A antologia “Cor não tem gênero” traz oito contos pelas mãos dos escritores Danilo Barbosa, Leonardo Antan, Luiz Gouveia, Rafael Ribeiro, Brenda Bernsau, Cínthia Zagatto, Janaina Rico e Thati Machado.
Em uma edição vira-vira com conteúdo interativo, a obra é um manifesto pela diversidade. Mais do que reforçar a ideia de que cores não têm gênero, o livro busca contemplar a beleza da liberdade de poder ser quem quiser.
Além disso, é um lembrete de que arte é resistência e de que não aceitaremos NENHUM DIREITO A MENOS.
A antologia “Cor Não tem Gênero”, organizado por Thati Machado, reúne vários autores com contos sobre diferentes pessoas e visões de mundo, mas sempre relacionando-se com a máxima de que existem certos gostos “femininos” e “masculinos” e como essa crença não é a norma que deve ser seguida.
Os quatro primeiro contos, para mim, foram confusos, ou não conseguiram estabelecer uma narrativa convincente ou os dois. Destaque para “Swing da Cor”, cuja temporalidade me confundiu bastante. O recurso de colocar músicas no meio do texto também não ajudou nesse aspecto.
A crônica de Janaína Rico, “Meu gênero é arco-íris”, foi um belo respiro em meios aos contos iniciais. “No alto das montanhas”, de Cínthia Zagatto, também é notável por ser uma estória bem sensível e com uma ambientação fácil de se conectar.
“Multicor — Parte 2”, foi meu conto favorito. Não surpreendentemente, a editora da antologia assina esta estória. Mesmo sem ter lido a primeira parte, achei fascinante a criação do mundo no qual Thati se baseia, destaque para o discurso contra o governo de “Altair Montanaro” e seus laranjas. É, as vezes a fantasia imita a realidade e vice-versa.
Naturalidade e sensibilidade necessária para discutir os problemas e a beleza da liberdade de poder ser quem realmente somos.
Os contos são curtos e sem aquele ar didático que geralmente essas coletâneas escritas e lançadas por aqui tem. É sensível e sincero, não precisa forçar para narrar a vida de pessoas que já sofrem com tanto esteriótipos quase todos os dias. Acho que o que mais gosto aqui, é a forma como cada autor cria uma narrativa diferente dentro do seu gênero favorito/zona de conforto, sem deixar a ideia principal do livro de lado, que é mostrar histórias sobre pessoas que amam, sofrem, questionam o futuro e o sentido da vida, buscam se afirmar e viver, independente de raça, sexo, orientação sexual e identidade de gênero.
O livro está no Kindle Unlimited, então se você é assinante, pode pegar emprestado e ler a qualquer hora. É escrito por alguns autores independentes, e sério, deem oportunidade para autores independentes/iniciantes, deem suporte e os abracem com carinho, eles têm muita coisa legal para mostrar.
"Cor não tem gênero" é uma coletânea de contos com temática LGBT publicada neste ano como resposta à declaração da ministra Damares sobre meninos usarem azul e meninas usarem rosa.
Os protagonistas de todos os contos questionam os estereótipos de gênero de alguma forma, seja por sua orientação sexual ou pela sua performance em termos de vestimenta e demais características físicas.
As histórias são todas bastante curtas e muitas delas fazem referência direta e explícita ao governo Bolsonaro e a seus ataques à comunidade LGBT, o que foi interessante de ver representado em livro, mas, ao mesmo tempo, tenho minhas divergências em relação à forma como as críticas ao governo foram apresentadas.
De todo modo, considerando a importância da literatura LGBT, recomendo a leitura no sentido de ampliar as visões da comunidade LGBT que estão presentes na literatura.
É impressionante como a editora Rico consegue reunir diversas histórias, a maioria delas muito boas, em um único volume. Não há dúvidas de que as histórias trazem muito da discussão, que tivemos há uns meses atrás sobre cores. O lançamento do livro aconteceu em um momento bastante propício e traz reflexões não somente a cerca de gêneros, como também da sexualidade. Destaco aqui como minhas favoritas: “Tudo que não-perecível ser dito”, “Camisetas, cores e confusões” e “Meu gênero é arco-íris. Excelentes histórias, recomendo!
Tudo na minha vida esses contos, achei todos maravilhosos, principalmente por ainda ler tão pouco narrativas com personagens não binários. Todas as histórias são muito bem escritas e mesmo curtas faz com que a gente se apegue aos personagens. Menção honrosa pro último conto que eu preciso que vire uma série pois amei fortíssimo.