É uma evidência: por ser limitado em gente e recursos, Portugal dependeu sempre das relações com o exterior. Daí que seja importante questionar se, ao longo da história, temos seguido a estratégia mais eficaz para garantirmos uma boa inserção num mundo incerto.
O presente ensaio aponta para um problema central na cultura estratégica portuguesa, que é a aversão ao planeamento sistemático. Falta-nos capacidade de análise, planificação e coordenação do conjunto dos meios do Estado para antecipar ou responder a ataques, crises, emergências.
No entanto, ao contrário do que alguns defendem, um país como Portugal não só pode, como deve ter uma grande estratégia nacional, que articule sistematicamente uma visão do seu lugar no Mundo e tire o máximo partido das suas capacidades. É o que se propõe neste ensaio.
BRUNO CARDOSO REIS nasceu em Tomar, em 1973 É Licenciado e Mestre em História, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Mestre em Historical Studies pela Universidade de Cambridge (2003) e Doutor em Segurança Internacional (War Studies) (2008) pela School of Social Sciences and Public Policy, King’s College London, com a tese Big Armies and Small Wars: British, French and Portuguese Colonial Counterinsurgency Doctrine. Actualmente realiza o pós-doutoramento em Ciência Política/Relações Internacionais no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, com uma investigação sobre The End of Colonial Empires: Comparing Portuguese, British and French Decolonization (1945-1975). Trabalhou como editor adjunto da revista mensal do Instituto de Estudos Estratégicos e Internacionais, onde foi investigador sénior. É Professor convidado da Universidade Nova da Lisboa (onde lecciona Histórica Contemporânea na Faculdade de Economia, e História das Relações Internacionais na Faculdade de Ciência Sociais e Humanas). É membro da International Studies Association e da British International Studies Association desde 2003, assim como do Institute for International and Strategic Studies de Londres desde 2010. Tem publicado em revistas nacionais e internacionais sobre temas de história e relações internacionais. O livro Salazar e o Vaticano (Lisboa : ICS, 2007) recebeu os prémios Vítor de Sá de História Contemporânea e Aristides de Sousa Mendes de Relações Internacionais.
Uma boa porta de entrada para o tema tão vasto que é a estratégia/grande estratégia. Muito valioso o olhar sintético de BCR sobre a história da grande estratégia em Portugal, que me parece ser o único existente no nosso país, onde o campo de estudos da Grande Estratégia tem sido largamente ignorado. As sugestões apresentadas parecem ser realistas, ainda que a sua aplicação possa ter alguns entraves. Não deixam, contudo, de abrir a porta para uma discussão no panorama político nacional que poderia trazer frutos.
A natureza da coleção da FFMS não permite um aprofundamento de vários temas de relevo pelo quem se interessa pelo tópico fica com a sensação que só se aflorou a superfície. Oxalá este pequeno estudo abra caminho para mais trabalhos nesta área.
Um resumo bastante sintético mas útil sobre a posição portuguesa sobretudo na NATO, mas com soluções ambiciosas no investimento numa cultura de planeamento e estudos a que não estamos habituados. A escassez de recursos e a pouca tradição de planeamento ainda são muito frágeis para as soluções propostas, mas seria um bom começo pensar nelas.
Uma reflexão profunda sobre a necessidade de Portugal desenvolver uma visão estratégica de longo prazo. O autor argumenta que, para enfrentar os desafios contemporâneos — como a transição energética, a segurança internacional e a coesão territorial —, o país precisa de uma abordagem coordenada e sustentada que vá além de ciclos políticos curtos.
Um livro muito focado na estratégia de segurança e militar. Com uma revisão história do percurso geopolítico português. Um bom ponto de partida para quem queira desenvolver o conhecimento sobre o posicionamento português na política de segurança internacional.