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Portugal, uma retrospectiva #1

2019 : um olhar historiográfico sobre o Portugal de hoje

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Como descreveríamos a trajectória portuguesa se pudéssemos resumir um milénio num só dia? Como poderia um historiador do futuro narrar a história dos primeiros três meses de 2019? Que novos atores políticos – minorias, mulheres, jovens – marcam o nosso tempo? E que grandes tendências e tensões atravessam a história de Portugal, distinguindo-a, e a aproximam agora de um presente crítico para o futuro da humanidade? Dedicado a 2019, este volume procura responder a todas estas perguntas.

95 pages, Paperback

First published January 1, 2019

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Rui Tavares

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June 14, 2019
Escrito por Rui Tavares, que é também o coordenador da colecção, este primeiro volume explica a invulgar proposta cronológica desta colecção (da frente para trás); problematiza com frequência perspectivas e conceitos, o que é bastante útil quando os conceitos têm um significado que não tinham no tempo a que os aplicamos; problematiza o papel do historiador, os desafios que se lhe colocam e as suas opções; e refere-se ao ano de 2019, escolhendo alguns acontecimentos e temas significativos, e remetendo com frequência para acontecimentos dos últimos 20 anos.

Um exemplo de esclarecimento de conceito, das pp. 15 e 17:

No entanto, não podemos chamar ao reconhecimento do Reino de Portugal pelo Papa um reconhecimento "internacional", até porque essa palavra só surgirá no século XIX, há pouco mais de cem anos, tempo de nacionalismos que precisou da invenção do termo «internacional e de várias doutrinas do «internacionalismo» [...]. Chamar assim de reconhecimento «internacional» à bula Manifestis Probatum, como veremos no volume desta coleção dedicado a 1179, é incorrer no pecado a que os historiadores chamam «anacronismo»: ou seja, usar as palavras do futuro para nos referirmos às realidades do passado. Sendo pecado, todos os historiadores reconhecem serem pecadores: é impossível falar do passado sem recorrermos aos termos e expressões do nosso presente. Para expiar esse pecado, é preciso assinalá-lo de modo que o leitor dele fique consciente, como acabo de fazer. O que existia antes do termo «direito internacional» era algo a que se chamava «ius gentium», ou direito das gentes.


E da problematização do papel do historiador:

«O historiador é sempre — ou deveria sê-lo — alguém convicto da precariedade do seu conhecimento sobre as sociedades passadas e as épocas históricas» (pág. 39).

Quando fala da história de Portugal neste ano de 2019, escolhem-se alguns temas particularmente significativos: os efeitos da crise de 2008 em 2019, a partir de alguns títulos jornalísticos do início do ano; o caso do Bairro da Jamaica, no Seixal (com confrontos entre polícia e afrodescendentes e, depois, a manifestação informal realizada principalmente por jovens negros e afrodescendentes na Avenida da Liberdade, em Lisboa; a decisão do juiz Neto de Moura sobre uma situação de violência doméstica, e a reacção da sociedade e do Conselho Superior de Magistratura a essa decisão; um estudo de 2019 sobre a condição feminina; a precariedade laboral; a reflexão sobre a transversalidade internacional destes fenómenos (a propósito da qual o autor transcreve três citações do romance Eliete, de Maria Dulce Cardoso, que tenho de me conter para não citar aqui também); o movimento iniciado por Greta Thunberg; e, entre ainda outros assuntos, a discussão sobre os «descobrimentos» portugueses e a utilização deste conceito, historicamente e num museu anunciado em Lisboa.

Saliento ainda o interessante e clarificador exercício de explicar o que é isto de utilizar redes sociais, telemóveis, etc., porque não sabemos se o leitor futuro deste volume saberá a que nos estaremos a referir. Lê-se, na página 46, o seguinte:

Estes eventos [do Bairro da Jamaica], que provavelmente noutros tempo poderiam ocorrer sem se tornarem notícia, foram filmados a partir das janelas dos prédios pelos dispositivos móveis hoje ubiquamente transportados por toda a gente — vulgo telemóveis, ou smartphones — e, de forma também banalizada nas sociedades contemporâneas à escala global, publicados e distribuídos rapidamente através das redes sociais que põem individualizadamente em contacto pessoas de todo o mundo. (Se se descrevem resumidamente estes dispositivos e estas redes é porque, há 20 anos, no ano de 1998 a que se dedicará o próximo volume desta série, estes não existiam, e naturalmente, não sabemos que dispositivos e plataformas existirão daqui a outros tantos 20 anos.)


Faz tudo isto em menos de 100 páginas com uma transparência e clareza de linguagem louváveis e entusiasmantes.

Por último, é apreciável que o volume e, portanto, a colecção, abra com um poema. E mais ainda que o poema não sirva apenas esse propósito, mas que seja referido no final do volume, para reflectir sobre a relação entre nós (os que estamos no presente] e o nosso passado: «Para ela [Szymborska], não só o passado não é um país estrangeiro, como nem sequer é assim tão diferente do presente. A experiência da alteridade, podemos vivê-la até na nossa cidade natal ou naquela em que estamos habituados a viver. Ao sair à rua e olhar para as caras dos nossos vizinhos, podemos ver neles os rostos de todas as histórias da humanidade: aquela ali poderia ser Catarina, a Grande, aquele ali poderia ser Ramsés II, aqueles acolá poderiam ser os tantos e tantos homens e mulheres anónimos que não passaram à história como entradas numa enciclopédia» (pp. 92 e 93).
856 reviews
June 11, 2019
Esta colecção é audaz: a história de Portugal é lida desde o presente até ao passado;a análise é a da nova historiografia pós-colonial; implica a inserção da história de Portugal no contexto mundial e não é essencialista; tem uma clara intenção pedagógica acerca da disciplina e do trabalho do seu artífice, o historiador.
Começar uma história de Portugal pelo presente é arriscado, pois os fenómenos analisados (a discussão sobre a eclosão da história e da memória dos afastados da narrativa oficial, ou o movimento ambientalista, por exemplo) não estão concluídos.
Esperemos pelas cenas dos próximos capítulos.
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