O ciborgue nos força a pensar não em termos de "sujeitos", de átomos ou de indivíduos, mas em termos de fluxos e intensidades. O mundo não seria constituído, então, de unidades ("sujeitos") de onde partiriam as ações sobre outras unidades, mas, inversamente, de correntes e circuitos que encontram aquelas unidades em sua passagem. Integre-se, pois, à corrente. Plugue-se. A uma tomada. Ou a uma máquina. Ou a outro humano. Ou a um ciborgue. Eletrifique-se. O humano se dissolve como unidade. É só eletricidade. Tá ligado?
Este livro é muito bom porque não traz apenas o texto clássico de Donna Haraway, o Manifesto Ciborgue. Ele também traz introduções e análises de Tomaz Tadeu e de Hari Kunzru, contextualizando esse artigo para nós, brasileiros e para o momento em que vivemos, segunda década do século vinte e um. A teoria da antropologia do ciborgue de Donna Haraway se faz mais presente após a invenção e disseminação dos smartphones nos bolsos e nos lares dos seres humanos e traduz seu acoplamento em nossa sociedade. Esses aparelhos e seus aplicativos dão conta de uma série de propostas sociais que se tornam uma extensão do corpo humano, da forma que postulava Marshall McLuhan em seu principal livro, os Meios de Comunicação Como Extensões do Homem. Mas a teoria ciborgue de Donna Haraway não fica circunscrita à acoplagem das máquinas e das tecnologias com o ser humano, mas também às políticas envolvendo o papel das mulheres com as ciências e o papel das ciências sobre as mulheres. Um livro que abre bastante nossa consciência e discernimento para como não precisamos ser inimigos da tecnologia, como em muitas ficções científicas, mas mais que aliados, híbridos.
com certeza a melhor escolha pra entrar (finalmente) pros livros acadêmicos preciso ler de novo, e de novo, e de novo, de preferência numa versão mais amigável pra quem precisa ir e voltar o tempo todo às notas finais pra contextualização . mas baby steps