Um mangá totalmente improvável, mas absolutamente necessário. Um retrato nu e cru, sem maquiagem, de um problema real dos dias de hoje. No Japão, um em cada quatro homens solteiros acima dos trinta anos de idade nunca teve relações sexuais, o que representa mais de dois milhões de virgens! Neste mangá-documentário, acompanharemos de perto a vida de oito deles. Vidas muito reais de homens excluídos por uma sociedade individualista e egocêntrica, que tentam lidar com seus sofrimentos e desejos, com a esperança e a desilusão, com o orgulho e a vergonha, com a humilhação pública! Homens que são, ao mesmo tempo, vítimas e responsáveis pela sua condição de virgens de meia-idade, buscando a aceitação dos outros sem que eles próprios se aceitem como são. Este é o polêmico documentário do autor best-seller Atsuhiko Nakamura, que revelou o gravíssimo problema social por trás dos virgens de meia-idade existentes no Japão. O livro foi adaptado para o formato mangá por Bargain Sakuraichi, mangaká cultuado no meio artístico por seu traço meticuloso e realista. A edição da Pipoca & Nanquim tem 244 páginas, capa cartão impressa com tinta especial e sobrecapa, marca-página e extras com textos complementares do autor. (Alerta de gatilho emocional: automutilação e suicídio.)
A primeira vista, o título pode causar uma impressão errada, já que há uma semelhança com o filme "O Virgem de 40 anos", com Steve Carrel. Mas não poderia haver engano maior, já que comédia passa longe daqui.Muito pelo contrário, as histórias/depoimentos (todos verdadeiros) narrados nesse mangá são extremamente depressivos e provocam riso, apenas de nervoso.
Ao todo, acompanhamos 8 virgens de meia-idade, cada um de um tipo específico. Suas mazelas, suas tristezas, e dificuldades em se relacionar com pessoas do sexo oposto e em alguns casos, até com pessoas do mesmo sexo. Os mais impressionantes foram o depoimento do ator pornô (sim, ator pornô e virgem) e do otaku de anime. Esse último, morando em um cubículo imundo, mal-cheiroso, simplesmente se conformou com a sua situação de ser apaixonado por um personagem de anime. Fiquei muito chocada pq temos aquela ideia de que o Japão é um lugar extremamente limpo, organizando e higiênico, mas há relatos de que alguns desses otaku param de tomar banho e escovar os dentes, chegando mesmo a perde-los, pela falta de limpeza.
É uma situação muito triste, principalmente pq alguns dos homens retratados tinham um grande potencial para se tornarem alguém na vida, com bons empregos e com famílias, inclusive um deles até revelou que ainda tinha o sonho de ser pai.Mas por diversas circunstâncias da vida, tudo degringolou.
Outro ponto interessante é como a profissão de curadoria de idosos é considerada um subemprego da pior espécie, para pessoas que não tem qualificação profissional ou mesmo ambição de algo melhor na vida. Isso me surpreendeu, pq sabendo da forma respeitosa que os japoneses tratam os idosos, seria lógico que as pessoas que cuidam deles em asilos, tivessem respeito da sociedade. Mas não é assim.
Apesar de ter gostado muito do mangá duas coisas não me agradaram. A primeira foi a total ausência de uma perspectiva feminina sobre os virgens de meia-idade, qual a opinião delas sobre o assunto. As mulheres são mostradas quase que como entidades divinas e distantes, vide a forma como são desenhadas,lindas, sensuais, beirando a perfeição.
E a outra coisa foi a forma que os próprios virgens foram retratados, como criaturas repulsivas e nojentas,sempre babando, ou com o nariz escorrendo, sujos e soltando gases toda hora. Digo isso, pq em duas histórias temos fotos dos personagens verdadeiros e nem de longe eles possuem a mesma imagem repugnante do mangá. Não entendi o motivo da tamanha descaracterização. E somente por isso não dou 5 estrelas.
De um modo geral eu adorei, mas não recomendo para pessoas que estejam em um momento mais frágil de suas vidas ou passando por depressão, pq te deixa muito pra baixo, inclusive tem um aviso de gatilho para suicídio e auto mutilação que foi um acerto da editora Pipoca & Nanquim. E por falar em editora, a edição do mangá está muito bem feita, principalmente na questão da abertura, que é bastante confortável. Mesmo o mangá sendo grosso, vc não precisa ter os músculos do Incrível Hulk pra conseguir abrir.
Foi difícil ler porque o tema é bem delicado, os relatos são nojentos, e a arte reflete isso. Mas foi bom ter aprendido sobre essa realidade. Achei interessante o uso de um mangá para essa finalidade.
Comprei a versão digital pois na amostra vi que era possível fazer a navegação quadro a quadro, que facilita muito a leitura no celular, porém a decepção é que a navegação foi feita como se tratasse de uma HQ ocidental então a leitura dos quadros fica totalmente fora de sequência, tornando impossível ler neste modo. Quanto a obra em si, é muito bem escrita e trata do tema do isolamento social e emocional na sociedade japonesa (que pode ter algumas semelhanças com a nossa) e suas consequências. Uma coisa que não gostei nada foi a arte. Não é mal desenhado, mas é uma arte totalmente fora do tom para o texto e as situações abordadas, ridiculariza todos os personagens (baseados em pessoas reais diga-se de passagem), embora tenha personagens desprezíveis o desenhista sempre retrata de maneira cômica as situações mais desagradáveis ou tristes possíveis.
"Em alguns, a castidade é uma virtude. Mas, em muitos outros, é quase um vício". Essa frase de Nietzsche abre o livro. Ainda vou precisar de um tempo para processar essa leitura, mas já posso afirmar que foi uma das mais impactantes desse ano. A obra de Nakamura e Sakuraichi aborda um problema que afeta a sociedade japonesa: os virgens de meia-idade. Isto é, homens acima dos 30 anos que ainda não tiveram nenhum relacionamento sexual (estimasse que são mais de 2 milhões no país). Até então pode parecer uma informação inócua, mas ao nos aprofundar no tema podemos perceber o quanto isso é reflexo de uma sociedade doente em diversos aspectos e que a virgindade aqui não é um problema em-si, mas, sim, um fardo de cunho social. O livro mostra homens com autoestima baixa, transtorno de personalidade limítrofe e depressão, mas que muitas vezes tomam atitudes assumidamente misóginas, abusivas e, até mesmo, fascistas. São personagens muito complexos e o fato de representarem pessoas reais traz uma camada completamente nova à leitura que fazemos deles e da condição que carregam. Não é à toa que o livro tem um alerta de gatilho emocional por automutilação e suicídio, pois existem histórias que realmente trazem o declínio daquelas pessoas, seja nos seus vícios ou na sua perda do sentido de existir. No que diz respeito aos aspectos técnicos, acho que as ilustrações do Sakuraichi muito competentes, mas penso que a caracterização dos virgens ficou caricatural demais. Por um lado, entendo que deve ter sido a intenção original, no sentido de gerar uma estranheza para o leitor, mas, por outro, acaba sendo uma depreciação do próprio objeto de estudo do livro. Enfim, ainda tenho muito para pensar e digerir desse quadrinho que abriu os meus olhos para um problema que acaba (às vezes, literalmente) com a vida de muitas pessoas.
Esse não é exatamente um mangá agradável, mas sem dúvida levanta questões importantes, Nakamura nos convida a compartilhar de sua experiência ao adentrar o mundo dos virgens de meia idade no Japão e se não traz respostas levanta questionamentos importantes. O mangá apresenta uma certa redução já que deriva de outra obra, entretanto provavelmente o apelo gráfico ajude a comunicar melhor do que o texto corrido. É uma leitura que evoca vários sentimentos: asco, repulsa, pena e em pelo menos dois momentos: compaixão. Um texto ainda que simples, sufocante e claustrofóbico e ainda que se refira especificamente ao Japão pode perfeitamente ser expandido para outros homens ressentidos em todo o mundo. Porém, o texto peca em alguns momentos quando o autor ao se compadecer dos entrevistados meio que atribui parte da culpa as mulheres. Na verdade a questão é um pouco mais complexa e talvez aqui seja o ponto mais fraco da obra, para além da crueza dos relatos, aqui e ali temos simplificações, mesmo que o texto geral deixe claro que o autor compreende ser um problema social muito maior do que os envolvidos diretamente a ele. A impressão que temos é que o autor está o tempo todo dividido entre a compaixão pelas "vítimas" de um sistema e mentalidades em transformação e uma profunda repulsa por esses seres que se tornaram quase que párias. Como denúncia é um mangá muito bom, mas como o próprio autor admite esse é só o começo de uma conversa para entender e talvez solucionar esse problema tão complexo e delicado.
Porrada! Nakamura traz nessa HQ o perfile de homens reais e que representam um problema social grave no Japão moderno: solteiros, com mais de 30 anos, desempregados ou em sub-empregos, emocionalmente imaturos e virgens.
Estima-se que um em cada quatro homens japoneses se encaixam nessa classificação, um problema cuja origem é difícil de ser identificada mas que esbarra em temas complexos como a fragilidade do masculino ante as novas orientações sexuais, identidades de gênero e avanço do feminismo, a mudança das dinâmicas de relacionamentos entre homem e mulher, a escolha feminina por investir mais na carreira e estudos antes de assumir um relacionamento mais sério e a idealização e padrões estéticos quase inatingíveis que a mídia e redes sociais impõe tornando homens como esses párias eternos.
Muitos deles acabam com graves problemas psicológicos e psiquiátricos e até mesmo optando por relações homo-afetivas para obter algum tipo de gratificação sexual e afetiva. Em sua grande maioria, são fãs ardorosos e cegos das estrelas pop japonesas da música de quadrinhos e que emanam, propositalmente, uma aura de juventude e pureza que beiram o ilegal.
Para esses homens, essas são as mulheres ideais e eles movem mundos e fundos para acompanhar suas estrelas assim como fantasiam sexualmente com elas de forma quase doentia o que torna a possibilidade de relacionamentos com mulheres de carne e osso virtualmente impossíveis. São também extremamente conservadores em sua maioria flertando até com movimentos de extrema direita como num tipo de mecanismo de compensação pela inabilidade de relacionamento com outras pessoas, em grupos como esse e outros como o de fãs, são aceitos e podem encontrar algum tipo de afeto e reconhecimento.
A HQ também mostra que esses homens, quase todos desempregados, vivendo do auxílio que recebem do governo quando não vivem ainda com suas mães que os tratam como se fossem crianças ainda e, os poucos que trabalham acabam inundando o setor de cuidador de idosos que possui uma demanda altíssima no Japão e não exige lá muita qualificação, basta um curso que é feito num espaço curto de tempo e pronto, já sai um certificado de você está apto a cuidar de idosos!
Os virgens de mais de 30 se acomodam nessa área pois ela não demanda muita formação, paga o suficiente e, em alguns casos, permite o contato com o corpo feminino, sim, estamos falando de abuso e, além disso, esses homens emocionalmente instáveis encontram nessas casas de cuidados para idosos um ambiente rico para suas frustrações e infantilidades fazendo da vida dos colegas de trabalho um verdadeiro inferno.
Acima de tudo, esta HQ traz um aspecto do Japão que realmente não me era muito conhecido, sempre soube que a cultura de lá, seus hábitos e costumes todos bem diferentes dos nossos mas esse problema do virgem de mais de 30 anos me deixou perplexo. O texto de Nakamura vem acompanhado da arte de Bargani Sakuracichi que beira muitas vezes ridículo e o grotesco com cabeças desproporcionais ao corpo, personagens com ar abestalhado e uma profusão de líquidos humanos saindo de todos os orifícios possíveis e imagináveis o que é proposital para causar no leitor uma certa repulsa ainda que, penso, eu, às vezes exagere afinal, são pessoas que padecem de problemas psíquicos e que precisam de tratamento, não de virar alvo de piada.
Mesmo assim, a Hq é uma obra primorosa e um retrato de um Japão que desconhecemos e de um problema que muito provavelmente deve ocorrer em outros países mas talvez não tenha sido ainda identificado.
Adorei o mangá documentário, fiquei muito surpresa pois não fazia idéia o quão ruim é a situação dos jovens e adultos do Japão. A pressão da sociedade e a busca por uma posição, afeta muito a vida deles e isso acaba isolando eles do convívio. Preferi ler cada história um dia pois os depoimentos eram bem fortes, um mais que os outros. Vale destacar a edição primorosa da editora, as folhas são ótimas e a abertura melhor ainda. Minha única crítica é que achei a caracterização das mulheres bem diferentes dos homens, inclusive o formato de olho e não entendi o porquê.Os personagens são reais e de alguns até tem a foto da pessoa. Após cada história, vem um complemento escrito sobre aquela situação contextualizando de forma geral as pessoas que sofrem com a situação específica e fala o que ocorreu com aquela pessoa da história.
Embora eu seja uma curiosa e entusiasta da cultura japonesa e consuma obras vindas da terra do sol nascente – como mangás, animes, filmes e mais recentemente livros – tenho zero propriedade para falar de aspectos de sua cultura, tem muita coisa que ainda não consegui assimilar. Portanto, não sei como os japoneses abordam a questão dos gatilhos emocionais e como estes funcionam; e nem qual é a verdadeira dimensão do impacto que a falta de contato íntimo tem na população do país. Portanto, tive de confiar na palavra do autor enquanto lia.
Falo dos gatilhos, pois Virgem Depois dos 30 traz um alto teor de violência, tanto gráfica quanto narrativa, tanto física quanto psicológica. Trata-se de uma obra intensa, agressiva, hardcore, destituída de leveza e sutileza.
O mangá abre com a seguinte epígrafe: “Em alguns, a castidade é uma virtude; mas, em outros, é quase um vício”. O trecho extraído da obra globalmente conhecida Assim Falou Zaratustra de Friedrich Nietzsche, deixa evidente que a intenção do autor não é demonizar a virgindade propriamente dita, mas como os indivíduos retratados no mangá reagem a ela e por causa dela.
Em um momento particularmente delicado de sua vida, o autor Atsuhiko Nakamura havia perdido seu emprego como escritor, pois a revista para a qual trabalhava foi cancelada devido à crise no mercado editorial japonês. Sem alternativas, foi parar no setor de cuidadoria de idosos, atuando como administrador de uma instituição do ramo. Como se trata de um setor complicado em que ninguém quer realmente trabalhar – com alta incidência de desrespeito às normas trabalhistas – este acabou se convertendo em um reduto de desempregados, cidadãos que vivem à margem da sociedade e que constantemente emprega virgens de meia-idade. Como nenhuma outra empresa ou departamento os quer em seu quadro de funcionários, devido aos problemas que esses cidadãos causam e, como já foi dito anteriormente, o setor de cuidadoria de idosos sofre para encontrar alguém que realmente queira trabalhar nessa área, essa é mão de obra a que lhes resta recorrer.
Nesse ambiente inóspito, Nakamura identificou alguns padrões de comportamento não apenas preocupantes, como tóxicos e asquerosos em alguns dos funcionários que integravam sua equipe. Os sujeitos problemáticos eram solteiros, na faixa dos 30 a 60 anos e mostravam total inaptidão social. Não sabiam se portar, eram agressivos, grosseiros, abusivos e amorais. Com colegas de trabalho e com os pacientes – idosos indefesos e vulneráveis. A partir daí, Nakamura deu início a um amplo e profundo estudo acerca desses indivíduos. O resultado de toda essa pesquisa culminou no livro Documentário: Virgens de Meia-Idade que, posteriormente, contando com o traço afiado de Bargain Sakuraichi, ganhou uma versão no formato mangá-documentário intitulado Virgem Depois dos 30.
Segundo Nakamura, estima-se que, hoje, no Japão, existam mais de dois milhões de virgens acima dos trinta anos de idade. Isto é, um a cada quatro japoneses ainda não se relacionou sexualmente com outras pessoas. E essa questão “individual” da virgindade tardia acarreta em um problema maior, um problema social e grave. Enquanto no Brasil, a sexualidade precoce é preocupante devido a inúmeros fatores – altos índices de gravidez na adolescência, abandono afetivo, riscos de contração de DSTs, e que, por sua vez, têm sua parcela de contribuição de impacto negativo em diferentes setores da sociedade (economia, educação e saúde pública) – no Japão, o problema é um pouco diferente.
Lá, os casamentos arranjados ainda eram comuns até à década de 1980. A prole gerada por esses casais de conveniência, é aquela que está atuando no mercado de trabalho hoje. Mas e amanhã? No Japão, decrescem os índices de matrimônio ano a ano e há um constante declínio na taxa de natalidade. Obviamente, esse quadro trará problemas no desenvolvimento econômico do país em um futuro muito breve. As pessoas irão começar a se aposentar e não haverá mão de obra para substituí-las. O Japão corre o severo risco de se tornar um país cuja população é composta majoritariamente por idosos. O cerne da questão: os virgens de meia-idade.
No ocidente, se popularizou nos últimos anos o termo incel, utilizado para definir os celibatários involuntários, membros de uma subcultura virtual, que se organizam e encontram em fóruns na internet, trocando experiências e expressando sua amargura resultante da incapacidade de encontrar parceiras românticas ou sexuais – quase sempre atribuindo a culpa de sua inabilidade de se relacionar afetiva ou sexualmente às mulheres, pintadas comumente como vilãs pelos incels. O comportamento tóxico, abusivo, misógino e radical acabou caracterizando esse grupo, pois alguns dos mais extremistas foram parar nas manchetes de jornais como responsáveis por agressões, feminicídio, massacres em escolas, cyberbullying e outros tipos de crimes violentos.
E, embora não mencione o termo propriamente dito, são esses indivíduos retratados na obra de Nakamura.
A virgindade não é a causa dos problemas desses sujeitos, tampouco pode ser culpabilizada pelos seus distúrbios. E o autor deixa isso bem evidente ao longo da narrativa. A virgindade, no caso, é uma das inúmeras consequências dos comportamentos antissociais, intolerantes, agressivos e doentios dos homens de meia-idade descritos no mangá-documentário. Essas condutas no dia a dia que acabam por agravar seus transtornos, dificultando ou impossibilitando a comunicação, o diálogo e as relações.
A palavra virgem, aparentemente, não se refere apenas à falta de sexo. O mangá aborda homens diferentes, com comportamentos, interesses e condições financeiras diversas, cuja unidade em comum é a virgindade. São homens que escolheram ser virgens porque acham que esse é um atributo precioso e que os torna raros, puros e distintos; e outros que tentaram, mas só conseguiram perder a virgindade na imaginação por temerem se aproximar de mulheres na vida real, ou cujas tentativas de aproximação foram desastrosas. Mas também são ilustrados na obra homens não virgens. Então, a palavra surge como um meio de classificar sujeitos com zero habilidade e total inaptidão para se relacionar socialmente. Eles são virgens de experiências sociais comuns. Por isso, o título do mangá não escapa de soar um pouco tendencioso, embora, deva admitir que também soe intrigante a ponto de despertar curiosidade e interesse no leitor. De qualquer maneira, o próprio autor afirma, ao final da obra, que os argumentos utilizados ainda são bastante crus, de modo que as pesquisas realizadas nesse campo ainda carecem de maior profundidade e de uma análise mais meticulosa.
Virgem Depois dos 30 também funciona como uma excelente denúncia do que acontece nos bastidores do setor de cuidadoria de idosos. Nakamura chega a expressar suas suspeitas de que funcionários problemáticos, pouco dedicados ou com comportamentos abusivos são contratados pelo setor para “resolver o problema previdenciário”, pois toda a negligência, a falta de atenção e de solidariedade por parte desses funcionários ajuda a diminuir a sobrevida média dos pacientes idosos. Nakamura é corajoso ao dar esse depoimento, pois, devido a ausência de mais provas, não passa de uma teoria do autor. Mas uma teoria que faz muito sentido.
Quanto à arte, é necessário ter estômago forte para digeri-la. O comportamento tóxico e abusivo dos sujeitos é ilustrado sem concessões. Há fortes cenas de bullying, automutilação, suicídio, degradação e rebaixamento moral. Há muito realismo no traço, em diversas passagens, mas Sakuraichi também abusa de um tom caricatural na composição gráfica dos personagens e que, por sua vez, acaba se mostrando um recurso acertado, pois corrobora o discurso e as atitudes dos tipos retratados no mangá. Sakuraichi é preciso na criação de uma atmosfera perturbadora. Não à toa, Nakamura apenas teceu elogios ao trabalho do ilustrador, uma vez que ele contou com poucas referências visuais e, mesmo assim, realizou um trabalho notável – segundo o autor, as características físicas dos sujeitos da vida real e das exibidas por suas contrapartes no mangá ficaram bem próximas.
Controverso, o Mangá-Documentário: Virgem Depois dos 30, roteirizado por Atsuhiko Nakamura, com ilustrações de Bargain Sakuraichi vale a leitura e a reflexão. A obra é bastante envolvente e o leitor não sossega enquanto não devora inteiramente o mangá. Lançado pela Pipoca & Nanquim, a edição impressa da obra conta com capa cartão com impressão metalizada e sobrecapa, miolo em papel lux cream 80 g/m² e 244 páginas.
Dans cet ouvrage, il me semble qu'un journaliste a fait illustrer quelques unes de ses chroniques par un mangaka. Chaque chronique raconte la vie d'un individu en particulier et explore la relation existant entre celui ci et son entourage ;à savoir sa famille, son entourage professionnel et les femmes. Chaque histoire présentée dépeint une personnalité plutôt misérable et qui fait froid dans le dos. Le tout participe a présenter un profond malaise social et de graves enjeux en ce qui concerne la solitude et la santé mentale au Japon.
Au final, le livre compile effectivement des histoires de puceaux de plus de 30 ans mais je trouve le titre un peu trompeur. La virginité des personnes présentées m'apparaît davantage comme une conséquence évidente de troubles de la personnalité liés à des incapacités de communication.
Existem muitas formas de encarar a realidade que nos rodeia, e uma delas é através da sua documentação, histórias contadas para justamente documentar a realidade e lançar luz sobre algum problema, dar sua versão dos fatos ou deixar um registro de um momento da história. Nakamura viu a situação de virgens de meia-idade no Japão atual e decidiu aprofundar-se nesse mundo.
Usualmente dito como um país mais tradicional e mais fechado do que os outros, o tema tabu do sexo não poderia ter outra forma no Japão. Porém, mais do que simplesmente documentar os relatos desses virgens, Nakamura se envolve com a história e tenta buscar na sua origem a razão pela qual isso está acontecendo e, empaticamente, tenta entender como essas pessoas chegaram nessa situação.
Traçando paralelos entre mudanças macro na sociedade, como a diminuição drástica de casamentos arranjados, com mudanças micro na forma de viver do japonês, cada vez menos dependente do mundo fora de sua casa, o documentário decide abordar um tema que muitos sabem ser a realidade no Japão, mas que preferem ignorar.
Apesar de cada relato contado ser único, facilmente consegue-se encontrar semelhanças nas suas histórias, como o bullying e o afastamento da sociedade como sendo um fator extremamente relevante para eles, assim como a pressão que eles sentem pela sociedade pela posição que eles ocupam, e os sentimentos que isso traz para eles desde solidão até raiva ou um sentimento de injustiça.
Os relatos são dos mais variados, com mutilação, tentativa de suicídio, questionamentos sobre sua sexualidade, culpa nas mulheres pela posição em que se encontram, muita idealização sobre a "mulher perfeita" que pode transbordar para amores em personagens fictícios e celebridades, e relatos de pessoas que conseguiram enxergar e buscar uma saída para o buraco em que estavam.
Muitas coisas incomodam no livro, mas os trechos sobre os cuidadores de idosos foram os que, para mim, mais me incomodaram. O livro é muito bem elaborado e montado, os relatos são diversos o suficiente e semelhantes na medida certa para uma continuidade na história. A ilustração é boa, mas em alguns aspectos não me agradou muito.
Por exemplo, todas as mulheres parecem ser desenhadas extremamente sexualizadas (apesar de que pode-se argumentar que é a visão desses virgens sobre as mulheres). O estilo de desenho dos "protagonistas" é sempre de alguém grotesco, feio e nojento, mas dado o afastamento e ataques que eles já sofreram da sociedade, essa representação pelo ilustrador talvez não ajude.
Fora isso, o mangá documentário é extremamente interessante e ilustrativo.
Essa é uma daquelas leituras que podem despertar alguns gatilhos.
Aqui, o autor traz à tona um tema que precisa de mais aprofundamento e estudos. Em seu convívio no ambiente de trabalho com funcionários de asilos no Japão, principalmente homens acima dos 30 anos, ele percebe comportamentos que entre eles é comum. São comportamentos nocivos que atrapalham a convivência e o trabalho de todos ao redor.
Assim, o autor foi identificando esses homens e descobrindo vários problemas e transtornos relacionados a tais comportamentos, entre eles o social, a falta de habilidade de comunicação, isolamento, comportamento agressivo tanto consigo quanto com os outros, abusos e o convívio com pessoas do sexo oposto quase zero.
São vários os fatores que o autor apresenta, além de todos os transtornos, o mundo moderno tem evoluído sobre relaciomentos, às pessoas não colocam mais como prioridade casamento e filhos, no Japão era comum se casar de forma arranjada, isso hoje em dia é algo bem mais difícil. O mundo on-line também cresceu e tentando fugir da realidade dura, muitos desses homens desistem de relacionamentos reais.
São temas importantes que o autor apresenta, os desenhos de representação são bem incômodos, traz sentimentos de repulsa sobre esses homens.
É uma leitura que pode proporcionar muitas reflexões então é bom conferir!
Très intéressant même si je ne sais pas si c'est lié à la traduction mais je trouve l'auteur parfois dur dans sa manière de qualifier certains des puceaux tardifs qu'il évoque... Je ne sais pas non plus comment prendre le fait qu'il considère qu'un centre de jour géré par des puceaux tardifs, reprises de justice et étrangers peut-être un en enfer. Au vu de son expérience et du récit, je comprends ses craintes pour le 1er cas, le 2ème reste à discuter, le 3e me fait tilter... Un série qui reste néanmoins très intéressante et évite l'écueil du récit purement didactique.
Falar de Virgem depois dos 30 é um negócio complicado. Não é um mangá facilmente digerível e tem vários pontos polêmicos o qual o autor entrou, mas não entrou fundo o suficiente. A verdade é que se trata de um documentário na forma de mangá que fala a respeito desses personagens que ele pinçou aqui e ali para dar depoimentos acerca de várias situações sociais como o otaku, o fã de idols, o abusivo, o suicida. E ele parte de uma experiência própria para fazer seus estudos, já que o primeiro caso é ligado a uma pessoa com a qual ele teve contato direto na clínica-dia para idosos. Lembrando que esse mangá é uma adaptação em quadrinhos do livro de não-ficção escrito pelo autor.
Antes de mais nada, deixa eu focar na edição do Pipoca & Nanquim. O mangá foi o primeiro do selo Drago, que hoje é considerado um grande sucesso e se destaca pelo cuidado editorial. Algumas pessoas reclamam do valor do mangá, um pouco acima dos “mangás de banca”, mas gostei da diagramação, da escolha do papel e até da colagem. Alguns mangás são bem complicados de se manusear por conta da colagem. Já perdi vários deles desse jeito, com páginas descolando, não sendo possível abrir completamente (que o digam os volumes de Lobo Solitário que é uma porcaria absoluta). O papel escolhido ajuda a ressaltar o pincel do artista, além de ter uma textura gostosa e não caírem naquele velho problema da transparência. A capa de papel comum por baixo da sobrecapa é muito bonita e gostei que a editora não colocou o título na arte da capa, deixando apenas a imagem. Boa mesmo. Outro ponto positivo, que não deveria ser ponto positivo já que todas as editoras deveriam lembrar de fazer, é que na capa a editora informa o aviso de gatilho emocional. Parabéns ao Pipoca e Nanquim pela preocupação. Aliás, os meninos do PN que me desculpem, mas parabéns não... é complicado a gente parabenizar algo que deveria ser comum. Mas, okay.
A arte em si chama a atenção sim porque apela para o grotesco. E isso é totalmente proposital porque se mescla com a própria narrativa do autor. Sakuraichi consegue surpreender com modelos diferentes de design de personagens. Claro que a gente vai se focar nos semblantes dos personagens, mas esqueçam os rostos grotescos por um segundo e pensem em como é difícil bolar os modelos de corpo que ele usou. Não são os mesmos e variam desde tipos mais obesos a outros deformados. Mulheres com silhuetas exageradas seja demonstrando uma beleza sensual ou um nível de normalidade com corpos flácidos, encurvados ou apenas comuns. Os cenários também são saídos de Tokyo e o meu destaque fica para a representação de Akihabara. Está bem fiel e é possível comparar com fotografias. No resto, ele consegue dar destaque a cenários fechados, como a bagunça na casa do otaku ou o quarto arrumadinho do viciado em idols.
Sobre o tema do mangá em si, não vou me dedicar a falar a seu respeito porque são tantos assuntos diferentes que daria para passar dias falando: assédio moral, auto-mutilação, suicídio, stalking, bullying. O que quero pontuar é minha opinião sobre o método de pesquisa, algo que me deixou um pouco preocupado. Só para pontuar, sou um historiador social e meu trabalho girou no emprego da metodologia sociológica, então tenho familiaridade com a abordagem oral, ligada a depoimentos e gravações. Um cuidado que Nakamura não tomou é o de não se envolver com o seu objeto de pesquisa. Sei que falar de imparcialidade em pesquisas ligadas a humanidades é uma falácia absoluta, mas quando nos envolvemos a fundo com nosso objeto ou quando deixamos que ele nos direcione, perdemos o fio da meada. Em vários momentos, quando o autor não estava envolvido de forma direta, ele conseguia nos apresentar bem a sua proposta, apenas relatando como em uma matéria de caráter jornalístico. Mas, volta e meia ele tirava conclusões com base na sua experiência, o que criava algumas informações complicadas de digerir e generalizações duvidosas. A própria noção de Virgem de Meia-Idade já é algo discutível porque podemos perceber algumas dessas características muito cedo em algumas pessoas. Ou seja, a idade em si não é parâmetro, já que as características sociais dos envolvidos já estavam construídas e delineadas bem antes de eles fazerem trinta anos. Fora que alguns dos estereótipos que ele apresenta na narrativa também são discutíveis e partem de generalizações. Afinal, existem viciados em idols que desenvolvem relações amorosas e mantém algumas das características presentes no mangá. Em Sociologia, quando trabalhamos com agregados sociais, se procura evitar ao máximo criar “regras”. Analisamos dentro de um contexto específico, a partir de uma união de vários aspectos como contexto, criação, ambiente, relações... tudo isso tolda e dá o cimento para a pesquisa se sustentar.
A pesquisa do autor é muito boa e nos permite tirar algumas conclusões interessantes. Porém, as generalizações que ele faz e a falta de cuidado com alguns temas produzem efeitos perigosos. Entendi que a ideia do mangá-documentário é apresentar as informações do livro de não-ficção do autor de uma forma mais descontraída e engraçada para que o leitor não mergulhe em informações tão específicas. Porém, é justamente esse o motivo da minha preocupação. Ao não fornecer as informações específicas, as conclusões acabam soando rasas e até preconceituosas em alguns casos. Não digo que as figuras bizarras apresentadas na trama não existam... muito pelo contrário. Só a minha preocupação é que tiremos conclusões fechadas a partir desse nível mais superficial de informação. O que não pode acontecer.
L'auteur utilise un point de vue (trop ?) personnel pour décrire le phénomène des "puceaux tardifs" au Japon sous forme de différents portraits. Le lecteur n'est pas épargné pendant le plongeon dans un Japon dont on ne soupconait pas l'existence.
“A individualização da sociedade, nuclearização das famílias, baixa natalidade, menos casamentos acontecendo, menos pessoas se conhecendo em casamentos arranjados, o aumento da informalidade no trabalho, o colapso dos valores familiares, a pobreza econômica, a pobreza dos relacionamentos humanos… a grave falta de recursos humanos na indústria de obra intensiva e o avanço da participação feminina na sociedade, entre vários outros fatores sociais, geraram os virgens de meia-idade”
Acho que começar a resenha com o trecho acima de uma passagem do mangá já determina o tom que o mesmo irá apresentar. Apesar do nome cômico, lembrar o filme caricato do Steve Carell - O Virgem de 40 anos - o mangá apresenta uma problemática, que para muitos (incluindo essa leitora) passa desapercebida pela sociedade.
O conceito “virgindade” é um assunto tabu de conversar, e para tirar o elefante do meio da mesa, não há nada de errado em uma pessoa ser virgem, ela escolher o celibato, a questão aqui retratada é da virgindade como consequência de uma via dupla: da sociedade e do “virgem”.
Os exemplos que temos ao longo do documentário são homens, que desde a infância sofrem por viver a margem da convivência social, seja por questões familiares, seja por bullying na escola. A questão é que a sociedade, apesar dos discursos de inclusão, não sabem lidar bem com as diferenças.
Mas essa rejeição social cria outro tipo de problema, a maneira que eles recebem e não recuperam do baque dos bullying sofridos, contribui significadamente para esse afastamento social, levando a virgindade.
Eles se tornam pessoas de difícil convivência, sem saber se comunicar, aceitar críticas ou se auto avaliar, pois passaram a vida toda servindo de saco de pancada para os “legais”.
O qual o problema social disso, como dito no início da resenha, esse comportamento afeta a sociedade alimentando hábitos negativos, transformando-a em uma sociedade fria, pessoas extremamente individuais, sem calor humano, se apegando a vida bidimensional, alimentando comportamentos sexuais inapropriados, como o uso excessivo de pornografia, contribuindo com objetivação da mulher e enriquecendo a indústria pornô.
Então, podemos dizer que a perda da virgindade contribui para o bem estar social? A resposta é não, primeiro que a virgindade é um escolha. Segundo que podemos pegar exemplos de países, como o Brasil, em que cada vez pessoas mais jovens perdem a virgindade. E qual a consequência disso?
Temos uma sociedade que a juventude está adultizada, pessoas com idades inapropriadas realizando ato sexual, a banalidade de como o assédio é tratado (a culpa é da roupa dela), gravidez na adolescência - pessoas sem estrutura emocional e financeira gerando uma vida - aumento do abandono de bebês e vários outros problemas.
O mangá traz essas reflexões, e como ele é um documentário ele não apresenta solução, mas ele serve como ponta pé inicial: falar sobre o assunto!
o título e a arte caricatural podem até dar a entender que se trata de um mangá humorístico, mas não se engane: essa foi uma das leituras mais assustadoras e engatilhantes que fiz recentemente.
nakamura fazia crônicas eróticas; quando perdeu o cargo, foi pro cuidado de idosos. lá, interagia com um homem de mais de 30 anos, virgem, que era insuportável: abusava verbalmente de subordinados, mentia, não aceitava ordens. foi aí que nakamura passou a estudar os virgens de meia idade
o mangá não trata a virgindade como escolha: explora como o problema social que ela realmente é no país: 1/4 dos homens entre 30 e 50 anos do japão são virgens. isso se deve ao fim dos casamento arranjados e à mentalidade desses homens, que geralmente desenvolvem transtornos psiquiátricos.
são entrevistas reais com 8 homens. explora o mundo fantasioso em que vivem, seu orgulho, sua misoginia, sua timidez extrema. um deles é um famoso direitista da internet. outros têm seus desejos sexuais saciados por garotas de anime e idols.
"virgem depois dos 30" não se restringe à condenação: o mangá estuda os traumas que tornaram essas pessoas quem elas são: familiares abusivos, bullying intenso na época de escola, obsessão por estudos.
li com um nó na garganta. um dos homens vive num cubículo que só tem uma cama e um computador para ver animes. outro se "forçou a ser gay" por ter pavor das mulheres. um deles passou a se automutilar. são várias as tentativas de suicídio relatadas. fica o alerta de gatilho.
A união do mangá/dos desenhos com a integração ao documentário/as informações foi legal de se ler e ver.
Confesso que o primeiro virgem é um personagem/pessoa real que, se eu conhecesse no dia a dia, iria odiar tê-lo conhecido pois ele é a própria definição da palavra escroto.
O segundo me causou uma aflição danada com essa mania dele de automutilação (embora eu entenda que seja uma doença e um problema sério na sociedade atual).
Terceiro foi alguém com quem eu senti uma real empatia. Quarto, são na verdade dois, e é a pura realidade dos otakus de hoje. Só respeito para esse grupo.
Quinto, "mais gente não sei nem o que dizer". É puramente comum esse histórico dele gerar traumas mas não sei, acho que ele pode ser homossexual mesmo não?! Ou então (ao menos) bissexual. Não que isso iria afetar alguma coisa mas né só falando.
Virgem depois dos 30 é um manga necessário. Na busca pro entender como se constrói a masculinidade esse mangá-documentario ajuda a entender como a toxicidade masculina pode se manifestar afetando a vida dos homens e a sociedade ao redor dele. Ainda é possível ver como o capitalismo alimenta e se alimenta desses aspectos da tóxicos da masculinidade.
Outro fator interessante é o próprio formato do mangá, que transforma um livro documentário em um quadrinho, algo inédito pra mim.
As ressalvas ficam sobre os esteriótipos construídos ( resultados pelos desenhos) e também sobre o machismo do próprio autor, que pode ser percebido em alguns momentos do quadrinho.
I almost gave up on this read when I was already 70% through the book but I decided to speed read the last 30%.
I understand this is a manga documentary that is trying to raise awareness for a serious issue but the way these guys are portrait in these stories is just too nasty.
These people are portrait as really nasty, disgusting human beings with really problematic personalities, and maybe this is actually close to reality, I don't know. But it's just too hard to read.
If the goal of this manga is to shock people, then it was successful. I doubt some people will be able to even finish this manga.
Unless you're really interested in this subject, I don't recommend this at all. To be honest, I regret reading it. I feel like I need to bleach my brain right now.
This is a heavy manga. Very graphic. With a lot of shocking content.
The only reason I don't give it a worst rating is because I can still understand the importance of the message written here and the value of the content. That's it.
On hindsight, I should probably have read only a couple of chapters per day at most as this is really heavy content. Maybe I'll reread some of these chapters in the future and maybe I'll give it a better rating but right now I just want bleach my brain, maybe my soul.
le sujet et les témoignages font froid dans le dos et montre une facette peu reluisante de certains hommes japonais et certaines dérives de la société japonaise. Le dessin est loin du manga traditionnel, on est plus proche du réalisme, mais également dans une forme de caricature des personnes dessinées. Ce dessin m'a souvent mise mal à l'aise parce qu'il tourne en ridicule ces personnes et certaines situations qui sont graves et malaisantes. Bref, c'était à la fois intéressant, glaçant et éprouvant à lire.
O mangá é muito bem escrito e desenhado. Gostei, particularmente, das explicações pós-capítulos do autor do documentário original (sem ser um manga). Gostei bastante do traço da arte do desenho, porém o fato de todos serem retratados de modo repulsivo me incomodou um pouco. E os peidos toda hora também. Entendo que muitos tinham um problema com a higiene pessoal, mas acredito que existiam ali uma variedade de possibilidades de retratar tais situações (não só com peidos). No geral, foi uma ótima experiência. Pipoca e Nanquim sempre arrasam na edição física, que é caprichadissima.
Un reportage tragicomique. A travers quelques portraits d'hommes au ban de la société, l'on s'aperçoit qu'il ne s'agit pas de cas isolés et qu'ils sont victimes d'une société qui les a mis au rebut. La validité de la démarche sociologique n'est peut-être pas scientifique, mais le regard sans complaisance sur ces hommes est édifiant. Le dessin énergique, presqu'à la limite de la caricature (peut-être le défaut de ce livre) de Sakuraichi rend la lecture de ce document passionnant.
Foi um mangá-documentário interessante. Nunca tinha parado pra pensar no problema que a virgindade na meia-idade poderia causar, muito menos que existiam tantos virgens de mais de 30 anos por aí A única coisa que me deu certo incômodo foi a parte de alguns desenhos, mas não deixa de ser importante. Acho que se mais pessoas soubessem desse problema, talvez houvesse uma "solução" para a consequência que fica na mente desses virgens
Eu achei super interessante a ideia de escrever um documentário em forma de mangá. O conteúdo é bastante perturbador, porém muito instigante e bem trabalhado. A leitura nos prende, os desenhos são realistas e o desenvolvimento de cada capítulo é explicado no final, com comentários do autor sobre o que gerou aquela situação e análises a respeito.
Difficile de donner une note à ce livre... La plongée dans cet univers alternatif est carrément malaisante et dévoile une facette peu reluisante de la société japonaise en particulier et de l'Humanité en général. Les dessins, parfois presque caricaturaux, renforcent ce sentiment de dégoût général. Si le sujet n'est pas inintéressant, il est à réserver à un public averti
Adoro o fato de ser um gênero que eu não conhecia, a conversão de um artigo josnalístico em hq, mas a natureza desse gênero é que não tem conclusão, só informação, apesar que o formato adiciona empatia a difícil temática da hq.
Uma etnografia sobre as mudanças impactantes na cultura japonesa e seus desdobramentos nas masculinidades vigentes. O livro é um retrato nu e cru de um fenomeno social preocupante no japao, e dá pano para a manga sobre as relaçoes de genero em uma cultura que apenas de forma aparente é recatada