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A Aluna Americana

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Novembro de 1968. Usam-se cabelos compridos e cores garridas, a música pop enche o ar de sons novos e electrizantes — os Beatles estão no auge —, e a França vai-se recompondo dos tumultos de Maio. Os progressos científicos são palpáveis e quase diários. O Homem está a dois passos da Lua, Barnard fez os primeiros transplantes cardíacos e a chamada revolução sexual avança no mundo ocidental, graças à pílula e à liberalização dos costumes. Portugal, ainda apertado na dolorosa tenaz da guerra em África, deposita muitas esperanças na Primavera Marcelista e procura agarrar os ventos que sopram lá fora e que lhe chegam a conta-gotas, filtrados pela censura.

É nesse contexto e nesse Novembro que, por mero acaso, o professor universitário José Duarte Cincinnato de Sousa conhece Isabel Botelho, uma estudante de Românicas acabada de chegar dos Estados Unidos da América.

A Aluna Americana é a história da relação entre ambos, uma história de afectos e sentimentos que nos faz frequentemente passar da desempoeirada amplidão dos mundos exteriores para a estreita pequenez de um Portugal fechado. De passagem em passagem, iremos vendo como um homem conservador vive os prazeres, as dores e os desafios da sua paixão por uma mulher mais nova, para a qual nada é sagrado, excepto, talvez, o amor.

288 pages, Paperback

Published February 1, 2019

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About the author

João Pedro Marques

22 books46 followers
JOÃO PEDRO MARQUES nasceu em Lisboa, em 1949.
É desde 1987 investigador do Instituto de Investigação Científica Tropical e foi Presidente do Conselho Científico desse Instituto em 2007-2008.
Doutorado em História pela Universidade Nova de Lisboa, onde lecionou a cadeira de História de África durante a década de 1990, é autor de dezenas de artigos sobre temas de história colonial, e de vários livros, dois dos quais publicados em Nova Iorque e Oxford (The Sounds of Silence, 2006, e Who Abolished Slavery? A debate with João Pedro Marques, 2010).

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Displaying 1 - 17 of 17 reviews
Profile Image for Tânia Tanocas.
346 reviews50 followers
June 18, 2019
Confesso que esta leitura só surgiu por causa da "youtuber" M. João Covas do Livrosgosto, o entusiasmo com que ela fala do livro e do autor deixou-me com a pulga atrás da orelha e atirei-me de cabeça para conhecer de perto esta "aluna americana"...
No geral, a minha opinião é bastante positiva, mas houve momentos que me enervei com as atitudes da Isabel, talvez porque muitas das vezes me esqueci de que a trama se passa na década de 70, onde a protagonista tenta levar a vida de espírito livre numa sociedade portuguesa completamente oprimida, e o final, o que dizer deste final!!!

Vídeo da M. João Covas:
Livrosgosto "A Aluna Americana"
Profile Image for Em Memória de Fátima Linhares.
1,029 reviews366 followers
June 20, 2021
Há as dietas ioiô e depois há este livro, um romance ioiô. Há um homem numa crise de meia-idade e há uma rapariga numa crise de 1/4 de idade. Por um acaso, um pneu furado, conhecem-se e temos o tal romance ioiô. Foi um pouco desconcertante, e em certas alturas até irritante, ler tantas oscilações de opiniões, de humores e de ideias na nossa protagonista em crise de 1/4 de idade! Pelo contrário, o protagonista masculino era muito mais consistente e, tendo de tomar lados, sem sombra de dúvida escolheria o dele.

A Isabel é uma burguesa inconsistente que tem a mania que não é Penélope, mas sim Ulisses, e por isso não pode vivar amarrada, seja a convenções sociais, seja a amores. Tudo bem, mas acaba por entrar num contrassenso constante e de bradar aos céus. Como revirei os olhos com os seus comportamentos.

José Duarte, 50 anos, e Isabel, 25 nos, por um acaso conhecem-se e percebem que apesar da diferença de idades, se dão bastante bem, tanto a nível intelectual como a nível físico. Isto num país nos últimos anos do Estado Novo, mais precisamente em 1968. Um par sem nada em comum à partida, mas que vai trilhando o seu caminho. O problema? A Isabel é uma miúda com a mania que é ainda meia hippie, isto apesar de ter vivido essa vida nos States e ter concluído que não é o paraíso que toda a gente achava. Isso fá-la ter um comportamento diferente quando regressa a Portugal? Nem por isso. E lá anda a dar a volta à cabeça do nosso José Duarte, que não consegue deixar de pensar nela. Amam-se mas ela diz que não quer casar, não quer amarras, acabam, voltam a cruzar-se, reatam, fazem sexo louco em locais pouco propícios, ela diz que não é uma Penélope, vai para Londres, envolve-se com o Manuel, um homem que não a entusiasma, cansa-se, volta a Lisboa e à cama de José Duarte, não é Penélope, vai para África, não é aquilo que procura, volta para o dull do Manuel, reencontra-se com o José Duarte, mais sexo louco, admite à sua terapeuta que não consegue deixar de pensar no José Duarte, mas não é nenhuma Penélope, vai para a Mongólia(?!?) tem finalmente uma epifania e afinal conclui que não quer ser um Ulisses e volta para o José Duarte.

O final é agridoce e conseguiu tocar-me, no entanto não o suficiente para haver uma redenção de tudo o que li até lá chegar.
Profile Image for Ana Goulart.
228 reviews36 followers
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November 30, 2020
Tendo como pano de fundo a revolução cultural dos anos 60, a liberalização dos costumes e o Portugal da época, fechado e atrasado em relação ao seu tempo, este livro conta-nos uma história de amor entre um professor universitário, de História, e uma aluna de românicas, de origem portuguesa mas recém chegada dos EUA, que começou a assistir às suas aulas. Não obstante a diferença de idades e formas de olhar a vida, a relação entre José Duarte (o professor) e Isabel (a aluna) mantém-se (e intensifica-se), apesar das danças e contra-danças da vida, que ora os aproximam, ora os afastam.
É um livro lindíssimo, que adorei, seja por estar muito bem escrito, seja pela riqueza das suas personagens ou ainda por nos fazer pensar em coisas que são fundamentais na nossa vida - os afectos, as relações com os outros, a ética, a realização pessoal, a felicidade ... e o modo como tudo isto se articula e se equaciona no tempo - o tempo que passa, que gira sem parar, e que tem que ser aproveitado, gasto em coisas valiosas, na sofreguidão da autonomia, da auto-realização e da busca de felicidade. E a morte que tudo põe em causa, que nos faz sentir que, apesar se sermos seres no tempo, esse tempo está contado; diante da morte, que pára essa roda do tempo, conseguimos perceber, com uma lucidez súbita, o que devíamos ou não ter feito, o que verdadeiramente importa.
É um livro que reflecte, e faz reflectir, sobre o que é amar. Ensina-nos que o amor verdadeiro fica gravado na alma, que é/está sempre presente, independentemente das turbulências da vida. No amor verdadeiro não há desencontros.

" - (...) Houve um poeta que escreveu uma vez que a pessoa certa é a que está connosco nos tempos incertos. Eu nunca duvidei que fosses a pessoa certa, mas achei que nos tínhamos desencontrado para sempre.
- Nunca nos vamos desencontrar. Nós somos um casal.
- Sim, somos. E é muito difícil ser um casal, sabes? A maior parte das pessoas encontram-se, dormem na mesma cama, vivem na mesma casa, têm filhos, mas não são um casal. Para ser um casal é preciso outra coisa que é muito difícil de encontrar. Um entendimento tácito, um orgulho no outro, um encantamento com a companhia do outro ..." (p. 276)

Por tudo isto, fiquei encantada com a companhia deste livro.
Destaco ainda a notável banda sonora nele referida.
Profile Image for Carla.
194 reviews25 followers
May 11, 2020
O último livro publicado pelo historiador e escritor João Pedro Marques, "A Aluna Americana", tem características distintas dos anteriores que li do mesmo autor, nomeadamente, "Uma Fazenda em África", "O Estranho Caso de Sebastião Moncada", "Do Outro Lado do Mar" e "Vento de Espanha", sendo o terceiro que referi, sem dúvida nenhuma, o meu preferido.

De facto, nesta obra, o autor explana de forma mais profunda o relacionamento entre as duas personagens principais do livro, José Duarte, o professor universitário da cadeira de História do Século XIX na Universidade de Lisboa, de 50 anos de idade, e Isabel, a aluna de Românicas, de 25 anos de idade, regressada dos Estados Unidos onde estudara Literatura Inglesa na Universidade de Harvard, em Boston, o que não sucede com a mesma intensidade nos seus livros anteriores, expondo os seus pensamentos, sentimentos e contradições, com maior intimidade.

Além disso, este livro tem menos personagens do que aqueles que referi anteriormente, focando-se a história nos protagonistas, o que leva a que as personagens secundárias surjam quase como meros figurantes, enquanto noutros romances do autor, estas têm um desempenho importante no decurso dos acontecimentos e são tratadas de forma autónoma.

Os factos históricos, apesar de também estarem presentes nesta obra, não são descritos com o mesmo pormenor dos livros precedentes.

Não obstante, achei muito interessante esta abordagem distinta da escrita de João Pedro Marques e a coragem que teve em ser inovador, pois outros escritores acabam sempre por seguir a mesma "receita" para todos os seus livros, que quando leio alguns, já sei como irão ser os próximos, o que me faz desistir de continuar a ler as suas publicações, devido à sua previsibilidade.

Vou centrar-me agora na história deste livro, que é uma história de amor complexa e difícil, entre duas personagens muito diferentes, com formas de pensar e de ver a vida bastante diversas, até porque pertencem a gerações também distintas, e que durante o seu relacionamento, nos anos 1968 a 1973, estão sempre a encontrar-se e a desencontrar-se, sobretudo por causa do temperamento inconstante de Isabel, que luta contra os seus sentimentos, porque entende que o amor é como se se tratasse de uma prisão, tendo como objetivos viver de forma livre e plena, relacionando-se com quem quiser, viajar pelo mundo, envolver-se em atividades e projetos constantes, ter uma vida social muito preenchida e não ficar ligada indefinidamente a nenhum homem, pois tal constituiria uma amarra que a impediria de prosseguir os seus sonhos.

Mas Isabel, contra a sua vontade, apaixona-se por José Duarte, um homem sereno, culto, seguro, interessante, com quem adora conversar e desfrutar o seu dia em atividades muito distintas, mas que acaba diversas vezes por abandonar e magoar, e a quem espera sempre poder regressar, de uma forma egoísta e egocêntrica. Enquanto este prossegue a sua vida de professor universitário e de investigador em Lisboa, ela viaja pelo Reino Unido, Senegal, Mongólia, na companhia de várias pessoas e a realizar trabalhos de fotografia, antropologia, etc., atravessando desertos e vivendo situações de risco.

Tratando-se o escritor João Pedro Marques de um historiador, os eventos históricos, apesar de em menor intensidade do que noutros livros do mesmo autor, não poderiam deixar de estar aqui presentes, como mencionei atrás. Deste modo, numa Lisboa muito cinzenta, parada no tempo, autoritária, não obstante a morte de Salazar e a sua sucessão por Marcelo Caetano, bem como os protestos estudantis nas Universidades do país, para Isabel, que vivera o movimento hippie, viajando de Boston até São Francisco, numa voragem de amor livre, marijuana e LSD e concertos de música, frequentando bares em Nova Iorque e em Londres, onde assistiu a atuações de Bob Dylan e de Simon & Garfunkel, envolvendo-se em protestos contra a Guerra do Vietname e participando em atividades culturais que, em Portugal, estavam inacessíveis pela ditadura e consequente censura, a vida no nosso país era enfadonha e opressora.

E embora José Duarte reconhecesse os problemas do regime, nomeadamente as grandes desigualdades sociais, a pobreza em que vivia a maioria da população, sem nenhum futuro, o analfabetismo e a falta de escolaridade de muitos, a violência exercida sobre os mais desfavorecidos, os jovens que partiam sem vontade para uma guerra em colónias distantes em África, certo é que o mesmo não se envolvia em política nem tomava parte nos conflitos académicos, o que o afastava de Isabel.

E mais não conto, pois provavelmente neste meu comentário já constam demasiadas revelações da história. Mas a minha intenção era somente despertar o interesse de outras pessoas na leitura do livro, do qual gostei imenso da primeira à última página, e cujo final é muito bonito e emotivo, causando-me surpresa, pois não estava nada à espera do mesmo. Que leitura tão doce e saborosa!
Profile Image for Tita.
2,257 reviews243 followers
December 27, 2020
Apesar de ter sido uma compra praticamente de impulso, sabia que no Goodreads tinha uma classificação de quase 4 estrelas. 
Encontramos Portugal no final dos anos 60, início dos anos 70, em que ainda se vive no governo de Salazar e, por isso, estava muita curiosa. 
O nosso casal de protagonistas são Duarte e Isabel. Duarte tem cerca de 50 anos e é professor universitário e Isabel sua aluna, que chegou recentemente a Portugal, depois de ter morado alguns anos nos Estados Unidos.
Gostei muito da caracterização social que o autor nos fez, e onde percebemos tão bem as diferenças, não só com os EUA mas também com a actualidade. Isabel é também uma jovem mulher que não se "conforma" com as regras "impostas" pela sociedade e é, o chamado, espírito livre.
No entanto, não me consegui ligar às pessoas nem as suas emoções, talvez por não me ter identificado com nenhuma delas. Nem mesmo com o seu romance, já que, muitas vezes também não concordei com Duarte, nem como demonstrava o seu amor por Isabel.
Para mim, o que funcionou melhor na história foi mesmo a caracterização social e as diferenças da época, e não a história de amor.

Vídeo de opinião aqui

Profile Image for Sofia Cardoso.
Author 1 book6 followers
May 21, 2019
Há livros que lemos confortavelmente como se víssemos um filme, sentados num plano, com o enredo a acontecer à nossa frente, noutro plano. Depois há outros, em que saltamos para dentro da tela ou, no caso, das páginas. Não porque estejamos a viver ou tenhamos vivido propriamente experiências semelhantes às dos personagens mas porque nos identificamos, com lugares, com sentimentos, com atitudes...
Saltei para dentro deste livro, a partir do momento em que o autor começa a descrever a cidade de Lisboa e arredores. Numa época que não vivi mas em que viveram os meus pais.
Muitos dos locais descritos, conheço-os ou ouvi falar deles. (O arroz de marisco do Faroleiro, no Guincho, é o melhor arroz de marisco de que a minha infância (e vida) tem memória. Há tantos anos que não ia lá...) Os factos históricos e as "loucuras" do final da década de '60 também chegaram até mim, de uma forma ou de outra, em especial, a música que sempre adorei (sei as canções dos Beatles quase todas de cor...) ainda que só tenha nascido nos últimos dias da década de '70.
Mais, a história começa na cidade onde nasci e vem (quase) terminar, curiosamente, na cidade que, até ver, escolhi.
E depois, a história surpreendente de um Amor ardente. Um Amor que nos prende desde o início, nos encanta enquanto cresce, nos irrita pelo meio enquanto a protagonista não amadurece, nos comove profundamente quando à beira do precipício.
A vida é melhor para quem se mantém firme, de convicções, de sonhos, de sentimentos... Para quem não desiste. Para quem sabe esperar. Para quem ajusta a rota em função do vento, mesmo que tenha que dar meia volta e recomeçar... E vamos sempre a tempo de recomeçar e (acreditem) de acreditar...
Profile Image for Vânia Caldeira.
196 reviews4 followers
July 26, 2019
Este romance tem tudo: uma história que nos prende nas primeiras páginas, um contexto bem desenhado e caracterizado de um Portugal fechado e mesquinho com a conjuntura política da ditadora de fundo, duas personagens com uma dimensão extraordinária e um enredo apaixonado e apaixonante. José Duarte é um professor universitário, mais velho e conservador, com uma imagem clássica do amor e das relações humanas. O seu chão vai tremer ao conhecer Isabel, uma aluna mais nova, é uma verdadeira força da natureza - intensa, instável, imprevisível. Ao longo das páginas vivemos a paixão de ambos, com avanços e recuos, confrontamo-nos com as barreiras da idade mas, sobretudo, da mentalidade. É menos amor por não conseguir vencer tudo? Não se consegue parar de ler! Mais uma excelente obra do autor de Uma Fazenda em África. Fico curiosa para ler os outros romances.
3 reviews1 follower
April 10, 2019
Li todos os romances de João Pedro Marques e se os outros já eram bons este é o melhor, o mais maduro, o que nos faz entrar mais profundamente na alma das personagens. Tive pena quando chegou ao fim. Apetecia-me continuar a lê-lo.
Profile Image for Célia Gil.
982 reviews43 followers
February 1, 2021
A Aluna Americana é um livro de João Pedro Marques, autor de Uma Fazenda em África, a sua obra mais conhecida. Bem escrito, com um ritmo rápido e ações constantes que nem deixam respirar.
A história decorre em 1968, quando Isabel Botelho, uma estudante de românicas recém-chegada dos Estados Unidos da América, começa a assistir às aulas de um professor universitário de História, de meia idade, José Duarte de Sousa. Este fica encantado com esta aluna americana, que o questiona e o desperta da monotonia do seu dia-a-dia de docência, e que o terá levado a investir mais nas suas aulas, num maior cuidado na sua preparação, aulas que eram claramente dadas para ela. É assim que nasce uma relação fogosa entre ambos, despertando este professor para a existência, passando a preocupar-se com aspetos, mesmo em termos de aparência, a que antes não dava valor. Mas este não é um romance linear. Enquanto o professor se apaixona irremediavelmente por Isabel, esta, pássaro livre sem pousio, não se conforma com uma relação de posse, que tenderia, mais tarde ou mais cedo, por cair na rotina e tornar-se monótona. Ela quer viver. Mas, como lhe é dito mais tarde por Nara, uma intuitiva mulher de uma aldeia africana por onde viaja, “A sede de viver tem sempre homens no fundo do copo”. Isabel sempre teve essa sede de viver, conhecer o mundo, conhecer-se a si mesma e sempre esteve rodeada de muitos homens. Esta sua sede de viver chegava a ser, como mais tarde lhe dirá José Sousa, egocêntrica e egoísta. Mas Isabel tinha algo que a tornava única, compadecia-se com os mais desfavorecidos, ajudava-os se pudesse, revoltava-se contra os opressores e marcava sempre a sua posição.
Este livro, porém, não se fica por aqui. Quando nos é contado o passado de Isabel, entramos no contexto histórico dos anos sessenta nos Estados Unidos, onde se viveu intensamente a liberalização dos costumes, o sexo, droga e rock’n’roll, dos festivais de música, da libertação da mulher e da contestação dos valores tradicionais. Em Portugal, depositam-se esperanças no governo de Marcelo Caetano, mas as vivências de Isabel, a figura libertina que representava intensificam a admiração de José Sousa por ela.
Mas estaria José Sousa disposto a aceitá-la sempre nos seus regressos, depois de longos momentos de ausência, sempre acompanhada por outros homens? Até que ponto a ética e a moral dele, o desejo de estabilizar, casar com ela, aceitariam a sua maneira de ser e de viver?
Profile Image for Maluquinha dos livros.
342 reviews158 followers
January 3, 2021
⭐️⭐️⭐️
Gostei da escrita, mas a história não me cativou tanto como imaginava.
O ambiente demasiado conservador e atrasado de Portugal dos anos 70 é o pano de fundo para a relação de um homem viúvo e conservador com uma mulher mais nova e mais “desempoeirada”. Isabel viveu nos EUA, além de ser mais nova, o que faz dela uma lufada de ar fresco na vida de um homem viúvo, um académico muito conservador. No entanto, achei que partes da história de Isabel foram contadas de forma algo superficial. Na verdade, não gostei da personagem Isabel e das suas constantes dúvidas em relação ao amor e à relação com Duarte. Além de ter achado que as demasiadas descrições dos encontros sexuais entre os dois, ainda que façam algum sentido no contexto geral, acabam por retirar alguma qualidade à história. O final surpreendeu, mas achei triste e algo forçado. Ainda assim, apreciei a escrita e provavelmente irei ler outro livro deste autor.
113 reviews
January 21, 2026
Um registo um pouco diferente daquilo a que o autor nos habituou - um romance menos histórico e mais história de amor. Muito bem conseguido, bem escrito e interessante, passado no final dos anos 60, início dos anos 70 do século XX. O choque entre a visão mais progressista da vida que reinava no resto do mundo (libertação da mulher, movimento hippie...) e a visão do Portugal pobre e cinzento. Excelente!
6 reviews
May 6, 2019
Para mim foi uma agradável surpresa este livro e fiquei com vontade de ler mais livros deste autor.
Profile Image for Alda  Delicado.
751 reviews7 followers
November 3, 2021
Gostei da escrita mas menos da história. Em certas partes era excessivamente opinativa e critica e o espírito e ambiente tinham uma atmosfera contemporânea e pouco dos anos 60.
Profile Image for João Barreira.
5 reviews
September 18, 2023
Habituado aos romances historicos do autor, estranhei ter escolhido uma época tão recente. No entanto, fez me relembrar a minha infância e Moçambique, o liberalismo dos meus tios e o conservadorismo dos meus avós.
Maravilhosamente escrito!
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