Este pequeno e precioso guia da Psicanálise introduz o leitor no mundo da interpretação das emoções, da sexualidade, dos sonhos, dos sintomas, enfim, do sentido da vida humana, pela mão da Teoria dos Campos, criada por Fabio Herrmann. Pode ser o primeiro passo no conhecimento psicanalítico ou um recomeço para o analista experiente. Recomenda-se para iniciantes ou não.
No último dia de 2025, terminei O que é Psicanálise, do Fábio Herrmann, e a experiência foi desafiadora. Algumas passagens foram cristalinas, outras ficaram opacas, e eu precisei aceitar que entender não é capturar uma definição e guardar na gaveta. É voltar, reler, tropeçar, insistir.
Aos 54, ter curiosidade é normal. O que me deixa feliz é notar como ainda soa estranho, para muita gente, alguém seguir estudando com prazer. Eu percebo que não comprei a ideia de que, depois de uma certa idade, a vida vira só repetição, e continuo com fome de aprender.
Estou lendo e estudando como parte dos meus bacharelados em Filosofia e Psicanálise, sem pedir licença para quem acha que a vida intelectual tem prazo de validade. Tem um toque de vaidade aqui, eu sei. Mas é uma vaidade do bem, dessas que empurram a gente para frente. Seguir curioso. Seguir estudante. E sentir prazer nisso.
Durante a leitura, esbarrei em ideias que mexem com a forma como eu escuto o mundo. Conteúdo latente do sonho, transferência, epistemofilia, palavra que eu nem sabia o que significava, o princípio do absurdo. E também aquelas provocações que dão risada da nossa pretensão de sermos “civilizados”, lembrando que muita coisa só muda de roupa. Vira sintoma. Vira arte. Vira discurso.
O que mais me marcou foi isso. A psicanálise não parece interessada em dar respostas prontas ou bonitas. Ela treina para sustentar perguntas melhores, inclusive as que a gente gostaria de evitar. Obriga a desconfiar do encaixe perfeito, porque o sentido que “casa” fácil demais costuma ser o mais suspeito.
Me marcou muito ler no capítulo sobre psicopatologia a frase: “A loucura de uma sociedade é denunciada pela loucura de um de seus membros”. Você já reparou como esse “louco” virou multidão? Está no narcisismo que virou método, na sociopatia que virou estratégia, na corrupção de gravata, na naturalização de gente vivendo na rua, como se fosse normal.
Além de recomendar a leitura eu deixo a seguinte reflexão: Se isso denuncia que estamos doentes, o que a gente topa fazer para construir um 2026 mais lúcido, mais humano e mais responsável?
Há uma estrutura apresentada aqui que convém muito ao que é ensinado até por profissionais atuantes e para uma ótima apresentação do tema a quem tiver somente a curiosidade de reter conhecimentos. Torna-se até um destaque grandes ideias que são melhores esclarecidas através desses escritos tais como as psicopatologias e o Real lacaniano, porém, ainda assim certos pormenores que me fazem não ter toda confiança no autor com uso de termos ou que podem tornar menos complementares ao tema do capítulo ou além.
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