Eis aí um assunto tantas vezes evitado, em grande parte por causa de nosso presbiteriano espírito fraternal, que nos leva a nos abstermos de controvérsia com irmãos. Contudo, como o assunto é tão explorado pelos irmãos em Cristo que de nós divergem — e divergem porque não conhecem pontualmente o ensino bíblico — é justo que sejam esclarecidos os crentes que não atingiram ainda a compreensão necessária do ensino bíblico sobre o batismo infantil. Antigo missionário, professor numa grande casa de ensino teológico, o Rev. Philippe Landes une a cultura sólida e amor às almas e dá-nos, com este volume, um estudo seguro e útil.
Eu vim de uma criação dentro de igrejas neopentecostais, então, tinha péssima referência sobre o cristianismo protestante. Apesar desse turbilhão de loucuras teológicas, aprouve a Deus ter misericórdia de minha vida, dando-me sempre uma mente curiosa e indagadora, voltando-me sempre às Escrituras para discordar de muita bizarrice que via. Dessa forma, fui pessimamente ensinado sobre batismo, isto é, sendo ensinado que o batismo era algo regenerador, parecido com a visão romana. Além disso, fui ensinado que batismo só era válido por imersão e não deveríamos batizar crianças, porque não tinham como "aceitar a Jesus", além de ser "coisa de católico".
Enfim, o livro traz bons argumentos, acredito que o resumo da ópera, somando-se com o que já aprendi em minha igreja local atual (sou hoje cristão reformado, membro da igreja Presbiteriana do Brasil), é que o batismo é um símbolo visível de uma graça invisível, que é a regeneração efetuada por Deus, por meio do Espírito Santo. O batismo não é místico, mas um "ritual" (sem misticismo) religioso que aponta que aquela pessoa faz parte da comunidade cristã. Para isso, traça-se um paralelo com o símbolo da antiga aliança, no caso, a circuncisão.
Pensando dessa forma, é bem racional pensar que filhos de cristãos devem ser batizados, porque pressupomos que fazem parte da comunidade cristã também e que vão ser criados como cristãos, assim como os judeuzinhos eram criados para serem judeus e não gentios pagãos.
De ponto negativo do livro, acho que resumiria em duas coisas:
1 - O autor acha que filhos de cristãos são regenerados, mas acho precipitado dizer isso. Ele tenta argumentar, diz das responsabilidades dos pais, etc., mas não cola muito para mim, porque devemos respeitar o princípio da eleição incondicional.
2 - O autor argumenta que crianças inconscientes (ex.: bebês) são automaticamente regenerados em caso de morte na infância. Não acredito nisso, pelo mesmo princípio do ponto anterior. Deus é soberano, se um ser humano nasce pecador, sendo bebê, se morrer antes de poder ter fé, caso seja eleito, é regenerado; caso não seja eleito, a condenação padrão como todo ser humano tem, permanece sobre ele.
Enfim, posso estar errado, mas é o que acredito atualmente, posso mudar meu ponto de vista no futuro. Não deve ser a coisa mais simples, eu sei, porque tive muitos problemas com o ponto da eleição incondicional e com Romanos 9, mas ninguém disse que seria fácil aceitar como é o Deus que a Bíblia ensina do "deus" ensinado pela boca dos movimentos de heresias populares. As pessoas hoje não conseguem admitir de ouvir que são pecadores, quem dirá aceitar a soberania suprema de Deus?
Enfim, livro bacana, meio com linguagem de velho, rs, porque é antigo. A versão Kindle, que li, tem uns erros de edição, cheguei a apontar, espero que a editora corrija, mas nada que afete a leitura, até porque, há uma linguagem bem erudita, ajuda a ganhar vocabulário, mas pode não ser tão acessível para os que possuem menos educação (na verdade, nem é pelas referências, mas pelo linguajar).