Nos anos finais da 1ª República, a instabilidade marcava o quotidiano do país. Certo dia, um ardina de O Século encontrou no Jardim da Estrela o corpo de Peres, segurança do presidente do Conselho. Quando o chefe Pratas assume a investigação do caso, apercebe-se de uma coincidência: quer Peres, quer o líder do Governo, eram membros da sociedade secreta Carbonária.
A investigação vai-se tornando mais perigosa quando se aproxima dos mais altos governantes. E, sobretudo, quando as razões para o crime confundem a investigação: a mulher do chefe de gabinete do presidente tinha uma relação extraconjugal? Eram os integralistas a vingar-se politicamente? Estariam ambições pessoais de camaradas na base do crime? Ou tudo não passava de uma simples tentativa de assalto com consequências imprevistas?
Recriação de uma cidade de outros tempos, de tabernas e carvoarias, de gente elegante a passear pelo recém-aberto Parque Mayer ou de greves e sublevações, O Homem da Carbonária é uma obra extraordinária que retrata fielmente o ambiente conturbado da 1ª República.
CARLOS ADEMAR nasceu em Vinhais, em 1960. Licenciado em História pela Universidade Aberta e mestre em História Contemporânea pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, é investigador criminal na Secção de Homicídios da Polícia Judiciária (onde entrou em 1987), tendo colaborado, durante quase duas décadas, na investigação de alguns dos mais célebres crimes ocorridos na Grande Lisboa, como os que ficaram conhecidos pelos nomes de «Skinheads» e «O Estripador». É professor no Instituto Superior da Polícia Judiciária e Ciências Criminais.
Em estilo policial, revela muitos do factos da conturbada 1ª República. Fazem-me falta estas histórias no meio da história. Lembrei-me do Repórter X que tenho de reler.
"O Homem da Carbonária" é uma daquelas leituras que surpreendem pela dupla dimensão: funciona como romance policial e como documento histórico.
Tudo começa com o assassinato de Peres, chefe da segurança do Presidente do Conselho, encontrado sem vida no Jardim da Estrela. A investigação cai nas mãos de Afonso Pratas, que rapidamente percebe que este não é um caso comum — à sua volta começa a desenhar-se um mundo feito de sociedades secretas, intrigas políticas, conspirações e ambições pessoais.
À medida que seguimos o fio da investigação, o autor conduz-nos por um Portugal em plena turbulência: a transição da Monarquia para a República, as tensões sociais, os jogos de poder e a sombra de uma ditadura sempre à espreita. Tudo ganha um peso muito concreto porque não são só factos históricos — são escolhas humanas, movidas por ideais, medos e interesses.
Gostei especialmente da forma como o livro enquadra os acontecimentos reais dentro da narrativa e ainda nos oferece, no final, um pequeno glossário que ajuda a aprofundar termos, movimentos e referências históricas que vão surgindo ao longo da leitura. É um detalhe que enriquece muito a experiência, sem nunca quebrar o ritmo da história.
Já conhecia a escrita de Carlos Ademar de "O Chalet das Cotovias", e este livro veio confirmar uma vez mais a sua narrativa segura, envolvente e muito bem documentada. Um autor que apetece continuar a acompanhar.
Um bom retrato de Portugal no tempo da 1,a República, conseguimos cmpreender e conhecer bem os movimentos que estiveram na sua origem, o sua a dia a dia em Lisboa nas primeiras décadas do século XX... muito interessante. Gostei muito.
Uma surpresa agradável este Homem da Carbonária! Um romance policial com uma interessante vertente histórica.
Comprei-o precisamente porque gostaria de aprender um pouco mais sobre o que foi a Carbonária. Penso que o objectivo foi cumprido e de uma forma muito agradável.
Um homem é encontrado morto no jardim da Estrela. Terá sido assaltado e assassinado acidentalmente, ou será que foi um crime premeditado?
Para resolver esta trama, o chefe Pratas é obrigado a desenvolver uma investigação, que serve para explicar ao leitor o estado do nosso país nos anos que se seguiram ao regicídio.
Apesar de não me considerar um fã de policiais, recomendo a leitura deste livro a quem quiser, tal como eu aprender alguma coisa sobre este tema.
Por fim, um único reparo: o epilogo dá um desenlace à história completamente imprevisível. Na minha opinião: não havia necessidade!!!!
Págs. 378 Ref. ISBN: 978-989-555-204-7 Editora: Oficina do Livro
O Homem da Carbonária é um livro fascinante, quer pelo enredo policial, quer pelo documento histórico que é. Enquanto se desenvolve a história policial de investigação do assassinato de Peres, o autor vai-nos conduzindo numa viagem histórica a um Portugal revolucionário, de intrigas e conspirações, sociedades secretas e ambições. Portugal saído de uma Monarquia e que procura os caminhos da República sob a sombra da ditadura que espreita.
Quando o corpo de Peres, chefe da segurança do Presidente do Conselho, é encontado no Jardim da Estrela, Afonso Pratas está longe de saber que iniciou uma investigação complexa e com revelações surpreendentes.
Ao longo da narrativa vão surgindo temas que o autor explica no final do livro, em jeito de Glossário, mas que bem poderiam ser notas de rodapé, e que se revestem de crucial importância para a compreensão do contexto histórico, social, político e cultural em que se desenrola a acção.
Mais uma vez, um autor português que deve ser lido.
I enjoyed it but expected far more from this book. Specially when reaching the ending i really sarted to lose interest - wich is not a good thing for any book, specially one that involves a murder and finding who did it and all that. Still, specially for those interested in knowing a little more about Lisbon in the first years of the 20th century, it was ok.
Adoro estes livros de detetives portugueses! Esta altura da nossa história é bem interessante. Lisboa devia ser um barril de pólvora nesta altura! Mas não consigo suportar o final do livro.....é no mínimo angustiante! Mas tenho que admitir: está genial! Não estava nada à espera disto! Gosto deste escritor!
Um livro interessante, com um ambiente histórico de Portugal do início do século XX. Aborda as origens e expansão da Carbonária, essa organização que foi bastante importante na revolta portuguesa contra a Monarquia e na implantação da República
Já o li há uns anos mas sei que gostei bastante. Gostei por ser um policial (que é um género do qual gosto muito) e ficção histórica (outro género literário que gosto muito). Melhor ainda ser dum período histórico sobre qual gosto bastante de ler!