A intenção da coleção Feminismos Plurais é trazer para o grande público questões importantes referentes aos mais diversos feminismos de forma didática e acessível. Neste volume, a autora Carla Akotirene discute o conceito de interseccionalidade como forma de abarcar as interseções a que está submetida uma pessoa, em especial a mulher negra. O termo define um posicionamento do feminismo negro frente às opressões da nossa sociedade cisheteropatriarcal branca, desfazendo a ideia de um feminismo global e hegemônico como diretriz única para definir as pautas de luta e resistência.
Só tirei uma estrelinha porque entendi que a proposta era escrever sobre a teoria de forma acessível e ainda é acadêmico demais. Mesmo não sendo muito acessível, ainda é uma ótima introdução para o pensamento.
Melhor livro da coleção Feminismos Plurais até aqui - isso numa coleção cheia de grandes livros - o que mais me chamou a atenção foi o tapa na cara que levei, sou branca e sempre defendi um feminismo interseccional do alto dos meus privilégios, esse livro finalmente me fez ver que a questão é muito mais complexa e profunda em relação à especifidade do feminismo negro e a questão colonial, com embasamentos de coisas que eu ignorava ou simplesmente não queria ver. Obrigada, Carla Akotirene, por abrir-me os olhos.
entrei nessa leitura de uma forma meio arrogante, achando que seria básica, que eu só aprenderia a definir o conceito pro meu projeto e seria isso. mas me surpreendi muito. há discussões super densas, aprofundadas e relevantes nesse livro pequeninho. não só define a ferramenta da interseccionalidade, como aborda muitas discussões (territorializadas no brasil, o que considero ser muito importante) sobre feminismo negro, diáspora africana e até mesmo críticas ao conceito de crenshaw. recomendo muito!
o livro diz ser de leitura acessível a todos, mas usa uma terminologia altamente acadêmica (como ipsis literis, entre outros termos e estruturas acadêmicas); além disso, as frases são longuíssimas e, às vezes, possuem informações que se contradizem. a mesma informação é repetida inúmeras vezes, escrita de maneira parecida ou idêntica, o que, para um livro desse tamanho, tira o espaço de novas informações. também achei que algumas críticas ao feminismo de modo geral (o qual deve ser criticado, principalmente em se tratando de sua branquitude) são rasas e sem embasamento. o feminismo, principalmente o feminismo teórico e as terias de gênero, não é mais binário, como aponta a autora, nem em termos de gênero nem de sexo.
nterseccionalidade é uma palavra que nomeia as diversas relações de poder e de discriminação que um indivíduo pode sofrer através de suas agências e políticas de identidade. O termo foi cunhado pela advogada norte-americana Kimberlé Crenshaw em um artigo que ela estudava os motivos pelos quais as mulheres negras da General Motors recebiam menos que qualquer outro tipo de combinação identitária naquela indústria automobilística. O termo interseccionalidade foi criado, a princípio, para se pensar os cruzamentos das relações entre gênero e raça, mas também pode ser pensando na maneira de se estudar outras interseccionalidades, como sexualidades e necessidades especiais. Segundo Carla Akotirene (2019, p. 48), “a interseccionalidade é sobre a identidade da qual participa o racismo interceptado por outras estruturas”. Por isso, para Akotirene (2019, p. 47), “a interseccionalidade nos permite partir da avenida estruturada pelo racismo, capitalismo, e cisheteropatriarcado, em seus múltiplos trânsitos, para revelar quai são as pessoas realmente acidentadas pela matriz de opressões. Ou, em outras palavras, como diriam Angela Davis, eternizada na canção Angie, dos Rolling Stones, “raça é apenas uma forma de se viver a classe”. Assim que, para Kimberlé Crenshaw: "A interseccionalidade pode fornecer meios para lidar com outros tipos de marginalização também. Por exemplo, a raça pode ser uma coalizão de pessoas heterossexuais e homossexuais e servir como base para a crítica das igrejas e outras instituições culturais que reproduzem o heterossexismo".
Uma incrível articulação de conceitos, ideias e autores, tal como uma explicação sobre o conceito de interseccionalidade requer. Com certeza muito enriquecedor e ótimo ponto de partida para aprofundar estudos decoloniais.
Bom, essa é uma das primeiras (a segunda) leituras que fiz para o meu tcc (vem aí!!!) e me proponho a colocar os livros que lerei completamente aqui - os que serão apenas capítulos não e tá tudo bem. Embora eu tenha gostado de algumas partes e de como Akotirene se propõe a trabalhar sobre a temática, acho que a linguagem acaba caindo DEMAIS no academicismo (e só pontuo isso e tiro uma estrela por essa razão, pq é justamente o oposto do que se espera dessa coleção). De toda forma, me trouxe alguns pontos e proporcionou uma amplitude da visão sobre a interseccionalidade que se torna muito importante para o início da pesquisa e escrita da minha monografia.
Na introdução a autora disse que não iria utilizar linguagem acadêmica mas o livro TODINHO é assim. Tirando isso, é ótimo. Tá sendo crucial para a minha pesquisa
(Quem sou eu na fila do pão, mas) achei a leitura MUITO truncada, tanto pelo uso de expressões acadêmicas (como já foi apontado), quanto pela forma como está escrito. Em muitos momentos o posicionamento da autora não fica claro e não consegui entender em alguns trechos se ela concorda com as críticas feitas ao uso do conceito "interseccionalidade" ou se discorda. Os conceitos apresentados no livro são muito interessantes e a bibliografia citada é muito enriquecedora (já adicionei vários textos à minha lista de leituras), mas não consigo ver de que forma esse livro pode ser considerado de "linguagem didática", como a coleção afirma ser. Há um uso muito grande de conceitos que podem até ser comuns dentro do feminismo negro, como a referência a divindades africanas, por exemplo, mas que não são de conhecimento geral. Acredito que se a coleção Feminismos Plurais realmente se propõe a falar para a leitora e o leitor não especializada/o, com o intuito de democratizar o conhecimento e despertar o interesse no tema, o texto precisa ser mais didático, porque, da forma como esse livro especificamente está escrito, temos que pesquisar bastante e ter muita persistência para chegar ao fim. Não é um livro para a pessoa não iniciada no assunto e talvez esse tenha sido o meu problema (vai ver, apesar de estar familiarizada com muitas teorias feministas, eu não seja o público-alvo).
Fora isso, se você for em busca dos textos citados (muitos estão disponíveis em português na internet e são de leitura acessível) a leitura é sim muito interessante e me fez pensar em muitas questões que eu desconhecia. Certamente lerei mais sobre o tema.
É impossível pensar numa avaliação diferente, perfeita. A escrita de Carla, eu confesso, não é tão simples de ler. Passei bastante tempo para ler este único livro. Mas, as abordagens, as formas, são diferentes das demais leituras, com um propósito rico demais. Descolonizar o olhar, a fala e a vida são processos que nem todes conseguem atingir e que é doloroso, uma vez que estamos sucumbidos por esta sociedade racista, machista, patriarcal. Carla é uma força da natureza. É um privilégio poder lhe ler.
Apesar de ter discordâncias teóricas com a autora, comecei o livro de coração aberto hahaha mas o que encontrei foi um livro muito fraco teoricamente, que, diversas vezes, pareceu distorcer o pensamento original dos autores para validar seu ponto. Neste sentido, talvez o grande mérito dessa leitura seja despertar o interesse na leitura de autoras como Lélia Gonzales e Patricia Hill Collins. Como mencionado em outras reviews, a escrita me pareceu muito truncada, o que dificultou a leitura.
O livro tem todo o seu mérito. É bem argumentado, provocador e difícil de digerir se um lugar de privilégio. A meu ver, peca por ser demasiado denso e não ter uma linguagem tão acessível quanto poderia. Fica também a faltar, em minha opinião, uma conclusão que situe melhor e efetivamente o posicionamento da autora sobre o conceito de interseccionalidade.
faz uma revisão de literatura breve sobre a interseccionalidade e me dá impressão que acaba do nada… como li Patrícia Hill Collins primeiro, achei esse mais fraco e vi algumas interpretações erradas (ao meu ver) sobre o conceito…
para a proposta da Djamila, é muito denso e muito academico.
Nesta obra de Carla, aprendi um incrível conceito denominado interseccionalidade. Segundo a autora e baseada na definição apresentada por Kimberlé Crenshaw, o termo é uma lente teórica que combina múltiplos sistemas de opressão, em particular, a raça, o gênero e a classe.
Ao longo da leitura, a autora defende como o feminismo negro e, principalmente, a mulher negra podem ser analisadas frente a diversidade que as compõem. Como um instrumento conceitual, a interseccionalidade fornece um modelo que leva em consideração a complexidade das instituições que posicionam a mulher negra em uma zona de vulnerabilidade.
O conteúdo critica o movimento feminista eurocêntrico, o modelo econômico neoliberal e as instituições que reforçam uma sociedade machista.
A leitura é rica em referências, bem feita e mostra a defesa da autora quanto a causa. Em alguns momentos o texto fica moroso por conta de parágrafos longos e algumas palavras excessivamente acadêmicas.
A intelectual Carla Akotirene aprofunda o conceito de interseccionalidade como a sobreposição de estruturas (avenidas identitárias: raça, gênero, classe social, nação ) na construção de matrizes de opressão. “A interseccionalidade pode ajudar a enxergarmos as opressões, combatê-las, reconhecendo que algumas são mais dolorosas”. Em contraste com o intuito da coleção,o livro é de difícil leitura para quem não está habituado com o jargão acadêmico. Exige pausas, releituras e pesquisas adicionais.
A escrita é densa e apresenta conceitos muito importantes. Porém, achei que o livro se afastou um pouco da proposta de adotar uma linguagem acessível para quem está começando a aprender sobre o tema. Na minha visão, é uma obra bastante acadêmica, o que não é necessariamente ruim, mas exige um conhecimento prévio para que a leitura seja melhor aproveitada.
Carla Akotirene introduz e destrincha o conceito de interseccionalidade de maneira simples e elucidativa, embora ainda acadêmico. Também achei a leitura uma ótima revisão de literatura para quem busca se aprofundar no debate e compreender melhor suas nuances.
Carlo Akotirene faz uma discussão incrível abordando diversos pontos teóricos que fortalecem a interseccionalidade e nos faz olhar para diversas práticas do seu uso.
Pequeno ensaio sobre a luta da mulher negra dentro do feminismo mais amplo. Possui vários erros de revisão, mas nada que chegue a atrapalhar a leitura.
Achei excepcional. Leitura necessária, mas, infelizmente, difícil. Precisa de empenho pra continuar, e ler cada parágrafo 2, 3 vezes. Mas é curtinho e agrega muito. Recomendo.
A autora usa o conceito de Interseccionalidade para defender os próprios ideias, fortemente baseados em autores norte americanos e, sendo o conceito original de interseccionalidade inclusivo, ela foge de seu cerne ao defender uma tese excludente do termo. Focando majoritariamente na vivência da mulher negra e parecendo esquecer a existência das mulheres indígenas, pobres, latinas, PCDs e LGBTQIA+, o livro bate na mesma tecla de sua fixação, o colorismo, durante todo seu andar.
A visão exageradamente (e ironicamente, considerando o tema) autocentrada de Akotirene explica, também, suas perguntas no Roda Viva.
Mais faria sentido se o título fosse "Feminismo Negro".
Um livro essencial sobre feminismo negro, explica sobre a ferramenta e teoria da interseccionalidade. Trás críticas do mal uso e possibilidades para o uso correto da ferramenta. Com uma que se preocupa com o entendimento sobre o termo, por vezes tem linguagem que remete a poesia e ao mesmo tempo coloca no dedo na ferida daqueles que compactuam consciente ou não com uma estrutura racista.
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Entendo que devo me aprofundar mais nos tópicos, mas partindo do pressuposto que o objetivo dessa coleção é "trazer o grande público questões importantes referentes aos mais diversos feminismos de forma didática e acessível", como é enunciado na introdução de cada um dos volumes, me perdi. Achei muito complexo, com longas frases, e várias terminologias confusas. Preciso estudar mais realmente, mas esse livrou destoou um pouco dos demais da mesma coleção.
Esse é o primeiro livro dos Feminismos Plurais que eu não recomendaria pra todo mundo, simplesmente pela linguagem rebuscada e bastante acadêmica - o que é o contrário da proposta da coleção (como tá escrito nas duas primeiras linhas da sinopse desse livro, inclusive)😶