"Para mim não havia segurança, havia facadas de anônimos. Não havia amor, havia cafetinagem. Não havia imigração, havia tráfico sexual. Não havia liberdade de mundo, havia cadeia. Não havia conquistas, havia perdas. Para mim não havia fama, não havia identidade, não havia nome."
Li "Eu, travesti" em um final de semana. Foi uma leitura totalmente diferente de tudo o que eu esperava. Não conhecia muito da Luísa (além do famoso bordão "e teve boatos que eu estava na pior"), e cada capítulo do livro foi um soco no estômago.
Rejeitada pela família, Luísa trabalhou desde cedo se prostituindo ("Já era puta— há outro destino, meu Deus, pra travestis?"). Foi humilhada, estuprada, agredida. Chegou a levar sete facadas. Foi presa, roubada, iludida. As coisas nunca melhoraram para ela.
Confesso que esperava uma história de superação, realmente não fazia ideia do que a realidade me guardava. Esse livro é fundamental para o debate sobre prostituição e tráfico sexual. Ela não queria essa vida, mas havia outra saída?
A coragem de contar essa história com os mínimos detalhes merece destaque. Ela não esconde a vida que viveu, nem se intimida ao falar de pessoas influentes. (E aqui jaz o resto de admiração que eu tinha pela apresentadora Eliana.)
"Eu, travesti" me abriu os olhos para uma realidade fora da minha bolha e para os meus privilégios. Espero continuar lendo mais histórias LGBTQ+ além do "g".
Fortemente recomendado! (Cuidado com os gatilhos!)
"Vocês, que me leem, tomem essas dores emprestadas pra ver se é bom. Emprestadas, não, porque também são suas. Sua culpa. E eu os acuso."