O mais famoso e divertido livro de psiquiatria dos últimos anos.
O autor analisa várias doenças mentais e dá uma informação divertida e acessível, mas de grande seriedade científica, sobre elas e sobre como as evitar.
José Luís Pio Abreu é Psiquiatra. Ao longo de cinco décadas de atividade profissional, tem desenvolvido e orientado investigação no âmbito da psiquiatria biológica e psicoterapias. Tem realizado uma reflexão crítica sobre a atividade clínica e publicou vários livros. Como cidadão, sempre desempenhou atividade política, social e cultural, com diversas intervenções, artigos de opinião e colunas em jornais nacionais.
A saúde mental é um dos parentes pobres das políticas sanitárias. Sob pena de nos afundarmos numa “Fossa das Marianas” da loucura, ante a sua mera nomeação, ela é vetada ao desprezo, sob um manto de tabu e preconceitos. Ainda assim, há audazes que, cientes dos perigos e das necessidades, incorporam Indiana Jones e, desbastando as lianas, insistem em decifrar os enigmas, escritos numa linguagem ininteligível, qual Pedra Roseta.
Brincando com a expressão “de médico e de louco, todos temos um pouco”, Pio Abreu tenta desmistificar concepções infundadamente enraizadas sobre a mente humana, normal e patológica. Com um vocabulário adaptado ao leigo e um tom humorístico, tenta desenredar o emaranhado de nós criados, explicitando os diferentes grupos nosológicos, de forma clara e concisa. Sem pretensiosismos, traz à baila questões que nos assolam, directa ou indirectamente, suscitando um debate necessário para uma melhoria desejável, por e para todos, de forma a alcançarmos o apanágio grego - “mente sã, em corpo são”.
“Ce ci n’est pa un DSM” mas confesso que eu próprio vi o meu estudo de psiquiatria facilitado, através desta leitura didática, recomendado pelo meu professor que, por acaso, também é o autor. Honras lhe sejam feitas pela ousadia de escrever um livro que brinca com um assunto sério, aliviando o peso que sempre lhe é imposto. E, em jeito de conclusão, questiono: afinal, neste mundo de loucos, quem é normal?
O objetivo do livro é inovador e, até, arrojado, levando um qualquer leigo a reconsiderar o papel da Psiquiatria na Medicina e na sociedade, por, no fundo, questionar a volatilidade desta especialidade médica, remetendo-a a uma insegurança diagnóstica sem fim, ao enfatizar a facilidade de os doentes em manipularem os psiquiatras. Aprecio a tentativa de desmistificar os preconceitos que, infelizmente, continuam a assombrar as patologias psiquiátricas, embora, por vezes, me pareça que o autor vá longe demais em algumas das suas descrições. Reflito acerca de o que terão pensado os seus doentes ao verem-se reduzidos a uma caricatura e a uns critérios de diagnóstico pouco palpáveis. Saliento igualmente que não concordei com o autor em várias fases do livro, nomeadamente em todo o subcapítulo “Masculino/Feminino” da seção “Como Não Ser Doente Mental”, uma vez que parecia todo ele um delírio e quase uma conversa de tasca com um monte de lugares-comuns da crendice popular. Não gostei e achei de mau tom, até porque considero que este livro faz questão de apagar as pessoas que não são heterossexuais ou de as resumir a um “estilo de vida alternativo que, embora não seja doença, não funciona”. Tirando tudo isto, foi uma leitura agradável e, acima de tudo, bem leve, dentro de um tema que me é particularmente caro. Acabo por dizer que os livros não são somente as palavras escritas pelos seus autores, são também, entre outras coisas, as conversas que geram acerca dos mesmos, e, neste caso concreto, tive conversas muito bonitas com as pessoas que amo. Por essa razão, será um livro que sempre me acompanhará, não obstante os seus desencontros com as minhas perspetivas.
Muito bom e interessante. Perfeito para quem procura perceber melhor as doenças mentais e como estas pessoas se sentem, mas sem termos muito técnicos e com humor à mistura. Recomendo!
Esta é uma descrição rigorosa da maioria das doenças mentais feita maioritariamente de forma leve, apesar de nem sempre humorística (como li algures) e nem sempre acessível (em algumas passagens tive dificuldade em distinguir algumas patologias pela linguagem técnica que encerram).
É um livro interessante, sobretudo para estudantes de Medicina, de áreas relacionadas com a saúde mental ou para pessoas muito interessadas no tema, mas não um livro para as massas, como o título e a sinopse podem dar a entender.
Livro escrito com uma ironia brilhante! Visto que estou a tirar Psicologia (e que tenho enorme gosto por descobrir e saber mais e mais) este livro foi um grande "refresco" em relação às bíblias que ando a ler.
Este é um livro interessante, bom para ler sem grande compromisso, mas que, pessoalmente, fica um pouco aquém das expectativas. É verdade que é, maioritariamente, um livro que tenta abordar e descrever as doenças mentais de forma irónica e humorística; contudo, na minha opinião, nem sempre o faz da forma mais graciosa. Além disso, sinto, também, que nem sempre o escritor é bem sucedido na sua tentativa de tornar o conteúdo do livro mais acessível àqueles com menores conhecimentos técnicos de psicologia e psiquiatria.
Aqui fica uma reflexão a que daria 5 estrelas. Figura do capítulo «Como não ser doente mental»: «O que se torna difícil, mas também aquilo que o pode diferenciar de um doente mental é, exatamente, aprender com a experiência. Os doentes não aprendem: estão sempre a fazer o que sempre fizeram. Para aprender é preciso, antes de mais, lembrar-se do que se passou. As estratégias de esquecimento são próprias dos histriónicos. Depois, é preciso assumir o erro e a derrota, coisa que os obsessivos ou os paranóides nunca assumem. Se passar por um período de tristeza, isso é perfeitamente natural e ajuda-o a pôr em causa os seus hábitos antigos. Mas se resolver a coisa com antidepressivos, lá se vai a oportunidade que a natureza lhe ofereceu para elaborar as suas defesas. Finalmente, é necessário assumir completa responsabilidade pelo que se faz. Se lhe arranjarem a desculpa de uma qualquer doença, ficará convencido de que tudo se resolverá de uma maneira mágica quando a doença lhe passar, e nunca lhe passará pela cabeça que o assunto está debaixo do seu controlo.» (p.144-145)
O resto do livro adota um tom irónico e talvez divertido, muitas vezes com muito sentido e outras (poucas) bastante redutoras ou até incovenientes. Fiquei, portanto, algo dividida, mas reconheço o carácter lúdico e educativo do livro.
Este é um livro técnico sem o ser realmente. São usados os nomes das doenças, descritos os seus sintomas, mas tudo nos é apresentado de uma forma muito divertida e de fácil compreensão. Logo pelo título, percebe-se isso. Não sou da área, mas sempre me interessei por psicologia e as doenças mentais sempre me fascinaram. Sabia, no entanto, que um livro muito técnico e/ou extenso sobre o tema me iria aborrecer, por isso esta foi, sem dúvida, a melhor opção. Sinto que essencialmente compreendi as doenças mentais. Afinal, para a obter, basta pensar como um humano pensa (ou pode pensar). No final, ainda são dadas dicas sobre como não ser doente mental, numa reflexão sobre a vida, e, por fim, sugestões de livros, artigos e filmes que abordam estes temas. Recomendo.
"O grande problema do doente mental é fazer sempre o mesmo em todas as circunstâncias. É por isso que eles são muito parecidos uns com os outros e os podemos classificar. Pelo contrário, as pessoas saudáveis, por serem tão diferentes umas das outras e fazerem coisas diversas em diversos contextos, são inclassificáveis."
"Como tornar-se doente mental" é um título que promete muito mas que não atinge o seu potencial. Um livro que tenta ser engraçado sobre a doença mental mas que se excede em certos momentos, sendo por vezes ofensivo, preconceituoso e machista.
Devo dizer que após ouvir falar tão bem deste livro estava bastante curiosa e com expectativas altas, o que acabou por ser um erro. O livro já é um pouco antigo e é necessário ter isso em conta, apesar de muitas coisas se manterem semelhantes. Os pontos positivos são que sem dúvida é um livro acessível para quem não tem conhecimento na área da saúde mental, é humorístico e como tal não só de fácil compreensão como também não se torna aborrecido ouvir falar sobre as diferentes patologias existentes. O livro apresenta então as diferentes patologias tal como descritas no DSM-IV (já existe o DSM-V) e como o leitor pode atingir esses mesmos critérios. Algo que gostei foi a própria crítica à psiquiatria e ao uso excessivo de fármacos, mas o que adorei mesmo foi o capítulo final de "Como não ser doente mental". Os pontos menos positivos é que como tinha expectativas altas esperava algo mais, quer a nível de crítica quer de humor/ironia e houve alturas em que não percebi se a escrita era sobre uma dada patologia ou outra devido à forma como o texto continuava de uma para outra. No entanto, recomendo a sua leitura, especialmente a quem deseja perceber um pouco melhor as doenças mentais sem ter de ler camalhaços e artigos atrás de artigos. Aliás o autor não só apresenta no fim uma bibliografia para quem deseje saber mais como também sugere alguns filmes que retratam com alguma fidelidade diferentes patologias.
Estive mesmo prestes a dar 5 estrelas ao livro, mas infelizmente, o 7.º e último capítulo veio surrupiar a última estrela para eu considerar esta obra como brilhante.
Não me interpretem mal. Gosto imenso da forma como o autor desconstrói as grandes doenças mentais de que nós estamos habituados a ouvir falar ou, caso contrário, pôr um rótulo em comportamentos que nós julgamos normais nas pessoas que nos rodeiam. E por esse motivo, certamente que revisitarei esta obra umas quantas vezes para me relembrar ao longo do meu percurso de algumas especificidades da nomenclatura das doenças mentais.
No entanto, discordo quase violentamente com alguns preconceitos que o psiquiatra escolhe perpetuar nestas páginas. Percebo que seja o seu próprio viés, tanto do seu estudo como análise clinica. Mas o autor consegue ser profundamente sexista enquanto se esconde por trás da máxima “estou apenas a relatar os factos”. Compreendo de onde vem e até o próprio tom em que o livro é escrito (ironia) poderia justificar algumas coisas. De qualquer das formas, não seria honesta se não dissesse que algumas vezes ficava desconfortável com algumas generalizações.
Ainda assim, ainda me ri algumas vezes, muitas dúvidas foram tiradas e serviu certamente para aprender sobre uma série de doenças. Recomendo a quem queira saber mais não apenas sobre doenças mentais, mas até alguns comportamentos ditos “normais” da vida quotidiana.
Num tom por por vezes humorístico ou sarcástico, o autor dá-nos a sua receita para nos tornar-mos doentes mentais numa das 6 categorias em que optou por classificar as doenças. Dá-nos uma perspectiva muito pessoal da doença mental, bem como do seu pensamento sobre como esta se desenvolve e é ou deve ser encarada. Para quem quer reflectir um pouco sobre o tema, este é um livro que pode fazer parte do catálogo de leituras.
Este livro é extremamente provocador, moderadamente instrutivo e, por vezes, a sua linha de humor resvala facilmente para o ofensivo / pouco empático, pelo que se torna difícil avaliá-lo.
Os pontos mais positivos: a posição crítica em relação aos critérios de diagnóstico das perturbações psiquiátricas pelo DSM, a demonstração do seu potencial de simulação e a visão não vitimizadora dos doentes, psiquiátricos ou não (até porque “os doentes” são pessoas e por isso têm igual ou mais potencial para serem detestáveis e autênticos sorvedouros face aos "saudáveis"). Os melhores capítulos são “Como não ser doente mental”, o prefácio e a introdução. O autor parece ainda um grande adepto do controlo respiratório na gestão de algumas destas doenças (abusando, contudo, das referências a oxigénio e anidrido carbónico!).
Considero menos positivos o humor por vezes falhado e a dificuldade pontual em distinguir o que é uma ironia requintada, provocadora e inteligente ou já um misto de tacanhez, sexismo e preconceito. Além disso, alguns capítulos parecem subdesenvolvidos.
É um livro que discute, de forma humorística e por vezes irónica, as diferentes perturbações mentais. Por ser escrito por um psiquiatra, tem a vantagem de ir além dos critérios de diagnóstico e oferece pontos de vista que apenas podem ser adquiridos através da experiência profissional, em contacto com os doentes.
Ironicamente, dos muitos capítulos dedicados às diferentes doenças mentais, o meu favorito é o último, dedicado a como não ser doente mental, onde o autor faz uma reflexão sobre os vários temas que nos dão identidade pessoal e cultural.
"Ou seja: temos várias oportunidades para trocarmos de espelho e nos conhecermos melhor. Usá-los ou não, esse é outro problema. Há pessoas que estão tão agarradas aos espelhos de infância que, ou não arranjam mais nenhum, ou apenas os trocam por espelhos iguais."
um livro absolutamente imperdível para qualquer profissional de saúde, particularmente aqueles que lidam com patologia psiquiátrica. com um toque irreverente e provocador, o autor desconstrói muitos dos processos mentais e estilos de vida que levam a diferentes formas de doença mental. peca apenas por nunca ter sido atualizado para os critérios atuais de classificação de doenças mentais, o DSM-5, o que me deixou muito interessado numa sequela.
Uma visão leve e divertida da patologia psiquiátrica. Sob o pretexto de dar o método para obter as patologias, fornece descrições de como elas funcionam e se apresentam, com clareza e rigor de um especialista. É uma excelente revisão, ou introdução, (ainda que segundo o DSM4, o que estava em vigor aquando da edição do livro) para todos aqueles que pretendam mergulhar no mundo da psiquiatria.
Incrivelmente fácil de ler e com umas quantas lições de vida fenomenais. Apesar do livro se vender como um manual de como se tornar um doente mental, o que fica realmente na mente, é o seu final, de como não se tornar num doente mental. Este final contém conselhos que deveriam ser dados a toda a gente, o que contrasta bem com o tom mais leve do livro
Adorei. Psiquiatria rápida para não-psiquiatras. Umas valentes gargalhadas em todos os capítulos, e feliz ou infelizmente, o reconhecimento e identificação de sintomas. Uma leitura interessante e leve para quem gosta do tema!
Tem um humor irónico em 80% do livro, é divertido e inteligente. Na parte final, agora a sério, revela alguns factos importantes sobre o surgimento da doença mental na sociedade contemporânea.
Muitos erros ortográficos (não relacionados com a altura em que foi escrito, simplesmente erros grosseiros), e tentativa, a meu ver, mal sucedida, de encapotar ressabiamento com ironia e sarcasmo.
3.5 ⭐️ Este é um livro provocador na forma como desmonta, com sarcasmo, os rótulos da psiquiatria moderna. O autor escreve com ironia sobre como a sociedade, os diagnósticos e até os próprios pacientes colaboram na construção da doença mental. Li com prazer, e ri várias vezes. No entanto não consigo ignorar como o capítulo sobre os distúrbios histriónicos da personalidade é escandalosamente misógino. Mesmo tendo sido escrito em 2001, acho inaceitável vindo de um profissional da área.