Até onde você iria por um pet? Clara Madrigano tem uma resposta aterradora nesse conto que apresenta as relações despedaçadas de uma família de rednecks e a trajetória de uma menina e seu cãozinho Dodge. Recomendo!
Lita tem uma história importante a contar a sua psiquiatra, mas se esquiva das perguntas feitas e prefere contar tudo de seu jeito, focando em quem mais importa: Dodge. É interessante como a ordem com que se apresenta os acontecimentos ao leitor faz toda a diferença. Se esta história fosse apresentada em ordem cronológica talvez não tivesse o mesmo impacto que tem. Há uma atmosfera sombria crescente e um senso de ironia forte da protagonista. Dodge é um conto direto e certeiro que fala sobre justiça poética e injustiça crônica. O que mais me incomodou foram os nomes gringos dos personagens, mas até mesmo isso acaba se justificando no final. Existe um elemento-chave que dá sentido a esta escolha. Conto recomendado para quem gosta de história sombrias com revelações de forte impacto.
eu previ o que ia acontecer nas primeiras páginas, mas, ainda assim, o desenrolar da história é delicioso. a autora consegue abordar vários temas importantes em poucas páginas sem que o conto fique carregado. não é só a história de um cãozinho.
Tudo bem, eu realmente senti o impacto! Este é o meu segundo contato com uma história da Clara Madrigano, e assim como foi com A Toca das Fadas, a autora vai nos conduzindo por um caminho nem um pouco esperado e que termina de uma maneira que nos deixa com um gosto amargo na boca - mas que, sem sombra de dúvidas, atesta a genialidade de sua narrativa.
Ao começar com a simples e fofa história de uma menina e seu cachorro, Clara aos poucos - e sem muito alarde - vai nos conduzindo através de uma subtrama de abusos, maus tratos e uma família completamente despedaçada. Logo, o que não era foco se torna destaque. E, quando percebemos, estamos de frente para um conto cheio do lado mais sombrio do ser humano - onde não existe nem luz e nem sombras, apenas os mais variados tons de cinza.
Eu ainda estou chocado com a profundidade e tridimensionalidade que a autora cria na história, mesmo sendo uma narrativa tão breve. Pela sinopse e pelos primeiros parágrafos, eu nunca imaginaria os caminhos que Dodge me levaria. E, quando dei por mim, estava na última página - agarrado ao meu Kindle, e batendo palmas para o texto. Eu juro que queria poder falar mais sobre este conto... Mas qualquer coisa além poderia entregar as surpresas que a trama carrega. E a forma como o texto vai se desdobrando e se revelando é um dos grandes do texto.
Gostei da narrativa. Não chega a surpreender, mas é bem escrita e envolvente. O que não gostei, e aí é uma questão bem particular minha mesmo, é de a história se passar nos EUA. Lares desarmônicos, negligência com crianças e adolescentes, etc. não são problemas sociais exclusivos dos EUA. Mas aí é uma escolha da autora. Quem gosta, gosta. Quem não gosta, não gosta.
Um momento que achei um tanto problemático foi a narradora se referir a si mesma como "white trash". Forçado e desnecessário. Joga no lixo os indícios pontuados durante toda a narrativa do perfil daquela família, dando respostas prontas para o leitor.
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Esse é o meu segundo contato com a escrita da Clara, já havia lido o sensacional "O Regresso" que é parte da antologia "Aqui Quem Fala é da Terra". A escrita da autora é ótima, o clima de mistério do conto é muito crescente e toda hora você se questiona o que diabos aconteceu com Dodge e depois que acontece, você se questiona sobre o motivo de Lita estar ali, naquela condição, tendo que responder aquelas perguntas e CARAMBA, o final é surpreendente demais!!!!
Eu gosto muito do que a Clara escreve, e, de todas as coisas que eu já li, acho que Dodge é até então o meu conto favorito. Provavelmente porque há uma melancolia subjacente ao texto que funciona como uma força coesiva que envolve a tragédia anunciada a seus antecedentes e desdobramentos.
Enquanto eu lia sobre a Lita, imediatamente eu me lembrei da Merricat da Shirley Jackson, e da Carrie, do Stephen King. Garotas adolescentes podem ser muito melancólicas. E assustadoras.
O estilo da Clara é muito marcante e Dodge é um belo exemplo. Ela direciona o nosso olhar para aspectos que nem sempre são agradáveis, mas faz isso de maneira lúcida, interessante e muito bem escrita.
uma leitura bem rápida, mas com uma narrativa excelente. parece o relato de alguém próximo, de tão fluida que a história é. espero ler mais da autora, em Dodge ela estabelece um padrão bem alto e tenho certeza que seria incrível numa história mais longa.
Eu gostei bastante! Mas achei meio previsível o final, dado que li anteriormente o livro "Boneca" dessa autora.
Se eu não tivesse lido "Boneca" provavelmente teria caído para trás de surpresa, pois pela capa dá para imaginar um livro como "4 vidas de um cachorro" ou alguma coisa assim.
Fora esse detalhe pessoal, eu recomendo muito o livro.
Numa agradável viagem de metrô do trabalho para casa, li Dodge, conto da Clara Madrigano. Eu já havia lido A Toca das Fadas (grátis na Amazon), e ali eu já desconfiava que autora tinha algo de anormal, uma loucura latente que se traduzia em palavras. Após ler Dodge, tive certeza disso, Clara Madrigano é uma mulher ligeiramente insana, com uma dose generosa de maldade na alma, o que me diz que seremos grandes amigos. Emoticon colonthree O conto é sublime, impecavelmente escrito e sombrio fingindo não ser, e pode ser lido de graça em algumas plataformas (links abaixo), o que é um pouco triste, porque eu queria ter pago pelo texto, pois ele merece. https://pt-br.widbook.com/ebook/dodge http://www.wattpad.com/story/36226945...
Lita quer contar a história de Dodge do seu jeito e nós acompanhamos a narrativa. É um suspense bem construído, você fica querendo saber o que vai acontecer em seguida, você acha que vai ler um conto sobre um cachorro, mas é muito mais do que isso. Eu não esperava a reviravolta, mas fez sentido e eu gostei muito! (Haha, o que isso diz sobre mim?). É uma história sobre uma família desajustada, a relação entre mãe e filha e o amor de um doguinho.
Este é um conto que se inicia de maneira curiosa e que nos prende desde as primeiras palavras, quando é possível notar que se trata de alguém relatando algum acontecimento à uma médica. O relato se inicia no dia em que Dodge, um cãozinho magro e amistoso, surgiu na vida da narradora e em todo o texto é possível notar o amor que ela nutre por ele, porém, conforme avançamos na história, percebemos que estamos lidando com muito mais do que a história de uma criança e seu cãozinho. Este é um conto que fala sobre dramas familiares; e que faz isso de uma maneira extremamente hipnotizante. Fiquei assombrada com a narrativa que ficou na minha mente por dias. É uma história que, mesmo tendo poucas páginas, nos toca profundamente.