História Libidinosa de Portugal aborda questões espinhosas como a sucessão dinástica e a extraconjugalidade na evolução de um país que deve as suas origens mais remotas ao adultério de um soberano de Leão e Castela e que foi oferecido como dote a uma bastarda real.
Num registo solto e rigoroso, o autor recorda o mistério sobre a filiação de Afonso Henriques, as acusações de bigamia contra Afonso III, o amor incendiário de Pedro I e Inês de Castro, a predileção por freiras de João V, as aventuras homossexuais de João VI ou os rumores sobre o lesbianismo da rainha D. Amélia.
Com a instauração da República, o sexo perdeu importância para o regime, mas continuou a confundir-se com os assuntos de Estado. O presidente Manuel Teixeira Gomes ficou conhecido como apreciador de ninfetas e rapazinhos; Salazar, celibatário com fama de casto, manteve várias ligações românticas longe dos olhares públicos; Sá Carneiro e Snu Abecassis protagonizaram uma história de amor que desafiou os bons costumes da época; José Sócrates viu a sua intimidade cair na praça pública quando rebentou o maior escândalo da democracia portuguesa.
Um olhar imperdível, singular e mordaz sobre a nossa identidade enquanto país.
A História de Portugal vista numa outra perspectiva, muito diferente daquelas que são mais conhecidas. Podemos concluir que as monarquias na Europa eram um negócio de casamentos a que Portugal não ficou alheio. Outra conclusão é que, em geral, os reis portugueses foram verdadeiros povoadores do reino. Ainda, mostra o autor, a igreja católica também deu uma mãozinha à demografia. Pena que não tivesse podido ir mais longe nos actores da República, em especial no que concerne aos mais recentes; mas entende-se que o pouco afastamento temporal a isso obrigue. Uma sugestão que melhoraria a leitura: a inclusão de uma carta genealógica, talvez em separata, ajudaria a identificar os Afonsos, os Henriques, os Pedros, que em certos momentos me confundiram. De resto, um bom trabalho de pesquisa. E boas histórias da História. Acresce que bem escritas.
Gostei bastante do livro! Já sabia que em tempos de monarquia, os reis tinham imensas amantes. Não fazia ideia da pouca vergonha que era na república. E não, não falo do facto de terem amantes, falo dos casos de pedofilia, ainda no tempo do estado novo e que tão abafado foram. Choca-me mesmo e revolta-me imenso, como é possível! Não sabia que o Socrates, para além arguido no caso Marquês, também era um desenvergonhado, e que gostava de festas loucas 😆 Aconselho a leitura!
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3,5 ⭐ Um livro para os amantes de História. Um livro que aborda algumas temáticas mais polêmicas no decorer do tempo e da história, que faz nos questionar alguns aspectos da História de Portugal dada na escola.
O livro surpreendeu-me pela positiva como documento complementar da nossa História. A influência que nela tiveram os casamentos, as amantes, os filhos bastardos desde o nascimento da nação até aos nossos dias.