Este livro lança um olhar sobre a história bíblica, mas com um foco inovador: a partir dos povos antigos que interagiram com o Povo de Deus. Eles, os “outros” das narrativas bíblicas – mesopotâmicos, egípcios, cananeus, persas, gregos e romanos – são o tema central desta obra. Como eram as culturas e as crenças religiosas daqueles povos? Que influências elas podem ter operado sobre a fé do antigo Israel – e mesmo na doutrina da igreja cristã? Há ideias que podem ser consideradas biblicamente corretas na teologia dos pagãos? Como a política dos impérios antigos pode ter sido usada no plano divino para trazer Cristo ao mundo? Estas são algumas perguntas que estão respondidas neste livro. André Daniel Reinke realizou uma ampla pesquisa englobando temas como a geografia histórica, sistemas políticos, cultura geral e especialmente o pensamento religioso de cada um destes povos. A partir do entendimento do outro sobre o sagrado, o autor faz uma comparação com a revelação bíblica e com a prática dos antigos hebreus, respondendo então a pergunta central de sua pesquisa: Quais são as convergências, e quais as divergências, entre a fé pagã e a fé bíblica? Este livro é uma obra fundamental para que o leitor possa compreender melhor os contextos históricos, culturais e religiosos dos povos que tanto influenciaram na jornada do Povo de Deus e na própria construção da Bíblia Sagrada.
Muito bom!! Bem escrito, conteúdo apresentado conforme o proposto. O objetivo do livro era mostrar a relação dos “outros” da Bíblia, ou seja, os povos que tiveram contato com os hebreus..como os mesopotâmicos, egípicios, persas, cananeus.. e sua relação com o propósito divino, a manifestação de Deus nessas culturas.. Para cada povo, o autor primeiro apresentou os aspectos geográficos, culturais e religiosos, de forma resumida, para depois apresentar os pontos convergentes e divergentes na forma de entender (e viver) o sagrado, com relação ao povo escolhido de Deus (tanto no velho como no novo testamento). Recomendo demais!
Eu não sei qual é o consenso do Protestantismo sobre a Teologia das Religiões, mas mesmo depois da Gaudium et Spes e da Ad Gentes e de toda a teologia desenvolvida sobre elas, a relação entre a revelação bíblica e as diversas culturas do mundo é problematicamente vaga para a Igreja Católica. André Daniel Reinke então se propõe a oferecer um panorama de diversos povos da Antiguidade, contextualizando eles a partir de sua história, cultura e religião, e discutindo a relação histórica deles com Israel e os paralelos das suas crenças com o Judaísmo e o Cristianismo. E ao tentar simultaneamente tratar de abordar uma questão tão aberta da teologia e de apresentar essa questão de maneira acessível ao leitor médio, os Outros da Bíblia acaba por ser um pouco insuficiente tanto academicamente quanto pedagogicamente. O projeto do livro é muito ambicioso, discutindo sobre os Babilônios, os Egípcios, os Caldeus, os Persas, os Gregos e os Romanos, e isso em menos de 350 páginas, então muita nuance e profundidade tem de ser sacrificada. Por causa disso, claro, diversas omissões importantes acabam acontecendo. Ao discutir a influência de Roma no mundo moderno, por exemplo, o próprio autor se desculpa por não poder escrever sobre direito romano. Também há diversas pequenas inconsistências acabam brotando do texto, o que é inevitável graças À insuficiência arqueológica ou à diversidade e da variedade de crenças e práticas que são adotadas e abandonadas por um povo ao longo da história, o que é particularmente visível nas seções sobre as religiões do Egito, de Canaã e da Pérsia. O que torna isso problemático é o fato de que em algumas passagens há uma falta de cuidado do autor, que nem sempre explicita o período no qual determinada característica cultural ou material é discutida, o que muitas vezes da a ideia de algo cristalizado e imutável na história. A historiografia do livro propriamente dita também peca, citando análises e estudos mas pouquíssimas fontes primárias, e interrogando muito pouco a fidelidade de documentos antigos quando mencionados. E claro, sendo ele um livro sobre história bíblica, a teologia e exegese pessoais e denominacionais do autor vão inevitavelmente aparecer, mas muitas vezes isso vaza para a discussão histórica propriamente dita. Isso é compreensível quando André Daniel Reinke expõe sobre o molk e prostituição ritual, mas seu tratamento especialmente duro aos romanos por serem uma potência militar autoritária, expansionista e escravocrata é estranho considerando que das outras 5 culturas discutidas 4 também foram tudo isso. O último problema meio sério do livro acaba surgindo da amplitude dos assuntos sendo discutidos. As explicações são sempre muito básicas, o que acaba fazendo com que uma cultura mais familiar aos nossos olhos como a grega seja apresentada no livro com a mesma simplicidade e detalhe com a qual a uma mais exótica como a mesopotâmica é. Muito do conteúdo do livro então acaba sendo redundante com os conhecimentos pressupostos ao leitor. Apesar de todas essas críticas, o livro é bem escrito, e em larga parte factual e informativo. Eu de forma alguma me arrependo de lê-lo, mas eu também não acho que eu necessariamente o recomendaria a alguém.
Estrutura do livro está dividida em três partes: teoria da cultura e da religião mostrando a ação de Deus na cultura e a percepção do sagrado, um breve esboço econômico/político/cultural/religioso de povos que interagiram com Israel e Igreja, e aprofundamento teórico da interação com os outros povos aplicada ao contexto atual. O sagrado seria o misterioso (inacessível), Tremendo (que causa assombro) e Fascinante (atraente) inserido na cultura de cada povo. fundamental entre o tempo religioso e o tempo profano. O sagrado (incomum, excepcional) não se apresenta somente no espaço, mas também no tempo: períodos de festas religiosas contrastam com todo o restante do ano. O tempo seria algo cíclico, pois nas festas religiosas há um retorno às origens e ao Criador, uma oportunidade de recomeçar. As semelhanças entre as culturas se encontrariam também nos relatos e mitos, especialmente na criação do mundo (cosmogonia). Assim, são apresentados os seguintes povos seguindo ordem cronológica: mesopotâmicos, egípcios, cananeus, persas, gregos e romanos. Por fim, nos chama a participar ativamente do diálogo com os outros que vivem entre nós. O autor escreve com clareza e cita grandes referências bibliográficas, inclusive indo para o âmbito secular e acadêmico. Pessoalmente, o livro me ajudou a ampliar a visão da importância do contexto cultural: o povo judeu ou a Igreja não viviam isolados de outros povos vizinhos e a troca cultural, focando especialmente na religiosa, ocorria constantemente, de forma q a própria Bíblia foi moldada por essas relações. Isto meu deu uma noção de que Deus age em todos os povos, não é exclusivista, bem como a sua Palavra é fruto de diversas mãos, inclusive de fora do arraial. Estas verdades me permitem dialogar com tradições religiosas diferentes sem partir para o relativismo de considerar todas verdadeiras, mas sem também considerar todas falsas. Deus age de formas que nem imaginamos.
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Prezo pelo meu tempo.: Eu gostaria que esse livro fosse cinco estrelas. Porém, na minha opinião, ele não merece mais que 3.
... mas também não merece menos.
Leitura fácil, de tamanho médio a longo.
Possui muitos "quotable facts".
Sabe do que eu gostei mesmo? Do capítulo "O apóstolo João e a Filosofia Grega". Este capítulo especificamente, para mim soou como escrito com muito carinho e de forma muito bonita desde a primeira linha. E escrever com tão sólida simplicidade e familiaridade é o tipo que coisa que só consegue quem, primeiro, se dedicou muito bem a estudar o assunto. E quando fala do Apocalipse no contexto do Império Romano... o autor encontra sua chance de... explicar a esperança que nos move :)
Bom, em suma, quanto ao restante do livro, ele inteiro, é todo salpicado de informações interessantes e trechos originais citáveis, muito úteis. Mas na minha opinião, ele só vai começando a ficar realmente bom a partir dos persas. E se eu fosse indicá-lo a alguém, só indicaria da parte dos gregos para frente.
Como disse outra resenha 3 estrelas, "Eu de forma alguma me arrependo de lê-lo, mas eu também não acho que eu necessariamente o recomendaria a alguém". Mas preciso também acrescentar que a natureza das minhas considerações e as do reviewer que disse isso não têm nada a ver entre si, apesar da nossa coincidência de "sentimento final" sobre o livro.
Quanto à "abordagem" em si, sobre as similaridades e Jesuscidências entre as narrativas religiosas da Antiguidade, eu prefiro, de forma subjetiva e pessoal, a abordagem do doutor Rodrigo Silva. E a base bíblica é Judas 1:15, quando o apóstolo cita Enoque, "o sétimo após Adão", que já tinha a profecia do Dia do Senhor, ou seja, o triunfante juízo final messiânico. Então, não é de se admirar que as civilizações pós-diluvianas possuíssem traços dessa verdade em seus mitos religiosos. Tanto é que, apesar de começar lançando mão de Mircea Eliade e (gasp!) Jung, o autor só consegue concluir seu raciocínio a contento porque recorre a C.S Lewis. (disclaimer: não sou adventista)
A propósito, a conclusão foi uma das partes que não curti.
No capitulo sobre João, no entanto, achei a abordagem do Dr. André Reinke lindamente indefectível. 5 estrelas só para este capítulo :P Eu deixo um trechinho mas, por gosto, colaria ele inteiro aqui :P
"Qual foi a saída de João? Ele não fez a ponte com a religião, mas com a filosofia. Ali, ele encontrou a presença de Deus dando testemunho de si mesmo e uma melhor maneira de explicar Cristo. (...) Sim, o Logos andou entre os apóstolos, e eles puderam ver a Deus por meio dele. É o Logos, Cristo em pessoa, que leva todas as culturas a refletirem sobre Deus e planta nas religiões as pistas do Deus verdadeiro". Página 242 / Posição 3756 do Kindle
O subcapítulo, da seção sobre os Romanos, "Jesus e o Império Romano", também vale particularmente a pena: cristalino, sintético, simples, bem-escrito.
E agora, partirei para ler Don Richardson, que parece ser a principal referência do Dr. Reinke.
Outro livro que ele cita, que parece possuir particular interesse acadêmico e/ou literário, pela razão de conter traduções de textos que são raros em português (pelo menos no Brasil) é "BACHA, Lourdes Maria Silva. Escritos do Antigo Egito", de 1997.
___ Alguma observações pontuais:
*Acredito que muito gente vai querer saber mais sobre os persas depois desse livro.
***A caracterização /discussão do zoroastrismo, com a sua distinção do mazdeísmo anterior e maniqueísmo posterior, é a mais útil que eu já vi. (OBS> leitores de Jack vão se sentir em casa nessa parte).
****Toda a parte que vai de Alexandre aos período neotestamentário é didática, bem escrita e útil.
*****Interessante quando ele conta que conquistadores do Império Romano logo ficaram chocados com a insanidade do culto a Dionísio, ---que já sofria intervenção das Pólis--- e proibiram a bagaça logo. O fato de que MESMO ASSIM ela tenha ido parar em Roma na forma "evoluída" de bacanais/saturnálias e tenha acabado CHEGANDO ATÉ NÓS, "evoluída" na forma de Carnaval... #significa.
******Achei as citações da literatura da Antiguidade bem escolhidas (são esparsas, mas bem colocadas).
*******Para mim, a pior frase do livro inteiro está na página 73/posição 1050 do kindle. Mas essa eu deixo para lá, pois da mesma forma que "haters will hate", "entendedores entenderão".
********As explicações sobre agricultura e divisão do trabalho na Antiga Roma. O capítulo "O escravismo e a economia latifundiária" é especialmente elucidativo. O autor é firme e elucidativo em sua crítica aos sistema de manutenção/reprodutibilidade socioeconômica e político-ideológica de Roma. As similaridades com a história e contemporaneidade do Brasil são inegáveis, e acredito que o autor tencionava cultivar o pensamento crítico dos seus leitores ao passar isso; sem apontar, porém;
Excelente Livro que fala da história, fé e cultura dos povos antigos que se relacionaram com os israelitas na Bíblia. Boa pesquisa bibliográfica realizada pelo autor. Escrita de fácil leitura, divisão de capítulos por povos, de forma bem didática, o que se tornou uma leitura bem agrádavel e com diversas referências bíblicas. Recomendo.
É um livro que cumpre o seu propósito: apresentar os outros povos que são citados na bíblia porém de uma maneira muito mais abrangente. Há um grande panorama cultural, geográfico, histórico, político, social e religioso dos mesopotâmicos, egípcios, cananeus, persas, gregos e romanos e vários pontos em que se convergem com os judeus e o cristianismo. Assim abre um leque para compreendermos a bíblia em seu contexto histórico e cultural. Conforme disse no início é abrangente mas não muito aprofundado ele não propõe a esmiuçar a história desses povos e sim dar um " start" sobre eles o que requer do leitor mais pesquisa se quiser melhor se inteirar sobre algumas coisas mas tem um conteúdo muito rico que vai agregar aos fãs de história e também quem deseja conhecer mais sobre o período bíblico.
Um livro sobre diversos povos e culturas. O livro não se aprofunda nos mitos e histórias dos povos, ele dá uma visão panorâmica para apresentar o que de fato é o foco dessa obra, a interação do povo de Deus com outras culturas. Aqui vemos como algumas culturas influenciaram na arquitetura do templo, em como a crença em demônios adentrou no cultura judaica, como a espera de um messias foi influenciada pelo exílio entre outros. Sempre deixando claro que o fato de, tanto o cristianimos quanto o judaismo terem sido influenciado não invalida a revelação divina. Como bem disse Lewis, "Se alguma vez o mito se tornou fato, fora encarnado, teria sido exatamente assim." como nos evangelhos. Onde apresenta um mito humano, e não com poderzinho e que solta raio pelos olhos.