Três jovens amigos, Ira, Ossi e Aurora, juntam-se num pacto: fazer uma revolução em Alendabar, o lugar onde moram, no primeiro dia do Outono. Nesse dia, uma mulher do outro lado do mundo chega a Alendabar com as cinzas do marido, trazendo o filho de ambos. E, no mesmo dia ainda, o dono de todas as terras em volta, conhecido como Rei, recebe um convidado do Oriente. O destino de todos vai cruzar-se ao longo das doze horas de luz deste equinócio.
Em A Nossa Alegria Chegou, Alexandra Lucas Coelho cria pela primeira vez um lugar, com a sua fauna, a sua flora e o que sobra de uma língua perdida. Há deuses antigos, servos, pirâmides. Também há helicópteros, mortes em série, inteligência artificial. Não sabemos em que ano a história acontece, nem em que parte da Terra. O mal de toda a parte está em Alendabar, o mal de Alendabar está em toda a parte. Mas Ira, Ossi e Aurora acreditam que o bem está na luta.
ALEXANDRA LUCAS COELHO nasceu em Dezembro de 1967. Estudou teatro no I.F.I.C.T. e licenciou-se em Ciências da Comunicação, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Trabalhou dez anos na rádio continuando ainda hoje a colaborar com a RDP. Desde 1998 é jornalista no Público. A partir de 2001 viajou várias vezes pelo Médio Oriente / Ásia Central e esteve seis meses em Jerusalém como correspondente. Foram-lhe atribuídos prémios de reportagem do Clube Português de Imprensa, Casa da Imprensa e o Grande Prémio Gazeta 2005. Mantém o blogue Atlântico-Sul, onde publica as suas crónicas que escreve para o Público.
Em 2007 publicou «Oriente Próximo» (Relógio D’Água), narrativas jornalísticas entre israelitas e palestinianos. Publicou mais quatro livros de reportagem-crónica-viagem: «Caderno Afegão» (2009), «Viva México» (2010), «Tahrir» (2011) e «Vai, Brasil» (2013). Em 2012 escreveu o seu primeiro romance, «E a Noite Roda», vencedor do Grande Prémio de Romance e Novela APE 2012. Publicou, recentemente, «O Meu Amante de Domingo» (2014).
Achei este livro agradável de ler, com uma escrita fluida e bem conseguido no que diz respeito à criação de todo o ambiente de um país inventado. No entanto, cheguei ao fim com a sensação de ter lido um esboço de um livro, mais do que um livro acabado propriamente dito.
A história central é bastante interessante, pois toca uma série de assuntos prementes e, tem uma parte de suspense. Contudo, parece inacabada: tem demasiadas pontas soltas, alguns acontecimentos que acabam por não levar a lado nenhum, e um fim demasiadamente abrupto.
Depois de um livro de grande foco local, como foi "Deus-Dará", percorrendo quinhentos anos da história do Rio de Janeiro, o primeiro original de Alexandra Lucas Coelho na Companhia das Letras, "A Nossa Alegria Chegou", faz-se num local imaginário, Alendabar, local paradisíaco com laivos do Brasil tropical em si.
Sobre a opressão de um autoproclamado Rei que se parece mais com um latifundiário que com um aristocrata, o povo de Alendabar é visto como pouco mais do que um objecto servente. Não é de estranhar, portanto, que de entre esses nativos de Alendabar, três deles – Ira, Ossi e Aurora – tomem nas suas mãos o destino da sua terra, congeminando e levando a cabo um plano com o intuito de destronar o dito Rei. O problema é que, ao longo do livro, praticamente nunca é clara essa dita opressão. O livro começa precisamente com momentos de êxtase e prazer destas três personagens, e o tal Rei nunca deixa de ser um personagem fantasma, um mero símbolo ditatorial comum. Isto porque nunca é verdadeiramente criada a história deste lugar específico. São nos dadas várias fábulas, sim, mas são sempre meros fragmentos de algo que parece incompleto, superficial. Na tentativa de universalizar o problema demonstrado, Alexandra Lucas Coelho acaba, portanto, por lhe retirar particularidade e detalhe, numa não-verosimilhança que acaba por nos aproximar mais de uma situação fantasiosa que de uma que possamos transpor para a nossa realidade.
O mais grave é que a autora sabe o quanto a especificidade e o detalhe são importantes para gerar empatia, sabe que a construção histórica de um regime opressor é algo extremamente complexo (o foco de "Deus-Dará" é prova disso) e, no entanto, serve-nos na mesma esta história insípida, mera fábula revolucionário com laivos da realidade, sem muito que a faça transparecer séria e motivada. É claro que é possível contar uma estória sem ligar à história que está por detrás daquilo que se conta, nem sempre tudo tem de ser motivado com o que chega do passado e com as histórias das famílias dos protagonistas. Pode perfeitamente contar-se uma história criando essas narrativas, acontecimentos que marcaram a vida daquelas pessoas individuais e daquelas comunidades inventadas. Mas o problema passa por nunca ser mais que dar uma ideia de uma revolução com pouco mais que uma mão-cheia de banalidades ditatoriais, um pot-pourri de violência e de autoritarismo que ignora toda a complexidade de momentos como estes, que os faz parecer pouco mais do que um tipo malvado que oprime a população daquele espaço, que lhe obedece porque sim.
Além disso, a facilidade com que a autora muda de cena – o foco muda constantemente de uma personagem para outra, em textos que normalmente não perfazem sequer uma página – acaba por cortar o espaço narrativo necessário para que haja interesse para com as diversas personagens. Saltando de cena em cena a esta velocidade perde-se o fio e perde-se o espaço para que a cena cresça, e, se esses constantes saltos são capazes de dar rapidez e dinamismo à narrativa, impedem-na de se alicerçar em reais emoções.
Sem esse alicerce, o que fica é pouco mais que essa ideia de superficialidade, um mero aflorar dos problemas da opressão e um mero aflorar dos procedimentos revolucionários. Aliás, o próprio planeamento desse acto de deposição do rei parece, também ele, francamente simples e óbvio, mesmo que contrariedades se passem. No fundo, a parte mais interessante do livro acaba por ser a história paralela de Úrsula e Félix, mãe e filho, que viajam até Alendabar em jeito de homenagem ao marido e pai morto (foi o local onde Úrsula o conheceu), numa viagem individual que ignora as contrariedades da população, daquela terra, quase como se o local paradisíaco fosse um mero fundo para as memórias do passado e as viagens espirituais do presente. Para Úrsula e Félix, as lutas e a opressão daquela população são meros acessórios, não pensam que o local paradisíaco possa esconder um sem número de atrocidades, parte de uma vulgar mentalidade, especialmente ocidental, de viajante preocupado apenas com a sua própria experiência e desenvolvimento.
Mas, mais uma vez, o problema é precisamente que também a autora toma com superficialidade as agruras da população, que nunca são capazes de se distanciar das dos três personagens principais, que parecem não ter nada mais que motivações meramente individuais para prosseguirem com o seu plano revolucionário. Ira, Ossi e Aurora sofrem com a vida que levam, estão cientes da relação do Rei com essas contrariedades, mas, infelizmente, a opressão é coisa bem mais complicada que isto.
O início foi um pouco confuso: não sabia se era tudo uma alegoria ou se estava efectivamente a acontecer. Mas rapidamente essa sensação passa e entra-se na história. Gostei da história e das reflexões políticas, religiosas e até mesmo ecológicas que foram aparecendo. Como se desenrola num único dia, não sabemos o desfecho. Ou melhor, as consequências a longo prazo. Gostei bastante da escrita e quero ler mais livros da autora!!
Este foi o terceiro livro que li de Alexandra Lucas Coelho. O primeiro foi E a noite roda e o segundo foi o infanto-juvenil Orlando e o Rinoceronte, mas para dizer a verdade , já não me lembro praticamente de nada das histórias ali contadas... E vai daí, penso que o "problema" dos romances desta autora, é os temas que ela aborda são extremamente actuais e interessantes, mas fica a sensação de que são abordados de forma tão superficial que não nos ficam propriamente na memória. Neste livro são abordados diversos temas que na visão da autora são preocupantes (a autodeterminação sexual do ser humano, a condição da mulher num mundo 'patriarcalista', a destruição do ambiente pela falta de respeito dos seres humanos, a questão da inteligência artificial), mas que, no entanto, são pouco aprofundados.
No entanto, não posso dizer que não gostei do que li. De facto, até me senti entusiasmado à medida que ia avançando na leitura do livro, sempre na expectativa de saber até onde é que as diferentes linhas narrativas me iriam levar. Infelizmente, penso que o fim não está à altura do resto da história. Uma coisa que não consegui perceber foi em que sentido é que várias personagens serem irmãs veio a beneficiar a intriga. Porquê dar o mesmo pai a uma série de personagens, se isso não provoca desenvolvimento nenhum?
Além disso, a história acaba de forma abrupta o que, mesmo dando a oportunidade ao leitor de imaginar o que poderá ter acontecido a seguir, torna-a inconclusiva. Terminar uma história num ponto climático deixou-me desorientado enquanto leitor e, se bem que deixando espaço às minhas próprias conclusões, eu preferia que Alexandra Lucas Coelho me tivesse levado a algum lado em vez de me deixar a sensação de que me "abandonou" a meio do caminho.
Enfim, para concluir, gostei do que li, porque penso que está bem escrito. No entanto, penso igualmente que não é um livro que vá reter na memória...
Na minha opinião, esta é uma história para nos fazer pensar.
As suas personagens e até mesmo enredo podem pecar pela falta de desenvolvimento - é um livro pequeno -, porém a autora reúne um conjunto de objectos e situações que tocam muitas feridas intemporais e não raras vezes dei por mim a reler e a reflectir sobre as suas passagens. Além disso, o puzzle que conduz ao desenlace (tudo sucede num único dia) conseguiu prender-me e deixar-me curiosa, permanentemente.
Confesso que gostei mais da leitura que fiz anteriormente, uma não ficção, mas esta obra também teve vários pontos de interesse. Uma autora em que contiarei a investir e recomendo.
Um dos melhores romances que alguma vez li! Comprei este livro no Natal quando fui a Portugal porque queria muito ler na minha língua mãe e especificamente de autor português contemporâneo. Passo muito tempo a falar em inglês e é muito fácil falar a minha língua de forma pouco romântica ou embelezada e sinto falta de falar bonito. Este livro fala realmente bonito. Não me lembro de ler um livro de autor português com tanta frase deliciosa que me fazia sempre arrepender de não ter um lápis para sublinhar ou memória fotográfica para recordar. É um livro a ler uma segunda vez, pelo menos.
É uma história que acontece num dia. Toda a história do livro decorre ao longo de um dia. Detalhe que acho fascinante tendo em conta que é um romance. Mas durante quase a primeira metade do livro, não fazia ideia sobre ao certo o que seria a história. É tão criativa e diferente e única. Nunca li nada assim. É definitivamente o meu tipo de história e de romance. Claro que eventualmente compreendi a mensagem do livro mas é algo que cada leitor deve interpretar à sua maneira e descobrir sozinho. Spoilers num livro como este facilmente desmotivam um potencial leitor e acho que seria uma pena. Não podia recomendar mais este livro! Aliás, é oficialmente o meu novo livro favorito.
Entristece-me que tenha acabado de ler este livro em espaço público onde fui interrompida e chateada por dois homens que não percebem uma dica ou se fazem de desentendidos. Não, não estou a ler um livro em público para que venham conversar comigo.
O fim deste livro abalou-me um pouco, mas é exatamente isso que eu espero de um bom livro!
Um romance algo estranho que me chegou através do Bookcrossing.
Num país inventado, de águas claras e belas praias, todos trabalham para os matadouros de um certo autoproclamado Rei. Três jovens amigos, com uma relação de sexualidade um pouco estranha, decidem mudar um pouco o rumo das coisas. A isto assistem dois turistas, que vieram fazer os últimos rituais funerários do seu pai e marido.
Se a ideia é bastante boa, e a autora se esforça por inventar frutas, plantas e animais, até uma língua exclusiva deste país bizarro, existem alguns elementos que são me causaram uma certa estranheza. A relação entre os três amigos, muito ligada a uma sexualidade evidente e que me deixa um pouco desconfortável, é estranha e improvável, assim como o desenlace da história. A mistura da tecnologia com a tradição não corresponde muito bem ao que esperávamos, sendo que parece estranho como um país tão pouco evoluído tem tantas coisas especialmente modernas.
Também é incompreensível o envolvimento do empresário asiático, que recebe um fundo para a sua personagem mas que no fundo só está ali para que o desenlace possa acontecer.
Todo este livro é muito esquisito e, por isso, não tenho a certeza se gostei ou não.
Sou suspeito, é verdade. Depois de um romance altamente maximalista como deus-dará, cheio de detalhes (históricos, sociológicos, geográficos), este romance parece ser uma obra muito minimalista, com pouco detalhe, menos personagens, num pequeno lugar. Mas não passa de uma ilusão. Do nada, vemos criar um mundo, um lugar, fauna e flora. E a história, que parece simples, não perde força por isso. Apesar do título, não é um romance alegre, é um romance de luta, de resistência. E as lutas nem precisam de ser muito elaboradas para mostrarem a sua força.
O meu problema como esta Nossa Alegria Chegou foi estar com as expectativas tão altas, após a maravilha de Deus-dará.
O que me faltou? Mais profundidade, ir mais além do que a fábula que este livro é. Por norma, não são necessárias muitas palavras para a descrição de lutas: só mesmo as que arrebatam o leitor. Isso não aconteceu comigo neste caso e tenho pena que tenha sido assim. Os temas foram retratados muito superficialmente, sem se fazer muito caso, e por isso não me identifiquei (sequer) com nenhuma personagem. O ponto positivo de A Nossa Alegria Chegou é a beleza da escrita da Alexandra.
Narrativa alegórica sobre uma revolta proletária contra um sistema corporativo prepotente, precisamente do tipo que os bilionários, por exemplo norte-americanos, receiam lhes aconteça (pelo que mantêm um sistema político, securitário e jurídico cada vez mais blindado, injusto e desumano). Nesse aspecto, o livro é na realidade muitíssimo actual, mais do que se poderá imaginar à partida, sobretudo na Europa.
A trama é demasiado linear para o meu gosto (também é um livrinho, desculpa-se) apesar de no fim, in extremis, a autora conseguir resgatá-la do facilitismo geral com a introdução do preço supremo pela conquista da liberdade.
Muito bem escrito, muito interessante, continuo absolutamente fã da autora.
«Ossi teme o que possa vir com a chuva grande, porque há um ano o mar ficou cheio de lixo à superfície. Os remos batiam em garrafas de plástico, copos de plástico, sacos de plástico, contentores de plástico, Ossi tirou a camisa, mergulhou em apneia. Babis, pomeias, tíndaros, todos os peixes de Alendabar nadavam atordoados no meio dos obstáculos. Era uma valsa de milhares de plásticos, alguns transparentes, delicados como seres vivos, outros espessos, opacos, todos desafiando a eternidade na água dos mortais. Sacos de ração embatiam em recifes de corais, aí ficavam. Uma embalagem de adubo veio bailando, colou-se à cara de Ossi. Contentores de gasolina flutuavam, depois de terem alimentado geradores, frigoríficos, o arsenal de milhares de cabeças de gado. E quando o mar e o sol desmanchassem todo esse lixo, ziliões de micropartículas continuariam a alojar-se no tecido de cada animal, de cada planta, no sal deitado na comida dos humanos. Lixo local, global, cósmico, advento de um futuro tão anunciado que nenhuma esfinge, nenhuma sibila hoje arranjaria emprego. O mal de toda a parte estava aqui. O mal daqui estava em toda a parte.»
«Para os humanos serem exclusivamente bípedes, a bacia teve de estreitar, e as mulheres pagaram isso sozinhas, muitas vezes com a própria vida. A evolução da espécie fez-se assim à custa de um sofrimento sem par entre os primatas: crânio maior, pélvis mais estreita. O parto de Clara prolongou-se por dezanove horas, e quando a cabeça do bebé enfim passou não foi possível estancar a infecção. (...) Ossi vem a chegar, Ira virá. Só falta Clara para sempre. E para sempre Aurora vai guardar aquelas dezanove horas do parto. A visão de um corpo a rebentar por todas as entranhas, com todos os seus líquidos, rasgado a cada esforço, para baixo, para fora. Sacrifício que nenhum homem conhecerá.» (N.B.: Graças a Deus!; literalmente).
ALC resvala no fantástico ao criar um lugar imaginário, com suas próprias fauna, flora, língua e mitologia. Alguns desses elementos, inclusive, desempenham um papel importante nas tramas. Mas não é essa a sua praia. O mundo de Alendabar é apenas um pretexto para falar de ética, amor, política. E da literatura como terreno do possível, e portanto da experimentação — que, no caso, não é o devaneio formal, mas sim a busca de soluções e caminhos para o mundo "real", o do aquém.
Até chegarem a Alendabar, a mulher e o rapaz tiveram de atravessar muitos fusos horários. Vencida a última etapa do seu roteiro, um trilho de terra batida em muito mau estado - “os buracos cheios de chuva, espelhos do céu” -, estacionaram o carocha à sombra de uma árvore. Têm à sua frente uma baía majestosa de águas transparentes, pequenas ilhas debruadas por corais, árvores exuberantes que dão frutos carnudos e doces e uma praia imensa, bordejada por uma densa cortina de árvores em flor. Num extremo da praia, a falésia negra, encostada a um vulcão. No outro, a foz de um rio incandescente. O dia rompe quando pisam a areia. Trazem com eles uma missão. Desconhecem que, não muito longe dali, naquela mesma praia, três jovens celebram um pacto, decididos, também eles, a cumprir uma missão. É dia do equinócio de Primavera e as doze horas que se seguem irão ter um profundo impacto na vida de todos.
A calma e a harmonia com que Alexandra Lucas Coelho nos saúda logo no início deste seu romance, vão dar lugar, muito rapidamente, à dor e à raiva. Foram colocadas ali para acentuarem a lenta agonia de uma natureza envenenada pelo plástico, acusarem a calamidade que são as grandes explorações de gado que ganham terreno de pastagem à custa da floresta, denunciarem o poder de uns poucos que oprimem, tiranizam e maltratam mil vezes os muitos a eles subjugados. Do respeito pelos valores ancestrais e pelos princípios de vida em comunhão com a natureza, passamos rapidamente para a ditadura dos mercados, para os números distorcidos a imporem a sua lei, para o lucro a qualquer preço, para a soberba e a opulência dos ricos, contrastando com a miséria e a falta de meios dos pobres. Lembrando que os recursos do planeta não são inesgotáveis, a autora aponta o dedo aos tiranos e aos corruptos, responsáveis pela ineficiência das políticas ambientais e pela falta de sustentabilidade de uma Terra a saque.
Com uma escrita construída na base da simplicidade e da poesia – as histórias de “Orlando e o Rinoceronte”, o anterior livro da escritora, a bailarem na minha cabeça o tempo todo -, “A Nossa Alegria Chegou” oferece-nos uma visão do mundo extremamente complexa e actual. É um livro com uma carga ideológica e política fortíssimas, um libelo contra a arbitrariedade, a repressão e o abuso, um grito de alerta para um planeta em rápida asfixia. É, ao mesmo tempo, um convite à contemplação e ao deleite do que de bom ainda nos resta e um incitamento à luta pela rápida inversão dos acontecimentos, preservando o que de bom nos resta e devolvendo a saúde a um planeta moribundo. No seu jeito adorável de contar uma história, Alexandra Lucas Coelho diz-nos que tal ainda é possível. Está nas nossas mãos fazê-lo!