Eu sei que, racionalmente, eu deveria dar 4,5 estrelas pra esse livro, mas não consigo dar menos que 5!
Preciso começar dizendo que Livre Para Recomeçar foi um livro que me interessou desde o seu lançamento, mas que eu enrolei por anos pra ler porque as temáticas tratadas nele me doem profundamente: machismo, violência doméstica, racismo (fica o alerta para gatilhos). Além de tudo, estamos falando de um romance histórico. Então, a história de que, num passado não muito distante maridos podiam internar suas esposas em hospícios pelos motivos mais torpes do mundo (não os obedecerem, por exemplo)... isso me embrulha o estômago e me atinge pessoalmente. Juntando isso à escravidão? À crueldade ainda presente de um Brasil que persiste mantendo um modus operante racista? Nossa, eu fugi muito, mas chegou o momento da leitura e eu não posso me arrepender mais por ter demorado!
O fundo histórico é muito bem construído e os personagens também. É muito gratificante ler um romance histórico tão robusto e tão cheio de Brasil, sem negar nossos erros históricos (inclusive, criticando-os), mas também mostrando belezas e peculiaridades da terra e do povo. O plot é maravilhoso e a Paola o desenvolve com muita competência! Apenas no meio da história me deu um leve desespero, pois a narrativa perde um pouco o ritmo, fica mais lenta de uma forma incômoda... cheguei a pensar até que o livro poderia ter menos páginas - esse é o motivo que me faria tirar um pouco da nota. Porém, logo há uma recuperação e a história vai embalada até o final.
Uma coisa que me chamou muito a atenção foi que os personagens CONVERSAM sobre as coisas. Sabe aquele plot em que acontece um desentendimento sem tamanho por conta de um segredo desnecessário em que você ficou "EU AVISEIIIII PRA NÃO FAZER ISSOOOOO" na sua mente o tempo todo? Não acontece aqui e isso é muito satisfatório! E também é raro de rolar, sabia? Acho inteligente a autora ter fugido disso, porque combinou com as personagens. "Esconder algo pra que gere treta no futuro" é um clichê muito mal utilizado, geralmente: gera plot twists impactantes com facilidade, mas com isso nós tendemos a questionar a inteligência das personagens, pois era "óbvio" que aquilo daria errado, e muitas vezes essa característica não é coerente com o que o autor vem construindo para aquelas pessoas.
O auge do livro, pra mim é a cena que envolve um julgamento. Eu não lembro se isso já aconteceu comigo antes, mas eu me arrepiava enquanto lia! Sem exageros! Com os braços arrepiados, os olhos marejados e muita emoção, eu vi muito do que eu acredito estampado, alí, numa cena, e isso transbordou meu coração. Foi o momento em que a nota 5 desse livro foi selada.
Me peguei, por várias vezes, desejando que essa cópia que eu li fosse minha pra que eu pudesse sair grifando muita coisa (obrigada pelo empréstimo, Lu)! Eu gostei muito das outras obras da Paola que li, mas essa é a minha preferida até o momento e - com certeza - entrou pra minha listinha de livros favoritos.
Anastacia de Faure, Darcília, Benício e Samuel de Sá e muitas outras personagens incríveis estarão pra sempre no meu coração.