Um livro inédito de Antonio Carlos Viana é uma descoberta a ser feita por grande parte dos leitores de literatura brasileira, e um prazer para os que já conhecem sua obra. Nesta coletânea, ele apresenta 33 contos, ambientados ora em paisagens áridas e abafadas do interior brasileiro, ora na França ou no Marrocos, e marcados por "uma austera economia de meios", como observou Paulo Henriques Britto na introdução de O meio do mundo e outros contos. O denominador comum é uma constante sensação de perda - da infância, da pureza, da alegria - e a descoberta por vezes brutal do sexo e do mundo, sintetizada no título do livro, extraído de uma passagem da Bíblia: "Aberto está o inferno e não há véu algum que cubra a perdição" (Jó, 26, 6). Na prosa de Viana, espelha-se um Brasil miserável mas exuberante, que parece saltar diretamente das páginas do livro para os olhos e a imaginação do leitor.
Viana é mestre em teoria literária pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e doutor em literatura comparada pela Universidade de Nice, França. Nasceu em Aracaju, onde foi professor da Universidade Federal de Sergipe. É tradutor, contista e dá aulas de redação em Aracaju. Recebeu o prêmio APCA 2009 de melhor livro de contos por Cine privê. Publicou outros livros de contos por várias editoras: Brincar de manja (Cátedra, 1974); Em pleno castigo (São Paulo, Hucitec, 1981); O meio do mundo (Libra & Libra, 1993). Pela Cia das Letras, publicou: Aberto está o inferno (2004); Cine privê (2009); Jeito de matar lagartas (2015).