«Começou como divertimento, passou a narrativa de viagens, transformou-se em livro de memórias. Ou, melhor dizendo, em exercício de memórias. Na fase de revisão de vida em que me encontro, fui separando papéis, arrumando livros, rasgando recortes de jornais, blocos, cadernos. Apliquei-me a destruir inutilidades, numa azáfama de matéria dada, pedaços de papel sem destino de futuro a não ser a reciclagem, para bem do ambiente, louvado seja. Mas prestei atenção e guardei o registo de pequenas histórias que fui descobrindo em todo o tipo de papéis que escrevi à mão, desalinhados, soltos, à toa. Tenho casos de picardia, de louvor, de maledicência, contados de viva voz, em salas de estar ou à roda de mesas de jantar. Tenho frases expressivas, comentários de circunstância que em variadas ocasiões ouvi e anotei, neste meu desejo de não esquecer, nesta minha curiosidade sobre maneiras de ser e entender o mundo.»
LEONOR XAVIER nasceu em 1943. Licenciou-se em Filologia Românica na Faculdade de Letras de Lisboa. Em 1975 foi para o Brasil acompanhando o marido, convidado a leccionar na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, após ter sido saneado, no pós-25 de Abril de 1974, da Faculdade de Direito de Lisboa. Viveu depois no Rio de Janeiro, onde foi correspondente do Diário de Notícias. Regressou em 1987 a Portugal, onde foi redactora da revista Máxima. Tem colaborado com vários periódicos salientando-se, entre outros, o Jornal do Brasil, o Mundo Português, o Diário de Lisboa, e as revistas Mulher, Dez de Junho e Sábado.