A história da Europa não é linear e também não o é a sua identidade possível. Entre contradições e conflitos, dúvidas e colapsos, inquietações e incertezas, realizações e descobertas, uma certa necessidade de transcendente que é sentida pelas sociedades tem evoluído em duas direcções: por um lado, um aumento do laicismo, sobretudo à medida que a ciência e a técnica vão proporcionando um mais completo conhecimento do Universo e do mundo, e portanto diminuindo o papel das explicações que remetiam muitos fenómenos considerados inexplicáveis para o foro do divino, e, por outro lado, na proporção do aumento dos individualismos e dos egoísmos colectivos ou individuais.
VASCO NAVARRO DA GRAÇA MOURA (Porto, Foz do Douro, 3 de Janeiro de 1942 – Lisboa, 27 de Abril 2014) foi um escritor, tradutor e político português.
Após o curso de Direito na Universidade de Lisboa, exerce advocacia entre 1966 e 1983. Eleito deputado da Assembleia Constituinte de 1975 pelo Partido Social Democrata, não exerceu o seu mandato, mas participou nos dois governos provisórios desse ano como Secretário de Estado, primeiro da Segurança Social e depois dos Retornados. Entre 1978 e 1996 exerceu os cargos de director da Radiotelevisão Portuguesa, da Comissário Geral das Comemorações dos Descobrimentos e de director dos serviços da Fundação Calouste Gulbenkian. De 1999 a 2009 foi deputado ao Parlamento Europeu, integrando o Grupo do Partido Popular Europeu. Em 2012, foi nomeado para a presidência da Fundação Centro Cultural de Belém. Recebeu inúmeros prémios de onde se destaca o Prémio Pessoa (1995), a Coroa de Ouro do Festival de Struga (2004), o Grande Prémio de Romance e Novela da APE/DGLB (2004) e o Prémio Nacional de Tradução (2007). Além de se dedicar ao romance e à poesia, traduziu para português: Fedra, Andromaca e Berenice de Racine; O Cid de Corneille; A Divina Comédia de Dante; Cyrano de Bergerac de Edmond de Rostand; O Misantropo de Molière; e Sonetos, de Shakespeare. Faleceu em Lisboa, a 27 de Abril de 2014, vítima de doença prolongada.
Algumas obras: Poesia – Modo Mudando (1963); O Mês de Dezembro e Outros Poemas (1976); A Sombra das Figuras (1985); Os Últimos Cantos de Amor (1988); Sonetos Familiares (1994); Uma Carta no Inverno (1997); Testamento de VGM (2001); Antologia dos Sessenta Anos (2002); Os nossos tristes assuntos (2006). Ficção – Quatro Últimas Canções (1987); Partida de Sofonisba às seis e doze da manhã (1993); A Morte de Ninguém (1998); Meu Amor, Era de Noite (2001); Enigma de Zulmira (2002). Ensaios – Luís de Camões: Alguns Desafios (1980); Camões e a Divina Proporção (1985); Sobre Camões, Gândavo e Outras Personagens (2000). Outras: Circunstâncias Vividas (1995); Contra Bernardo Soares e Outras Observações (1999).
The book "The European Cultural Identity" is published at a time when it is alluded to, without defining or drawing its outlines. According to the conveniences, the "European identity" is Democracy or the Social State, Christianity or Human Rights, the Lights or Romanticism. Or all of that. But when one looks carefully, one realizes that it is much more, that it evolves, that it is contradictory, that includes esteemed and recognized universal values, but also realities that are the opposite. And that will be one of the merits of this book: to show that European cultural identity is an unfinished subject, a phenomenon in the making and a constant movement. It is also clear what Vasco Graça Moura means: it is difficult or perhaps even impossible to define and establish European cultural identity, but where it is, it is soon recognized; whoever sees it, realizes it. In other words, no one defines it, but everyone does. In this regard, one of the last chapters entitled "European identity, self-reflection and self-questioning" is a masterpiece, a condensation of the evolution of more than 2000 years of European history, from ideas, values and Art! It is an excellent helper in this attempt to distinguish European identity, without defining it.
Ensaio para reflectir sobre algumas razões para o curso histórico da Europa e as questões actuais que a fragilizam, centrando-se na identidade cultural como uma das respostas à sua união. “A herança cultural encontra-se sedimentada na memória coletiva e nas valências simbólicas que apresenta, testemunhando permanentemente a criatividade do espírito e a luta e afirmação do homem contra o meio adverso. É portadora de um sentido enriquecedor da condição humana”
Um opúsculo que merece ser lido por todos quantos se interessam pela questão da identidade nacional e europeia. Conciso mas completo, com inúmeras referências que devem (deveriam?) ser familiares a toda a nossa sociedade europeia.