“Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.
Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.
Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.
E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.
CANTIGA PARA NÃO MORRER
—
“Não quero a poesia, o capricho
do poema: quero
reaver a manhã que virou lixo
quero a voz
a tua a minha
aberta no ar como fruta na casa
fora da casa
a voz
dizendo coisas banais
entre risos e ralhos
na vertigem do dia;
não a poesia
o poema o discurso limpo
onde a morte não grita
A mentira
não me alimenta:
alimentam-me
as águas
ainda que sujas rasas
afogadas
do velho poço
hoje entulhado
onde outrora sorrimos”
O POÇO DOS MEDEIROS