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A Elite do Atraso: Da Escravidão a Bolsonaro

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UM DOS MAIORES BEST-SELLERS DA ATUALIDADE, AGORA EM EDIÇÃO REVISTA E ATUALIZADA, ESTE LIVRO É UM NOVO CLÁSSICO DO PENSAMENTO BRASILEIRO. A ELITE DO ATRASO APRESENTA UMA INTERPRETAÇÃO ABRANGENTE, INOVADORA E OUSADA DA SOCIEDADE BRASILEIRA QUE A CADA DIA GANHA NOVOS ADEPTOS.

Quem é a elite do atraso?

Como pensa e age essa parcela da população que controla grande parte da riqueza do Brasil?

Onde está a verdadeira e monumental corrupção, tanto ilegal quanto “legalizada”, que esfola tanto a classe média quanto as classes populares?

A elite do atraso se tornou um clássico contemporâneo da sociologia brasileira, um livro fundamental de Jessé Souza, o sociólogo que ousou colocar na berlinda as obras que eram consideradas essenciais para se entender o Brasil.

Por meio de uma linguagem fluente, irônica e ousada, Jessé apresenta uma nova visão sobre as causas da desigualdade que marca nosso país e reescreve a história da nossa sociedade. Mas não a do patrimonialismo, nossa suposta herança de corrupção trazida pelos portugueses, tese utilizada tanto à esquerda quanto à direita para explicar o Brasil. Muito menos a do brasileiro cordial, ambíguo e sentimental.

No âmago da interpretação de Jessé não está a corrupção política. Para ele, a questão a partir da qual se deve explicar a história passada e atual do Brasil – e de suas classes, portanto – não é outra senão a escravidão.

Sob uma perspectiva inédita, ele revela fatos cruciais sobre a vida nacional, demonstrando como funcionam as estruturas ocultas que movem as

272 pages, Paperback

First published January 1, 2017

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1703 people want to read

About the author

Jessé Souza

41 books130 followers
Jessé José Freire de Souza is a sociologist, university professor and Brazilian researcher who works in the areas of Social Theory, Brazilian Social Thought and theoretical / empirical studies on inequality and social classes in contemporary Brazil. He is the author of the books 'A Ralé Brasileira', A Radiografia do Golpe', 'A Elite do Atraso' and 'A Classe Média no Espelho'.

Graduated in Law from the University of Brasília (1981), he completed his Master's degree in Sociology from the same institution in 1986. In 1991, he obtained a PhD in Sociology from the Karl Ruprecht Universität Heidelberg (Germany), where he obtained free teaching and PhD in the same discipline at the Universität Flensburg in 2006. He also did postdoctoral studies in Sociology at the New School for Social Research, New York, (1994/1995).

From 2009, Souza undertook sociological research across the country to confront the thesis that a "new middle class" had emerged in the country. The result was the configuration of new nomenclature, namely, "ralé", "batalhadores", "classe média" and "elite", the latter two having privileges that the first two do not have.

He wrote and organized 22 books in Portuguese, English and German on political sociology, peripheral modernization theory, and inequality in contemporary Brazil. He is currently a full professor of political science at the Fluminense Federal University, in Niterói, Rio de Janeiro.

On April 2, 2015, he was appointed by the Presidency of the Republic to the position of president of the Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - Ipea (Institute of Applied Economic Research), formerly occupied by Sergei Suarez Dillon Soares, but resigned in 2016 shortly after Vice President Michel Temer temporarily took over presidency.

The importance of the scientific production of Jessé de Souza to different fields of study in Brazil, mainly to sociology, is important in the discussion of expensive subjects, both for the political, social, economic and cultural spheres, and for the academy that produces knowledge who aspire to disclose content not given to them.

He is currently writing articles for Carta Capital magazine.

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Community Reviews

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4 stars
409 (39%)
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194 (18%)
2 stars
50 (4%)
1 star
15 (1%)
Displaying 1 - 30 of 111 reviews
Profile Image for Marcos Faria.
234 reviews14 followers
December 20, 2017
Méritos e falhas desse livro decorrem do fato de ter sido escrito e publicado às pressas. Tem algumas frases confusas, parágrafos de um capítulo que se repetem quase sem modificação no outro, coisas que não caberiam num texto mais trabalhado. Mas não podia ser de outro jeito: esperar, no caso, seria deixar de lançar o livro no momento certo. E aí, como já dizia um editor de jornal com quem eu trabalhei, o ótimo vira inimigo do bom.

Jessé Souza é devastador na sua tese principal, a de que a sociedade brasileira foi moldada pela escravidão e não pela herança ibérica patrimonialista de que falam Buarque de Holanda e Faoro. Os melhores capítulos são os dedicados a essa desconstrução. No fim, a crítica ao conluio jurídico-midiático-empresarial que gerou o golpe de 2016 resvala num tom juvenil, de discurso de DCE. Deixa a desejar uma análise mais criteriosa da conjuntura.

Dava pra ter caprichado mais? Dava, mas aí não seria esse livro.
Profile Image for Natalie U.
23 reviews12 followers
January 10, 2018
O livro contesta a abordagem mais difundida no Brasil sobre o populismo e o patrimonialismo de uma perspectiva interessante: desafia o leitor a pensar nessas relações como não exclusivas da cultura brasileira e tampouco suficientes para explicar nossa estória.
Acho que ele falha ao não trazer uma abordagem comparativa com outros países, entretanto, já que denuncia (e é até bastante repetitivo sobre isso ao longo do livro) o nosso "viralatismo" que sustenta personagens e atitudes sociais deletérias.

Sobre o patrimonialismo, a crítica de Jessé é, grosso modo, que a atitude privatista não se dá com maior grau no Estado, mas sim no mercado. E que ignorar a dimensão privada da corrupção é uma das falhas da abordagem "pseudo-científica" de Raimundo Faoro sobre isso.
Eu li com atenção os argumentos de Jessé e questiono o fato de ele não ter integrado as duas questões: a da participação privatista no público e a falta de integridade no ambito do privado. Me parece que são uma mesma coisa, porém reconhecida por diferentes autores de modo diferente. No caso de Jessé, como antagônicas, inclusive, como se o patrimonialismo no Estado fosse fato irrelevante perto do privatismo.

Sobre o populismo, aí sim reside uma leitura muito interessante por Jessé: a de que o argumento difundido no país serve para alijar as classes mais populares de participação na vida política. Porém, esse argumento é válido para todas as sociedades no mundo onde o populismo é evocado. Basta ver Trump e ler Hillbilly Elegy para considerar esse mesmo argumento como válido. Portanto, notei que há uma dificuldade do autor em expressar sua crítica de modo menos provinciano. E que o que tem de bom em sua análise acaba perdido em opiniões pessoais sobre personas públicas que não lhe agradam.
Profile Image for Bruna Lane.
10 reviews1 follower
May 3, 2020
Apontando a necessidade do reconhecimento da manutenção dos pilares escravocratas na estrutura social do Brasil contemporâneo, a obra busca expor os arranjos político-sociais que propiciaram a formação do atual cenário brasileiro. O autor busca desconstruir ideias internalizadas pelo senso comum – como o patrimonialismo, o “vira-latismo” e o populismo – e tecer críticas às obras responsáveis pela popularização dessas ideias. Aponta-se, ainda, que a concepção do Estado corrupto é uma ideia construída para se ocultar a corrupção real, advinda da elite real, que está fora do Estado, ainda que a “captura do Estado” seja fundamental para os seus fins. E, conforme Jesse Souza, é essa elite – em parceria com a grande mídia e aliando-se à classe média, manipulada e movida pelo ódio às classes populares – que se apropria privadamente da riqueza que deveria ser de todos e que vê o empobrecimento da população como uma política pública bem sucedida.
Profile Image for Alexander Ortega.
23 reviews2 followers
December 13, 2017
Para o autor, a sociedade brasileira é caracterizada pela exploração do pobre pelo rico, e a classe média é alienada e alvo de manipulação da elite, o que demonstra uma visão míope e simplista da realidade.

Além disso, tendo em vista o nível intelectual do autor, desagrada muito que ele nunca fale dos aspectos positivos de nenhum posicionamento político discordante do seu. Parece que o objetivo é defender uma ideologia, ao invés de nos oferecer uma análise ampla do assunto - bastando desqualificar de forma rasa tudo que lhe seja contraditório.

O livro também carrega várias contradições morais, por exemplo, expõe o conceito de "populismo" como um preconceito e desrespeito aos pobres (como se não fossem manipuláveis por discursos populistas), e ao mesmo tempo posiciona a classe média como marionete da elite.

Ainda assim recomendo a leitura, pois há vários pontos interessantes e inteligentes levantados pelo autor e que levam à reflexão sobre nossa sociedade (ainda que com vieses), com uma linguagem clara e direta.
Profile Image for Vicky .
64 reviews1 follower
September 1, 2019
O livro trás muitas reflexões válidas, como a influência da mídia no pensamento do povo, entretanto, sinto que o mesmo foi escrito às pressas, resultando em várias frases desconexas.
Além do mais, a obra parece ter o objetivo de defender a opinião do autor, quando na verdade deveria informar o leitor e fazê-lo refletir sobre o cenário atual brasileiro e as eventuais causas deste.
Uma pena.
Profile Image for Patrick.
115 reviews17 followers
June 9, 2021
Com uma articulação brilhante, Jessé Souza elabora sistematicamente a narrativa que subverte a leitura política atual patrimonialista e apresenta, ao longo da obra, uma compreensão alternativa para a situação crítica e em crise da política brasileira moderna. As relações entre as classes sociais nacionais são aqui empiricamente demonstradas, interpretadas e, de forma perspicaz, ressignificadas. Com uma abordagem capaz de quebrar paradigmas acerca de nossas convicções da causa-mor da pobreza do Brasil, a introdução conceitual de uma justificativa não patrimonialista para a desigualdade social faz-se um elo interessante para a construção de uma nova perspectiva sobre o nosso status político.

A abrangência de economia, história, política e subjetividade brasileiras traz legitimidade ao discurso aqui desenvolvido, e (quase) todas as colocações, que vão desde análises sobre a constituição escravista do Brasil colônia ao motivo do ódio do "pobre de direita" pela própria classe trabalhadora, demonstram que o ponto-chave para a manutenção de nosso status-quo desigual e violento sobre os mais frágeis não reside naquilo que chamamos corriqueiramente de "corrupção" - aquela restrita ao Estado e por isso patrimonial.

Nesse sentido, a análise empregada aponta para a concentração efetiva de renda pela elite financeira do Brasil (que constitui a minoria da população privilegiada e ocupa este espaço porque saqueia os bolsos dos explorados), legitimada legalmente e consuetudinariamente através de um sistema constante e presente de manipulação da esfera pública, como responsável pela pobreza avassaladora e absolutamente cruel que impera no país - e que, diga-se de passagem, existe e mantém-se desde a origem de nossos costumes, fossem/sejam eles ou não vinculados a padrões comportamentais europeus (vale ressaltar que a própria obra faz a desvinculação de causa indireta desta questão luso-brasileira, não isentando de culpa a relação, mas mostrando-a como coadjuvante, e não peça principal, no processo de construção comportamental do homem corrupto que odeia o pobre).

Aqui, são questionados todos os conceitos que crescemos literalmente decorando e reproduzindo como causa de nossa desgraça.

Crucial e cirúrgico, uma leitura necessária.
Profile Image for Edu Rodrigues.
15 reviews
December 23, 2020
Puramente opinativo e especulativo. Durante a leitura sempre vem a cabeça "Por quê? De onde ele tirou isso? Com base em quê? Etc"

É bom pra ter uma visão do pensamento do autor porém cativa somente quem já é afeto ao discurso. Fortalece o viés de confirmação.

Ps: Vale a leitura. Jamais ignore um tema a não ser que queira continuar na própria bolha. Desconfie sempre quando não querem que vc leia algo.
Profile Image for Matheus Guide.
24 reviews1 follower
June 14, 2020
A informação que este livro passa é extremamente importante. Nós não sabemos, mas existe uma ideia da sociologia que nos manipula em todas as fases de nossa vida. Jessé aborda a questão do racismo não apenas pelo significado da palavra, mas pelos efeitos que impactam a sociedade brasileira até hoje.

Qualquer pessoa que tente justificar alguma ação negativa com o slogan "Jeitinho brasileiro", eu vou ser obrigado a auxiliar na desconstrução daqui pra frente.
Profile Image for Marcus Vinicius.
246 reviews11 followers
July 18, 2019
O Saque como Projeto
Nesta versão atualizada de seu livro “A Elite do Atraso: Da Escravidão à Lava Jato”, Jessé Souza apresenta sua interpretação dos fatos políticos do Brasil contemporâneo. Discutindo as ideias de patrimonialismo e de populismo, apresenta as razões pelas quais no Brasil o empobrecimento da maioria da população é uma política pública bem sucedida. A exposição do Autor é didática e bem fundamentada. A crítica que faz às obras de Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda e Raimundo Faoro é instigante, provocando reflexão. Seu argumento toma como central para a compreensão da sociedade brasileira o fato da escravidão. Procura demonstrar ao leitor como a luta das classes por privilégios e distinções logrou construir alianças e preconceitos que condenam a maioria da população brasileira à pobreza e à miséria. Trata-se de obra essencial para compreender os arranjos políticos em curso no Brasil.
Profile Image for Kauã Fillipe.
134 reviews
July 19, 2019
3.0.

O autor possui uma interessantíssima e plausível (inclusive, concordo com ele) teoria/releitura da nossa sociedade. Acho que deveria ser mais conhecida e debatida. No entanto, alguns pontos me incomodaram FORTEMENTE no decorrer desse livro:

a-) Os argumentos usados são os mesmos do início ao fim. Em alguns momentos, parágrafos são copiados na íntegra em contextos diferentes. Muitos termos e ideias também são repetidas ou então ditas do mesmo modo mas com palavras/estruturas diferentes. Acho que o autor poderia ter sido mais objetivo no que pretendia comunicar, certamente, com isso, o livro seria menor;

b-) Discordo veementemente que outras "causas" e lutas políticas anulem a superação da escravidão, ou melhor, anulem a questão da desigualdade entre as classes sociais e etc. Muito pelo contrário, acredito que podem ser feitas ao mesmo tempo e, muitas vezes, apresentem intersecções (ex.: a causa LGBTQ+, o movimento negro e feminista apresentam "convergências" -> as dificuldades sociais enfrentadas por mulheres negras lgbtq+);

c-) Concordo que os veículos midiáticos, principalmente a Globo, estejam usando as pautas mencionadas anteriormente para fazer com que se esqueça da escravidão e da luta de classes. MAS, isso não deslegitima as causas mencionadas muito menos a luta por representatividade nesses espaços, o que é muito necessário;

d-) Inclusive, ainda que não seja o foco da tese, mas dentro de representatividade: em um dado momento, é usada como exemplo a atração certa que o leitor sentiria por alguém do sexo oposto. PERA AÍ, se você quer que suas ideias cheguem a TODOS, devem ser considerados SIM aqueles leitores que NÃO SENTEM atração por pessoas do mesmo sexo! É questão de identificação, representatividade. E, mais do que isso, de respeito e reconhecimento à existência e resistência de tais pessoas;

e-) Além disso, outros exemplos me pertubaram, no sentido de fazer com que me parecesse que o livro havia se "escrachado", a exemplo de uma parte em que cita as "brincadeiras masculinas" de comparar tamanho de pênis!

f-) Acho também que muitas vez o autor se perde no raciocínio, a ponto de ficar confusa a relação entre conteúdos distintos abordados, principalmente entre diferentes subtítulos (mas reconheço que este ponto pode ter sido falha minha enquanto leitor);

g-) Por fim, me incomodou MUITO o fato de, à primeira oportunidade, o autor nos dizer que sua tese é quase que revolucionária, que vai de encontro de tudo o que nos é dito até hoje, que deve ser disseminada, atingir a todos, para que saiamos de uma vez por todas das amarras ideológicas da nossa elite!!! Sim, isso tudo é, até certo ponto, verdade, mas me pareceu sensacionalista e como se fosse um fardo carregar tal conhecimento e, pelo bem da nação, deveria contar isso. Sei que posso ter exagerado nesse comentário, mas EU me senti assim nesses momentos.

Considerados esses pontos, me parece que o livro tem muito a melhorar, mas em aspectos técnicos (como dialogar com o público e como apresentar as informações). Em relação ao conteúdo e à tese em si, é extremamente bom e, em certos pontos, revelador. Abre sim sua visão de mundo, seja para qual lado for. Recomendaria sim a amigos (com essas ressalvas porém).

Queria dar 5.0 estrelas, pois adorei o livro/a tese dele. Mas, infelizmente, esses detalhes técnicos me incomodaram muito.
Profile Image for Laura Jayme.
42 reviews3 followers
May 8, 2024
Nota: Li a edição revista e ampliada ("Da escravidão a Bolsonaro"), mas como ela não existe no GR, então avalio nesta aqui.

O título e a premissa do livro tinham de tudo para serem fantásticos, desses que a gente indica pra quem quer (e deve) aprofundar seus estudos de Brasil. De fato, ele começa bem - com uma crítica muito acertada e necessária à obra de Sérgio Buarque de Holanda. Porém, as minhas maiores conclusões foram:

-Jessé escreve mal;
-se o livro teve um revisor, isso não transparece nas páginas;
-para uma obra de posicionamento politico tão claro, tal (exagerado) juízo de valor não era necessário.

Costumo dar duas estrelas para o livro quando a escrita é sofrível, mas as ideias são boas. Porém, apesar de A elite do atraso ter muitas reflexões pertinentes, não será o caso aqui. A impressão de ter tido o meu tempo desperdiçando foi maior do que a de aprendizado. Só fui até o final porque uma amiga insistiu em me emprestar, colocando-o em minhas mãos e dizendo "aqui explica TUDO!".

Eu, como os milhões de brasileiros que (fatalmente) estudaram "Raízes do Brasil" na faculdade, fiquei triste ao ver tanto potencial desperdiçado. Acredito que se alguém optar por dar continuidade às ideias de Jessé e empacotá-las em um conteúdo mais palatável, aí sim poderemos começar a pensar em substituir Holanda "nas escolas, universidades, TVs e botequins", como afirma Souza.

No mais, muita repetição, uma certa arrogância e consideráveis achismos.
Profile Image for Marcus Vinicius.
246 reviews11 followers
December 21, 2017
Discutindo a Ideia de Patrimonialismo
Jesse Souza oferece sua interpretação dos fatos políticos que culminaram com o impeachment da Presidenta Dilma Rousseff. Discute o tratamento que receberam da grande mídia e a atividade dos órgãos do sistema de justiça criminal (polícia, ministério público e judiciário). A tese do autor é a de que a escravidão e sua herança e não o patrimonialismo constitui a chave interpretativa do Brasil e de suas contradições. Busca demonstrar seu argumento examinando as ideias centrais expostas pelos autores cuja análise desfruta de maior aceitação no meio acadêmico e político (Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda e Raymundo Faoro). A análise crítica a que submete o pensamento destes autores, servindo-se de suas próprias afirmações e valendo-se de conceitos postos por Max Weber - patrimonialismo - e Habermas - esfera pública -, é penetrante e oferece ao leitor uma alternativa à posição conservadora dominante. Trata-se de livro cujo maior mérito reside em apontar as evidentes contradições observadas na ação política levada a efeito por significativa parte da classe média e dos órgãos responsáveis pela aplicação da lei penal, no particular comandados pela grande mídia e seus financiadores.
Profile Image for Rafaell Miguel.
30 reviews7 followers
December 17, 2018
O livro é interessante, mas peca em alguns pontos centrais. Não sou da área de ciências sociais, mas achei que o autor teve um pouco de dificuldade de defender sua tese do "vira-latismo" e a propagação de nosso passado escravagista como a principal explicação da desigualdade entre as classes sociais no Brasil atual como contraponto às teses do patrimonialismo e populismo defendidos por Buarque e Faoro.

Não vi como a tese do patrimonialismo pode ser totalmente excluída da análise do nosso cenário atual, muito embora concorde que a corrupção de entidades privadas em conluio com a grande mídia de fato traz males extremamente difíceis de corrigir e, naturalmente, pouco alardeados.

O capítulo final é praticamente um desabafo contra a Rede Globo e a grande mídia, e, sinceramente, esperava uma retomada mais organizada das teses defendidas na obra.

De toda a forma, o livro é muito bom para uma reflexão politizada do Brasil atual. Embora não seja tão bem organizado quanto eu gostaria, traz, sem dúvidas, teses fortes e inovadoras em contraponto a ideias tão bem estabelecidas no imaginário de todos nós. Indispensável a leitura, eu diria.
Profile Image for Alexandre Couto de Andrade.
1 review
August 31, 2018
O autor pretende convencer o leitor de que a força motriz das injustiças sociais brasileiras é o ódio que ele alega que a classe média nutre pelos pobres. Simplista? Não, imagina!
Ademais, argumentando (certamente com razão) que a corrupção no Estado brasileiro empalidece em comparação com a que existe no setor privado, ele falaciosamente menospreza sua importância.
PS: o autor confessa pertencer ele mesmo à classe média, mas faz questão de deixar bem claro que ele é “legal” a despeito disso. Bem, pelo menos ele admite que há exceções.
Lamentável.
Profile Image for Diego.
11 reviews
March 16, 2021
Livro muito bem escrito e estruturado. Admito que me surpreendi com o tanto que o autor aprofunda a discussão e com sua descrição ampla do contexto sociológico. Esperava uma leitura mais popular e leve, ao estilo Karnal. Foi uma surpresa muito positiva, embora, por não estar acostumado a livros de sociologia, também tenha sido uma leitura um pouco mais lenta do que eu antecipei.

Tenho que dizer que, para quem, como eu, que é de esquerda mas que não vê com olhos tão caridosos o PT e seu movimento messiânico ao redor do Lula, e que não tem uma opinião formada sobre a suposta "inconstitucionalidade" e qualidade de "golpe" do impeachment de 2016 (reconheço que foi um processo mais político do que jurídico, mas também entendo que um processo assim é mais político por natureza, e me falta ver algum fator crítico para constituí-lo como "golpe"), teve alguns momentos em que o viés do autor me incomodou um pouco. Usou adjetivos demais e qualificou de menos. O uso quase excessivo do termo "golpeachment" me soou desnecessário e um pouco infantil (tal qual quem, na direita, gosta de usar os termos "luladrão" ou "vai para Cuba" à exaustão). Porém, entendi que, para ele, esse ponto foi estabelecido em escritos passados, e segui a leitura sem grandes problemas.
Além disso, vieses à parte, há trechos e frases que parecem não ter sido revisadas corretamente, com repetições estranhas e redundâncias.

Entretanto, deixando de lado estes momentos (que não são tantos), a leitura é extremamente informativa e esclarecedora. O argumento central contra a narrativa patrimonialista (de que o brasileiro foi condicionado a repetir, sem pensar, que o ônus das mazelas do país é unicamente do Estado e sua burocracia ineficiente e corrupta) é de fato muito bem elaborado, assim como o redirecionamento dessa "culpa" para a elite financeira.

Apesar de imaginar que existam outras chaves de análise e outras perspectivas, me pareceu que a interpretação e o argumento central do autor são muito condizentes com a realidade política e social do país, e por isso acredito que o livro é uma leitura essencial para se entender a condição em que o Brasil se encontra e ter conhecimento dos verdadeiros responsáveis pela situação que vivemos.
Profile Image for Gustavo Saraiva.
79 reviews2 followers
June 21, 2024
Depois de ler esse livro por completo eu me sinto dividido, sentimento este que me acompanhou por toda a obra. A todo momento fica uma sensação de: “caramba, o Jessé é genial por essas palavras” e “caramba, ele é muito soberbo”.
Genial porque ele tem uma visão bem holística da história do Brasil que é muito interessante, bem como apresenta pontos de vista que realmente não são discutidos.
Por outro lado, o Jessé é tão soberbo que não só subestima Marx, como seu próprio leitor. Há dois trechos no livro que o autor fala para o leitor pular a leitura para o final como se aquele que o lê fosse algum néscio, desprovido de entender sua abordagem sobre Weber.
Outro ponto negativo é que o livro é extremamente prolixo, o que torna a obra cansativa apesar da escrita fluida e envolvente do autor.
3,5 de 5 é uma nota suficiente para essa obra
Profile Image for Thayrine.
10 reviews1 follower
November 2, 2022
Importantíssimo para ajudar na elucidação das mazelas brasileiras, que nos atrasam e impedem nossa independência econômica das garras da elite dos proprietários. Bem como, entender a diferença entre a "corrupção dos tolos", legitimamente condenável, e a corrupção real, que retira as chances de vida de centenas de milhões.

Jessé apresenta de maneira dinâmica e didática, os caminhos desde a escravidão como conhecemos, ao novo modelo sutil de exploração e manipulação atual.
Profile Image for Monique Américo.
28 reviews
October 10, 2021
Esse livro adicionou muito à minha compreensão de sociedade brasileira. Me apresentou uma outra visão (uma expandida) sobre o conceito de classe média, e como a história da nossa sociedade têm ligações fortes com a contemporaneidade, e como a grande mídia tem sua influência. Como não sou das Sociais, achei por vezes bastante difícil a compreensão de ideias vez ou outra e as vez soa repetitivo, mas valeu muito a leitura.
Profile Image for Amanda Mendes.
16 reviews
November 22, 2020
Livro elucidativo sobre como o patrimonialismo, a síndrome vira-lata e a ideias de populismo são usadas para manipular a classe média para que esta ajude a perpetuar o status quo da classe da elite do atraso.
Livro excelente que só peca na excessiva repetição de ideas e explicações, falha essa que talvez seja resolvida em edições futuras a minha. Recomendo!
Profile Image for André Souza.
3 reviews4 followers
February 25, 2021
Um livro que se propõe a dar uma visão diferente sobre a constituição do brasileiro como identidade nacional e busca neste processo exibir a razão para o atraso no desenvolvimento do Brasil.

Jessé Souza usa as principais fontes que estruturam o pensamento brasileiro para mostrar os furos e as falsas hipóteses que "explicam" o Brasil atual. Através de argumentos e fatos históricos o autor mostra a realidade de que a corrupção cometida pelo Estado acaba sendo uma migalha diante do roubo cometido diariamente pela elite do atraso, que seriam representados principalmente pelos agentes do Mercado financeiro.

Sem deixar de denunciar e reprovar a corrupção dos políticos e dos partidos, o livro nos mostra que crer no fato de só o Estado ser corrupto é fruto de uma alienação bem coordenada por essa elite do atraso, e somos instados a resistir à essa manipulação e divulgarmos este conhecimento se quisermos um país melhor.
Profile Image for Gabriel.
5 reviews1 follower
May 8, 2023
Este livro possui alguns trechos fantásticos e outros um pouco fracos. Ajuda muito a entender o Brasil.
Profile Image for Ing.
60 reviews1 follower
January 10, 2023
Escolhi dar 4 estrelas para este livro porque ele traz uma tese excelente, com uma análise majoritariamente muito bem feita e contundente, ao mesmo tempo em que peca em alguns momentos com explicações superficiais de alguns pontos que, a meu ver, precisavam ser um pouco mais claros para um leitor mais leigo.

A tese de que a escravidão é o cerne da sociedade brasileira é fundamental e concordo com o autor que falar mais disso é uma necessidade urgente. A continuidade que ele traça entre o poder humilhante e sádico exercido pelos senhores de escravizados e pelas elites e classe média modernas em relação aos pobres (que em grande parte são pessoas negras, ou seja, mais uma cruel continuidade) é a discussão mais importante do livro, demonstrando as particularidades próprias da nossa desigualdade.

No entanto, o autor é um tanto arrogante em sua afirmação de que é o primeiro a sugerir isso. Talvez em sua sociologia específica, mas não na historiografia, certamente, em que o paradigma de Sérgio Buarque de Hollanda tão criticado por Jessé Souza é amplamente analisado de um ponto de vista crítico e visto como reducionista. Anos antes do livro de Jessé ser lançado, tivemos essas discussões em sala de aula, quando estava na graduação. Ainda assim, acho válido ele apontar como o discurso do patrimonialismo está presente em todos os espectros políticos brasileiros.

Outro ponto bastante interessante do livro é a desconstrução das ideias de patrimonialismo e populismo. São dois debates a meu ver fundamentais, e a forma como Jessé a faz é muito clara e interessante. No caso do patrimonialismo, o reducionismo de dizer que a corrupção existe somente entre os políticos, ignorando de onde vem essa corrupção – do controle das elites financeiras e ruralistas que manipulam o poder público, a legislação e a mídia para a manutenção dos privilégios, do lucro e da dívida pública – é uma leitura que de fato Jessé traz de forma única e escancarada, ao menos entre autores que conseguiram a ampla recepção que ele atingiu. A meu ver, se não tivermos essa discussão, não é possível realizar mudanças estruturais e entender, também, os funcionamentos da real politik brasileira.

Já a crítica da ideia de populismo como um elitismo acadêmico é também muito interessante. Trazer qualquer liderança política que traz demandas populares para essa visão pejorativa de populismo, que equipara pessoas tão diferentes (tanto em ideias quanto moralmente) como Lula e Bolsonaro, é uma desculpa e uma leitura superficial dos movimentos populares reduzindo sua autonomia a mera manipulação política, gerando assim argumentos para a manutenção do poder das elites previamente mencionadas.

O que me incomodou em alguns momentos foi a superficialidade de algumas explicações – como das três frações da classe média, em um capítulo curto que poderia muito bem explicar com mais detalhes ao público não-especializado o que é protofascismo e por que existe uma fração protofascista da classe média (já que ele já se deu ao trabalho de uma longa explicação de várias páginas dos conceitos de Max Weber). Outro assunto tratado com superficialidade são as jornadas de 2013, que aparecem como vilãs, sendo que quem pesquisa o fenômeno seriamente identifica complexidades e participações muito mais amplas do que a culpa pelos desencadeamentos nefastos seguintes. Também me incomoda como ele se repete várias vezes usando as mesmas palavras – como a comparação tosca com o tráfico de drogas, que a meu ver também é superficial. Também me incomoda como o autor se coloca em uma posição de original e pioneira para todo conteúdo do livro. Ainda que sua autenticidade em relação a certas posições ácidas seja um ponto positivo para a transparência de seu posicionamento, essa soberba em pouco contribui.

De qualquer modo, esta é uma obra que acredito que vale muito a pena ser lida, pois para o leitor atento é fácil de aproveitar a boa análise que Jessé Souza realiza sem se deixar afetar acriticamente pelos pontos que considerei negativos. Seus apontamentos são muito importantes para a análise de nossa sociedade e é um excelente aliado a outras leituras sobre nosso país.
Profile Image for Henrique Cassol.
137 reviews2 followers
May 2, 2019
O que Jessé Souza pretende em seu primeiro capítulo é desconstruir a imagem de viralatismo do brasileiro, que tem por suas bases Gilberto Freyre, Raimundo Faoro e o próprio Sérgio B. de Holanda. O patrimonialismo brasileiro de Faoro presta um desserviço ao povo por validar sua tese: "a ação intrinsecamente demoníaca do Estado contraposta à ação intrinsecamente virtuosa do mercado". O tal Estamento é composto por quem, afinal? Pelos juízes? Pelos presidentes? Pelos burocratas? O fato de não elencar quem são estes surrupiadores do Estado, Faoro cria uma falsa impressão de que o Estado é tudo, mas também não é ninguém. Precisamos nos desfazer do paradigma de que nossas heranças culturais e cotidianas assemelham-se aos dos habitantes de além-mar. O “homem-cordial” de Sérgio B. de Holanda que tudo aceita, é emotivo e imoral em nada se parece com o homem da burguesia português. Primeiro, a sociedade portuguesa nunca foi construída por uma base escravocrata como ocorreu aqui. O acesso ao patrimônio cultural da burguesia brasileira ratifica a nossa falsa meritocracia. “Ao substituir a raça pelo estoque cultura, cria-se uma impressão de cientificidade, reproduzindo-se os piores preconceitos. [...] O culturalismo cumpre as mesmas funções do racismo. Presta-se a garantir uma sensação de superioridade e de distinção para os povos e países que estão em situação de domínio e desse modo legitimá-la. “De nada adianta americanos e europeus proclamarem suas supostas virtudes se africanos, asiáticos e latinos não se convencerem disso.”
A relação dominante do brasileiro com o Estado é de posse, construída a partir da divisão das capitanias hereditárias, de posse de terras, de privilégios (acesso às casas noturnas, aos clubes) e, principalmente, de posse de escravos. Essa construção do brasileiro, aliada ao “homem cordial”, possibilitou toda a manipulação midiática e política contra a democracia e contra os interesses populares. Temos a falsa concepção de que o corrupto é somente o Estado e, por isso, aceitamos a cultura do “entreguismo”, da venda de nossas estatais, do neoliberalismo e do enxugamento do Estado. É-nos mais crível que a Lava-Jato cumpra seu papel em resgatar R$ 1 bi ao erário conquanto a corrupção da Elite pela sonegação de impostos, evasão fiscal e dívida para com a previdência juntos somam uma cifra 500 vezes superior. Pagamos metade de nosso PIB com a dívida pública, que só serve para enriquecer a elite do sistema financeiro. Batemos panela para um ex-presidente preso, mas não nos causa a mesma indignação quando a dívida de R$ 25 bi do Itaú foi perdoada pela União.
As prévias manifestações contra a corrupção do PT com a consequente ascensão de um fascista, e a sua ausência quando surgiram casos contra os partidos de Elite, deixa-nos claro que o descontentamento devia-se à perda de privilégios da classe média. “O ódio é imposto ao único partido que diminuiu as distâncias sociais entre as classes no Brasil moderno”. Pretende-se manter veladamente o privilégio de se ter as melhores e “merecidas” condições de vida: melhores salários, faculdade, morar nos melhores bairros, etc. Esse é o racismo (social) travestido de meritocracia pela classe média que persiste desde abolição da escravidão: “O ódio ao pobre hoje em dia é a continuação do ódio devotado ao escravo de antes”. Jessé Souza, portanto, fundamenta sua tese com base na desconstrução dos grandes sociólogos brasileiros e apresenta a sua tese de que os verdadeiros vilões estão escondidos pela faceta de bons mocinhos da elite brasileira do dinheiro. E nós os respaldamos com nossas ações “neoliberalistas”.
Profile Image for David Ayrolla.
26 reviews
July 23, 2024
Em "A Elite do Atraso", Jessé Souza explicita um dos mais perpetuados erros de compreensão da realidade econômica e social brasileira, a de que a corrupção estatal é o principal fator de empobrecimento e desigualdade no Brasil. A despeito de que este tipo de corrupção seja realmente nefasta e enojante, ela no entanto empalidece frente à verdadeira maior causadora destes males: a rapinagem sistemática, aceita - e legalizada - que é feita pelas forças econômicas, que surrupiam dinheiro, sonhos e futuros da maior parte da população em detrimento da manutenção do poder de um grupo que não chega a 1% dos brasileiros: a elite do atraso! Uma elite que sonega e evade do país abertamente bilhões de dólares todos os anos (muitos níveis de magnitude maior que do que a corrupção estatal), enquanto manipula a imprensa e a própria classe política para manter seu domínio sobre as demais classes. Nesta seara, Jessé também expõe a luta de classes conservada no país de uma das maneiras mais perversas, com uma ralé de neo-escravos miseráveis explorada por uma classe média arrogante e iludida pela ladainha de que é ela, e não a classe econômica, quem define os rumos do país, de acordo com sua conveniência.

Sendo ele mesmo um estudioso e teórico do assunto, Jessé não se furta de visitar a bibliografia clássica sobre o tema e discutir as opiniões de intelectuais consagrados (na parte que talvez seja a menos confortável para o leitor pouco familiarizado com esta literatura), mas nada que atrapalhe a leitura por parte de qualquer pessoa que queira melhor compreender como o Brasil se tornou refém dessas elites.

Recomendadíssimo!
49 reviews1 follower
January 12, 2021
Achei o livro primeiramente mal escrito. Repetitivo. Repete ideias o tempo todo, parece uma coleção de artigos independentes que não foi revisado. Acho que o livro traz conceitos interessantes, ideias novas para mim, que valeram as duas estrelas, mas achei a teoria um pouco reduzida, sem contemplar, com a devida importância, a questão das redes sociais na eleição de Jair Bolsonaro e nas ameaças constantes às instituições, por exemplo.

No mais, acho o autor mal educado com os seus renomados colegas acadêmicos e suas teorias, é uma opinião pessoal, creio que o meio acadêmico não precisa desse tipo de postura. Acho que as ideias do autor poderiam contrapor as ideias já estabelecidas de outra maneira.
Profile Image for Erico.
27 reviews
August 29, 2021
O autor traz um conceito importante pra estampar a capa, e passa 239 pgs levando essa conceito ao ponto de minimizar a corrupção política, colocando-a como uma "corrupção menor" quando comparada a tomada do poder público pela elite econômica. Uma coisa não reduz ou minimiza a outra. Mas no tempo da retórica, vale tudo pra estabelecer nosso ponto de vista como o correto e quem discorda ser taxado de "idiota útil" ou "pessoa com sinapses falhando".
Profile Image for Isadora Rangel.
16 reviews
May 23, 2021
Material cinco estrelas mas a escrita merece duas. O autor parece cometer um erro clássico da elite brasileira: escrever de maneira inacessível, usando palavras eruditas onde o coloquial basta. Apesar disso, esta ainda eh uma leitura essencial para entender porque chegamos onde chegamos como país. Vale a pena persistir a leitura difícil e, as vezes chata, pelo conteúdo.
Profile Image for Guylherme Farinon.
3 reviews
April 3, 2021
O tema abordado possui muito potencial, porém o livro tem reflexões que se propõem contestadoras e inovadoras, mas sem profundidade e fundamentos para tal. Caracterizado por análises equivocadas e leitura míope dos fatos.
152 reviews2 followers
January 7, 2021
1° livro de 2021
Livro muito bom em diversos diagnósticos, não todos. Longe de ser um dos melhores que já li, pra minha decepção. Nota 8,0. Esperava mais. Vale observar que carrega forte viés ideológico, o que torna cansativa a leitura em muitas ocasiões. Concordei com a maioria e não com todas as opiniões e constatações.
Todavia, é inegável que o livro contribui, e muito, para o entendimento da desigualdade no Brasil, a despeito da intensa disputa de narrativa.
Concordo que os EUA e a Globo fizeram muito mal aos interesses do povo em diversas ocasiões, mas não concordo que são super vilões como o livro da a entender. Defendem seus interesses e isso nos prejudica muitas vezes com certeza. Isso acontece em todo lugar. Nações e conglomerados empresariais usam seu poder para ficarem maiores e mais fortes. A sociedade precisa amadurecer (via educação com certeza) e lutar contra isso de fato. Caso contrário não dá pra esperar que essas instituições e nações se tornem altruístas nesse nível.
Cabe a nós dar educação de qualidade ao nosso povo para que vejam isso e não sejam manipulados. Que votem de acordo com seus interesses e não de uma elite que vai exatamente explora-los como vemos até hoje.
É fato que: " o espantalho da criminalização da política só serve para que os donos do mercado deleguem a política ao que há de pior e mais mesquinho do baixo clero político. Vide o "mito" JB.
Outro ponto é que houve sim um enorme preconceito e perseguição das elites e da "moralista" classe média ao PT. Concordo. Ainda mais pela farsa da Lava Jato que só foi atrás dos bandidos que vestiam vernelho e seus associados e praticamente ignorou o outro lado do espectro político. Todavia, discordo bastante que seja somente pelos avanços no campo social que reduziram a pobreza, como menciona o autor, que haja essa ojeriza ao PT. O partido errou, e errou feio sim. Principalmente na condução da economia, muito além da corrupção. E economia, na minha opinião, é o calcanhar de Aquiles dos argumentos do autor.
Um trecho controvérso do livro é: "Se compararmos nosso capitalismo ao narcotráfico ... a política e os políticos são os aviãozinhos que sujam as mãos, se expõe à polícia seletiva e ficam com a sobra da expropriação da população. A boca de fumo são os oligopólios e os atravessadores financeiros que compram a política, a justiça e a imprensa de tal modo a assaltar legalmente a população."
DISCORDO, são todos donos da BOCA DE FUMO. Não dá pra relativizar. Isso acaba sendo uma super passada de pano principalmente no governo petista. Me desculpa. Não é teoria do espantalho somente.
Concordo muito que: "O ódio ao pobre hoje em dia é a continuação do ódio devotado ao escravo de antes". Somos ainda reféns do mais extenso e talvez cruel sistema de escravidão da era moderna. O racismo no Brasil é estrutural e gigantesco e só uma pessoa absolutamente alienada não enxerga isso. Condenamos ainda hoje a maior parte da nossa população há uma condição de pessoas de segunda classe, negando lhes oportunidades, para que, em muitas ocasiões, nossa pobre e ignorante classe média possa se sentir superior a algo. Enquanto isso, a minúscula e poderosa Elite da sociedade domina praticamente tudo, formulando inclusive leis que a beneficia, principalmente em termos tributários.
Adicionalmente, baseado na influencia nefasta dessa elite do atraso, acreditamos na falácia da meritocracia num dos países mais desiguais do mundo. Que competição é essa que queremos que ocorra para o melhor vencer? Qual o mérito aí? Queremos que alguém da periferia (principalmente negros e pardos) que estudou numa escola pública precária a vida toda concorra de igual pra igual, por exemplo, numa vaga da POLI com alguém que estudou no BANDEIRANTES? Sério?
Então vamos transformar a escola pública, modernizando-a e, principalmente, valorizando e recuperando a linda e nobre carreira de PROFESSOR nesse país.
Minha conclusão é que o livro é muito rico no contexto da abordagem da escravidão e suas consequências e vale a pena ler a despeito de ocasionais divergências de opinião.
Fica a crítica que o final do livro é quase panfletário. As origens da dívida pública tem muito haver com a própria ineficiência dos
Governos sim. O autor, no livro todo, pode ter razão sobre vários aspectos e não o todo.
Esse é o problema... Fazer de uma parte correta da análise a abordagem do todo e propor soluções em cima disso. Essa crítica vale para os dois lados.
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