A jornalista Isabel Nery traz-nos no seu novo livro, a primeira biografia de Sophia de Mello Breyner Andresen, no ano em que se assinala o centenário do seu nascimento.
A autora percorreu lugares e pessoas que fizeram parte da história de Sophia, como o Porto, a Grécia, Lagos, ou entrevistando mais de 60 pessoas, do pescador José Muchacho, ao amigo Manuel Alegre, até ao ensaísta Eduardo Lourenço, passando por companheiros das letras e da política.
Só assim foi possível completar a biografia que faltava sobre a primeira portuguesa a receber o Prémio Camões e a única mulher escritora com honras de Panteão Nacional, a quem muitos gostavam de ter visto atribuído o Prémio Nobel.
Livro muito informativo sobre a vida de Sophia. O contexto histórico, social e cultural é muito explorado, através de uma investigação exaustiva da autora. Dá-se muito destaque à sua participação na vida política e eu preferiria mais informação sobre a sua vida pessoal, os seus gostos e mais sobre as viagens, mas acredito que fosse difícil entrar na intimidade de tal família. No entanto, fiquei com a ideia consolidada de que era uma pessoa desligada de assuntos práticos, ideia que, no entanto, se opõe à sua preocupação com o papel das criadas na sua vida, que a levava a telefonar a horas impróprias aos amigos para se queixar. A ideia que tinha de ser uma pessoa distante e algo arrogante confirma-se, ideia de acordo com a importância que dava à poesia. Leitura fácil e rápida. Pode haver repetições, como por aqui se refere, mas não me incomodaram. Já a história dos ancestrais torna-se um pouco confusa.
Gosto muito de biografias. Assim que descobri que este livro ia sair, resolvi logo que ele viria morar cá para casa. E não me arrependi. Este livro é um excelente trabalho da jornalista Isabel Nery. Percebe-se que fez uma extraordinária investigação para percebermos quem foi esta figura maior da cultura portuguesa do século XX. Para fazer este livro, Isabel Nery procurou as origens de Sophia chegando ao ponto de ir à ilha onde o seu bisavô Jan Andresen nasceu e de onde saiu na viagem que terminou, inesperadamente, no Porto. Nesta obra, descobrimos que Sophia foi, ao mesmo tempo, humana e divina. O livro aborda as origens, como já disse, a ligação com o mar, com a Grécia, a relação com a família incluindo a relação com Francisco Sousa Tavares e com os filhos, com os amigos, com outros escritores e a sua intervenção cívica e política.
Este livro reforçou a minha convicção de que Sophia de Mello Breyner Andresen foi uma pessoa especial. Para além do seu talento, amplamente conhecido, encontrei uma personalidade peculiar, uma mulher, ao mesmo tempo forte e frágil, e que dominou a língua portuguesa como ninguém.
Esta obra devia ser de leitura obrigatória para todos os portugueses, especialmente neste ano em que se comemora o centenário do seu nascimento.
Interessante viagem através da vida de Sophia e do contexto histórico em que mais se notabilizou. Uma leitura muito agradável, apesar de alguma tendência para a repetição de informação ao longo dos capítulos, por vezes dentro do mesmo capítulo até. Em todo o caso, a ler!
A Sophia. Comecei a ler com os livros infantis de Sophia, a partir daí ganhei um fascínio enorme pela escritora. Curiosamente, só recentemente me introduzi no seu mundo poético muito recentemente. E voltei a fascinar-me.
Com Sophia é fácil voar e mergulhar na profundeza dos seus versos e histórias.
Confesso que este livro tem partes meio aborrecidas e que quase me fizeram desistir, mas a excentricidade da poeta juntamente com todas as suas guerras e lutas fez-me querer ir até ao fim. Estamos em confinamento, mas tenho a certeza que mal volte a Lisboa irei à Travessa das Mónicas. Quero voltar à Graça e levar comigo os poemas desta ilustre mulher.
Vale muito a pena. Ainda que bastantes aspetos formais criassem alguma inquietação e soluços à leitura (muitas referências numeradas em poucas linhas, citações de duas ou três palavras,...), assim como um esforço redobrado de acompanhar certos avanços e recuos cronológicos. Mesmo assim, vale muito a pena conhecer melhor Sophia através deste livro.
Não sou uma grande apreciadora de biografias, a não ser que o biografado me interesse tanto que não consiga ignorá-lo. Foi o caso de Sophia de Mello Breyner Andresen de Isabel Nery. Isabel Nery, jornalista, estreou-se no género biografia com este livro que considero inestimável, não só pela exactidão dos factos da vida da poeta, mas também pelo excelente contexto histórico dos anos ditatoriais da época em que Sophia viveu. Muito bem escrito, com detalhes deliciosos de Sophia, cada página mais interessante que a anterior, em que li sem parar, muitas vezes pela noite fora, Isabel Nery consegue trazer-nos Sophia ao mais profundo do seu íntimo, sem desvendar o mistério da sua genialidade. Em entrevista, Isabel Nery confessou a aventura em que se tornou a escrita deste livro:
"Foi uma bela aventura, que me levou até à Grécia, ao Algarve, à Granja e ao Porto, mas também a ouvir cerca de 60 testemunhos. Desde alguma família, grandes amigos, como Manuel Alegre e Graça Morais, até tradutores e especialistas na obra, assim como o pescador José Muchacho ou empregados dos restaurantes que Sophia frequentava. Ou ainda historiadores da ilha de Föhr (antes Dinamarca, hoje Alemanha) de onde o bisavô de Sophia, Jan Andresen, veio para Portugal. Foi um trabalho profundo, de investigação, por isso, a somar ao que já referi, pesquisei arquivos, como os da PIDE, na Torre do Tombo, ou os arquivos da Presidência da República, o espólio da Biblioteca Nacional, assim como artigos de jornal e textos escritos sobre Sophia. O objetivo era chegar a uma visão o mais abrangente possível da autora, que me permitisse revelar uma Sophia completa, nas suas diferentes facetas (criança, mulher, mãe, amiga, poeta, política)." in www.jornaltornado.pt
Este livro não parece ter sido editado! Parágrafos repetidos, a ponto de ter numa página a informação de que tinham emigrado mais de 69 mil portugueses num certo ano, e 6 parágrafos abaixo repetia a história, mas com 70 mil emigrantes! Ao fim de alguns capítulos cheios deste tipo de repetições, e ainda por cima inconsistentes, desisti, em frustração, mesmo que estivesse muito interessada na biografia como tema.
Biografia de conteúdo muito interessante. Porém, como já foi comentado, o texto contém vários parágrafos repetidos, frequentemente em páginas seguidas, o que é incompreensível.
Sophia é um trabalho impecável da escritora (e jornalista) Isabel Nery sobre a vida de Sophia. O melhor deste livro, e que acabou por ser um defeito para muitos leitores, foi todo o contexto histórico, social e cultural nos anos em que Sophia viveu. Tudo à sua volta contribuiu para a sua obra poética, para o nascimento dos livros infantis e de contos. Todo o combate contra o fascismo influenciou, de certa forma, a sua persona.
O livro começa com a chegada dos antepassados de Sophia a Portugal, tudo o que aconteceu até ao nascimento da poeta e a sua vida maravilhosa. É recomendável para os admiradores da sua obra.
Normalmente, é-me muito difícil encontrar as palavras certas para falar daquilo que um livro me oferece, quando o livro em questão é muito bom (talvez a expressão “ficar sem palavras” faça aqui algum sentido). “Sophia”, biografia não autorizada da poeta Sophia de Mello Breyner Andresen – que faria hoje cem anos, caso fosse viva -, é uma das raras excepções a esta regra deveras pessoal. Não é custoso verter em palavras um olhar repleto das mais belas imagens, fruto de uma escrita generosa e que acrescenta história, cultura e conhecimento ao leitor. O gozo que me deu descobrir (!) Sophia. O quanto intuí nos seus silêncios, o quanto vibrei com a coragem da sua escrita, o quanto me ri com algumas das suas tiradas lapidares, o quanto sofri com a sua dor.
Atravessando o século XX português, a história de Sophia de Mello Breyner Andresen confunde-se com a do próprio país e disso nos dá conta esta sua biografia. Desse longínquo 6 de Novembro de 1919, dia do nascimento da poeta, aos alvores do século XXI e à sua morte, sobrevinda em 02 de Julho de 2004, é ao seu encontro que vamos, numa viagem por mares nem sempre bonançosos. Através de olhos que poderiam ser os seus, espreitamos o ambiente depauperado da Nação na primeira República, a ascensão e consolidação do Estado Novo, as “mãos horrorosas dos fascistas”, a resistência feita palavra e presença; e, depois, “o dia inicial inteiro e limpo”, os trabalhos na Constituinte, os conturbados momentos do PREC com um sequestro pelo meio, até à defesa da cultura, do alto da bancada socialista ou ao Prémio Camões, em 1999, pela primeira vez outorgado a uma mulher.
Mas “Sophia” não é apenas História e não é apenas política. É igualmente uma viagem que une o Porto, Lisboa e Lagos, três vectores em solo pátrio, a uma Grécia pela qual se apaixonou, que passou a ver em tudo e que serviu de inspiração a uma significativa parte da sua obra. É também uma viagem ao encontro da sociedade aristocrática na qual nasceu e viveu, mas também da gente comum, como a empregada Luísa, autêntica “coluna de Hércules” da família, ou os pescadores que, de barco a remos, a levavam a visitar as grutas da Ponta da Piedade. É privar com alguns dos maiores vultos da nossa história recente, como Mário Soares ou Manuel Alegre, Jorge de Sena ou Graça Morais, Eduardo Lourenço ou José Saramago, entre tantos e tantos outros. É mergulhar no espaço conjugal de “Tareco e Xixa”, descobrir em Francisco Sousa Tavares o “pior condutor de automóveis do mundo” e, recuando gerações, conhecer o avô Thomaz de Mello Breyner, o médico das “moléstias vergonhosas”, ou ir ao início de tudo quando, numa manhã de verão de 1840, Jan Hinrich Andresen, com 14 anos apenas, chegou ao Porto para dar início a uma bela história. Tudo isto envolto na sua obra, sempre presente, dos contos infantis e dos textos de não ficção à poesia. Sobretudo à poesia.
As últimas palavras vão para Isabel Nery, autora de “Sophia”, uma biografia que faz jus ao nome e à relevância da poeta. Nela soube a autora encontrar o tom certo para oferecer ao leitor a novidade da descoberta, os factos que acrescentam conhecimento, a emoção que gera empatia, transformando a leitura destas mais de trezentas páginas num enorme prazer. Perante ela me curvo pela forma como, inspiradamente, soube trabalhar e montar um verdadeiro “puzzle” - de pesquisa, viagem e encontros feito – para o tornar límpido e puro, “livre como o vento e repetido / como o florir das ondas ordenadas”. Louvo ainda Isabel Nery pela sua honestidade moral e intelectual posta ao serviço da obra e da poeta, mas sobretudo dos leitores. A forma como a autora nos introduz “Sophia” é desarmante. Mais do que mostrar-nos ao que vamos, dá-nos a absoluta confiança, a certeza, desde a primeira linha, de estarmos perante uma biografia superlativa. “Numa altura em que tantas vezes parecemos moralmente dormentes, aprofundar o conhecimento sobre a autora e os seus escritos é o melhor tributo que lhe podemos deixar”, diz Isabel Nery. A vontade de ler mais Sophia, de saber mais de Sophia, cresceu em mim, reforçou-se, é agora imensa. A mensagem passou!
Enquanto biografia estava à espera de algo mais impessoal. Acho que a autora se perde em vários momentos na sua própria viagem à procura do "mundo de Sophia", o que quebra o teor biográfico do livro. Fora isso, os contextos histórico e social das diferentes fases porque passa Sophia e os seus antepassados são bem-vindos e enriquecem a história.
A autora diz no início que esta é uma biografia "sobre Sophia", no entanto acabei um bocadinho desiludida. Muitas ideias repetidas, alguns enquadramentos históricos demasiado longos e a sensação de que se queria destruir o misticismo à volta de Sophia de Mello Breyner Andresen a todo o custo. Claro que temos de ver os artistas como pessoas normais, de carne e osso, com defeitos e tudo, mas houve momentos em que parecia que a autora queria forçar esses defeitos no livro. Também não vejo a necessidade dos depoimentos da amante (e depois 2.ª mulher) de Sousa Tavares. No entanto, ficamos a conhecer a história de Sofia e as suas origens, assim como várias partes da sua vida que deram origem à sua obra. É isso, sem dúvida, o que importa destacar de positivo neste livro.
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