Romance vencedor do 1º Prêmio Kindle de Literatura
Machamba cresceu numa fazenda em Minas Gerais, em meio a cavalos e pés de laranja, lendo as Enciclopédias das Antigas Civilizações com o pai. Agora é uma mulher em Londres que leva a vida de forma inconsciente e promíscua. Nem ela mesma sabe o que aconteceu com a própria história. Até que começa uma viagem pelas antigas civilizações do planeta, Grécia, Turquia, Israel, Egito, e quanto mais caminha pelas ruínas do mundo, mais viaja em direção ao seu passado e ao Elo Perdido, o episódio fatídico que mudou para sempre o curso de sua vida.
Quase um ano pra ler isso, parei e voltei várias vezes, esperando toda vez que ele engatasse, mas não vai. Se esse é o objetivo, de retratar um estado blasé de viver, à deriva dos ventos, talvez possa ser chamado de bem sucedido, mas o que fica depois de tudo é só vazio, a vida como experimentação estilística, muito mais que uma história, uma personagem. Parece estudo pra primeiro livro, esboço de idéia que foi batido e rebatido e reescrito, mas sem uma conclusão, tivesse 50, 70 páginas a menos e algum final, ia ser muito bonito. O que é pior algo que você é indiferente que é ruim ou algo que tinha potencial e foi mal realizado?
Surpreendente última leitura do ano. Escolhi sem pretensões, pra ser um livro leve, que nem é meu só pra fechar esse ano louco sem trazer pensamentos pesados, e simplesmente fui embalada pela narrativa poética e inesperadamente diferente dessas páginas.
É um romance, um livro escrito pelo coração com o olhar confuso da mente que flutua enxergando sentimentos nas persianas, nas plantas, no umbigo, e vê claramente a diferença do Tempo dos olhos de criança para os olhos de adulta. São os caminhos tortuosos da mente que foge de onde dói e existe sem palavras enquanto espera a cura vir, ou a mudança de tempos lavar a alma despedaçada e remendar a cabeça confusa. Foi um livro que me transportou para tempos mais simples, mas que transbordavam em dramas meus, quando eu ainda escrevia, e compartilhava palavras por aí, palavras confusas, poéticas, que mudavam de sentido conforme os olhos que liam, e que carregavam toda a dor dramática de coração de adolescente que acreditava ainda que o amor era raro, único, e que se podia confundir ou perder para nunca mais encontrar, caso não prestasse atenção. Uma adolescente que olhava o mundo com olhos dolorosamente românticos, e acreditava em coisas diferentes, e transbordava em páginas que seriam largadas num mar virtual em garrafas que talvez alguém fosse encontrar.
Esse romance me trouxe nostalgia, e a leveza da nuvem escura sobre o coração de romances bem sentidos. É um pouco naturalmente poesia, um pouco confusão compreensível de sentimentos, um pouco putaria como forma de extravasar, e um pouco diário de viagem guiada por enciclopédias e conhecimentos que uma vez em outro tempo, eu também já mergulhei fascinada.
Machamba é, sem dúvidas, um dos melhores livros que li nos últimos tempos! E pra variar não sei muito bem o que dizer sobre ele, explicar o que é que me fez gostar tanto - talvez meu medo seja falar demais e criar expectativas irreais em quem ler isso, ou também de não conseguir falar direito e não fazer jus à história - mas vou tentar. Machamba, a protagonista, é uma mulher machucada - física e emocionalmente. Machamba sente-se perdida, mas parece não perceber isso, "gente como ela" - expressão recorrente durante a narrativa - tem aos montes por aí (como temos várias Macabéas. Sim, A hora da estrela ainda ressoa em mim). Toda a jornada que ela faz, partindo do interior de Minas Gerais em busca das ruínas das Antigas Civilizações é também uma jornada interior, a busca pelo seu coração que caiu em alguma esquina. A narrativa não linear dá uma fluidez a leitura e, segundo a autora afirmou em entrevista, aconteceu naturalmente durante a sua escrita, acredito que isso foi uma das coisas que me fez gostar ainda mais e devorar com mais vontade a história. As lindas metáforas, as descrições das mitologias e culturas diferentes, e ver como tudo vai se encaixando a cada capítulo são outros dos detalhes que prendem a atenção até a última linha. Enfim, não poderia ter entrado melhor no mês das mulheres! Brasileira, contemporânea, vencedora do primeiro Prêmio Kindle de literatura, Gisele Mirabai conseguiu - peço licença para parafrasear Taty Leite, do canal Vá Ler Um Livro -me atropelar com essa história! Nota: 5/5. Favorito da vida!
A protagonista cresceu numa fazenda do interior de Minas. Agora adulta e perseguida por memórias do passado, ela viaja por Londres, Atenas, Capadócia, Jerusalém, Luxor e outros, buscando por algum tipo de redenção.
A história é muito simples, mas a escrita é incrível. Os acontecimentos da viagem se entrelaçam às lembranças intrusivas de Machamba de maneira cativante e a autora consegue transmitir vivamente a angústia e alheamento da personagem. Meu episódio preferido foi o em que ela visita a suposta casa da Virgem Maria em Éfeso na Turquia, me emocionei.
O livro excedeu minhas expectativas, achei que ia ser só mais uma narrativa superficial sobre uma jovem mochileira, mas foi muito melhor que isso.
O livro foi me surpreendendo desde o começo, mas pecou no final. A escrita de Gisele Mirabai é muito bonita, me tocou bastante. O modo de narrar, dando voltas na memória, me agradou muito - apesar de não ser nada inovador.
Outra coisa interessante é conseguir deixar as cenas de sexo suaves a ponto de parecerem o que realmente são: naturais. Além, é claro, de dividir o tempo em "Tempo Pequeno" e "Tempo Grande", coisas sobre as quais venho refletindo desde quando comecei a ler Joyce.
Para mim, excedeu muito na clareza e na previsibilidade. O final acabou parecendo com o final de "O alquimista", de Paulo Coelho: algo que pensamos ser tão previsível que o autor não faria mas faz.
Eu achei Machamba um livro muito interessante. O início pode ser um pouco confuso, pois a autora viaja entre passado e presente de Machamba, desde sua infância em uma fazenda no interior, até sua vida levemente instável em Londres. O leitor percorre toda a história sem saber o que levou a vida da personagem chegar onde está no presente, quais os eventos traumáticos que transformaram aquela garotinha do passado nessa mulher cínica de agora. Achei a escrita da Gisele muito bonita e poética, mas no momento que estou vivendo agora em minha vida, isso foi o que me afastou um pouco da história. Estou sem paciência para histórias e conversas que me soam como se quisesse dizer algo sem dizer. Me senti assim o tempo inteiro, como se a autora estivesse mais envolvida com a forma, com a poesia das palavras do que o que precisava ser dito. Eu normalmente gosto da subjetividade desse tipo de escrita, mas não era o que eu estava esperando, então não me conectei, não por problema na escrita, na construção da narrativa, no plot, mas porque não foi a leitura certa para o que eu precisava no momento.