Após ter sido obrigado a se aposentar pela empresa onde trabalhou a vida inteira, Roberto Bevilacqua decide deixar o Brasil e se mudar para a Itália. Assim, planeja viver seus últimos anos em Roma, acompanhado apenas de remédios e lembranças. Ele só não conta com um milagre televisivo e com uma amizade que, entre um vinho e outro, vai redefinir o seu modo de encarar a vida, o tempo e o amor.
* Conteúdo exclusivo para a edição digital, que inclui posfácio e filmografia completa de todas as obras cinematográficas referidas no livro.
"Krause tem apurado olhar sobre a condição humana, que emociona e emerge de seus textos sem que haja a deliberada intenção de comover o leitor. Como em Pasta senza vino, seu celebrado livro de estreia, Brava Serena constrói pontes entre Brasil e Itália para tecer uma história arrebatadora." Robertson Frizero, escritor, tradutor e dramaturgo
"Brava Serena" é, sem sombra de dúvidas, uma história sobre a personagem que conhecemos logo no título e, também, no primeiro capítulo - de uma maneira nada convencional -, a tal da Serena. Claro, nós também temos o Roberto Bevilacqua, o narrador, mas, depois de terminado o livro, tenho minhas dúvidas de se ele é o personagem principal.
Quem sabe dê pra dizer que os dois, Roberto e Serena, dividem a função nessa história tão aconchegante e agradável de ler. A verdade é que acompanhamos todos os acontecimentos sob os olhos do Roberto, até porque, como eu disse, ele é o narrador de praticamente tudo. E ele é uma figura e tanto: um senhor de idade que, aposentado, decide ir morrer na Itália - ele realmente diz que foi à Itália para morrer, não é brincadeira, não. E eu entendo perfeitamente esse desejo dele; na pele dele, eu faria a mesma coisa, mas provavelmente iria a Veneza.
Eu realmente esperava que teria um trecho substancial da história que se passasse em Veneza (a cidade mais maravilhosa da Terra), por conta do título do livro e o fato de esse lugar ser chamado de La Serenissima. Mas acabou que a sereníssima mesmo é a própria Serena, mesmo que ela não seja lá muito serena. Ela é um furacão que faz uma bagunça em todos os lugares aos quais vai, uma personalidade marcante que nunca passa sem deixar sua marca - inclusive nos leitores. Pela metade do livro, comecei a ficar com receio de ela ser uma daquelas "Manic Pixie Dream Girl" das quais já ouvi falar - essas personagens que existem unicamente para inspirar os protagonistas masculinos e não têm uma vida de verdade dentro da história que não seja para guiar o homem -, mas aí veio um miraculoso capítulo com a mãe dela no qual muito sobre ela é explicado, e isso me tranquilizou.
Achei bacana como começa e avança a amizade entre o Roberto e a Serena, que é bem inusitada. A surpresa dele a várias das atitudes da moça se reflete no leitor em vários momentos, e o fato de ele ser um idoso com um estilo antigo e pensamentos antigos é várias vezes trazido à tona. Ele tem seus preconceitos aqui e ali e transmite isso em algumas coisas que fala, e é a Serena que o ajuda a perceber que esses são, mesmo, preconceitos. E ele repensa a respeito disso e evolui.
Roberto é um personagem que se modifica ao longo da história, mesmo que em alguns casos não seja para melhor - como quando para de tomar seus remédios receitados! Dentro da história, faz todo sentido, e eu concordo 100% que é melhor se deliciar com as maravilhosas refeições italianas do que passar o resto da vida em dieta logo em plena Itália, até porque ele mesmo diz, de novo, que foi até lá pra morrer. Mas, na vida real, eu sendo certinho como sou, provavelmente teria um ataque de ansiedade em uma situação dessas.
A Serena, por outro lado, acaba não mudando muito, se mantendo com esse estilo libertino que conhecemos logo no começo do livro - mas, junto com o amigo dela, vamos conhecendo essa personagem melhor conforme as páginas passam, e começamos a entender por que ela é como é. E passamos a nos identificar com vários pontos dela, e a sentir uma empatia muito grande com ela.
Vale dizer também que o livro trata bastante a respeito de sexo, o que eu não imaginava a princípio, mas isso é feito muito bem e dentro do estilo da narrativa, sem excessos. De uma maneira geral, a experiência de leitura toda é bem balanceada, como uma boa refeição, e dá pra degustar cada capítulo como um prato diferente, maravilhoso à sua própria maneira.
"Brava Serena" foi uma leitura sensacional, mais do que recomendada, e já agora estou ansioso para ler outros livros do Eduardo Krause. Vou começar, é claro, com "Pasta Senza Vino", primeiro livro dele, que aparentemente também vai trazer muita comida boa!
Tudo o que envolve a Cultura Italiana no livro é muito interessante. O livro é divertido e tem boas reflexões. Mas é bem óbvio que foi escrito por um homem hetero. É difícil engolir a caracterização da personagem feminina principal, completamente inverossímil e fetichizada. A gente já entendeu que a moça é dona da própria sexualidade. Não precisamos de mais uma cena na qual ela se comporta como uma mulher irreal, tipo aquelas dos filmes pornôs. Na dúvida, é só lembrar que mulheres na vida real desempenham papéis bem mais diversos, e que não existem apenas pra causar uma ereção.
Já perdi a conta de quantas vezes indiquei ou comentei para alguém desse livro, mesmo antes de acabar 😜 O autor gaúcho, assim como o personagem Roberto, narra de um jeito engraçado, leve e nada cansativo, incluindo na história algumas de suas próprias vivências no país. O final (que não vou dar spoiler) me emocionou e surpreendeu. O livro transborda a cultura Italiana em frases do idioma, comida, vinhos, lugares, músicas e filmografia. Essa história, que já deixa saudade, me prendeu do início ao fim e me deixou mais perto da Itália 🇮🇹 💚 Afinal, todos deveríamos ter um pouco de Roberto e um pouco de Serena em nós ☺️🤌🏻
A vida é muito curta pra perder lendo velho chato. Insuportável. Que cara MALA. Eu não tava nem aí pra absolutamente nada que ele falava. Acho que nunca larguei um livro tão rápido (12%).
O livro me surpreendeu, depois de ler algumas críticas ruins minhas expectativas estavam bem baixas. Mas achei a história muito interessante e os personagens bem construídos. A minha única decepção foi o final, achei “amarradinho” demais, explicado demais, como se houvesse uma necessidade de dar um final “feliz” pra todos os personagens, o que era desnecessário. Mas no geral foi uma leitura bem agradável que me prendeu.
Brava Serena é um belo livro sobre o fim da vida e as aventuras que ainda dá pra viver nessa fase. As personagens principais, Roberto e Serena, são ótimas. Ele, sagaz e frágil ao mesmo tempo; ela, quase uma Lisbeth Salander, aparentemente sem freios nem limitações. A caracterização dos estudantes no curso de italiano em intercâmbio é bem divertida, fiel à realidade. O final é ótimo, apesar do artifício pouco original de um terceiro explicar em detalhes como as coisas se passaram, mas nada que atrapalhe a experiência.
Brava Serena conta o ocaso da vida de Roberto, senhor idoso e respeitável, após uma vida certinha e uma viuvez precoce, ele decide passar o que lhe resta de vida na Itália, país onde foi feliz durante os seus vinte e poucos dias de lua de mel. Roberto resolve revisitar os locais onde foi com a falecida esposa há uns 40 anos, na tentativa de relembrar seu rosto: sua única lembrança dela é uma foto desbotada. Na Itália ele conhece Serena, um espírito livre, com 20 e poucos anos de idade, que o adota e ensina italiano (que ele até sabia, mas não fala há anos). Eu queria conseguir por em palavras meus sentimentos em relação a esse livro, mas sou incapaz. Já falei aqui que algumas leituras a gente só sente mesmo. Mas eu tenho que dizer que o final é emocionante e eu não sabia se ria ou chorava e terminei o livro perguntando azamigas se já podia ler de novo
comecei titubeante. achando o personagem chato, caricato, a coisa toda meio fora de tom. terminei grudada na história, totalmente envolvida em saber onde ia dar.
a primeira impressão não passou: são muitos clichês, muitos padrões, um texto que as vezes é explicativo demais, literal demais. pra quem também é do RS, de família italiana, desceu ainda mais esquisita essa exaltação da cultura italo-brasileira. um bairrismo que hoje não cai muito bem.
mas, dito isso, a história envolve. os personagens principais chamam nosso afeto, sei lá porque. e a ideia de visitar alguns lugares pela imaginação também captura.
Brava e Serena, de Eduardo Krause, é uma dessas histórias que prendem o leitor do início ao fim, com uma narrativa envolvente e cheia de emoção.
Roberto Bevilacqua, um viúvo solitário, vê sua rotina mudar drasticamente ao ser forçado a se aposentar. Decidido a recomeçar em outro lugar, ele abandona o Brasil e parte para a Itália, com a intenção de passar seus últimos anos em Roma, tendo apenas seus remédios e arrependimentos como companhia. No entanto, o destino lhe reserva uma surpresa: uma amizade inesperada, regada a bons vinhos, que o conduzirá a uma jornada tão imprevisível quanto transformadora.
O livro começa bem, é bonito e com uma excelente ideia, mas seu desenvolvimento não me agradou. Trabalhar as diferenças entre as gerações e, em especial, o evelhecimento, são temas sem dúvida interessantes. Em especial o segundo, a pensar as limitações físicas e alimentícias, e a solidão em uma vida prenhe de memórias daqueles que já se foram e arrependimentos. O livro segue esta linha, mas tem um enfoque reduzido a muitas descrições de alimentos, pensamentos factuais (terá um trovão, ficou me olhando etc.) e pouco desenvolvimento desses temas que sempre aparecem, mas não deslancham. Achei haver uma intensa romantização também com a Itália e detrimento do Brasil em algumas passagens. Duro nesta altura do campeonato. A escrita é boa e o livro bastante fluido.
Um romance delicioso (que inclusive nos enche de vontade de comer massas e queijos e beber um bom vinho, tão bem escritas são suas cenas gastronômicas), com diálogos interessantes, filosóficos e, muitas vezes, tocantes. Além disso, serviu de incentivo para continuar meus estudos em italiano e um dia visitar os pontos de Roma pelos quais os personagens passam, em cenas muito bem descritas, ao mesmo tempo detalhadas e dinâmicas. Cheguei a me emocionar no início e no fim da leitura, algo raro e que considero sinalizador de um belíssimo livro. Viva a literatura contemporânea gaúcha!
Último livro de 2023 e primeiro de 2024, e não poderia ter escolhido uma leitura melhor. Gostei muito de acompanhar os últimos momentos de vida do Roberto e da sua amizade com a nada convencional Serena. A narrativa é tão rica de detalhes que foi como se eu estivesse na Itália saboreando um delicioso vinho e uma saborosa pasta. Esse livro foi uma bela surpresa, uma viagem e uma experiência sem sair do lugar. Foram muitas emoções, e entre sorrisos e surpresas, boas reflexões. Me emocionei nas últimas páginas e já estou com saudade da dupla ítalo-brasileira… 🥺
Indicação de leitura do meu amor, não tem como dar errado… livro leve, atraente, sem firulas e com tudo que se espera de um bom texto: fixação, vontade de ler, surpresas e aventuras no desconhecido. Me fez sentir na Itália, pela ótima descrição e fusão da história com os personagens, sendo a cidade também uma parte de tudo isso. Enfim, um livro sincero, “bravíssimo”, que entrega tudo de bom ao leitor.
Um livro gostoso de ler. Gostei dos personagens e de como se complementam. Bonita a historia de Roberto, que no fim da vida consegue repensar suas escolhas, reviver momentos e relações importantes, e fazer escolhas conscientes de como viver sua vida.
Me surpreendi com a leitura. Iniciei sem expectativa alguma e, aos poucos, fui me deixando levar por Roberto e Serena e descobri uma Itália cheia de sabores e cheiros e uma história de amizade muito inspiradora.
Que leitura mais deliciosa, não dá vontade de parar de ler. Os personagens são super interessantes e se passa na linda Itália. Tudo tão bem descrito que da para imaginar certinho, tipo cena de filme.
O que a gente faz quando não há mais nada a fazer? Vive a vida intensamente, um romance sensível, com boas reflexões, uma grande aventura e a Itália como cenário delicioso
Brava Serena e um daqueles livros que voce se apaixona pelos personagens e que me fez querer pegar o primeiro voo rumo a Italia so para visitar os mesmo lugares que Roberto. Li um capitulo por dia, bemmm devagar porque nao queria que acabasse. Fiquei apaixonada pela historia e pela narrativa, bem leve e fluida, um livro para ler numa tarde ou em um final de semana.
Brava Serena é um dos melhores livros brasileiros contemporâneos. Recomendo lê-lo com uma taça de vinho é uma trilha sonora italiana.
É um livro sobre a saudade, sobre a busca incessante por um passado feliz, por um tempo idílico e impossível. Transitando entre primeira, segunda e terceira pessoa, a prosa nos leva a compreender as dores recônditas do velho Roberto (ou seria Marcello Mastroianni?), amante eterno da sua falecida esposa, e pai apático. Nas ruas de Roma, Roberto redescobre-se a si mesmo e re-experimenta, sem nenhumas amarras, os seus tempos felizes em Roma.
Nas diálogos imaginários com sua falecida esposa, uma serena expressão de liberdade nos é oferecida:
- Então diga, Alice… o que a gente faz quando não há mais nada a fazer ? - Essa é fácil. A gente faz o que tem vontade.
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