Este não é um livro sobre a história do butō ou uma biografia do seu criador Hijikata Tatsumi. É uma narrativa poético-corrosiva que faz questionar (quase) tudo o que foi falado sobre essa dança. Ao criar atravessamentos entre uma escrita autoral e fragmentos assombrados pela Dançarina doente – o livro-performance de Hijikata – Uno inventa uma “metodologia” costurando pensamentos, gestos, imagens e lembranças. É assim que se apronta para observar e perfurar o corpo até não ter mais para onde fugir. Neste território sombrio, a fragilidade singulariza o movimento e faz emergir uma consciência da natureza, não restrita à humanidade mas com aptidão para iluminar os processos de desumanização. Trata-se de uma revolta da carne. Do momento em que vida e morte se esfregam no corpo que dança para refazer a gênese subversiva de seus movimentos. [Christine Greiner]
Definitivamente um livro sobre butoh - sobre a dança, a morte, a doença. Encontrei coisas que buscava há um tempo e que não imaginava que encontraria ali. Também é um bom livro para pensar o significado de devir. Uma exigência pessoal: o "problema" é que Uno Kuniichi é acadêmico quando poderia haver só poesia. O projeto gráfico da editora n-1 é lindo, mas penso que poderiam ter incluído mais imagens no corpo do texto. As fotografias desse livro (seu movimento) me inspiram, mas ainda é cedo pra falar sobre isso.