Este livro do antropólogo Georges Balandier constitui - tal como escreve Tito Cardoso e Cunha, na introdução à edição portuguesa - «uma obra incontornável para quem procura compreender a representação contemporânea do poder e o modo como o sistema mediático encontrou aí o seu lugar«.
Ao longo do ensaio, Balandier analisa o poder e as suas máscaras desde o cerimonial medieval e o bobo da corte à era da televisão até às sociedades modernas em que imperam a inflação da informação, das palavras e das imagens.
A produção de imagens faz actualmente parte integrante do exercício do poder, mas os governantes, apesar de tecnicamente melhor equipados, «encontram-se na situação paradoxal de ver essa capacidade enfraquecer pelo seu próprio uso».
Nunca a teatralidade do poder foi tão potenciada, mas - como sublinha Tito Cardoso e Cunha - «o problema que se nos põe com Balandier é, de certo modo, inverso: a novidade do que ele chama "teatrocracia" está nessa inversão que faz do poder quase vítima, senão mesmo sujeito submetido à tirania da sua representação mediática».