lisbeth e Jost, ela, professora de piano, ele um génio prematuro sem qualquer preparação musical.
O enredo centra-se nas relações diretas ou indiretas de todas as personagens, criando um acervo de cumplicidades, mentiras, extrapolações de situações inusitadas, vividas por cada um deles.

Não é uma narrativa de fácil de apropriação, pelo menos a mim me pareceu: Beatriz confunde-se com Lia, Lisbeth com Toledo, Jost com Graça, embora o denominador comum de todos os participantes sejam a melancolia, a solidão, o abandono, a mágoa da existência, o silencio que trai, a farsa literária, as interrogações porque razão nasce uma narrativa “qual a sua origem, que cataclismo sucedeu na vida do autor para, um dia, se sentar, durante tantas horas a forjar uma história tão difícil, tão insuportavelmente amoral, tão irritantemente livre de julgamento, de preconceito” [o paradoxo nesse momento surge surpreendente].

Tordo, numa batedeira, coloca a religião, escrita, injustiça, perdão, vaidades, egocentrismos, criando um bolo absolutamente surpreendente, na sua delícia, mas com travos de amargura e infelicidade. Não será essa a vida real? Com momentos amargos – que nos podem levar à morte outros agridoces – em que aceitamos o nosso destino - e outros dulcíssimos que até enjoam – a dependência do ser espiritual que trará a nossa redenção. Mas a que preço?

A história que mais me encantou foi a de Lisbeth e Jost até porque, para a construir, Tordo utilizou um dos meus compositores preferidos – o compositor checo Antonín Leopold Dvořák – para dar corpo à personagem de Lisbeth que acabaria por compor uma sinfonia denominada Das Auge des Zyklons que, segundo as apreciações dessa obra que vamos conhecendo ao longo da narrativa,, gostaria que tivesse existido na realidade – o que, do meu ponto de vista, conferiu a este trabalho, um cunho extraordinariamente especial.

História de dor, de desapego, de ausências, de inusitados egocentrismos, de acordes carregados de uma solidão desapropriada, de um isolamento incaracterístico para quem tudo teve e tudo perdeu por uma questão de vaidade ou de incompetência.
Esta “A Mulher que Correu atrás do Vento” é uma narrativa que podemos amar ou odiar pois tem tudo a ver com a apropriação subjetiva das temáticas tratadas.
“Sei que esse amor era produto da minha imaginação; consequência da minha solidão, de não saber diferenciar-me do outro.

Como sempre, muito mais havia a acrescentar, muito mais havia a debater, muito mais haveria para dissecar. Para terminar, deixo um trecho que me atingiu direto no coração (apenas os melhores autores o conseguem fazer: infiltram-se na nossa alma e dão voz àquilo que nós, meros leitores, não temos a menor hipótese de atingir). “Criamos para preencher o vazio eterno que existe nos nossos corações; criamos para fazer sentido do que nunca teve nem terá sentido. Criamos para que Jesus seja o nosso Senhor, ainda que não acreditemos n’Ele; ainda que, ao olharmos para o céu, vejamos apenas as nuvens e o sol e a chuva, e dentro de nós exista já a trágica conclusão de que uma vida, qualquer vida, está destinada ao fracasso e que é nessa conclusão que reside a sua beleza. Sermos derrotados por cada uma das nossas pequenas vitórias”.

De uma forma ou de outra, todos nós corremos atrás do vento ... daquele que nos permitirá conhecermo-nos, explicarmo-nos e, sobretudo, aquele que nos permitirá saber lidar com o nosso eu mais profundo e com todos as entropias de que a vida é feita.

Apenas questiono como um rapaz com apenas 46 anos de idade, pode carregar tanto peso da vida? Tenho que lhe perguntar …
Profile Image for João Teixeira.
2,332 reviews44 followers
September 11, 2020
Em geral, sou da opinião que João Tordo escreve bastante bem. A avaliar pelas minhas opiniões acerca de outros livros que li deste autor, este não foi aquele de que mais gostei (aparentemente, o livro de que mais gostei foi O Luto de Elias Gro ).
Penso que aquilo que me agradou menos nesta história foram as várias vozes com que a narrativa vai sendo construída. Talvez seja isso que muitos leitores vêem como apelativo. No entanto, a mim confundiu-me um pouco. A manta de retalhos das diferentes histórias compõe-se no fim, e não deixa de ser surpreendente, é verdade. Mas foi algo que senti ser atabalhoado ou, pelo menos, desnecessariamente complexo. Confesso que achei um pouco aborrecida a parte que corresponde a Lia Boyard, não sei porquê...
O que vale é que João Tordo tem, de facto, uma grande capacidade de tornar claro aquilo que está a contar e isso sem dúvida é um mérito que vou reconhecendo no autor à medida que vou lendo mais livros dele. E quando terminamos de ler um dos seus livros, ficamos com vontade de ler outros.
Profile Image for Cláudia.
519 reviews29 followers
June 11, 2025
Li este livro pela primeira vez em 2022, e voltei a ele este ano. É um livro que aos poucos subiu na lista substituindo Naufrágio, O Luto de Elias Gro, Anatomia dos Mártires, e consolidando-se como o meu favorito do autor. Apesar de já o ter lido pela primeira vez, há uns anos continuou a fazer burburinho na minha mente, levantando questões e impondo-se. Não é fácil para mim reler um livro, mas sabia que este não ia conseguir fugir, e peguei nele, e foi como revisitar um sítio onde já tinha sido feliz.
Este livro conta-nos uma história extraordinária dividida por quatro mulheres, em quatro linhas temporais e em três locais distintos: Lisbeth, Graça, Lia e Beatriz. Todas as histórias são avassaladoras e falam de diversos temas: amor, morte, amizade, dor, culpa, solidão, temas característicos dos livros do autor. Neste livro reencontramos também uma personagem que já nos é familiar da Biografia Involuntária dos Amantes, Jaime Toledo, que apesar de personagem secundária deixou-me várias questões, já na primeira leitura, e que ainda permanecem.
Se a primeira leitura foi ótima, a segunda foi ainda melhor, apercebendo-me de coisas que inicialmente me passaram, revelando-se novamente como uma leitura totalmente avassaladora. Este livro não é uma leitura propriamente fácil. Mas é um livro que nos agarra totalmente. Que nos obriga a fazer uma viagem introspetiva, melancólica, quebrada e por vezes humorística.
Profile Image for Ivan.
111 reviews
August 2, 2021
É uma leitura interessante, bastante densa (!), que aborda temas muito polémicos. No seu estilo melancólico, JT apresenta-nos uma teia de mortos-vivos cujas vidas se enlaçam, despegam e apegam entre décadas e séculos de diferença. Um romance bem construído, cujo capítulo final irá esclarecer o leitor a atar tais pontas soltas.
P.S. Não é um romance de cordel.
Profile Image for Graciosa Reis.
546 reviews52 followers
May 7, 2023
A Mulher que Correu Atrás do Vento é constituído por oito partes, algumas datadas no tempo e no espaço, numa estrutura complexa, mas que no final se encaixam como um puzzle. É um romance no feminino, sobre a vida de 4 mulheres (Beatriz, Lisbeth, Graça e Lia) e com inúmeras referências a livros, músicas, filmes, peças de teatro, pinturas, …. São histórias dentro de uma grande história. Um romance dentro de um romance. Será isto possível?
Como já é habitual no autor, a sua narrativa transborda de emoções. As suas personagens correm “atrás do vento” numa luta contra o abandono, a solidão, o medo, o remorso, a clausura interior. É um livro sobre as memórias, a redenção.
“Que aquilo que imaginamos é tão verdadeiro como a realidade, porque tem o poder de nos salvar, de redimir uma vida tantas vezes brutal, sempre efémera, desgostosamente solitária.” (p. 446)

Ao longo dos capítulos, as histórias das 4 mulheres vão-se entrelaçando e criando uma maior densidade. É este cruzamento que dificulta a leitura, por vezes, é necessário voltar atrás, reler algumas passagens, deixar o vento amainar. Mas é por isso que aprecio a escrita do autor, o ritmo, o jogo, a forma como subverte a arte de narrar, e até o final é surpreendente e esclarecedor, ou talvez não…

“As coisas começam num lugar distante no tempo e na geografia e, depois, parecem repetir-se infindavelmente, tal qual um relógio cujos ponteiros atravessam a mesma hora todos os dias. Assim é a vida humana: a repetição dos mesmos erros, dos mesmos atalhos, das mesmas esperanças.” (p. 439)
Profile Image for Os devaneios da Tim.
191 reviews30 followers
June 29, 2020
Ao terminar este livro dei por mim esgotada psicologicamente. Do pouco ou nada que conheço da escrita de João Tordo, saliento que este foi o 1º livro que li do autor, ele consegue transpor a dor e o sofrimento das personagens de forma que o leitor as sinta. Ele é óptimo a descrever personagens com simples detalhes que se tornam a imagem de marca das mesmas.

Fiquei sem palavras após a leitura “A mulher que correu atrás do vento” de João Tordo, mas no bom sentido. Sempre me avisaram que a escrita de João Tordo era melancólica, mas que nada roça à lamechice. Verdade. As personagens são densas e cheias de dramas.

Opinião no blog - https://osdevaneiosdatim.pt/2020/06/a...
Profile Image for Inês Gomes.
Author 10 books10 followers
May 7, 2021
João Tordo lê-se com prazer. A escrita fluida, inteligente, cuidada.
Nas este livro deixou-me uma sensação, que neste momento nem consigo muito bem fundamentar, de que JT buscou uma versão demasiado sexualizada de uma história potencialmente interessante.
O último capítulo reconciliou-me com a história e com o autor. Gosto de boas “reviravoltas”!
Displaying 1 - 30 of 118 reviews

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