«- E as oportunidades são como as histórias dos livros - respondi. - Basta escolher uma.
- Julgo que acabaste de o fazer. Queres ser alguém.»
A escrita é agradável, clara, concisa e demonstra o quanto C.W.Gortner é fascinado por Coco Chanel.
Coco Chanel nasceu pobre, filha de um pai ausente; ficou órfã de mãe aos 12 anos e viveu num orfanato – onde desenvolveu a arte do corte e costura - até aos 18 anos.
Talentosa, trabalhadora, inovadora e arrojada, soube aproveitar as oportunidades proporcionadas pelos seus amantes e amigos influentes, pois movimentou-se num círculo social privilegiado.
Construiu um império, e, acima de tudo, uma marca; o fato Chanel, sedutor com chapéu a condizer, tornou-se um eterno clássico, muito copiado e não saiu de moda até hoje.
Testou os limites do gosto comum e até os ultrapassou, retirando as mulheres do uso dos desconfortáveis espartilhos; tinha como divisa «quanto menos melhor»
«A minha roupa fazia a ponte entre o exclusivo e o comum. Dizia muitas vezes às minhas clientes que as mulheres acreditavam que o luxo era o contrário da pobreza, quando, na realidade, era o oposto da vulgaridade. É na simplicidade que se encontra a elegância. A sua roupa deverá ser a segunda coisa, depois dela, a ser notada. É quando está bem vestida que uma mulher mais se aproxima de estar nua.»
Mademoiselle Chanel nasceu em 1883 e morreu em 1971 na sua suíte no Ritz. Foi sepultada no cemitério de Lausanne, na Suíça, sob uma lápide de mármore com cinco cabeças de leão, unindo assim para sempre o seu signo do zodíaco com o seu número talismânico, que representava vento, terra, fogo, água e, acima de tudo, espírito.
Viveu as duas guerras mundiais, a queda da bolsa americana em 1929, factos que provocaram uma alarmante redução no número de encomendas; mas, no entanto, aprendeu a erguer-se aproveitando as necessidades da nova situação económica e social usando, por exemplo, novos tipos de tecidos.
Uma mulher enigmática, deslumbrante e eternamente só. Não casou nem teve filhos.
A sua colaboração (ou não) com os nazistas é a parte menos boa do livro poisé contada de modo labiríntico; mas sabemos que, depois de terminada a II Guerra Mundial, esteve exilada na Suiça por um período de 15 anos.
Seja como for, é impossível não admirar esta mulher na sua coragem, espírito empreendedor e ânsia de escapar à pobreza.
Teve uma vida longa com momentos bons e maus, e testou os seus limites.
Coco Chanel pertence àquele grupo, que , à sua maneira, lutou pela igualdade de direitos, liberdades e importância social das mulheres e fê-lo pela moda desenhando uma nova silhueta feminina.
Enchantée, Mademoiselle Chanel!