Translated into English for the first time, Elite Squad (Elita da Tropa) was a smash best seller in Brazil and has since touched off a firestorm of controversy that has been heightened by the award-winning film it inspired.
A gente sabe que o BOPE é violento, tem um treinamento duro para operações de guerra, não poupa ninguém, trata as favelas como territórios inimigos e as comunidades como populações inimigas. Em compensação, não corrompe, nem se deixa corromper. Não admite os "arregos", as transacções com os traficantes que estão acabando com a PM. Hoje, secretário, não dá pra pensar o crime no Rio sem pensar no tráfico. E não dá pra pensar no tráfico sem pensar nas polícias. Um não existe sem o outro. Não só a PM. A excepção é o BOPE. Até quando será excepção, não sabemos. Parece inevitável que se contamine também. É impossível mantê-lo como uma ilha, cercada de corrupção por todos os lados. Mas hoje, o BOPE ainda é uma ilha.
Este livro é a prova de que nenhuma instituição, nas pessoas que a representam, está isenta a cem por cento de se deixar corromper. Se não for por motivos monetários, será por políticas ou panelinhas, e quando lidam com estupefacientes a tentação ainda é maior.
Na primeira parte da obra, o narrador descreve episódios de situações que aconteceram durante intervenções do BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais), situações em que esta força não sai muito bem na fotografia. Há relatos de claro abuso de poder da autoridade policial e até de morte de oficiais por fogo amigo, numa tentativa de limpar a força de possíveis corrupções, mas cujos meios, a meu ver, não justificam os fins.
A segunda parte é um relato um pouco confuso, extenso e com demasiados intervenientes que acaba por ficar sem conclusão, ou se estava lá eu não a vi. É uma situação que retrata bem os meandros obscuros de certas situações, pois, a partir do momento em uma força policial resolve raptar a mulher do líder do Comando Vermelho de modo a atrair o BOPE para outra zona da cidade, para que que o negócio do tráfico na favela da Rocinha fique livre da intervenção policial e os policiais possam continuar a lucrar, já que há o pagamento de luvas, está tudo dito.
Gostei da primeira parte, pois são relatos crus, duros e curtos, já a segunda achei um pouca chata, mas que não deixa de ser o espelho de como pessoas corruptas em cargos de poder se vão safando.
On the plus side, this book is a very informative look into the favela culture from the perspective of the police, and shows the Brazilian war on drugs to an audience that, internationally, may not be aware of what is going on, or only know of what they have seen in movies or video games.
On the negative side, the title is misleading. The first 35% of the book actually revolves around BOPE; the remaining 65% details the military police and corruption in government. On top of all that, the second half of the novel is one gigantic chapter, which makes for difficult reading.
This is a good reference for the situation in Rio, but don't expect an in-depth look into BOPE.
Para mim, ler este livro foi uma maravilha, pois, o português é minha segunda língua e este livro foi só o terceiro livro escrita em português que tentei conquistar. Eu já tinha assistido os dois filmes da "Tropa de Elite" e me apaixonei com a cinematográfica brasileira. A história dos filmes e a maneira de apresentar capturaram a minha imaginação e encheram a minha mente com uma curiosidade da polícia carioca e do relacionamento com a política dos quais eu não tinha conhecimento antes. Um amigo brasileiro deu-me a versão publicada como presente. A história é separada em duas partes que nas quais os filmes parecem baseadas. A primeira parte ensina o leitor sobre a vida policial dos soldados do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) do Rio de Janeiro. Humaniza os policiais como seres humanos; não só máquinas de guerra treinados para matar. Os membros do BOPE se tornam irmãos de sangue durante o treinamento e matrícula para entrar no BOPE. E depois de receber seu comissão como oficial do BOPE levam duas vidas. Tem família, estudos, e amigos durante a dia, mas durante a noite entram na guerra para acabar com os negócios dos iníquos bandidos do tráfico de drogas, armas, e toda espécie de atividades criminosas. Com a corrupção da Polícia Civil e da Polícia Militar, só resta o BOPE para fazer a obra de destruição necessário para terminar e ganhar esta guerra pela segurança da cidade.
A segunda parte do livro ensina o leitor que o BOPE faz uma parte pequena nesta guerra. A política, até o próprio governador, em conluio com a polícia de toda forma e com os líderes do tráfico existem numa dança complicada e perverso cheio de mentiras, assassinatos, e uma corrupção quase total. O leitor descobre que nem o BOPE poderia permanecer sem culpa é sem a marca do pecado neste mundo de desafios sem descrição.
“Da mesma forma que o governador autoriza o secretário de segurança a autorizar o comandante da PM, a autorizar o policial, quando lhe diz: ‘faça o que for necessário para resolver o problema.’ O governador dorme o sono dos justos; o secretário descansa em berço esplêndido; o comandante repousa como um cristão; e o soldado, lá na ponta, suja as mãos de sangue. (...) O governador é ambíguo para descansar em paz; o secretário é sutil para preservar a consciência; o comandante cultiva os eufemismos e opta pelo vocabulário enviesado para proteger a honra e o emprego. Sobra para o soldado, que bota pra foder por dever de ofício.”
Melhor na parte dos relatos curtos do que na narrativa mais longa. Mas foi interessante descobrir porque os traficantes fecharam o comércio no Rio de Janeiro há uns 5 anos. Ver a versão real, não a oficial, da polícia é outro ponto para o livro.
Ao ler fica claro que no filme ficaram as estórias cujo saldo é um pouco mais positivo para o BOPE. Uma das narrativas mais terríveis ficou de fora do filme.
Very interesting book written by people that had very close links to Rio de Janeiro internal security apparatus.
In a densely populated area where there is clear separation between poor and rich and where poor are for all means and purposes living in areas fully controlled and governed by gangs corruption is sure to flourish. It slowly makes its way from the favelas [used by gangs as their area of operation] to the rest of the city and city and state ministries. All of this causes even more mayhem because internal security soon starts to act on its own using the already existing preconceptions and attitude toward the poor people (from pure racial to social base) so shootings become more and more indiscriminate and civilian casualties start to pile up.
In the midst of all of this we have BOPE, highly militarized law enforcement troop that sees its adversaries as legit targets of war. They do not talk about taking down criminals but infiltrating, enveloping and utterly destroying the armed opposition. Trained in a very hard manner these troops are somewhere between monks and soldiers, highly dedicated to exterminating the crime but unfortunately due to this attitude not liked by civilian society [that, irony is, they try to protect through these brutal means]. At the moment they might be impervious to corruption but the question for how long.
Book portrays very disturbing picture of internal security forces of Rio de Janeiro. This is semi-historical account, or better yet fiction written on basis of author's experiences so true names are definitely not to be found. Question then is does the book reflect current situation? Even if 20% is true it is very disturbing. In any case book shows what happens when military and para-military forces with very thorough aggressive training are pointed toward crime flourishing in civilian areas. This is sure recipe for disaster and huge civilian losses.
In terms of policing the city it is obvious that Rio de Janeiro's internal security has quite a challenge before it but armed raids should not be the sole instruments of enforcing the law, there must be other social activities to make life of the organized crime difficult. In any case this is very complex problem that security professionals are working on and I hope the will find the way for a more balanced fight against the crime and corruption.
Recommended to anyone interested in policing densely populated areas with wide and visible social differences.
Elite da Obra conta relatos desconexos de um narrador onisciente anônimo, ex-policial do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE). Como dito pelos autores, a ideia é criar uma história ficcional que detalhe a realidade da segurança pública do Rio de Janeiro.
Gosto da linguagem usada pelos autores: coloquial e às vezes sem escrúpulos. Ao início, o livro é mais um relato pessoal do narrador com suas observações; ao fim, o narrador está apenas contando os fatos com pouca opinião.
A narrativa de Elite da Tropa é complicada demais de seguir. O principal motivo é que a dinâmica da história é ditada por exaustivos diálogos. Os diálogos servem para dar vida aos personagens, desenvolvê-los, e eu entendo o motivo de existirem tantos no livro para justamente mostrar a “verdadeira face” de grandes líderes políticos. Mas às vezes os diálogos ou são extensos demais, ou surreais demais.
Os diálogos entre políticos eu aceito melhor. Realmente o discurso entre eles é sempre ditado de muita subjetividade e entrelinhas. Mas às vezes as conversas entre populares soa moralista demais e sem fundamento. Quase um pastor pregando pragmatismo.
A narrativa é uma coleção de fatos que servem para desmascarar a face do Serviço Público do Rio de Janeiro e seus demasiados departamentos. No início, esses fatos são desconexos mas interessantes. Perto do fim, o climáx culmina na tensão entre o Comando Vermelho, o Governador, e o Secretário de Segurança Pública, entre outros departamentos. Essa trama toma mais da metade do livro e, aos poucos, se torna desinteressante e cansativa. Diria que o principal motivo é narrativa como uma série de conversas entre os personagens-chave. Cada capítulo é uma longa conversa entre dois ou mais personagens-chave e, ao final, você está apenas acompanhando uma longa reunião que nos leva à realidade dos eventos.
Boa parte dos diálogos poderiam ser cortados. Não sei se alguns deles existem para instigar um teor cômico ou prejudicar certas personagens ao caracterizá-las indiretamente como incompetentes ou inferiores, mas eu acho que esses diálogos são excessivos demais.
Ao final, acho que o que torna este livro interessante é a ideia de que tudo o que ele descreve possa ser real. Talvez boa parte seja, ainda que os autores tenham protegido suas cabeças ao relatar os fatos como sendo apenas ficção. Essa é a ideia que sustenta o livro e, sem ela, o livro automaticamente seria massante e desinteressante.
Eu acho que, antes de avaliar, preciso fazer a seguinte ponderação: pra entender a dimensão, a profundidade e os meandros desse livro (assim como do filme, mesmo que esse ilustre melhor pela natureza do cinema), acho que a principal característica necessária ao leitor é ser carioca.
Bom, como sou carioca... posso falar algumas coisas.
A narrativa inicial estilo Nelson Rodrigues, com crônicas meio "soltas", ilustrativas, mas bem construídas e relacionadas, apresentando e descrevendo personagens de uma forma cativante (pra bem ou pra mal) prende bastante a atenção. É muito interessante ter uma espécie de "visão do Mathias" (porque o personagem principal do livro é quem inspira o André Mathias do filme), porque a impressão que se tem é de estar acompanhando uma narrativa bem parecida sob um ponto de vista diferente e um pouco mais complexo nas ideias.
Enfim, gostei bastante da construção do livro. É duro ler essa quantidade de podridão e perceber que na verdade não é obra da ficção, é uma explanação de práticas muito comuns no Rio de Janeiro, em detalhes de quem esteve lá dentro e viu bem todos os esquemas. Confesso que esperava um pouco menos, a complexidade dos personagens foi uma das surpresas boas. Mas tem um pequeno problema: são MUITOS, o que as vezes deixa a história um pouco confusa, principalmente a parte final.
Na primeira parte, o livro retrata algumas histórias que envolvem membros do BOPE, a dura realidade vivenciada todos os dias por homens que saem de casa sem saber se voltam vivos; o enredo dos becos e favelas, é cruel, triste e avassalador; um grupo de elite que não permite em sua equipe, de jeito nenhum, camarada de caráter fraco.
Por que temos a impressão que tudo é comandado por uma grande máfia, e por isso nada vai pra frente? Na segunda parte do livro nos é demonstrado como realmente as coisas acontecem, e afirmam nosso palpite. Como a política, o narcotráfico, o tráfico de armas e a polícia tem uma ligação direta numa luta de interesses e poder. Pessoas são tratadas como peças num tabuleiro, para as coisas continuar como são. Apesar da luta diária de muitas pessoas honestas, o crime parece ser um câncer nas instituições, e aqueles que ousam ir contra a corrente, são eliminados ou sofrem graves consequências. Que luta sem fim, que baque, que revolta!
O livro consegue ser bastante sastifatorio como um todo afinal o mesmo consegue representar os assuntos com uma exclusividade única e mostra suas pautas de uma forma bastante clara concisa e direta sendo um livro que realmente vale muito sua leitura afinal o mesmo tem diversas perspectivas expostas e N lados a serem vizualizados sendo uma obra que vale a pena Além disso o mesmo se apresenta bastante interessante do começo ao fim e cada história tem uma exclusividade digna de ser aclamada ao longo de suas páginas sendo uma obra que vale a pena de ser consumida e assistida (Apesar de tal livro não ter relação com o filme aqui conhecemos muito mais a fundo sobre o mesmo,a corporação como um todo e a segurança pública no rio de janeiro em um geral Nota:10/10
A good book about urban warfare and waging a war on the second best armed criminals in the world. It's a fine look at the compromises and sacrifices one needs to make in a third world country that doesn't have the luxury of being able to stay within the law when fighting evil. You will get to sympathize with these Men In Black who are a lot more scary and ruthless than the Hollywood Alien hunting kind.
Ganhei de presente... Li... Mas achei meio "fraco" em questão de força. Não sou a maior fã do filme, mas esse livro perde feio para a versão dos cinemas. Ainda assim tem aquela narrativa que dá uma prendida e entretém.
A brutal explanation of corruption and the measures taken to deal with it. It gives the idea of the BOPE being a necessary force of justice in a city plagued by criminals in its underbelly.
O livro fica dividido em duas partes. A primeira são relatos sobre as mais diversas operações do BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especias) nas favelas de Rio de Janeiro. Como o BOPE faz as operações e os episódios que lá aconteciam. Entretanto, a segunda parte são muitos relatos diferentes, com diferentes personagens (às vezes estes relatos tinham acontecido ao mesmo tempo). Alguns destes eram um pouco confusos, mas a parte final desta segunda parte todo ficou esclarecido. A corrupção é omnipresente na PMRJ (Polícia Militar de Rio de Janeiro) e nenhuma instituição, nem a política, nem a PM, nem a polícia civil são exceções, exceto uma: O BOPE. A questão é, o BOPE pode realmente ser uma ilha isolada entre tanta corrupção? Esta não é uma pergunta que tinha sido respondida no livro, no obstante não deixa de ser interessante. O policiais do batalhão recebem uma instrução baseada na tortura, portanto, isso torna-a incorruptível, mas quanto tempo seguirá assim?
NITROLEITURAS | Elite da Tropa - Luiz Eduardo Soares | Ed. Objetiva, 315 pgs | Lido de 18.12.15 a 19.12.15
Um livro impressionante, mesmo depois de assistir o filme. Não é uma história tradicional, com atos, como o fantástico filme de José Padilha, mas é a narrativa baseada na vida de dois policiais que serviram no BOPE. O livro é uma coletânea de histórias e anedotas de suas vivências na guerra urbana da polícia versus o tráfico de drogas durante a década de 90.
A narrativa é muito forte, os diálogos são bem realistas, e a temática é complexa. Achei que iria ter uma visão bem parcial do problema da violência policial, mas, mesmo com o ponto de vista bem fechado dos narradores, o tema é explorado profundamente, com as próprias descrições das ações ultraviolentas do Bope servindo como contraponto para as racionalizações e justificativas feitas pelos narradores.
Como li Cidade de Deus a pouco tempo, acredito ser interessante para o leitor ler os dois livros, e ver os dois lados dessa tragédia social brasileira.
Para escritores, é uma chance de ver a linguagem crua da violência urbana carioca. As cenas de ação são muito bem descritas também, de maneira naturalista e dentro do POV dos narradores.
Ler o livro foi um excelente complemento ao filme e também me fez admirar ainda mais o trabalho do diretor José Padilha em adaptar este livro pegando alguns elementos apresentados nas curtas narrativas, ao invés de fazer uma simples transcrição do livro e conseguiu criar uma obra-prima do cinema brasileiro. A primeira parte do livro com curtas narrativas chamada "Diário de guerra" é nota dez, prende muito a atenção e eu li muito rápido. Já a segunda parte traz uma história longa que foca mais em política e um grande esquema corrupção na polícia, o que foi abordado principalmente no segundo filme. Esta parte tem o problema de ser uma história arrastada que parece o tempo todo caminhar para um clímax que não acontece, dando a impressão de páginas faltando no livro. Só por isso o livro perdeu pontos na minha avaliação e torna se um dos raros casos em que o filme é melhor que o livro!
A ideia de explicar como funciona o BOPE já seria o suficiente para atrair a atenção, porém foi o sucesso do filme que fez com que esse volume modesto alcançasse um certo êxito editorial.
O livro é dividido em duas partes: a primeira traz a crônica de Rodrigo Pimentel onde sua trajetória na corporação é explorada; a segunda é uma ficcionalização do mesmo - e provavelmente foi essa aqui que inspirou ou talvez tenha sido inspirada pelo roteiro de José Padilha, algo que não consegui descobrir.
Sobre a escrita, é bem fraca o que denuncia uma certa falta de experiência na formação da crônica.
Uncomfortable but necessary read to understand the nature of personalties who take on the duties of a law enforcement elite. When the policeman see himself as social garbage man instead of a tool of justice, peace and mediation society is in worse trouble. The futility if the war on drugs is clearly on display here in the favelas of Brazil.
A nice book, A nice story. It is funny, even though you know this is a fiction novel, you start to reflect on the role of the police force. As a Brazilian, I feel sad that I'm not astonished or intrigued, that's the way it is.
If you like to understand how the crimes organizes itself, this is a good read, even if you already watched the movie.
O livro acaba na página 149, isto é, com o fim da primeira parte, que é super interessante e nos mostra o cotidiano das polícias de forma ora bem-humorada, ora triste. A segunda parte é completamente descartável, atolada de personagens mal desenvolvidos e mal apresentados, bem como chata demais.
Interesting topic, but the translation made the reading a bit choppy, and the final story had way too many characters in it (three pages listing the characters). An interesting read for the first 3/4 of the book in any case.
Sem dúvida, a primeira parte "diário de guerra" é muito mais interessante (talvez até melhor, em certo ponto de vista) do que a loooonga narrativa da segunda parte, a qual relata, relata e relata fatos, mas que eu não vejo chegar a nenhuma conclusão precisa, de modo que é muito vaga e enfadonha.
Es un libro interesante, con muchas voces que cuentan su versión de las cosas. Bastante crudo y un poco fuerte, pero no menos realista. Me quedo con muchas partes remarcadas. La segunda parte se me hizo un poco tediosa con tantos saltos, pero el final estuvo muy bueno con sus reflexiones.