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200 pages, Paperback
First published November 25, 2019
Em contos breves e intrigantes que desafiam o leitor a ligar os pontos, e depois ligar de novo e de novo, Caetano W. Galindo inventa um idioma capaz de proezas como transitar quase sem escalas entre o riso filosófico, o engasgo lírico e o grito de terror. É um idioma que soa original e, ao mesmo tempo, estranhamente familiar. Pudera: se chama fala brasileira, que o autor toca de ouvido com talento raro.
Mas eles meio que se acomodaram e tal… Naquela tensão ali de saber o que que vai rolar ainda naquela noite. O que eles querem que role. O que que eles esperam… Essas coisas. Meio tenso. Mas eles estão bem. O encontro foi legal e tudo. Está tudo legal.
Hoje lembra com arrepios dos vários episódios em que o pai pegava no sono no sofá da sala, em pouco tempo começava a estrondar e, de repente, depois de um silêncio de talvez vinte, trinta segundos, soltava um quase urro trepidante e simultaneamente acordava de susto. Eles riam.
Eles riam…
Acordou de tão barulhento que estava!
Mas não. Ele hoje sabe que naquele momento, naqueles momentos todos, o pai estava era acordando como quem sai de um sonho terrível. Um sonho em que a morte está sentada no teu peito, com a mão na tua boca. Rindo também.
Eles riam. Imagine acordar daquilo, e ser recebido como uma piada.