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As vidas de José Bonifácio

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"O Brasil não precisa de heróis ou ídolos, pois, bem sabemos, eles têm pés de barro. O que precisa é conhecer a história de homens de carne e osso que nos ajudem a compreender tanto o seu percurso no passado quanto a época que os produziu. É a sua complexidade que os faz se destacar no cenário. Bonifácio foi além e quis atravessar o esquecimento. Ele construiu a própria história" – Mary Del Priore

Conhecido como o Patrono da Independência do Brasil, José Bonifácio é uma figura histórica tão fascinante quanto enigmática. Sua aura de mistério intrigou inúmeros pesquisadores, que buscaram encontrar em sua trajetória qualidades e feitos que comprovassem seu heroísmo, sua genialidade, seu patriotismo.

Ao procurar entender quem foi o homem por trás do mito, no entanto, a historiadora Mary Del Priore descobriu não o super-homem que seus pares procuraram, mas um personagem de seu tempo, cheio de contradições e dilemas, forjado – como qualquer um de nós – pelas circunstâncias da vida.

Se algo conduziu fortemente o destino de Bonifácio, foram sua ambição e sua curiosidade, que o levaram a viajar incansavelmente entre Velho e Novo Mundo. Em suas andanças, ele conviveu com noções de liberdade e escravidão, explorou o meio ambiente, conheceu povos indígenas. Desejou conquistar o mundo e alcançou mais do que as circunstâncias podiam lhe oferecer.

Com uma narrativa envolvente que se assemelha à de um romance, repleta de citações históricas e casos pitorescos, As vidas de José Bonifácio deixa claro por que Mary Del Priore ocupa um lugar de destaque na divulgação da História do Brasil ao grande público.

328 pages, Paperback

Published March 18, 2019

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About the author

Mary del Priore

63 books85 followers
Mary del Priore, ex-professora de história da USP e da PUC/RJ, pós-doutorada na École des Hautes Études en Sciences Sociales, de Paris, tem 29 livros de história publicados, sendo o mais recente Uma breve história do Brasil, escrito com Renato Venancio e lançado pela Planeta em 2010. É vencedora de vários prêmios literários nacionais e internacionais, como Jabuti, Casa Grande & Senzala, APCA, Ars Latina, entre outros. Colabora para jornais e revistas, científicos e não científicos, nacionais e estrangeiros. É sócia titular do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e do PEN Club do Brasil. Atualmente, leciona na pós-graduação de história da Universidade Salgado de Oliveira.

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Displaying 1 - 9 of 9 reviews
Profile Image for Monica.
134 reviews15 followers
June 8, 2019
O que eu buscava com a leitura deste livro eu consegui: conhecer melhor a vida de José Bonifácio e entender as razões pelas quais ele perdeu prestígio político e acabou sendo afastado do cargo de tutor do Príncipe Regente, futuro Pedro II. Está tudo bem explicado no livro, com documentos e cartas que sustentam e esclarecem os fatos. Também gostei muito das ilustrações que acompanham o livro, com belas paisagens e cenas da época. É um momento fascinante da história do Brasil, que nos faz refletir sobre o momento de forte polarização política que vivemos nos dias atuais, onde a emoção quase sempre se sobrepõe à razão e a busca pelo poder e os interesses pessoais estão acima do trabalho pelo bem comum. Leituras como esta ampliam a visão acanhada dos fatos históricos que recebemos na maioria de nossas salas de aula, sendo portanto sempre muito bem vindas.
18 reviews
November 27, 2020
Biografia sóbria e esclarecedora. Importante para quem ainda nutre a tola ilusão de que no Brasil nunca se lutou por nada e que a polarização é "coisa do pt".
Profile Image for Bruno Pascon.
85 reviews2 followers
March 15, 2021
É o primeiro livro que leio da autora então darei outras chances, mas na presente biografia ela inaugura outro formato de biografia que confesso não me cativou. Entendi o racional, mas o livro perdeu a fluidez e um pouco de objetividade e enredo. Prefiro o estilo tradicional como por exemplo Jorge Caldeira, Laurentino Gomes, Larry Rohter, entre outros.
Profile Image for Josh.
75 reviews1 follower
October 13, 2026
Não me lembro como cheguei a salvar este livro. Possivelmente uma recomendação dum amigo—se não me engano—monarquista (que hoje apoia a volta dum Bolsonaro à presidência). Talvez durante a minha leitura das obras do diplomata Manoel de Oliveira Lima (Formação e Reconhecimento)? Não sei.

Estou simpático ao que a biógrafa-historiadora conseguiu aqui, que ela explica no posfácio:
Historiadores ... abordam vidas com suas contradições e dilemas. Abrem uma janela para o passado onde se vê passar a história de uma época através de indivíduos. E de indivíduos que são atravessados por correntes de pensamento, por fatos, por formas de agir e por sentimentos que os fazem reveladores de seu tempo.


Ajudou o meu esquecimento do porquê original em ler este livro com os descobrimentos históricos ou mesmo intelectuais que consegui nesta leitura. Mesmo faltando esse porquê, tinha como motivo o crescimento de aprendizado sobre a história do Brasil. Lembro-me de ter desejado aprender mais sobre este intervalo entre a exploração portuguesa no país (espaço temporal sobre qual se referiram as reflexões do Oliveira Lima em Formação) e a ditadura militar que seguira a época das guerras mundiais (desde tal ponto histórico creio ter adquirido certa familiaridade graças a Perry Anderson, o grupo de Emir Sader, e Vincent Bevins entre outros). Por tal esquecimento não esperava a historia que se desnudou perante mim.

Conheci o Dom Pedro I e, em menor grau, o II. Este já conheci mas de maneira peculiar. No jogo Sid Meier's Civilization VI o Dom Pedro II é o único líder da civilização brasileira. No jogo, o Brasil é conhecido por seu potencial cultural. Mas este se atribui mais a identidade atual do país que à época do Império.

Aprendi sobre a influência da Maçonaria no Brasil. Como missionário mórmon em 2017, participei num desfile em Curitiba onde também participaram certo grupo de maçons junto com seus filhos. Então foi pouco surpreendente aprender sobre as ligações da Maçonaria e a política mesmo naquela época da nascença do Imperio. A isto acrescento o meu pouco conhecimento dessa mesma ligação porém aqui nas Filipinas. Ao pensar nisso agora, me parece hoje que essa ligação já dissipou. Diminuiu bastante essa influência aqui no país. Talvez no Brasil também. Ou será que estou enganado?

Também não foi muito surpreendente a imaginária política frente a escravidão no Brasil. O país tem a notoriedade como o país onde a escravidão durou o mais tempo. Conhecido como "toleracionista", a abolição só viu luz no Brasil do Bonifácio 60 anos depois de sua morte.

Enxerguei com novos lentes a época napoleónica e a Pax Britanica. O primeiro teve grandes consequências para certas personalidades muito importantes para a história do Brasil. A Grã-Bretanha exerceu mesmo o seu poder sobre o mundo, tanto que os poderes na peninsula ibérica e no Novo Mundo tiveram que refinar suas movimentações tomando conta dela.

O meu estudo desses temas sempre vêm do meu perspectivo como aluno filipino da história do Brasil, com mais ou menos uma especialização nas relações internacionais. Não consigo ignorar as comparações com as Filipinas que chegam espontaneamente a mim. Lamento, como lamentavam os ilustrados da época, a "frailocracia" que tanto pôde injetar-se nas veias da sociedade filipina que tardou o desenvolvimento de praticamente todos os aspectos mais importantes dela. Esse fenômeno, senão totalmente ausente na história brasileira, não era tão impactante como na filipina que puderam reinar tanto o egoïsmo que só pode existir porque a palavra de Deus importava menos que a vontade humana.

A face social e política do Brasil transformara-se radicalmente já no início do século XIX. Tão nítida mudança não se observara nas Filipinas até o fim do mesmo século, depois de tantos banhos de sangue indio mais que filipino. Talvez consigo enxergar esse retardamento retrospectivamente. Talvez a natureza das causas deste retardamento seja tecnológica ou física, pois a distância entre Madrid e Manila era mais que dobro da entre Lisboa e Rio de Janeiro. Talvez social mesmo: a maldita frailocracia.

Vou parar aqui, e talvez em revisão doutro livro retornarei ao assunto.

Li uma versão Kindle que foi perfeita para meus propósitos. Del Priore conseguiu cumprir o que desejou cumprir com este projeto. Aprendi muito além do que esperava. Ficou agora para aprender o reinado do famoso Dom Pedro II e a história pouco antes da Grande Guerra, onde se abolira a escravidão no Brasil.

Profile Image for Thiago Moura Alves.
48 reviews1 follower
January 12, 2026
Em As Vidas de José Bonifácio, a historiadora Mary del Priore propõe uma abordagem deliberadamente afastada da tradição cívica que consagrou José Bonifácio de Andrada e Silva como o Patriarca da Independência do Brasil. O objetivo declarado da obra é iluminar as múltiplas dimensões do personagem — suas fragilidades, afetos, contradições e idiossincrasias — deslocando-o do pedestal simbólico em que a historiografia clássica o colocou para apresentá-lo como um indivíduo “de carne e osso”, inserido em suas circunstâncias históricas e pessoais.

A proposta, em si, é legítima e intelectualmente estimulante. Ao explorar cartas, memórias, relatos familiares e episódios pouco enfatizados pela narrativa política tradicional, Del Priore contribui para ampliar a compreensão do homem por trás da estátua. O José Bonifácio privado — o pai, o esposo, o intelectual europeu, o homem orgulhoso, temperamental e por vezes vaidoso — surge com nitidez rara. Trata-se de um trabalho de pesquisa cuidadoso e, sob o ponto de vista historiográfico, tecnicamente respeitável.

O problema central do livro, contudo, não está no método, mas no uso interpretativo desse vasto material. A autora não se limita a humanizar José Bonifácio; ela parece empenhada em rebaixar sua estatura histórica, tratando o estatuto de “Patriarca da Independência” como um mito a ser desconstruído, e não como uma síntese simbólica construída a partir de ações políticas concretas e decisivas.

Esse viés fica evidente quando virtudes tradicionalmente atribuídas a Bonifácio são reinterpretadas de forma sistematicamente desfavorável. Um exemplo emblemático é a forma como Del Priore aborda a recusa do estadista aos vencimentos na tutoria de D. Pedro II. O gesto, amplamente reconhecido como sinal de desprendimento e integridade — sobretudo em um contexto de escassez material —, é convertido pela autora em manifestação de vaidade moral, quase uma exibição narcísica de superioridade ética. O que poderia reforçar a imagem de um homem público guiado por princípios é esvaziado de seu valor exemplar.

Essa operação interpretativa repete-se ao longo da obra. Ao concentrar-se nos aspectos ordinários e íntimos do indivíduo José, a autora parece adotar como pressuposto que a grandeza política depende da inexistência de falhas pessoais — um critério que, se aplicado com rigor, dissolveria praticamente todas as figuras fundadoras da história moderna. A consequência é uma leitura que confunde humanização com deslegitimação, como se revelar o homem comum fosse suficiente para negar o significado histórico de sua atuação pública.

Tal postura ignora um ponto essencial: a centralidade de José Bonifácio na construção nacional brasileira não decorre de pureza moral abstrata ou de santidade cívica, mas de sua capacidade rara de articular, em um momento crítico, um projeto político equilibrado. Seus embates e fracassos não resultaram de extremismos, mas justamente da tentativa de sustentar uma virtude do meio: a defesa de uma monarquia constitucional forte, a preservação da unidade territorial, a resistência ao radicalismo republicano e, de modo notável para sua época, uma posição progressivamente antiescravista.

Reduzir o Patriarca a um homem de “pés de barro” não corrige um excesso mítico; antes, substitui um símbolo formador por um ceticismo estéril. Ao final, As Vidas de José Bonifácio revela menos sobre os limites do personagem histórico e mais sobre uma tendência contemporânea da historiografia: a desconfiança sistemática em relação a figuras exemplares, vistas não como referências cívicas capazes de educar gerações, mas como construções simbólicas a serem desmanteladas.

O livro é, portanto, leitura valiosa como investigação biográfica e exercício de erudição, mas problemática como interpretação histórica. Ao colocar seu trabalho a serviço de uma causa política pouco nobre — a desconstrução da grandeza fundadora —, Mary del Priore termina por obscurecer aquilo que torna José Bonifácio verdadeiramente relevante: não sua perfeição pessoal, mas sua contribuição decisiva para que o Brasil nascesse como nação una, institucionalmente estável e historicamente possível.
Profile Image for Luiz Chaem.
9 reviews1 follower
August 11, 2022
De leitura muito agradável, a biografia escrita por Mary Del Priori consegue passar por vários dos episódios do período pré e pós independência do Brasil. É um livro que não entra em detalhes e polêmicas historiográficas, mas serve de revisão panorâmica. A única coisa que senti falta foi de tratar de política externa, na qual Bonifacio teve enorme importância com sua proposta soberanista e autonoma de reconhecimento da nossa independência
Profile Image for Celso Ferreira.
176 reviews
August 7, 2025
Uma interessante e imparcial biografia de José Bonifácio, o chamado Patriarca da Independência procurando mostrar não só suas qualidades, como seus defeitos. Uma excelente obra que mostra um dos personagens chaves do Brasil ao longo da sua história.
Profile Image for João Falcão.
6 reviews
July 27, 2021
Um livro que, apesar de algumas vezes parecer fugir do tema central para descrever em detalhes o contexto, retrata aquele que é considerado patrono da independência do Brasil como mais que um mero personagem na história, mas como um ser humano, com virtudes e defeitos.

Seja para aprender um pouco mais sobre este indivíduo, a frente de seu tempo, chamado José Bonifácio, seja para entender o Brasil do século XVIII - e perceber que os problemas que enfrentamos hoje já existiam - ou por mera curiosidade e entretenimento, vale a pena a leitura.
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