As pessoas me perguntam: "Nossa, Guilherme, como você consegue ler tantos livros?". A resposta é que eu uso meu tempo ocioso para ler, no trem, no Uber, no ônibus, no banheiro, antes de dormir, esperando a internet pegar no tranco. Este livro da Valentina eu li quase todo esperando na fila do banco. Praticamente três quartos dele lidos no banco e a espera ficou menos chata. Agora, falando sobre o conteúdo deste livro, eu li Valentina pela primeira vez num quadrinhos que peguei na biblioteca da PUCRS, que se chamava Valentina de Botas. Os quadrinhos aqui apresentado vêm antes de Valentina de Botas. Então ele têm uma carga maior de surrealismo do que do erotismo sadomasô que marcava aquele álbum, embora esse álbum flerte com isso na parte Perdida Pais dos Sovietes. O que tem nesse quadrinho que caracteriza suficientemente a obra de Crepax é o experimentalismo narrativo e a virtuose em retratar cenários e construir layouts, mesmo que as histórias, por si só, não façam muito sentido. E é por causa disso que essa nova edição da L&PM perde pontos: não conseguimos ver os detalhes dos maravilhosos layouts de Crepax nesse tamanho reduzido. Esse formato de quadrinhos não faz jus à intensidade que essas pranchas provocam no leitor quando vistas no tamanho de um álbum europeu. É realmente uma lástima trazer de volta essa obra-prima dos quadrinhos (eróticos ou não) mas reduzi-la a um formato que destrói sua beleza.