What do you think?
Rate this book


95 pages, Paperback
First published January 1, 2019
No entanto, não podemos chamar ao reconhecimento do Reino de Portugal pelo Papa um reconhecimento "internacional", até porque essa palavra só surgirá no século XIX, há pouco mais de cem anos, tempo de nacionalismos que precisou da invenção do termo «internacional e de várias doutrinas do «internacionalismo» [...]. Chamar assim de reconhecimento «internacional» à bula Manifestis Probatum, como veremos no volume desta coleção dedicado a 1179, é incorrer no pecado a que os historiadores chamam «anacronismo»: ou seja, usar as palavras do futuro para nos referirmos às realidades do passado. Sendo pecado, todos os historiadores reconhecem serem pecadores: é impossível falar do passado sem recorrermos aos termos e expressões do nosso presente. Para expiar esse pecado, é preciso assinalá-lo de modo que o leitor dele fique consciente, como acabo de fazer. O que existia antes do termo «direito internacional» era algo a que se chamava «ius gentium», ou direito das gentes.
Estes eventos [do Bairro da Jamaica], que provavelmente noutros tempo poderiam ocorrer sem se tornarem notícia, foram filmados a partir das janelas dos prédios pelos dispositivos móveis hoje ubiquamente transportados por toda a gente — vulgo telemóveis, ou smartphones — e, de forma também banalizada nas sociedades contemporâneas à escala global, publicados e distribuídos rapidamente através das redes sociais que põem individualizadamente em contacto pessoas de todo o mundo. (Se se descrevem resumidamente estes dispositivos e estas redes é porque, há 20 anos, no ano de 1998 a que se dedicará o próximo volume desta série, estes não existiam, e naturalmente, não sabemos que dispositivos e plataformas existirão daqui a outros tantos 20 anos.)